{"id":51008,"date":"2011-04-21T19:30:00","date_gmt":"2011-04-21T19:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/21\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2011-04-21T19:30:00","modified_gmt":"2011-04-21T19:30:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;<\/strong><strong>Jesus nosso alimento&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Evocamos, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, a &uacute;ltima Ceia do Senhor. Tradicionalmente, baseando-nos na cronologia sugerida pelos Evangelhos sin&oacute;pticos, coincidiu com a Ceia Pascal do ritual judaico, a grande celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa judaica. S&atilde;o Jo&atilde;o sugere outro encadeamento dos acontecimentos. Jesus tem consci&ecirc;ncia da proximidade da sua morte, sabe que j&aacute; n&atilde;o celebrar&aacute; a P&aacute;scoa desse ano e por isso se antecipa, comendo uma &uacute;ltima refei&ccedil;&atilde;o com os seus disc&iacute;pulos, uma &ldquo;&uacute;ltima Ceia&rdquo;, a que imprime toda a densidade do que est&aacute; a viver, o sentido da sua morte que se aproxima, o dom da sua vida, a certeza da ressurrei&ccedil;&atilde;o, porque sabe que o Pai n&atilde;o O abandonar&aacute;. Aquela sua &ldquo;&uacute;ltima Ceia&rdquo; &eacute; pascal, n&atilde;o porque &eacute; a P&aacute;scoa judaica, mas porque Ele celebra nela a sua P&aacute;scoa, a nova P&aacute;scoa. A&iacute;, a sua vida oferecida torna-se decisiva para a vida dos homens. Seria pouco prov&aacute;vel que o processo e a condena&ccedil;&atilde;o de Jesus acontecessem durante a festa da P&aacute;scoa judaica, nesse ano, celebrada, segundo o calend&aacute;rio lunar, desde o p&ocirc;r do sol de sexta-feira at&eacute; ao p&ocirc;r do sol de s&aacute;bado. S&atilde;o Marcos, referindo-se &agrave; decis&atilde;o das autoridades de se apoderarem de Jesus, p&otilde;e na sua boca: &ldquo;durante a festa n&atilde;o, para que o Povo n&atilde;o se revolte&rdquo; (Mc. 14,2). E S&atilde;o Jo&atilde;o, narrando o processo de Jesus, diz que as autoridades se recusaram a entrar no pret&oacute;rio de Pilatos &ldquo;para n&atilde;o se contaminarem e poderem celebrar a P&aacute;scoa&rdquo; (Jo. 18,28).<\/p>\n<p>Jesus morreu antes de come&ccedil;ar a P&aacute;scoa judaica, portanto antes do p&ocirc;r do sol de sexta-feira. S&atilde;o Jo&atilde;o confirma isto mesmo, quando narra a sepultura de Jesus: &ldquo;Por causa da prepara&ccedil;&atilde;o dos judeus, como o t&uacute;mulo (de Jos&eacute; de Arimateia) estava perto, foi l&aacute; que depositaram Jesus&rdquo; (Jo. 19,42). Portanto Jesus morreu ainda durante a prepara&ccedil;&atilde;o judaica para a grande festa, de que fazia parte a imola&ccedil;&atilde;o dos cordeiros[1]. Naquele ano &eacute; imolado um outro cordeiro, Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro Pascal.<\/p>\n<p>2. Este &eacute; o primeiro elemento significativo a indicar-nos que Jesus, na sua P&aacute;scoa, se assume como alimento de todos quantos quiserem, com Ele, ratificar a nova Alian&ccedil;a com Deus, e que Ele explicita na Ceia: &ldquo;Isto &eacute; o meu Corpo, tomai e comei&rdquo; ou, na vers&atilde;o de Paulo, &ldquo;isto &eacute; o meu Corpo, que &eacute; para v&oacute;s&rdquo;. Ouvimos na primeira Leitura desta celebra&ccedil;&atilde;o, o sentido do cordeiro pascal na Liturgia judaica. &Eacute;, ao mesmo tempo, alimento e celebra&ccedil;&atilde;o. Alimento, comido &agrave; pressa, de quem est&aacute; para partir, encetar um caminho novo, em ordem &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o e &agrave; terra prometida. &Eacute; celebra&ccedil;&atilde;o porque o seu sangue, aspergido sobre as portas, &eacute; sinal da predile&ccedil;&atilde;o de Deus pelo seu Povo, poupado no dia da extermina&ccedil;&atilde;o dos primog&eacute;nitos. Nenhuma celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa &eacute; alimento, se n&atilde;o for, simultaneamente, a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as e louvor.<\/p>\n<p>Naquele ano, Jesus &eacute;, na totalidade da sua pessoa, o Cordeiro da nova P&aacute;scoa, alimento indispens&aacute;vel para todos os que, acreditando n&rsquo;Ele, se querem p&ocirc;r a caminho. No ritmo daquela &uacute;ltima Ceia, Jesus alia o alimento ao louvor de Deus. As quatro narrativas da institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia referem que Jesus tomou o P&atilde;o, pronunciou a ora&ccedil;&atilde;o de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e de agradecimento e depois partiu-o. A &ldquo;berakha&rdquo;, a grande ora&ccedil;&atilde;o de agradecimento e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o judaica, &eacute; traduzida por &ldquo;eucaristia&rdquo;. Ao partir e distribuir o P&atilde;o, Cristo d&aacute;-se a Si mesmo como alimento de quem o quer seguir e agradece a Deus o facto de n&atilde;o O abandonar, mas de O ressuscitar dos mortos. Como afirma Bento XVI, &ldquo;as palavras da institui&ccedil;&atilde;o situam-se neste contexto de ora&ccedil;&atilde;o; nelas, o agradecimento torna-se b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o&rdquo;[2]. A Eucaristia &eacute; b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, for&ccedil;a para a caminhada e louvor pela certeza da fidelidade de Deus &agrave; nova Alian&ccedil;a com o seu Povo.<\/p>\n<p>Depois da ora&ccedil;&atilde;o de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, Jesus <strong>partiu <\/strong>o P&atilde;o. Partir, para distribuir, para partilhar. &Eacute; o gesto do pai de fam&iacute;lia. Este p&atilde;o partilhado gera comunh&atilde;o. No caso da Eucaristia, relativizou-se a fun&ccedil;&atilde;o deste P&atilde;o como alimento do corpo, para valorizar o fortalecimento desta experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o, com o Senhor e com os irm&atilde;os. Bento XVI comenta: &ldquo;Este gesto humano primordial de dar, de partilhar e unir, adquire, na &uacute;ltima Ceia de Jesus, uma profundidade inteiramente nova: Ele d&aacute;-se a Si mesmo. A bondade de Deus, que se manifesta na distribui&ccedil;&atilde;o, torna-se totalmente radical no momento em que o Filho, no P&atilde;o, se comunica e distribui a Si mesmo&rdquo;[3].<\/p>\n<p>3. O p&atilde;o, alimento b&aacute;sico do homem, tem uma grande for&ccedil;a simb&oacute;lica. J&aacute; no Antigo Testamento, durante a travessia do deserto, em que, se Deus n&atilde;o o alimentasse, o Povo morreria &agrave; fome, surge o P&atilde;o vindo do C&eacute;u: &ldquo;Deus disse a Mois&eacute;s: vou fazer chover P&atilde;o do alto dos C&eacute;us&rdquo; (Ex. 16,4). Na disputa com os fariseus, depois da multiplica&ccedil;&atilde;o dos p&atilde;es, Jesus anuncia que o verdadeiro P&atilde;o que alimenta para a vida eterna &eacute; Ele pr&oacute;prio: &ldquo;Eu sou o P&atilde;o da vida. Os vossos pais comeram o man&aacute; no deserto e morreram; este P&atilde;o &eacute; o que desce do C&eacute;u, para que O comamos e n&atilde;o morramos. Eu sou o P&atilde;o vivo descido do C&eacute;u. Quem comer deste P&atilde;o viver&aacute; para sempre&rdquo; (Jo. 6,49-51). Naquela sua P&aacute;scoa, a vida que Jesus anuncia e quer comunicar, &eacute; a sua vida de ressuscitado. Cristo-P&atilde;o &eacute; garantia para sempre. A sua ressurrei&ccedil;&atilde;o ser&aacute; a maior prova de amor de Deus, seu Pai, para com o seu Filho feito Homem. Jesus ao partir e distribuir o P&atilde;o, partilha o que de mais precioso Ele vai receber de seu Pai. No deserto, Deus, ao alimentar o seu povo peregrino, d&aacute;-lhe p&atilde;o e carne, ambos descidos do C&eacute;u (cf. Ex. 16,8). Neste novo P&atilde;o, que &eacute; Cristo, Ele &eacute; p&atilde;o e carne, isto &eacute;, o alimento completo para a caminhada: &ldquo;O P&atilde;o que Eu vos der &eacute; a minha Carne para a vida do mundo&rdquo; (Jo. 6,51). Naquela Ceia, Jesus sabe que s&oacute; Ele &eacute; o alimento que conv&eacute;m. Quem quiser caminhar, na fidelidade &agrave; nova Alian&ccedil;a, de que o seu Sangue derramado &eacute; o sinal, tem de ter Cristo como alimento. &ldquo;Isto &eacute; o meu Corpo, tomai e comei&rdquo;; &ldquo;isto &eacute; o meu Corpo, que &eacute; para v&oacute;s&rdquo;. O alimento de que precisamos &eacute; a for&ccedil;a da comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Neste gesto e nestas palavras da sua &uacute;ltima Ceia, Jesus assume que toda a sua Pessoa &eacute; um ser para n&oacute;s, para que n&oacute;s, fortalecidos pelo alimento que Ele &eacute;, sejamos seres para Ele. Ou&ccedil;amos Bento XVI: &ldquo;Toda a sua &iacute;ndole &eacute; qualificada com a express&atilde;o &laquo;pr&oacute;-exist&ecirc;ncia&raquo;, um existir n&atilde;o para Si mesmo, mas para os outros; e isto n&atilde;o apenas como uma dimens&atilde;o qualquer desta exist&ecirc;ncia, mas como aquilo que constitui o seu aspeto mais &iacute;ntimo e abrangente. O seu ser como tal &eacute; um &laquo;ser para&raquo;. Se conseguirmos entender isto, ter-nos-emos ent&atilde;o aproximado verdadeiramente do mist&eacute;rio de Jesus, saberemos ent&atilde;o tamb&eacute;m o que significa seguimento&rdquo;[4].<\/p>\n<p>5. A experi&ecirc;ncia crist&atilde; confirmar&aacute; esta for&ccedil;a da Eucaristia como alimento? Conhecem-se, na Hist&oacute;ria da Igreja, casos extraordin&aacute;rios de pessoas que se alimentaram, durante um tempo, s&oacute; da Eucaristia que, nesses casos, foi tamb&eacute;m p&atilde;o para o corpo. S&atilde;o casos excecionais cujo sentido &eacute; sublinhar realisticamente que Cristo Eucar&iacute;stico &eacute; mesmo alimento. Mas n&atilde;o &eacute; a fome do corpo que a Eucaristia sacia. &Eacute; o desejo de fazer da P&aacute;scoa de Jesus a nossa P&aacute;scoa, de O conhecermos, de O amarmos, de experimentarmos na comunh&atilde;o com Ele a alegria da vida eterna. Que o digam aqueles que encontraram na Eucaristia a for&ccedil;a que os levou a dar sentido novo &agrave; vida, a dar sentido ao sofrimento, a vencer tenta&ccedil;&otilde;es e a ser fiel em situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis; que na Eucaristia aprenderam a amar o Senhor.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 21 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 Para a cronologia da P&aacute;scoa de Jesus, ver Bento XVI, Jesus de Nazar&eacute;, vol. II, pp. 94ss 2 Ibidem, p. 110<\/p>\n<p>2 &#8211; Ibidem, p. 110<\/p>\n<p>3 Ibidem, p. 111 4<\/p>\n<p>4 Ibidem, p. 115<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;Jesus nosso alimento&rdquo; 1. Evocamos, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, a &uacute;ltima Ceia do Senhor. 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