{"id":50995,"date":"2011-04-21T11:00:00","date_gmt":"2011-04-21T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/21\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-missa-crismal-2\/"},"modified":"2011-04-21T11:00:00","modified_gmt":"2011-04-21T11:00:00","slug":"homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Leiria-F\u00e1tima na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Servidores&nbsp; da Caridade<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cantarei eternamente a bondade do Senhor <\/strong><\/p>\n<p>A liturgia da Missa Crismal encerra uma&nbsp; beleza espiritual pr&oacute;pria com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos Santos &Oacute;leos e com a mem&oacute;ria peculiar do sacerd&oacute;cio ministerial. Toda esta liturgia &eacute; um c&acirc;ntico &agrave; bondade do Senhor que perfuma a Igreja com a un&ccedil;&atilde;o do Seu Esp&iacute;rito de Amor e faz dela a Igreja da caridade na diversidade de dons e servi&ccedil;os.<\/p>\n<p><em>Cantarei eternamente a bondade do Senhor:<\/em> &eacute; o canto de comovida gratid&atilde;o pelo dom inestim&aacute;vel do sacerd&oacute;cio ministerial, que elevamos a Cristo a quem n&oacute;s padres queremos renovar o nosso prop&oacute;sito de fidelidade.<\/p>\n<p><em>Cantarei eternamente a bondade do Senhor:<\/em> &eacute; o canto de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as particularmente entoado pelos sacerdotes que este ano celebram o jubileu dos&nbsp; 50 anos de ordena&ccedil;&atilde;o a quem nos unimos com a nossa ora&ccedil;&atilde;o e as nossas felicita&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Nesta grande express&atilde;o de louvor e a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as recordamos e inclu&iacute;mos os colegas que desde o ano passado partiram para a casa eterna do Pai e todos os outros que por diversos motivos n&atilde;o podem estar aqui presentes.<\/p>\n<p><em>Cantarei eternamente a bondade do Senhor:<\/em> este refr&atilde;o do salmo recorda-nos a nossa voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Recorda-nos que somos, de modo especial, ministros da bondade, da miseric&oacute;rdia do Senhor.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva queremos considerar a nossa miss&atilde;o de servidores e ministros da caridade &ndash; segundo o tema do ano pastoral &ndash; &agrave; luz da miss&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>No Cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, a fonte da Caridade<\/strong><\/p>\n<p>A Palavra de Deus proclamada apresenta-nos o Evangelho da Caridade na beleza comovente e simb&oacute;lica de um septen&aacute;rio de a&ccedil;&otilde;es concretas que em Isa&iacute;as caracterizam a miss&atilde;o do Messias e no Evangelho de Lucas sintetizam o programa do reino de Deus que Jesus inaugura na hist&oacute;ria: anunciar a boa nova aos infelizes, curar os cora&ccedil;&otilde;es atribulados, proclamar a liberta&ccedil;&atilde;o aos prisioneiros do mal, consolar os aflitos, etc.<\/p>\n<p>Jesus &eacute; o Enviado que entra no &acirc;mago da dor dos homens e lhes leva o amor apaixonado do Pai. No centro deste an&uacute;ncio est&aacute; a proclama&ccedil;&atilde;o do Ano da Gra&ccedil;a, da Miseric&oacute;rdia de que Jesus &eacute; o rosto vis&iacute;vel. &Eacute; essa riqueza de miseric&oacute;rdia que enche o cora&ccedil;&atilde;o de Jesus e o leva a percorrer todos os caminhos e formas da caridade desde a Palavra aos gestos at&eacute; &agrave; paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o. Que &eacute; a caridade sen&atilde;o a express&atilde;o incarnada do amor terno, misericordioso e libertador de Deus que quer a salva&ccedil;&atilde;o do homem todo?<\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>O minist&eacute;rio do presb&iacute;tero como presid&ecirc;ncia da caridade<\/strong><\/p>\n<p>Este amor de Deus &eacute; constitutivo e construtivo da Igreja. Esta nasce e vive da caridade: recebe-a e anuncia-a, celebra-a e testemunha-a. Na Igreja, o presb&iacute;tero &eacute; pois aquele que &ldquo;exerce a presid&ecirc;ncia da caridade&rdquo;, segundo a bel&iacute;ssima express&atilde;o de Santo In&aacute;cio de Antioquia, tal como preside ao an&uacute;ncio da Palavra e &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o da Liturgia.<\/p>\n<p>O que significa presidir &agrave; caridade? Antes de mais, significa que o bispo e o padre, com o seu minist&eacute;rio e com toda a sua vida, ajudam o povo sacerdotal dos crentes a acolher o primado da caridade de Jesus que &eacute; a fonte, a medida e a norma da caridade da Igreja.<\/p>\n<p><em>A presid&ecirc;ncia do presb&iacute;tero &eacute; testemunho e sinal da presid&ecirc;ncia que Jesus exerce com todo o seu amor na Igreja e em toda a humanidade&nbsp; e que exemplifica no lava-p&eacute;s aos disc&iacute;pulos, para que as comunidades crist&atilde;s se revistam da beleza da caridade de Cristo e a irradiem no mundo.<\/em><\/p>\n<p>A partir daqui podemos tirar algumas aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas ao minist&eacute;rio pastoral e &agrave; vida de santidade do padre.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><strong>A caridade e o minist&eacute;rio pastoral: implica&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas<\/strong><\/p>\n<p>Neste aspeto convido os presb&iacute;teros a meditar a &uacute;ltima parte da Carta Pastoral.<\/p>\n<p>N&atilde;o ser&aacute; dif&iacute;cil encontrar a&iacute; as tarefas concretas no &acirc;mbito da ampla renova&ccedil;&atilde;o que a caridade pede a toda a comunidade crist&atilde;. Aqui limito-me a algumas sugest&otilde;es.<\/p>\n<p>a) O nosso minist&eacute;rio deve, antes de mais, criar em n&oacute;s e nos nossos irm&atilde;os uma firme convic&ccedil;&atilde;o sobre o<em> valor configurador e unificante da caridade<\/em>. Dedicar-se ao tema da caridade n&atilde;o significa acrescentar mais algumas iniciativas a um setor espec&iacute;fico da vida paroquial. A caridade &eacute; o princ&iacute;pio dinamizador de tudo e tem que configurar a forma, o ambiente e o estilo da vida comunit&aacute;ria. Compete a n&oacute;s padres criar as condi&ccedil;&otilde;es espirituais para que as nossas comunidades percebam o valor central da caridade, toda a sua riqueza, beleza e alcance. O primeiro testemunho duma comunidade crist&atilde; dever&aacute; ser a fraternidade evang&eacute;lica que se vive dentro de si mesma.<\/p>\n<p>b) A convic&ccedil;&atilde;o interior do valor central da caridade tem o seu reflexo exterior numa real <em>renova&ccedil;&atilde;o de todas as iniciativas pastorais da comunidade para que exprimam a raiz da caridade que lhes d&aacute; unidade, verdade, fervor e entusiasmo<\/em>.<\/p>\n<p>Da prega&ccedil;&atilde;o &agrave; catequese, da liturgia ao uso dos bens comunit&aacute;rios, das prioridades pastorais ao cultivo das voca&ccedil;&otilde;es para o servi&ccedil;o eclesial e social, a comunidade deve confrontar-se com esta pergunta elementar: como &eacute; que um determinado aspeto consegue exprimir, da forma mais luminosa poss&iacute;vel, a caridade de Jesus para os homens de hoje, concretamente para os mais necessitados?<\/p>\n<p>A anima&ccedil;&atilde;o de toda a vida comunit&aacute;ria segundo a forma da caridade &eacute; tarefa de todos os crist&atilde;os, mas diz respeito de modo direto ao<em> padre como presidente &ndash; servidor da comunidade: sensibilizando a comunidade sobre a dimens&atilde;o caritativa e social da vida crist&atilde;, promovendo o exerc&iacute;cio organizado da caridade,&nbsp; procurando a corresponsabilidade de todos<\/em>.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><strong>A caridade pastoral, alma do minist&eacute;rio sacerdotal <\/strong><\/p>\n<p>O minist&eacute;rio do presb&iacute;tero est&aacute; intimamente ligado com a vida espiritual. Que atitudes espirituais devem acompanhar o minist&eacute;rio da presid&ecirc;ncia da caridade? Tamb&eacute;m aqui me limito a salientar alguns pontos.<\/p>\n<p>&nbsp; a) <em>Em primeiro lugar, a intensa comunh&atilde;o com a caridade, a do&ccedil;ura, a miseric&oacute;rdia de Jesus<\/em> que deve enformar todas as nossas atividades pastorais.<\/p>\n<p>De facto, o nosso modelo &eacute; a presid&ecirc;ncia da caridade de Cristo Bom Pastor que d&aacute; a vida pelas ovelhas.<em> Somos chamados a ser pastores segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, a viver a caridade pastoral como participa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria caridade pastoral de Cristo. <\/em>Neste dia sacerdotal em ordem a reavivar a gra&ccedil;a da nossa ordena&ccedil;&atilde;o<em> conv&eacute;m relembrar o perfil desta caridade<\/em>. Ela &eacute;, antes de mais, &ldquo;o princ&iacute;pio interior, a virtude que orienta e anima a vida espiritual do presb&iacute;tero, enquanto configurado a Cristo Cabe&ccedil;a e Pastor&rdquo;. Daqui deriva o seu conte&uacute;do essencial que &ldquo;&eacute; o dom de si, o total dom de si mesmo &agrave; Igreja &agrave; imita&ccedil;&atilde;o e como participa&ccedil;&atilde;o do dom de Cristo&rdquo;(PdV 23). Assim, <em>a caridade pastoral &eacute; amar a Igreja com o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo Pastor.<\/em> Em concreto, amar a comunidade que me foi confiada tal como &eacute; e n&atilde;o como eu a sonho; amar a Igreja diocesana com a disponibilidade inteira de a servir onde for preciso.<\/p>\n<p>b) <em>A caridade pastoral &eacute; a alma do minist&eacute;rio sacerdotal: leva-nos a viv&ecirc;-lo como &ldquo;amoris officium&rdquo;, no dizer de Sto Agostinho,<\/em> e n&atilde;o como &ldquo;funcion&aacute;rios de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;Isto vale sobretudo no contacto mais direto com as pessoas, que &ldquo;&eacute; o alfa e o &oacute;mega da caridade pastoral&rdquo;(W. Kasper). N&atilde;o h&aacute; nada que o substitua; nem se limita &agrave;s horas de atendimento no cart&oacute;rio. Eis um texto ilustrativo de Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;O presb&iacute;tero que queira conformar-se ao Bom Pastor e reproduzir em si mesmo a caridade dele&nbsp; para com os seus irm&atilde;os dever&aacute; esmerar-se nalguns pontos que hoje t&ecirc;m igual ou maior import&acirc;ncia que noutros tempos: conhecer as sua ovelhas, especialmente nos contactos, nas visitas, nas rela&ccedil;&otilde;es de amizade, nos encontros programados ou ocasionais, sempre com a finalidade e o esp&iacute;rito de bom pastor; acolher como Jesus a gente que se dirige a ele, estando disposto a escutar, desejoso de compreender, aberto e simples na benevol&ecirc;ncia, esfor&ccedil;ando-se nas obras e iniciativas de ajuda aos pobres e infelizes; cultivar e praticar as &lsquo;virtudes que com raz&atilde;o se apreciam no trato social, como s&atilde;o a bondade de cora&ccedil;&atilde;o, a sinceridade, a fortaleza de alma e a const&acirc;ncia, a ass&iacute;dua preocupa&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, a urbanidade e outras qualidades&rsquo;(PO 3), e tamb&eacute;m a paci&ecirc;ncia, a disposi&ccedil;&atilde;o a perdoar com prontid&atilde;o e generosidade, a afabilidade, a socialidade, a capacidade de ser dispon&iacute;veis e servi&ccedil;ais, sem considerar-se a si mesmo como benfeitor. &Eacute; uma gama de virtudes humanas e pastorais que o perfume da caridade de Cristo pode e deve tornar realidade na conduta do presb&iacute;tero (cf. PdV, 23)&rdquo; (O presb&iacute;tero, homem da caridade, 07.07.1993).<\/p>\n<p>c) <em>A caridade pastoral manifesta-se tamb&eacute;m&nbsp; no desejo de melhorar a qualidade do nosso servi&ccedil;o pastoral<\/em> e o esp&iacute;rito de fraternidade, de colabora&ccedil;&atilde;o e apoio entre os padres, na busca de novos caminhos de evangeliza&ccedil;&atilde;o, na solicitude pelas voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais. N&atilde;o resisto a citar a PdV: &ldquo;Uma exig&ecirc;ncia insuprim&iacute;vel da caridade pastoral &agrave; pr&oacute;pria Igreja particular e ao seu amanh&atilde; ministerial &eacute; a solicitude que o sacerdote deve ter em conta para encontrar, por assim dizer, algu&eacute;m que o substitua no sacerd&oacute;cio&rdquo; (n. 74).<\/p>\n<p>d) Para concluir, <em>desejaria acenar brevemente &agrave; raiz e ao fruto da &aacute;rvore da vida do sacerdote<\/em>, a caridade pastoral.<\/p>\n<p><em>A raiz &eacute; a Eucaristia, sacramento da caridade,<\/em> &ldquo;centro e raiz de toda a vida do presb&iacute;tero, de modo que a alma sacerdotal se esfor&ccedil;ar&aacute; por espelhar em si mesma o que &eacute; realizado no altar do sacrif&iacute;cio&rdquo;(PdV 23), isto &eacute;, a oferta com Cristo de toda a sua pessoa e exist&ecirc;ncia&nbsp; ao servi&ccedil;o dos irm&atilde;os. De outro modo, a obedi&ecirc;ncia decair&aacute; em trabalho for&ccedil;ado, a castidade reduzir-se-&agrave; a afetividade inibida ou congelada e a pobreza tornar-se-&agrave; priva&ccedil;&atilde;o frustrante.<\/p>\n<p><em>O fruto a colher na &aacute;rvore da caridade pastoral ser&aacute; a alegria,<\/em> como diz o Ap&oacute;stolo: &ldquo;h&aacute; mais alegria em dar do que em receber&rdquo;. Posso dizer com sinceridade que, nas visitas pastorais, tenho recebido de v&oacute;s este testemunho: encontro padres felizes, embora por vezes cansados; outras vezes preocupados ou demasiado atarefados, mas sempre contentes em serem padres!<\/p>\n<p>N&atilde;o vos quero cansar mais. Deixai que o vosso bispo vos diga, hoje, em nome do Senhor, em nome dos fi&eacute;is e em nome pessoal s&oacute; uma palavra: obrigado! Muito obrigado!<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora, Rainha dos Ap&oacute;stolos, nos acompanhe com o seu aux&iacute;lio materno e nos ajude a ser verdadeiros Pastores da Caridade! &Aacute;men!<\/p>\n<p>Catedral de Leiria, 21 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. <\/em><em>Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Servidores&nbsp; da Caridade &nbsp; Cantarei eternamente a bondade do Senhor A liturgia da Missa Crismal encerra uma&nbsp; beleza espiritual pr&oacute;pria com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos Santos &Oacute;leos e com a mem&oacute;ria peculiar do sacerd&oacute;cio ministerial. 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