{"id":50925,"date":"2011-04-18T11:36:14","date_gmt":"2011-04-18T11:36:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/18\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-de-ramos-2\/"},"modified":"2011-04-18T11:36:14","modified_gmt":"2011-04-18T11:36:14","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-de-ramos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-de-ramos-2\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa no domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Redescobrir que Cristo &eacute; o Senhor&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>1. Na liturgia desta Semana Maior, somos convidados a acompanhar o Senhor na sua &uacute;ltima subida a Jerusal&eacute;m, desde a sua entrada messi&acirc;nica na Cidade Santa, at&eacute; &agrave; sua ressurrei&ccedil;&atilde;o dos mortos. O Santo Padre Bento XVI, no 2.&ordm; volume de &ldquo;Jesus de Nazar&eacute;&rdquo;, acompanha o Senhor, atrav&eacute;s das narra&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas, nesta passagem de Jesus, da morte &agrave; vida. Bento XVI confessa-nos o objetivo que espera alcan&ccedil;ar com este livro: &ldquo;Aproximar-me de Nosso Senhor de um modo que possa ser &uacute;til a todos os leitores que queiram encontrar Jesus e acreditar n&rsquo;Ele&rdquo;. &Eacute; por isso que percorre de perto os Evangelhos &ldquo;sempre com o objetivo de aprender a conhecer e compreender melhor a figura do pr&oacute;prio Jesus&rdquo;[1] . Fa&ccedil;amos nosso este objetivo do Papa, n&atilde;o apenas lendo o seu livro, mas celebrando com f&eacute; a liturgia desta Semana: conhecer melhor Jesus Cristo, partilhar com Ele a sua P&aacute;scoa que passou a ser a nossa P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>2. Neste Domingo, chamado dos Ramos, podemos reconhecer Jesus na sua Realeza, na sua Senhoria; poderemos interiorizar o modo como habitualmente o tratamos: Nosso Senhor. A quest&atilde;o da realeza de Jesus acompanha-o desde a entrada em Jerusal&eacute;m at&eacute; &agrave; ressurrei&ccedil;&atilde;o. Jesus assume pela primeira vez, de forma clara, que &eacute; o Messias prometido, o descendente de David, o Rei de Israel. A aclama&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica de Jesus brota da densidade espiritual daquela peregrina&ccedil;&atilde;o para Jerusal&eacute;m. As instru&ccedil;&otilde;es que d&aacute; aos disc&iacute;pulos, em Betfag&eacute;, j&aacute; diante da cidade, mostram a consci&ecirc;ncia que Jesus tem de estar a cumprir quanto os profetas anunciaram acerca do Messias. O Profeta Zacarias tinha predito: &ldquo;A&iacute; vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta&rdquo; (Zac. 9,9). Com aquele gesto, Jesus reivindica um direito r&eacute;gio, mas afirmando claramente, nas refer&ecirc;ncias prof&eacute;ticas, que o seu reinado &eacute; diferente. Repeti-lo-&aacute; a Pilatos durante o processo que O condenou: Eu sou Rei, mas o meu reino n&atilde;o &eacute; deste mundo. &ldquo;Ele &eacute; um rei que quebra os arcos de guerra, um rei da paz e um rei da simplicidade, um rei dos pobres. E, por fim, vimos que governa um reino que se estende de mar a mar, abra&ccedil;ando o mundo inteiro: isto fez-nos recordar o novo reino universal de Jesus, que, nas comunidades da fra&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o, isto &eacute;, na comunh&atilde;o com Jesus Cristo, se dilata de mar a mar como reino da sua paz. Nem tudo isto era percet&iacute;vel ent&atilde;o, mas depois, num olhar retrospetivo, torna-se evidente aquilo que estava escondido na vis&atilde;o prof&eacute;tica e a que s&oacute; de longe se tinha acenado&rdquo;[2] .<\/p>\n<p>3. Em que consiste essa realeza de Cristo? Esta afirma&ccedil;&atilde;o da sua realeza, Jesus f&aacute;-la no momento culminante da sua subida para Jerusal&eacute;m. &ldquo;A meta final desta &laquo;subida&raquo; de Jesus &eacute; a oferta de Si mesmo na cruz, oferta que substitui os sacrif&iacute;cios antigos; &eacute; a subida que a Carta aos Hebreus designa como a ascens&atilde;o para a tenda que n&atilde;o &eacute; feita por m&atilde;os de homem, ou seja, o pr&oacute;prio c&eacute;u, apresentando-Se diante de Deus (9, 24). Esta ascens&atilde;o at&eacute; &agrave; presen&ccedil;a de Deus passa pela cruz: &eacute; a subida para o &laquo;amor at&eacute; ao fim&raquo; (cf. Jo 13, 1), que &eacute; o verdadeiro monte de Deus&rdquo;[3] . A sua realeza ser&aacute; o triunfo definitivo do amor de Deus, na fidelidade de um homem, que se manifestar&aacute; plenamente na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. Esse triunfo do amor exprimiram-no os primeiros crist&atilde;os com a designa&ccedil;&atilde;o de Senhor (K&uacute;rios), t&iacute;tulo que era dado ao pr&oacute;prio imperador. A primeir&iacute;ssima confiss&atilde;o de f&eacute;, que levou alguns crist&atilde;os ao mart&iacute;rio, foi certamente essa: &ldquo;Cristo &eacute; Senhor&rdquo;, &eacute; o &uacute;nico Senhor que reconhecemos. Esta Senhoria de Deus, encarnada no Homem Jesus Cristo, manifesta-se na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, no tal cume da subida para o amor at&eacute; ao fim.<\/p>\n<p>4. A Senhoria de Cristo ressuscitado &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o definitiva do an&uacute;ncio do messianismo real, do Messias Rei. Em Cristo ressuscitado exprime-se todo o poder de Deus, que &eacute; a for&ccedil;a do seu amor. O pr&oacute;prio ressuscitado afirma de Si mesmo: &ldquo;Foi-Me dado todo o poder no C&eacute;u e na Terra. Ide, pois, fazei disc&iacute;pulos de todos os povos&rdquo; (Mt. 28,18-19). A miss&atilde;o dos disc&iacute;pulos &eacute;, agora, proclamar esta Senhoria: &ldquo;Sereis minhas testemunhas em Jerusal&eacute;m, por toda a Judeia e Samaria e at&eacute; aos confins do mundo&rdquo; (Act. 1,8). O poder de Cristo-Senhor &eacute; t&atilde;o amplo como o poder de Deus. Reconhecer esta &ldquo;Senhoria&rdquo; &eacute; o dinamismo que faz nascer e crescer a Igreja. &Eacute; a proclama&ccedil;&atilde;o da vida, que se identifica com o amor. O triunfo de Jesus Cristo, o Deus feito homem, &eacute;, antes de mais, o triunfo do amor do Pai, pelo seu Filho, que cumpriu, na obedi&ecirc;ncia, o seu des&iacute;gnio de amor. &ldquo;Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu o Nome que est&aacute; acima de todo o nome, para que tudo, ao nome de Jesus, se prostre, no alto dos c&eacute;us, na terra e nos infernos e toda a l&iacute;ngua proclame acerca de Jesus Cristo que Ele &eacute; o Senhor, para gl&oacute;ria de Deus Pai&rdquo; (Fil. 2,9-11). Reconhecer esta Senhoria de Jesus Cristo &eacute; entrar no dinamismo de amor entre o Pai e o Filho, no Esp&iacute;rito Santo. Quem reconhece que Jesus &eacute; Senhor, tem de viver do amor. O mandamento novo do amor agora tornou-se acess&iacute;vel aos homens redimidos (cf. Fil. 2,1-6).<\/p>\n<p>A Cristo Senhor ressuscitado &eacute; atribu&iacute;do um outro poder de Deus: o de julgar os vivos e os mortos no fim dos tempos. E essa dimens&atilde;o est&aacute; inclu&iacute;da no an&uacute;ncio crist&atilde;o do ressuscitado: Ele h&aacute; de voltar para julgar os vivos e os mortos e estabelecer definitivamente o Reino de Deus no mundo[4] . A Liturgia desta Semana vai desafiar-nos a proclamar com f&eacute; e mais amor que Cristo &eacute;, realmente, Nosso Senhor, o &uacute;nico Senhor a quem queremos seguir.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 17 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, <\/em><em>Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 Bento XVI, <strong>Jesus de Nazar&eacute;<\/strong>, vol. II, pp. 12 e 146<\/p>\n<p>2 <strong>Ibidem<\/strong>, pp. 15-16<\/p>\n<p>3 <strong>Ibidem<\/strong>, p. 14<\/p>\n<p>4 cf. <strong>Ibidem<\/strong>, pp. 225-226 4&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Redescobrir que Cristo &eacute; o Senhor&rdquo; &nbsp; 1. Na liturgia desta Semana Maior, somos convidados a acompanhar o Senhor na sua &uacute;ltima subida a Jerusal&eacute;m, desde a sua entrada messi&acirc;nica na Cidade Santa, at&eacute; &agrave; sua ressurrei&ccedil;&atilde;o dos mortos. 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