{"id":50923,"date":"2011-04-18T11:25:30","date_gmt":"2011-04-18T11:25:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/18\/intervencao-do-bispo-do-porto-no-congresso-internacional-religiao-sociedade-e-estado-100-anos-de-separacao-do-estado-e-das-igrejas\/"},"modified":"2011-04-18T11:25:30","modified_gmt":"2011-04-18T11:25:30","slug":"intervencao-do-bispo-do-porto-no-congresso-internacional-religiao-sociedade-e-estado-100-anos-de-separacao-do-estado-e-das-igrejas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-do-bispo-do-porto-no-congresso-internacional-religiao-sociedade-e-estado-100-anos-de-separacao-do-estado-e-das-igrejas\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do bispo do Porto no congresso internacional \u00abReligi\u00e3o, Sociedade e Estado: 100 Anos de Separa\u00e7\u00e3o do Estado e das Igrejas\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><strong>Separa&ccedil;&atilde;o: As &ldquo;fronteiras&rdquo; da Consci&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>1. O tema da Separa&ccedil;&atilde;o Igreja &ndash; Estado foi versado neste Congresso com muita oportunidade, por parte de competentes especialistas, em v&aacute;rias perspetivas complementares. Numa interven&ccedil;&atilde;o quase final, apresento apenas uma achega mais, de cabimento poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Proponho-me uma breve sondagem dos aspetos &ldquo;pessoais&rdquo; da quest&atilde;o, ou seja, de como a separa&ccedil;&atilde;o pretendida h&aacute; cem anos se defrontava com a consci&ecirc;ncia crente e convicta, na respetiva proje&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Efetivamente, a separa&ccedil;&atilde;o era apresentada por alguns e at&eacute; desejada por muitos como distancia&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua dos dom&iacute;nios da convic&ccedil;&atilde;o individual e da prem&ecirc;ncia p&uacute;blica, abrindo assim o campo inteiro &agrave;s escolhas de cada qual. Mais: via-se nela um passo indispens&aacute;vel para a liberdade pol&iacute;tica e o progresso civilizacional, j&aacute; n&atilde;o encarcer&aacute;veis numa convic&ccedil;&atilde;o religiosa espec&iacute;fica.<\/p>\n<p>Por a&iacute; se caminhou, como se caminha um s&eacute;culo depois. Tanto, que para alguns ainda &eacute; dif&iacute;cil compreender como houve hesita&ccedil;&otilde;es neste ponto, quer por parte da hierarquia cat&oacute;lica quer por parte de muitos crentes, mesmo os inseridos no sistema constitucional e na vida social da altura. Ainda assim, resta-nos o dever hist&oacute;rico de os ouvirmos e tentarmos perceber a sua posi&ccedil;&atilde;o. Como tamb&eacute;m deveremos apurar se quem determinou a &ldquo;separa&ccedil;&atilde;o&rdquo; de 20 de abril de 1911 pretendia exatamente isso mesmo e s&oacute; isso, ou seja, distanciar os campos da convic&ccedil;&atilde;o religiosa e da realidade pol&iacute;tica como tal, sem hostilizar as cren&ccedil;as remanescentes e respeitando-as no seu &acirc;mbito pessoal, institucional e dogm&aacute;tico pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>Tentamos ent&atilde;o perceber o que realmente aconteceu e foi sentido por uns e por outros, nos primeiros anos da Rep&uacute;blica. Sendo-nos imposs&iacute;vel referir a grande quantidade de testemunhos colet&aacute;veis, fixamo-nos nalguns mais significativos.<\/p>\n<p>2. Come&ccedil;ando por sublinhar &ldquo;teses&rdquo; recentemente apresentadas por estudiosos da Separa&ccedil;&atilde;o de 1911.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Seabra, como que conclui a sua substancial an&aacute;lise da <em>Lei de Separa&ccedil;&atilde;o do Estado das Igrejas<\/em> e da controv&eacute;rsia que ela gerou, com estas palavras:<\/p>\n<p>&ldquo;A liberdade religiosa em Portugal n&atilde;o come&ccedil;ou com a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o, mas contra a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o. Foi a obstinada recusa da Igreja Cat&oacute;lica em sujeitar a administra&ccedil;&atilde;o das par&oacute;quias &agrave;s cultuais que a lei impunha; a rejei&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a das pens&otilde;es eclesi&aacute;sticas que a lei oferecia, impedindo assim a cria&ccedil;&atilde;o de um clero de funcion&aacute;rios; a nomea&ccedil;&atilde;o de p&aacute;rocos pelos bispos e de bispos pela Santa S&eacute; sem a comunica&ccedil;&atilde;o ao Governo, contra a letra expressa da lei; a manuten&ccedil;&atilde;o do culto em igrejas que legalmente deviam estar fechadas; a persist&ecirc;ncia de prociss&otilde;es sem autoriza&ccedil;&atilde;o administrativa no Norte do pa&iacute;s e nas ilhas; a reconstru&ccedil;&atilde;o na clandestinidade da vida religiosa, com o patroc&iacute;nio dos bispos &ndash; que o pagaram com o desterro &ndash; foi esta corajosa e persistente resist&ecirc;ncia da Igreja &agrave;&nbsp;<em>Lei da Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>&nbsp;que criou em Portugal a liberdade religiosa&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>&Eacute; admiss&iacute;vel esta conclus&atilde;o. Certamente em termos pr&aacute;ticos, pois na resist&ecirc;ncia &agrave;&nbsp;<em>Lei da Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>&nbsp;muitos cat&oacute;licos &ndash; eclesi&aacute;sticos e leigos &ndash; experimentaram uma liberdade custosa mas real, de que j&aacute; n&atilde;o abdicariam depois e at&eacute; fundamentaram melhor. Aqui entravam j&aacute; na teoria, como se foi consolidando at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Mas podemos antecipar este ponto, afirmando que tais ensaios de liberdade religiosa e mesmo as resist&ecirc;ncias pr&aacute;ticas aos entraves legais j&aacute; tinham v&aacute;rias d&eacute;cadas de experimenta&ccedil;&atilde;o, face &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es impostas ao catolicismo p&aacute;trio. E poderemos dizer que a liberdade religiosa, tendo ganho outro vulto na rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas de 1911, se alentou tamb&eacute;m com a experi&ecirc;ncia ganha em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas de 1834 e seguintes.<\/p>\n<p>Experi&ecirc;ncia ganha e mem&oacute;ria fecunda, de facto. Quando algumas congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, masculinas e femininas, de novo extintas em outubro de 1910, se mantiveram vivas e ativas na semiclandestinidade subsequente, j&aacute; transportavam a atitude das suas cong&eacute;neres posteriores &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o do liberalismo, que nunca as admitiu de bom grado, quando n&atilde;o as suprimiu ou expulsou violentamente, dos egressos de 1834 &agrave;s Irm&atilde;s da Caridade dos anos cinquenta&hellip; Quando Teresa de Saldanha permaneceu &agrave; frente das dominicanas portuguesas depois do 5 de Outubro, mantendo at&eacute; alguma vida conventual clandestina no pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o de Lisboa, reviveu afinal o &acirc;nimo com que fundara o instituto quatro d&eacute;cadas antes, quase contra tudo e quase contra todos, porque tal era proibido e desaconselhado, mesmo por correligion&aacute;rios. Tamb&eacute;m sem cobertura legal se tinham fundado nessa altura as religiosas de Lib&acirc;nia do Carmo Galv&atilde;o Mexia (Maria Clara), ou pouco depois as de Rita Amada de Jesus, tudo sinal do surto religioso e feminino oitocentista. Ou, no campo masculino, foi tamb&eacute;m sem cobertura legal que franciscanos e jesu&iacute;tas se reorganizaram em Portugal a partir de 1860, como depois vieram outros. Ao mesmo tempo, no campo secular e laical, desenvolveram-se a&ccedil;&otilde;es inusitadas e criativas de associativismo cat&oacute;lico, com obras de caridade e ensino catequ&eacute;tico, que muito contrariavam as preven&ccedil;&otilde;es j&aacute; &ldquo;laicistas&rdquo; que abundavam em meio urbano. Preven&ccedil;&otilde;es que, nalguns casos, redundavam em agress&otilde;es verbais e desacatos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Resuma-se, portanto, que a liberta&ccedil;&atilde;o religiosa, for&ccedil;ada pelas medidas de 1911, j&aacute; fora ensaiada nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do anterior regime. Talvez com a diferen&ccedil;a de ser ent&atilde;o tomada como provis&oacute;ria, enquanto o Estado n&atilde;o se regenerasse catolicamente; e de come&ccedil;ar agora um caminho, ali&aacute;s longo, de autocomprova&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o como atitude leg&iacute;tima e prefer&iacute;vel, para as cren&ccedil;as em geral.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m S&eacute;rgio Ribeiro Pinto publicou recentemente um penetrante estudo da separa&ccedil;&atilde;o de 1911, incluindo a an&aacute;lise de outras propostas surgidas no &acirc;mbito republicano sobre o mesmo tema. E p&ocirc;de concluir o seguinte:<\/p>\n<p>&ldquo;A hostiliza&ccedil;&atilde;o declarada ao catolicismo, como aconteceu, n&atilde;o era, por isso, o objetivo final da separa&ccedil;&atilde;o, mas o momento primeiro que visava diminuir o peso cultural daquele pela redu&ccedil;&atilde;o da sua express&atilde;o p&uacute;blica e a influ&ecirc;ncia que da&iacute; advinha. O desiderato primordial parece ter sido, ent&atilde;o, a defini&ccedil;&atilde;o da tutela &uacute;nica do Estado sobre o cidad&atilde;o, procurando tra&ccedil;ar-lhe o enquadramento c&iacute;vico julgado &lsquo;moderno&rsquo;, e tal achava o legislador n&atilde;o ser poss&iacute;vel continuando a permitir a concorr&ecirc;ncia das express&otilde;es religiosas&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Esta aprecia&ccedil;&atilde;o, plaus&iacute;vel e comprov&aacute;vel, incide sobre a dimens&atilde;o cultural do que se passou &ndash; ou travou &ndash; h&aacute; cem anos, qual ponto &aacute;lgico duma contenda em crescendo. A &ldquo;intelig&ecirc;ncia&rdquo; republicana era herdeira da liberal, como ambas &ndash; ou parte delas &ndash; o eram da pombalina, na interpreta&ccedil;&atilde;o mental e pragm&aacute;tica do devir portugu&ecirc;s. Mental, porque traduzia uma ideia, para n&atilde;o dizer um preconceito; pragm&aacute;tica, porque induzia uma atitude pol&iacute;tica. Ideia e atitude que passaram da limita&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o, no que ao impacto cultural do catolicismo se referia.<\/p>\n<p>Resumindo demasiadamente as coisas, podemos dizer que desde a pombalina&nbsp;<em>Dedu&ccedil;&atilde;o cronol&oacute;gica e anal&iacute;tica<\/em>&nbsp;at&eacute; &agrave;s anterianas&nbsp;<em>Causas da decad&ecirc;ncia dos povos peninsulares<\/em>, sempre o jesuitismo-catolicismo tridentino foi tomado e apresentado como entrave &agrave;s luzes e ao progresso civilizacional. Depois, o positivismo vulgarizado pela propaganda republicana remetia para um est&aacute;dio anterior da humanidade as convic&ccedil;&otilde;es e as pr&aacute;ticas religiosas, que j&aacute; tardariam em ceder definitivamente o lugar ao pensamento cient&iacute;fico e positivo.<\/p>\n<p>O novo regime propunha-se apressar o passo e eliminar obst&aacute;culos, tanto quanto pudesse. A leitura dos pro&eacute;mios legislativos de 5 de Outubro em diante desfaz qualquer d&uacute;vida sobre este ponto. O afastamento de qualquer express&atilde;o ou conte&uacute;do confessional nas escolas e estabelecimentos p&uacute;blicos ia nesse sentido, como muitas outras medidas tamb&eacute;m. A &ldquo;fronteira&rdquo; da religi&atilde;o retra&iacute;a-se quanto pudesse ser, at&eacute; subsistir apenas nalgumas &ldquo;consci&ecirc;ncias&rdquo; ainda renitentes&hellip;<\/p>\n<p>&Eacute; de &ldquo;fronteiras&rdquo; que nos fala tamb&eacute;m o recente e volumoso estudo que Lu&iacute;s Salgado de Matos dedicou &agrave; mesma tem&aacute;tica, com grande aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es pessoais e institucionais dos protagonistas, muito mais complexas e at&eacute; entrecruzadas do que geralmente se pensa. Podendo conclui o seguinte:<\/p>\n<p>&ldquo;A separa&ccedil;&atilde;o do Estado e da Igreja define a linha de fronteira entre as duas institui&ccedil;&otilde;es [&hellip;]. O presente trabalho defende uma tese: a separa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi querida nem pela Igreja Cat&oacute;lica nem pelo Estado. Uma vez iniciada, ultrapassou-os, obrigou-os a aplicarem estrat&eacute;gias de luta, dividiu-os a ambos, e reformulou-os em termos que, &agrave; partida, nem um nem outro tinham imaginado. [&hellip;] Anotamos as teodiceias que os contendores afirmaram &agrave; &eacute;poca da luta e que alguns disc&iacute;pulos foram depois ecoando: a separa&ccedil;&atilde;o era para os republicanos a liberdade de consci&ecirc;ncia; para muitos eclesi&aacute;sticos era a persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade cat&oacute;lica&hellip;&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Com o autor, podemos admitir que os protagonistas do grande drama de 1911 acabaram por ser ultrapassados nos seus primeiros prop&oacute;sitos, n&atilde;o conseguindo definir pacificamente as fronteiras das convic&ccedil;&otilde;es e dos &acirc;mbitos espec&iacute;ficos. E tamb&eacute;m que, na veem&ecirc;ncia de tantas palavras e atitudes desencontradas, foram protagonistas dum verdadeiro combate cultural que os transcendia, entre &ldquo;liberdade&rdquo; e &ldquo;verdade&rdquo;, em rec&iacute;proca rejei&ccedil;&atilde;o. T&oacute;picos ali&aacute;s transit&aacute;veis, porque a liberdade tanto podia ser requerida por laicistas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade religiosa, como podia ser advogada pelos crentes em rela&ccedil;&atilde;o ao laicismo. S&oacute; a pouco e pouco e s&eacute;culo fora, o pensamento personalista conseguiria equacionar liberdade e verdade em termos din&acirc;micos de apreens&atilde;o da realidade, na conjuga&ccedil;&atilde;o de m&uacute;tuas e leg&iacute;timas transmiss&otilde;es e aprendizagens. H&aacute; cem anos, poucos chegariam a&iacute;.<\/p>\n<p>3. Para alguma ilustra&ccedil;&atilde;o complementar do tema, acrescento uma breve sondagem do pensamento cat&oacute;lico da altura. Muito mais vasto e denso do que poder&iacute;amos julgar, tal pensamento desenvolveu-se dentro dum &ldquo;movimento cat&oacute;lico&rdquo; que, entre o liberalismo e a Rep&uacute;blica, conseguiu ensaiar formas novas de relacionamento Igreja-sociedade.<\/p>\n<p>Alguns dos protagonistas deste movimento t&ecirc;m sido objeto de estudo e publica&ccedil;&atilde;o nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, com alguma surpresa dos leitores<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn4\">[4]<\/a>. Para n&atilde;o me &ldquo;perder&rdquo; no t&oacute;pico nem nos limites desta exposi&ccedil;&atilde;o, tive de escolher um autor que de algum modo concentrasse o sentido geral do movimento, no que mais prevaleceu. E s&oacute; poderia ser aquele que foi decerto o mais considerado pela generalidade dos correligion&aacute;rios e o mais produtivo pelos anos de interven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Refiro-me ao 2&ordm; Conde de Samod&atilde;es (1828-1918), que aquando da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica j&aacute; contava 82 anos e seis d&eacute;cadas de protagonismo e escrita. Esse mesmo a quem outro cat&oacute;lico militante e escritor &ndash; Ab&uacute;ndio da Silva &ndash; se dirigiu nestes termos: &ldquo;E que dizer do Conde de Samod&atilde;es como o organizador do movimento cat&oacute;lico em Portugal? O homem que se bateu pela liberdade pol&iacute;tica, consagrou tamb&eacute;m o melhor da sua vida a defender praticamente a liberdade religiosa, e a assegurar os cat&oacute;licos do seu direito de professarem e propagarem a sua f&eacute;. [&hellip;] Essa figura veneranda n&atilde;o &eacute; s&oacute;, pois, o presidente de honra do movimento cat&oacute;lico portugu&ecirc;s; &eacute; o seu padroeiro&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn5\">[5]<\/a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Respiguemos ent&atilde;o alguns trechos seus entre 1880 e 1814, que assinalam o que julgo ser a posi&ccedil;&atilde;o &ldquo;cat&oacute;lica&rdquo; b&aacute;sica em torno da separa&ccedil;&atilde;o Igreja &ndash; Estado, como ideia geral e como regime pr&aacute;tico. Samod&atilde;es procurou manter-se em uni&atilde;o constante com as indica&ccedil;&otilde;es pontif&iacute;cias, o episcopado portugu&ecirc;s &ndash; que conhecia em todos e cada um dos seus sucessivos membros -. o movimento cat&oacute;lico nacional e internacional, a vida pol&iacute;tica portuguesa &#8211; foi deputado, par do reino, ministro da Fazenda, governador civil&hellip;- e a vida s&oacute;cio-cultural nortenha, o que d&aacute; &agrave; sua reflex&atilde;o um s&oacute;lido preenchimento pessoal.<\/p>\n<p>Em 1880 publicou&nbsp;<em>A liberdade da Igreja em Portugal. Escritos avulsos a prop&oacute;sito dos exames sinodais<\/em>, defendendo a legitimidade da autonomia episcopal nas nomea&ccedil;&otilde;es eclesi&aacute;sticas, contrariando o regalismo vigente, que quase reduzia a vida da Igreja &agrave; parte eclesi&aacute;stica da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Mas, como era seu pendor, vai al&eacute;m dos casos concretos e tece considera&ccedil;&otilde;es fundamentais sobre o tema, n&atilde;o passando ao lado das rela&ccedil;&otilde;es Igreja &ndash; Estado e do melhor regime delas. Achando que &ldquo;importa todavia &agrave; ordem e aos interesses dos homens na ordem espiritual e temporal que entre a Igreja e o Estado exista plena harmonia&rdquo;, Samod&atilde;es encara uma e outro como &ldquo;dois bons vizinhos, cujas casas s&atilde;o cont&iacute;guas, tendo de comum a parede mestra divis&oacute;ria e os ressaios dos edif&iacute;cios&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>A imagem &eacute; sugestiva, mas j&aacute; nos p&otilde;e diante da &ldquo;fronteira&rdquo; &ndash; a palavra usada &eacute; &ldquo;parede&rdquo; &ndash; cuja defini&ccedil;&atilde;o ser&aacute; sempre o cerne da tem&aacute;tica separacionista. Como veremos, s&ecirc;-lo-&aacute; em 1911, como o poder&aacute; ser ainda em 2011&hellip; Continuando, Samod&atilde;es explica: &ldquo;Em suas casas, [Igreja e Estado] governam-se livremente; sobre a parede mestra e os ressaios entendem-se reciprocamente de modo que n&atilde;o quebram as boas rela&ccedil;&otilde;es&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Em suas casas&hellip; Express&atilde;o menos clara do que parece e pass&iacute;vel de interpreta&ccedil;&otilde;es diversas. Desde finais de Quatrocentos n&atilde;o havia oficialmente um portugu&ecirc;s que n&atilde;o fosse cat&oacute;lico e os governantes tinham na religi&atilde;o o primeiro artigo da sua pol&iacute;tica. Os reis eram &ldquo;fidel&iacute;ssimos&rdquo;, desde D. Jo&atilde;o V, e &ldquo;fidel&iacute;ssima&rdquo; se diria tamb&eacute;m a na&ccedil;&atilde;o&hellip; A&nbsp;<em>Carta Constitucional<\/em>&nbsp;de 1826, no seu artigo 6&ordm;, mantinha o catolicismo como religi&atilde;o dos nacionais, ainda que consentisse privadamente as outras, aos estrangeiros residentes: &ldquo;A Religi&atilde;o Cat&oacute;lica Apost&oacute;lica Romana continuar&aacute; a ser a Religi&atilde;o do Reino. Todas as outras Religi&otilde;es ser&atilde;o permitidas aos estrangeiros com seu culto dom&eacute;stico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo&rdquo;.<\/p>\n<p>Apesar de ultrapassada com o tempo tal determina&ccedil;&atilde;o, pois em 1880 j&aacute; estavam instaladas em Portugal outras confiss&otilde;es religiosas com ader&ecirc;ncia portuguesa &ndash; Samod&atilde;es defendeu mesmo a legitimidade do culto metodista no Porto -, pod&iacute;amos dizer que o culto cat&oacute;lico era ainda o oficial e nacional, sob a tutela da Coroa. &ndash; Onde &ldquo;a parede mestre e os ressaios&rdquo;? Para os governantes, o padroado geral da Coroa significava que lhe competia a indica&ccedil;&atilde;o do clero para dioceses e par&oacute;quias, ainda que no primeiro caso se contasse com a anu&ecirc;ncia de Roma e no segundo com a dos prelados. Para Samod&atilde;es, a &ldquo;parede&rdquo; j&aacute; era mais espessa, na salvaguarda das prerrogativas de papas e bispos, em nome da preval&ecirc;ncia do espiritual sobre o temporal.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, essa preval&ecirc;ncia levaria o Estado a proteger a Igreja, mas porque s&oacute; assim cumpriria o primeir&iacute;ssimo dever de proteger os cidad&atilde;os e as suas cren&ccedil;as: &ldquo;O Estado presta &agrave; Igreja a sua prote&ccedil;&atilde;o, e nisto n&atilde;o faz mais do que proteger os seus s&uacute;bditos, no que para eles &eacute; mais precioso, os interesses, as convic&ccedil;&otilde;es, as esperan&ccedil;as religiosas&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn8\">[8]<\/a>. Quando esta ordem de ideias se generalizar depois, favorecendo a assun&ccedil;&atilde;o pessoal da cren&ccedil;a, fundamentar&aacute; a liberdade religiosa das atuais formula&ccedil;&otilde;es. Naquela altura e em Portugal, Samod&atilde;es j&aacute; a esbo&ccedil;ava, ainda em prol da religi&atilde;o com que os portugueses tradicionalmente se simbolizavam e entendiam.<\/p>\n<p>Autor essencialmente religioso, mesmo ao tratar de pol&iacute;tica, Samod&atilde;es pretende exatamente o contr&aacute;rio do que os laicistas ou secularistas de ent&atilde;o. Para estes, tratava-se de refluir a fronteira da cren&ccedil;a para o &iacute;ntimo de cada um; para ele tratava-se de expandir livremente na sociedade o entendimento religioso da vida, s&oacute; ou agregado. Um Estado que se quisesse &ldquo;liberal&rdquo; n&atilde;o poderia sen&atilde;o servir esta expans&atilde;o, sobretudo quando correspondesse ao sentimento geral do povo.<\/p>\n<p>E assim deveria ser, porque, fosse qual fosse o regime pol&iacute;tico, prevaleceriam convic&ccedil;&otilde;es anteriores e posteriores a todos eles. Quando o horizonte era ilimitado, tamb&eacute;m as fronteiras pol&iacute;ticas se secundarizavam. Oi&ccedil;amo-lo: &ldquo;Para esta [a Igreja Cat&oacute;lica] e para os cat&oacute;licos &eacute; indiferente que haja monarquia ou rep&uacute;blica, que seja aquela absoluta, representativa ou constitucional. Na qualidade de cidad&atilde;os e com refer&ecirc;ncia aos nossos interesses temporais podemos inclinar-nos para um sistema ou para outro&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Curiosa linguagem, que evidencia bem a disparidade das conclus&otilde;es a que se chegava, partindo da pol&iacute;tica para a religi&atilde;o ou da religi&atilde;o para a pol&iacute;tica: para os primeiros, era &ldquo;indiferente&rdquo; a cren&ccedil;a ou a descren&ccedil;a, posi&ccedil;&atilde;o sempre rejeitada pelos papas Greg&oacute;rio XVI ou Pio IX; para os segundos, era indiferente o regime pol&iacute;tico, desde que respeitasse a convic&ccedil;&atilde;o religiosa dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;O que tinha consequ&ecirc;ncias p&uacute;blicas, conjugando o respeito pela convic&ccedil;&atilde;o de cada um e o respeito pela religi&atilde;o nacional, como escrever&aacute; em 1884, n&rsquo;&nbsp;<em>A reforma da Carta e o benepl&aacute;cito r&eacute;gio<\/em>: &ldquo;A Carta [Constitucional] pressup&otilde;e, como a realidade confirma, que a na&ccedil;&atilde;o portuguesa &eacute; essencialmente cat&oacute;lica, apost&oacute;lica, romana e como tal deve ser governada [&hellip;]. N&atilde;o &eacute; crime deixar de conformar-se com ela, mas &eacute; um delito atac&aacute;-la&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>E, se requeria do Estado o respeito pela autonomia duma realidade anterior e persistente, tamb&eacute;m exigia dos crentes a consequ&ecirc;ncia social da convic&ccedil;&atilde;o religiosa. Neste ponto a fronteira voltava a ser expansiva, e a &ldquo;separa&ccedil;&atilde;o&rdquo; question&aacute;vel: &ldquo;Segundo ela [a separa&ccedil;&atilde;o da Igreja e do Estado], o dever social &eacute; um, a consci&ecirc;ncia religiosa &eacute; outro, o crente &eacute; uma pessoa, o cidad&atilde;o &eacute; outra [&hellip;]. Isto chama-se excelente e civilizador, quando &eacute; detest&aacute;vel e confusivo [&hellip;]. Contra esta duplicidade se pronunciaram sempre os Papas; falou Greg&oacute;rio XVI na Enc&iacute;clica&nbsp;<em>Mirari vos<\/em>, falou Pio IX na Enc&iacute;clica&nbsp;<em>Quanta cura<\/em>, falou Le&atilde;o XIII na Enc&iacute;clica&nbsp;<em>Humanum genus<\/em>&nbsp;e falar&aacute; sempre&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>&Eacute; a esta luz que poderemos entender a rejei&ccedil;&atilde;o do &ldquo;sistema separatista&rdquo;, que Samod&atilde;es faz logo a seguir, para n&atilde;o tra&ccedil;ar fronteiras onde s&oacute; v&ecirc; converg&ecirc;ncias l&oacute;gicas e pr&aacute;ticas, ainda que respeitando naturezas distintas. Com benef&iacute;cio m&uacute;tuo, sobretudo para o Estado: &ldquo;&hellip; o sistema separatista n&atilde;o &eacute; conforme &agrave; unidade dos indiv&iacute;duos e das cole&ccedil;&otilde;es, sobre que ambos [Igreja e Estado] t&ecirc;m autoridade; [&hellip;] a religi&atilde;o quer liberdade, dispensa favores e prote&ccedil;&atilde;o, pede&nbsp;<em>justi&ccedil;a<\/em>&nbsp;apenas e quando o poder civil lha fizer, s&oacute; ter&aacute; que louvar-se do aux&iacute;lio eficac&iacute;ssimo que receber&aacute; em paga&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn12\">[12]<\/a>, certamente em termos de motiva&ccedil;&atilde;o e benefic&ecirc;ncia. Completamente inadmiss&iacute;vel &ndash; em 1884 ou em 1911 &ndash; seria o contr&aacute;rio, ou seja a interfer&ecirc;ncia do Estado na radica&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da cren&ccedil;a: &ldquo;O que &eacute; insustent&aacute;vel e il&oacute;gico &eacute; que em assuntos doutrin&aacute;rios a Igreja s&oacute; possa falar quando ao governo aprouver. O que se deve a C&eacute;sar n&atilde;o &eacute; isso; a C&eacute;sar deve-se obedi&ecirc;ncia, mas n&atilde;o no que seja oposto ao que a Deus &eacute; devido&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Cat&oacute;licos como Samod&atilde;es tamb&eacute;m eram capazes de reconhecer e defender a coexist&ecirc;ncia social de outras convic&ccedil;&otilde;es ou mesmo a falta delas. Mas mantinham-se seguros da objetividade das suas pr&oacute;prias, n&atilde;o as relativizando nunca. As &ldquo;fronteiras&rdquo; que abriam em termos de concidadania, permaneciam s&oacute;lidas em termos absolutos. Como aqui, por exemplo: &ldquo;&hellip; [A Igreja] preceitua sim a toler&acirc;ncia moral, e admite a toler&acirc;ncia civil, mas rejeita completamente a toler&acirc;ncia teol&oacute;gica&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Noutra obra desse mesmo ano &ndash; talvez o seu escrito mais combativo, significativamente dirigido, n&atilde;o aos liberais, mas a cat&oacute;licos legitimistas que n&atilde;o admitiam complac&ecirc;ncias com o regime constitucional e aduziam cita&ccedil;&otilde;es papais mais ou menos extrapoladas &ndash; Samod&atilde;es refere a sua experi&ecirc;ncia pessoal de conviv&ecirc;ncia e colabora&ccedil;&atilde;o com pessoas de outras convic&ccedil;&otilde;es, no campo social. A este n&iacute;vel, a fronteira estaria francamente aberta: &ldquo;&hellip; fa&ccedil;o parte de associa&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico e particular, em que entram homens de diversos partidos e religi&otilde;es, e n&atilde;o h&aacute; conflitos por isso, nem quebra de princ&iacute;pios e cren&ccedil;as&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn15\">[15]<\/a>. E neste mesmo n&iacute;vel se podiam, complementarmente, unir cat&oacute;licos de partidos diversos, sempre que estivesse em causa a religi&atilde;o: &ldquo;Nesta ordem de ideias achava eu poss&iacute;vel a&nbsp;<em>uni&atilde;o cat&oacute;lica<\/em>, aceitando-a os cat&oacute;licos de todos os partidos, sem todavia deixarem estes, mas opondo-se dentro desses mesmo gr&eacute;mios pol&iacute;ticos a quaisquer medidas em desarmonia com a doutrina da Igreja&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>Quando em 1913 os bispos portugueses apelarem aos cat&oacute;licos (<em>Apelo de Santar&eacute;m<\/em>), no sentido de intervirem politicamente em defesa da Igreja, mantendo a pluralidade leg&iacute;tima de op&ccedil;&otilde;es pessoais, tamb&eacute;m n&atilde;o se afastar&atilde;o do discurso de Samod&atilde;es, incluindo fronteiras politicamente abertas e redutos confessionalmente inexpugn&aacute;veis.<\/p>\n<p>Realidades que o Estado teria de respeitar. Esbo&ccedil;ando j&aacute; um discurso personalista e subsidi&aacute;rio, Samod&atilde;es evidenciava uma sociedade mais complexa do que a simples equa&ccedil;&atilde;o Governo &ndash; indiv&iacute;duos. Quando em 1910 &ndash; 1911 o Governo provis&oacute;rio excluir a refer&ecirc;ncia religiosa de todo o espa&ccedil;o p&uacute;blico, ou impuser redefini&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas de realidades religiosamente assumidas, &eacute; isso mesmo que esquecer&aacute;. Mas desde 1884 estava escrito, quase em premoni&ccedil;&atilde;o, com fronteiras e limites expressamente designados: &ldquo;[O Estado] tem uma larga miss&atilde;o a desempenhar, mas respeitando os limites da sua jurisdi&ccedil;&atilde;o; esses limites s&atilde;o os que se tocam com as fronteiras da fam&iacute;lia e da Igreja. O Estado n&atilde;o pode vir ao seio da minha fam&iacute;lia impor-me casamentos civis e leis de ensino, incompat&iacute;veis com a minha cren&ccedil;a. O Estado n&atilde;o pode opor-se ao Credo da Igreja, que &oacute; seu fundamento, aos mandamentos, que s&atilde;o a sua lei, ao sacerd&oacute;cio, que &eacute; o seu governo, ao culto, que &eacute; o seu modo de apresentar-se&rdquo;. Sem deixar de acrescentar, pela positiva: &ldquo;H&aacute; por&eacute;m pontos comuns, h&aacute; terrenos mistos [&hellip;], e a&iacute; o acordo &eacute; da m&aacute;xima conveni&ecirc;ncia para ambas as sociedades&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>4. &#8211; Podemos concluir de tudo isto que a opini&atilde;o prevalecente no movimento cat&oacute;lico foi sempre e totalmente de rejei&ccedil;&atilde;o absoluta de qualquer regime de separa&ccedil;&atilde;o Igreja &ndash; Estado? N&atilde;o parece assim.<\/p>\n<p>&Eacute; conhecida a posi&ccedil;&atilde;o do Padre Santos Farinha, p&aacute;roco de Santa Isabel em Lisboa, defendendo uma separa&ccedil;&atilde;o Igreja &ndash; Estado em que este respeitasse a identidade da Igreja e n&atilde;o se imiscu&iacute;sse mais no seu governo interno, como acontecera durante a monarquia constitucional, Assim falou ele na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 12 de fevereiro de 1911, perante o pr&oacute;prio Afonso Costa<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas fora ainda Samod&atilde;es a elogiar regimes de separa&ccedil;&atilde;o que se manifestavam muito positivos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade da Igreja. J&aacute; em 1887 referira o que se passava nos &ldquo;Estados Unidos, cujo governo &eacute; protestante, mas onde &eacute; t&atilde;o lata a liberdade de consci&ecirc;ncia e de cultos e ampl&iacute;ssima a toler&acirc;ncia, que a religi&atilde;o cat&oacute;lica a&iacute; caminha sem o menor estorvo [&hellip;]. Naquele pa&iacute;s, verdadeira e sinceramente liberal, onde todos t&ecirc;m lugar, sem preconceitos nem viol&ecirc;ncias. O mesmo sucede no Canad&aacute;, onde tamb&eacute;m &eacute; numerosa a popula&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p>Para Samod&atilde;es em 1887, como para Santos Farinha em 1911, n&atilde;o havia d&uacute;vidas de que uma separa&ccedil;&atilde;o ao modo dos Estados Unidos ou do Brasil era prefer&iacute;vel ao regalismo vigente na monarquia constitucional, a pretexto da religi&atilde;o do Estado.<\/p>\n<p>E mesmo no&nbsp;<em>Protesto coletivo<\/em>&nbsp;com que os bispos portugueses reagiram &agrave; lei de 20 de abril de 1911, notamos abertura a uma separa&ccedil;&atilde;o que o fosse de facto, sem desrespeito pela identidade eclesial. Assim neste passo: &ldquo;Embora a Igreja n&atilde;o aprove nem possa aprovar, em&nbsp;<em>tese<\/em>&nbsp;ou em linha de princ&iacute;pio, a doutrina que considera a separa&ccedil;&atilde;o como o regime melhor e mais consent&acirc;neo com o progresso, pode todavia, em hip&oacute;tese, atentas peculiares circunst&acirc;ncias, aceitar como toler&aacute;vel, como mal menor, essa separa&ccedil;&atilde;o. O essencial &eacute; que ela deixe salva &agrave; Igreja a liberdade de exercer a sua miss&atilde;o sagrada e a posse e o dom&iacute;nio dos seus bens&rdquo;. A tese reprovada era a que fazia coincidir separa&ccedil;&atilde;o e progresso, como se este implicasse necessariamente a irrelev&acirc;ncia da dimens&atilde;o religiosa do homem e da sociedade. A hip&oacute;tese admiss&iacute;vel era a de uma separa&ccedil;&atilde;o que facultasse &agrave; Igreja a liberdade de existir e levar por diante a sua miss&atilde;o religiosa. E os bispos continuavam: &ldquo;Se a f&oacute;rmula &lsquo;Igreja livre no Estado livre&rsquo; n&atilde;o representa o ideal, pode ser aceit&aacute;vel, e &eacute; sempre prefer&iacute;vel a esta outra &lsquo;Igreja escrava no Estado Senhor&rsquo;&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;Mas n&atilde;o teria sido essa a inten&ccedil;&atilde;o de Afonso Costa, antes a de apressar a supera&ccedil;&atilde;o positivista do catolicismo. N&atilde;o a separa&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a Igreja, mas a supera&ccedil;&atilde;o desta por aquele, como coletivo de determina&ccedil;&atilde;o e refer&ecirc;ncia&hellip; Ainda mais quando se divulgaram declara&ccedil;&otilde;es do ministro em mar&ccedil;o de 1911, anunciando a lei que preparava: &ldquo;a a&ccedil;&atilde;o da medida ser&aacute; t&atilde;o salutar que em duas gera&ccedil;&otilde;es Portugal ter&aacute; completamente eliminado o catolicismo que foi a maior causa da desgra&ccedil;ada situa&ccedil;&atilde;o em que caiu&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p>Esta deriva laicista do que poderia ser mais consensual, teve fortes cr&iacute;ticos, inclusivamente entre o clero republicano. Porque de facto o havia, independentemente da concord&acirc;ncia com o Partido Republicano, antes e depois do 5 de Outubro, ou da quest&atilde;o posterior da aceita&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o das pens&otilde;es previstas na&nbsp;<em>Lei da Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>.<\/p>\n<p>Basta referir, em brev&iacute;ssimo excurso, a &ldquo;confiss&atilde;o&rdquo; do mais famoso apologista cat&oacute;lico da altura, o pr&oacute;prio Padre Sena Freitas, que assim escrevera a 2 de agosto de 1901: &ldquo;Eu, desde que entrei a pensar em pol&iacute;tica [&hellip;], simpatizei preferentemente com a forma republicana. Hoje que j&aacute; conto 60 anos, continuo a ser republicano como em todo o meu passado. Sou-o por&eacute;m de mim para mim, no campo da doutrina, porque como partido, sabe-se a que est&aacute; reduzido c&aacute; por casa o republicanismo&rdquo;. Depois fundamentava e distinguia: &ldquo;Eis porque sa&uacute;do com um impulso incoerc&iacute;vel de entusiasmo tudo quanto teve de bom, de nobre, de generoso a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, a &uacute;nica que se fez em nome da humanidade oprimida e n&atilde;o em nome de uma fronteira ou de uma jeira de terra. Sa&uacute;do a sublime Declara&ccedil;&atilde;o dos direitos do homem, ressalvando, bem entendido, um ou outro desconcerto [&hellip;]. Pere&ccedil;a a &eacute;poca nefasta de 93 [o terror anticat&oacute;lico] sob o sol meridiano de 89 [o princ&iacute;pio da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa], em tudo quanto os seus raios fizeram pulular da terra para a verdade e para o amor&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p>E n&atilde;o estava de modo algum sozinho. Depois da&nbsp;<em>Lei da Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>, lamentava-se o p&aacute;roco de S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, Padre Ant&oacute;nio Joaquim de Oliveira: &ldquo;Quem me diria a mim, quando eu, mais o abade de S. Nicolau, Pe. Guerreiro e outros que j&aacute; l&aacute; est&atilde;o, and&aacute;vamos a pregar a Rep&uacute;blica como &uacute;nico rem&eacute;dio dos nossos males e desvarios pol&iacute;ticos, que um dia (felizes eles que o n&atilde;o viram) a tal Rep&uacute;blica que n&oacute;s apostoliz&aacute;mos com tanta f&eacute; e com todo o entusiasmo aos 25 anos, havia de dar nisto, numa guerra infernal &agrave; religi&atilde;o!&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn23\">[23]<\/a>&nbsp;.<\/p>\n<p>Mas o exemplo mais declarado de padre republicano, eclesialmente integrado e participante ativo na vida p&uacute;blica, nomeadamente como deputado, ser&aacute; o do Padre Casimiro de S&aacute; (1873-1934), que assim discursava na C&acirc;mara dos Deputados, a 29 de junho de 1914: &ldquo;Com efeito, segundo a teoria, a gl&oacute;ria do Estado moderno consiste em deixar campo aberto, livre &agrave; controv&eacute;rsia, &agrave; variedade de pensamentos e atos, &agrave; maior parte dos caminhos rasgados &agrave; atividade do homem: as artes, as ci&ecirc;ncias, as ind&uacute;strias, quer se trate de agrupamentos, quer de indiv&iacute;duos, como seus cultores. \/ H&aacute; apenas um dom&iacute;nio em que alguns Estados de hoje, seguindo as pisadas de velhos tempos de despotismo, se obstinam em reprimir a controv&eacute;rsia e as suas amplas manifesta&ccedil;&otilde;es externas: &eacute; o dom&iacute;nio religioso&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<p>Esta contradi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o &ldquo;latina&rdquo;, entre a liberaliza&ccedil;&atilde;o da vida p&uacute;blica, que muitos cat&oacute;licos aceitavam, e a restri&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da liberdade religiosa, verificava-se em Portugal, segundo o deputado republicano, como j&aacute; fora denunciada na monarquia constitucional por algumas figuras do regime, como o Conde de Samod&atilde;es. E s&atilde;o as observa&ccedil;&otilde;es deste &uacute;ltimo, contra esta &ldquo;fronteira&rdquo; arbitr&aacute;ria, que de algum modo ecoam agora na voz de Casimiro de S&aacute;, em pleno parlamento republicano de 1914, requerendo uma separa&ccedil;&atilde;o congruente: &ldquo;De forma que o Estado, [&hellip;] que devia ser, segundo a teoria, um &oacute;rg&atilde;o de pacifica&ccedil;&atilde;o e de conc&oacute;rdia, procurando sobretudo acalmar &oacute;dios, torna-se em muitos pa&iacute;ses o principal elemento de disc&oacute;rdia. \/ Assim procedendo, o Estado que se declara&nbsp;<em>neutro<\/em>&nbsp;na constitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da na&ccedil;&atilde;o, torna-se praticamente&nbsp;<em>ateu<\/em>, como em Portugal est&aacute; a suceder com uma desenvoltura verdadeiramente revoltante&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>E a &ldquo;fronteira&rdquo; era realmente essa, como o continuou a ser, ali onde o Estado se deveria deter, diante da consci&ecirc;ncia dos crentes e da legitimidade de seguirem e expandirem as suas convic&ccedil;&otilde;es de modo pessoal e comunit&aacute;rio. Crentes que aceitariam decerto a harmonia geral que o Estado garantisse, a bem da cidadania geral de crentes diversos e n&atilde;o-crentes de todo. Obviamente, o Estado desistiria de trocar a sua antiga autodefini&ccedil;&atilde;o religiosa por outra de tipo ideol&oacute;gico, positivista no caso. Constitu&iacute;do por cidad&atilde;os iguais e ao servi&ccedil;o deles, asseguraria universalmente a livre realiza&ccedil;&atilde;o dos respetivos des&iacute;gnios, s&oacute;s ou associados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Ficou e permanece um &uacute;ltimo horizonte, de fronteiras t&atilde;o indefin&iacute;veis como a pr&oacute;pria transcend&ecirc;ncia humana. Voltando a Samod&atilde;es &ndash; que agora assina Francisco de Azeredo -, num escrito desse mesmo ano de 1914, a quest&atilde;o coloca-se nos seguintes termos: &ldquo;Todos estes preceitos [de Mois&eacute;s e Jesus] servem para a salva&ccedil;&atilde;o do homem individualmente, mas os homens n&atilde;o vivem isolados, agregam-se e formam o que se chama a sociedade. \/ Esta sociedade, por&eacute;m, &eacute; apenas um ser ideal cuja exist&ecirc;ncia regula s&oacute; para o tempo e al&eacute;m dele n&atilde;o tem import&acirc;ncia alguma; mas como os homens reunidos a formam, &eacute; indispens&aacute;vel que esta n&atilde;o esteja em contradi&ccedil;&atilde;o com o fim que o homem tem pela sua cria&ccedil;&atilde;o. \/ &Eacute; indispens&aacute;vel pois que a sociedade seja regrada de modo que o n&atilde;o contrarie&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftn26\">[26]<\/a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Retenhamos a passagem: &ldquo;Esta sociedade, por&eacute;m, &eacute; apenas um ser ideal cuja exist&ecirc;ncia regula s&oacute; para ao tempo&rdquo;. Para os crentes, independentemente do que os dividisse politicamente, antes e depois do tempo, a fronteira permanecia aberta e era inadmiss&iacute;vel que qualquer Estado a quisesse fechar, na teoria ou na pr&aacute;tica.&nbsp;<\/p>\n<p>Resumindo temerariamente tantos debates, poderemos dizer que, diante da separa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre o Estado e as confiss&otilde;es religiosas, permaneciam interroga&ccedil;&otilde;es sobre a solidez das respetivas fronteiras, antes e al&eacute;m do direito positivo. Antes, quanto ao pr&oacute;prio fundamento das vidas e conviv&ecirc;ncias; al&eacute;m, quanto ao destino da humanidade particular e geral. Fronteiras abertas, necessariamente.&nbsp;<\/p>\n<p>Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Lisboa, 16 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Manuel Clemente, bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;SEABRA, Jo&atilde;o &ndash;&nbsp;<em>O Estado e a Igreja em Portugal no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. A Lei da Separa&ccedil;&atilde;o de 1911<\/em>. Cascais: Principia,<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;PINTO, S&eacute;rgio Ribeiro &ndash;&nbsp;<em>Separa&ccedil;&atilde;o religiosa como modernidade. Decreto-Lei de 20 de abril de 1911 e modelos alternativos<\/em>. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa \/ Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa, 2011, p. 123.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;MATOS, Lu&iacute;s Salgado de &ndash;&nbsp;<em>A separa&ccedil;&atilde;o do Estado e da Igreja. Conc&oacute;rdia e conflito entre a Primeira Rep&uacute;blica e o Catolicismo<\/em>. Alfragide: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote, 2011, p. 32-34.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>Ant&oacute;nio Lino Neto. Interven&ccedil;&otilde;es parlamentares (1918-1926)<\/em>. Lisboa: Divis&atilde;o de Edi&ccedil;&otilde;es da Assembleia da Rep&uacute;blica e Texto Editores, 2009. Org. Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa. FERREIRA, Ant&oacute;nio Matos &ndash;&nbsp;<em>Um cat&oacute;lico militante diante da crise nacional. Manuel Isa&iacute;as Ab&uacute;ndio da Silva (1874-1914)<\/em>. Lisboa: Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa. Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 2007. GON&Ccedil;ALVES, Eduardo C. Cordeiro &ndash;&nbsp;<em>Cat&oacute;licos e pol&iacute;tica (1870-1910). O pensamento e a a&ccedil;&atilde;o do Conde de Samod&atilde;es<\/em>. Centro de Publica&ccedil;&otilde;es do Instituto Superior da Maia, 2004. Cf. para uma vis&atilde;o de conjunto: CLEMENTE, Manuel &ndash;&nbsp;<em>Igreja e sociedade portuguesa do liberalismo &agrave; rep&uacute;blica<\/em>. Lisboa: Grifo, 2002. CRUZ, Manuel Braga da &ndash;&nbsp;<em>As origens da Democracia Crist&atilde; e o salazarismo<\/em>. Lisboa, Editorial Presen&ccedil;a \/ Gabinete de Investiga&ccedil;&otilde;es Sociais, 1980. GOMES, J. Pinharanda &ndash;&nbsp;<em>Os congressos cat&oacute;licos em Portugal. Lisboa: Secretariado Nacional para o Apostolado dos Leigos, 1984. Cf. tb. Hist&oacute;ria Religiosa de Portugal<\/em>. Dir. Carlos Moreira Azevedo. Vol 3, Coord. Manuel Clemente e Ant&oacute;nio Matos Ferreira, Mem Martins: C&iacute;rculo de Leitores, 2002.<\/p>\n<p>[5] SILVA, Ab&uacute;ndio da &ndash; O Conde de Samod&atilde;es.&nbsp;<em>A Palavra<\/em>, 16 Jul. 1908, p. 1. O pr&oacute;prio Samod&atilde;es resumira assim a sua motiva&ccedil;&atilde;o, ali&aacute;s ligada a um dos primeiros mentores do liberalismo portugu&ecirc;s: &ldquo;A minha dedica&ccedil;&atilde;o para com o episcopado &eacute; mais lata, amplia-se a todo o clero, cuja causa me comprazo em ter defendido toda a minha vida como defendido tenho a religi&atilde;o cat&oacute;lica, apost&oacute;lica, romana, pelo modo que tenho sabido e podido, imitando nisto, e mal (por mais n&atilde;o poder) o visconde d&rsquo;Almeida Garrett, que um dia me deu esse conselho em 1854&rdquo; (CONDE DE SAMOD&Acirc;ES, Francisco d&rsquo;Azeredo Teixeira d&rsquo;Aguilar &ndash;&nbsp;<em>A liberdade da Igreja em Portugal. Escritos avulsos a prop&oacute;sito dos exames sinodais<\/em>. Porto: Livraria Malheiro, 1880, p. 35).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &ndash;&nbsp;<em>A liberdade da Igreja<\/em>, p.125. Atualizo a ortografia.<\/p>\n<p>[7]&nbsp;<em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>, p. 176. E ainda: &ldquo;N&atilde;o &eacute; a lei que a estabeleceu [a religi&atilde;o cat&oacute;lica como religi&atilde;o do Estado]; a religi&atilde;o &eacute; um direito, e o direito domina mais do que a lei, porque esta &eacute; que dimana daquele, e n&atilde;o o contr&aacute;rio&rdquo; (<em>ibidem<\/em>, p. 177).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>, p. 209.<\/p>\n<p>[10]&nbsp; CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &#8211;&nbsp;<em>A reforma da Carta e o benepl&aacute;cito r&eacute;gio<\/em>. Porto, Tipografia d&rsquo; A Palavra, 1884, p. 20.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref11\">[11]<\/a>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>, p. 62. Igualmente escreveria, quatro anos depois: &ldquo;Sabemos que mesmo no nosso pa&iacute;s h&aacute; quem sustente nas assembleias pol&iacute;ticas que a miss&atilde;o da Igreja &eacute; perfeitamente individual e nada tem com as cole&ccedil;&otilde;es, que se chamam Estados [&hellip;]. Mas isto &eacute; um erro, mil vezes condenado, e o princ&iacute;pio oposto se apresenta na Constitui&ccedil;&atilde;o&nbsp; &#8211;&nbsp;<em>Immortale Dei&rdquo;<\/em>&nbsp;(CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &#8211;&nbsp;<em>A circular do Ex.mo e Rev.mo Snr. Arcebispo de Larissa [&hellip;]<\/em>. Porto: Editor Jos&eacute; Frutuoso da Fonseca, 1888, p. 92-93). Ou poderia escrever mais tarde, a prop&oacute;sito da enc&iacute;clica<em>Pascendi<\/em>&nbsp;de Pio X (1907).<\/p>\n<p>[12]&nbsp; CONDE DE SAMOD&Atilde;ES,&nbsp;<em>A reforma da Carta<\/em>, p. 65.<\/p>\n<p>[13]&nbsp;<em>Ibidem<\/em>. Nesta obra Samod&atilde;es insurge-se especialmente contra a vontade regalista de condicionar pelo benepl&aacute;cito a circula&ccedil;&atilde;o de documentos papais e episcopais.<\/p>\n<p>[14]&nbsp;<em>Ibidem<\/em>, p. 74.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref15\">[15]<\/a>&nbsp;CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &ndash;&nbsp;<em>Os tughs. Op&uacute;sculo cat&oacute;lico, miguelino, liberal [&hellip;]<\/em>. Porto: Tipografia d&rsquo; A Palavra, 1884, p. 87.<\/p>\n<p>[16]&nbsp;<em>Ibidem<\/em>.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref17\">[17]<\/a>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>, p. 97.<\/p>\n<p>[18] Cf. MATOS,&nbsp;<em>A separa&ccedil;&atilde;o<\/em>, p. 94-97.<\/p>\n<p>[19]&nbsp; CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &ndash;&nbsp;<em>A Carta do Santo Padre Le&atilde;o XIII ao Em.mo Cardeal Marianno Rampolla e a quest&atilde;o romana<\/em>. Porto: Tipografia d&rsquo; A Palavra, 1887, p. 92.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref20\">[20]<\/a>&nbsp;A distin&ccedil;&atilde;o entre tese e hip&oacute;tese, permitindo regimes de separa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-hostil, liga-se &agrave; experi&ecirc;ncia norte-americana, realmente favor&aacute;vel ao catolicismo. Cf. SEABRA &#8211;&nbsp;<em>O Estado e a Igreja<\/em>, p. 14-15.&nbsp; Texto do&nbsp;<em>Protesto colectivo<\/em>in&nbsp;<em>ibidem<\/em>, p. 335 ss. Cf. CONDE DE SAMOD&Atilde;ES &ndash;&nbsp;&nbsp;<em>A liberdade da Igreja<\/em>, p. 39: &ldquo;A tese que sempre sustentei de que pode haver perfeita harmonia entre a religi&atilde;o cat&oacute;lica e a liberdade &eacute; independente da hip&oacute;tese do que faz ou tem feito o governo portugu&ecirc;s ou o de qualquer outra na&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma tese gen&eacute;rica, que discuto na regi&atilde;o serena da teoria, e n&atilde;o na tumultuosa das hip&oacute;teses pr&aacute;ticas&rdquo;.<\/p>\n<p>[21] Cf. MATOS,&nbsp;<em>A Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>, p. 136.137.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diocese-porto.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1721:separacao-as-fronteiras-da-consciencia#_ftnref22\">[22]<\/a>&nbsp;SENA FREITAS, Padre Jos&eacute; Joaquim de &ndash; Quem s&atilde;o os verdadeiros reacion&aacute;rios. A prop&oacute;sito da quest&atilde;o sobre as Congrega&ccedil;&atilde;o religiosas [2 de agosto de 1901]. In&nbsp;<em>Antologia. Padre Jos&eacute; Joaquim de Sena Freitas<\/em>. Sele&ccedil;&atilde;o, introdu&ccedil;&atilde;o e fixa&ccedil;&atilde;o dos textos de Vanda Anast&aacute;cio. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Editora, 2008, p. 115.<\/p>\n<p>[23] Cf. O Abade da Rep&uacute;blica.&nbsp;<em>Restaurar<\/em>. Par&oacute;quia de S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, 1 Out. 2010, p. 7.<\/p>\n<p>[24] S&Aacute;, Casimiro Rodrigues de &ndash; Discurso.&nbsp;<em>Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados<\/em>, 136&ordf; sess&atilde;o ordin&aacute;ria (noturna), 29 de junho de 1914. In PINTO &#8211;&nbsp;<em>A Separa&ccedil;&atilde;o<\/em>, p. 176. E o padre deputado continuava, mais &agrave; frente: &ldquo;O cidad&atilde;o portugu&ecirc;s precisa que os seus direitos de consci&ecirc;ncia e de exterioriza&ccedil;&atilde;o da sua cren&ccedil;a sejam definidos com clareza e garantidos, sem sofismas, pelo Estado; em suma, precisa saber qual a sua situa&ccedil;&atilde;o, no que respeita &agrave;s pr&aacute;ticas da religi&atilde;o que professa, em que &eacute; colocado perante as leis do Estado. \/ Tudo isto quer simplesmente dizer que, todos aqueles que em Portugal seguem uma religi&atilde;o, querem saber se, na lei que estabele&ccedil;a o regime da Separa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o ou n&atilde;o s&atilde;o respeitados os seus direitos. S&oacute; isto e tudo isto, nada mais e nada menos&rdquo; (<em>ibidem<\/em>, p. 190). Cf. ainda PINTO, S&eacute;rgio Ribeiro &ndash; Da separa&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade religiosa: um discurso de Casimiro Rodrigues de S&aacute;.&nbsp;<em>Forum Canonicum<\/em>. V\/1 (2010) 189-209.<\/p>\n<p>[25] S&Aacute; &ndash;&nbsp;<em>Discurso<\/em>. In PINTO &ndash;&nbsp;<em>A separa&ccedil;&atilde;o<\/em>, p.176.<\/p>\n<p>[26] AZEREDO, Francisco de &ndash; A sociedade.&nbsp;<em>Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento<\/em>. 84 (1 Jul. 1914) 1.2. Pouco tempo antes, Ab&uacute;ndio da Silva escrevera assim: &ldquo;&hellip; &eacute; sobre os governantes que impende a responsabilidade de terem inaugurado a&nbsp;<em>pol&iacute;tica do pior<\/em>, porque foram eles que colocaram os cidad&atilde;os cat&oacute;licos, isto &eacute;, a maioria do pa&iacute;s, no dilema de trair a sua consci&ecirc;ncia ou de resistir &agrave; lei [da separa&ccedil;&atilde;o]&rdquo; (SILVA, M. Ab&uacute;ndio da &ndash;&nbsp;<em>Cartas a um Abade. Sobre alguns aspetos da quest&atilde;o pol&iacute;tico-religiosa em Portugal. Braga: Crux e C&amp;, 1913, p. 290). E Samod&atilde;es j&aacute; adiantara em 1880, requerendo princ&iacute;pios pr&eacute;vios e s&oacute;lidos &ndash; que ele entendia tutelados pela Igreja &ndash; para uma sociedade livre: &ldquo;O Estado &eacute; um corpo &uacute;nico, que precisa de unidade de reg&iacute;men [&hellip;]; a institui&ccedil;&atilde;o religiosa deposit&aacute;ria dos princ&iacute;pios eternos da moral deve preponderar nas delibera&ccedil;&otilde;es do Estado que nada pode fazer, que contrarie essa moral [&hellip;]. Todas as vezes que se tem procurado separar a Igreja do Estado o resultado tem sido o despotismo exercido sobre os povos pelo bra&ccedil;o do poder civil&rdquo; (CONDE DE SAMOD&Atilde;ES, A liberdade da Igreja,<\/em> p. 177).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Separa&ccedil;&atilde;o: As &ldquo;fronteiras&rdquo; da Consci&ecirc;ncia 1. O tema da Separa&ccedil;&atilde;o Igreja &ndash; Estado foi versado neste Congresso com muita oportunidade, por parte de competentes especialistas, em v&aacute;rias perspetivas complementares. Numa interven&ccedil;&atilde;o quase final, apresento apenas uma achega mais, de cabimento poss&iacute;vel. 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