{"id":50884,"date":"2011-04-14T14:51:22","date_gmt":"2011-04-14T14:51:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/14\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-50o-encontro-nacional-de-catequese\/"},"modified":"2011-04-14T14:51:22","modified_gmt":"2011-04-14T14:51:22","slug":"conferencia-de-d-jose-policarpo-no-50o-encontro-nacional-de-catequese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-50o-encontro-nacional-de-catequese\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Jos\u00e9 Policarpo no 50\u00ba Encontro Nacional de Catequese"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>&ldquo;A Catequese no contexto das prioridades<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>pastorais da Igreja em Portugal&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. O tema que me propusestes para esta interven&ccedil;&atilde;o convida-me a n&atilde;o olhar s&oacute; para a problem&aacute;tica espec&iacute;fica da catequese da inf&acirc;ncia e da adolesc&ecirc;ncia &ndash; n&atilde;o &eacute; meu objectivo apreciar os dinamismos e instrumentos de que dispomos hoje &ndash; mas para a Catequese no seio do Povo de Deus, situada no quadro da edifica&ccedil;&atilde;o da Igreja como Povo do Senhor.<\/p>\n<p>&Eacute; a&iacute; que se situam os desafios de uma renova&ccedil;&atilde;o pastoral. &Eacute; claro que n&atilde;o esquecerei que estou a falar a respons&aacute;veis da catequese da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, mas serei fiel &agrave; minha convic&ccedil;&atilde;o de que a catequese deve ser uma express&atilde;o cont&iacute;nua do crescimento da Igreja, de toda a Igreja, e que se h&aacute; especificidades a ter em conta na variedade dos membros da Igreja, n&atilde;o podemos isolar nenhum grupo do todo da Igreja. Essa imensa variedade &eacute; riqueza e desafio de partilha m&uacute;tua. Todos t&ecirc;m a dar e a receber.<\/p>\n<p>&Eacute;-me pedido que situe a catequese no contexto das prioridades pastorais da Igreja em Portugal. O processo desencadeado pela CEP em ordem a defini-las n&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;do. Mas parece-me claro que elas se situar&atilde;o no refor&ccedil;o sobrenatural das comunidades crist&atilde;s em ordem &agrave; sua miss&atilde;o na sociedade, cada vez mais &ldquo;post-crist&atilde;&rdquo;. S&oacute; uma Igreja viva, centrada no mist&eacute;rio de Jesus Cristo, ser&aacute; testemunho anunciador. Estas duas prioridades s&atilde;o o conte&uacute;do do desafio lan&ccedil;ado pelos &uacute;ltimos Papas para uma &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&rdquo; ou uma &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>J&aacute; Paulo VI, na &ldquo;<strong>Evangelii Nuntiandi<\/strong>&rdquo;, afirmou que s&oacute; uma Igreja continuadamente evangelizada ser&aacute; evangelizadora. A Igreja nasce da miss&atilde;o e &eacute; para poder realiz&aacute;-la que tem de mergulhar continuamente no mist&eacute;rio de Cristo e do seu Evangelho.<\/p>\n<p>&ldquo;Evangelizadora como &eacute;, a Igreja come&ccedil;a por se evangelizar a si mesma&rdquo; (<em>Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, n&ordm; 15, cf. nn. 13ss<\/em>).<\/p>\n<p>A Catequese situa-se no &acirc;mbito do esfor&ccedil;o de a Igreja se evangelizar continuamente a si mesma, mas n&atilde;o pode desligar-se do dinamismo da miss&atilde;o evangelizadora. A perspectiva que desenvolverei ser&aacute; a do dinamismo de uma &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, na evangeliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;ad intra&rdquo;, isto &eacute;, a cont&iacute;nua evangeliza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Igreja, que &eacute; continuamente acompanhada pela inquieta&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um novo ardor<\/strong><\/p>\n<p>2. Quando pediram a Jo&atilde;o Paulo II que explicasse o que entendia por &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que era diferente de uma re-evangeliza&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a continua&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tradicional da Igreja atrav&eacute;s das suas estruturas de evangeliza&ccedil;&atilde;o, indicou como primeira qualidade dessa &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <strong>um novo ardor<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta express&atilde;o evoca espontaneamente em n&oacute;s a exclama&ccedil;&atilde;o de Paulo: &ldquo;Ai de mim se n&atilde;o evangelizar&rdquo; (1Cor. 9,16). Um &ldquo;novo ardor&rdquo; s&oacute; pode brotar de uma ades&atilde;o total a Jesus Cristo. A evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; mais do que tarefa programada, &eacute; paix&atilde;o de amor. O an&uacute;ncio do Evangelho do Reino &eacute; a paix&atilde;o de Jesus Cristo. &Eacute; para realizar essa sua miss&atilde;o que escolhe disc&iacute;pulos, cria com eles uma intimidade e os envia. Como diz Paulo VI, &ldquo;existe uma liga&ccedil;&atilde;o profunda entre Cristo, a Igreja e a evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<em>Ibidem<\/em>).<\/p>\n<p>&Eacute; fun&ccedil;&atilde;o da catequese aprofundar esta rela&ccedil;&atilde;o da Igreja e de cada crist&atilde;o com Jesus Cristo, para poder partilhar com Ele esta paix&atilde;o pela miss&atilde;o.<\/p>\n<p>3. Retomamos, assim, uma intui&ccedil;&atilde;o da Igreja, desde os primeiros s&eacute;culos, de que a catequese &eacute; uma &ldquo;mistagogia&rdquo;. Orientada para a etapa post-baptismal, para levar aqueles que, no baptismo, mergulharam em Jesus Cristo, a penetrarem mais intimamente no seu mist&eacute;rio, o que abre horizontes novos &agrave; compreens&atilde;o e &agrave; express&atilde;o da pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>Express&otilde;es como &ldquo;inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;&rdquo;, herdada dos ritos inici&aacute;ticos, sugere exactamente esse penetrar no &acirc;mago do mist&eacute;rio em que se acredita. Bento XVI afirmou, recentemente, mais do que uma vez, que o cristianismo &eacute; mais do que um corpo de doutrina, ou um c&oacute;digo moral: ele &eacute;, fundamentalmente o encontro com uma pessoa, a pessoa de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>E &eacute; no quadro desse encontro pessoal que o conhecimento se torna apaixonante, pois &eacute; no acolher dos ensinamentos dessa Pessoa amada que as exig&ecirc;ncias morais deixam de ser cumprimento de um c&oacute;digo de &eacute;tica e passam a ser o desejo de viver como o Senhor gosta que n&oacute;s vivamos.<\/p>\n<p>Para a catequese ser uma &ldquo;mistagogia&rdquo;, tem de estar centrada na busca de um encontro, cada vez mais profundo e verdadeiro, com a pessoa de Jesus, n&atilde;o s&oacute; para perceber, mas para experimentar. O Direct&oacute;rio da Catequese afirma: &ldquo;no centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa: a Pessoa de Jesus de Nazar&eacute;, Filho &uacute;nico do Pai, cheio de gra&ccedil;a e de verdade&rdquo; (<em>Direct&oacute;rio Geral da Catequese, n&ordm; 98<\/em>).<\/p>\n<p>E acrescenta: &ldquo;O cristocentrismo da Catequese, em virtude da sua din&acirc;mica interna, conduz &agrave; confiss&atilde;o da f&eacute; em Deus, Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo. &Eacute; um cristocentismo essencialmente trinit&aacute;rio&rdquo; (<em>Ibidem, n.&ordm; 99<\/em>).<\/p>\n<p>Esta &eacute; a beleza do processo catequ&eacute;tico: levar os crist&atilde;os baptizados a experimentarem a beleza do Deus, uno e trino, onde nos introduz Jesus Cristo, a desejarem ardentemente &ldquo;habitar na Casa do Senhor&rdquo;, a viver a vida presente, antecipando as alegrias do Reino.<\/p>\n<p>A catequese n&atilde;o &eacute; uma escola onde se aprende uma doutrina; &eacute; um processo, vivido em comunidade, que nos leva a experimentar &ldquo;como Deus &eacute; bom&rdquo;, como &eacute; maravilhosamente bom e amoroso no seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Este caminho de catequese faz-se em Igreja, participando com ela nos momentos e elementos onde Deus se revela e se nos d&aacute;, para nos introduzir na comunh&atilde;o de vida e de amor: a escuta da Palavra, a celebra&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios, as exig&ecirc;ncias da miss&atilde;o, aprender a fazer da vida uma express&atilde;o de amor e de louvor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A catequese ensina a escutar a Palavra do Senhor<\/strong><\/p>\n<p>4. A rela&ccedil;&atilde;o entre escuta da Palavra e catequese &eacute; aspecto essencial para a compreens&atilde;o do dinamismo catequ&eacute;tico e porque &eacute;, talvez, a maior defici&ecirc;ncia das nossas comunidades, torna-se num desafio inadi&aacute;vel para a compreens&atilde;o do processo catequ&eacute;tico.<\/p>\n<p>Limito-me, aqui, a comentar o n&ordm; 74 da &ldquo;<strong>Verbum Domini<\/strong>&rdquo;, Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Post-Sinodal sobre a Palavra de Deus (texto que tem em conta o que &eacute; afirmado no Direct&oacute;rio Geral da Catequese, que cita: nn. 94-96)<\/p>\n<p>Come&ccedil;a por sublinhar a import&acirc;ncia da catequese na caminhada de toda a Igreja na escuta da Palavra: &ldquo;Um momento importante da anima&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja, onde se pode sapientemente descobrir a centralidade da Palavra de Deus, &eacute; a catequese que, nas suas diversas formas e fases, sempre deve acompanhar o Povo de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste texto dizem-se coisas importantes acerca da catequese. Antes de mais, que ela &eacute; permanente, acompanha toda a caminhada da Igreja. Esta deve ser sempre um Povo em atitude catequ&eacute;tica. N&atilde;o h&aacute; um tempo para a catequese. O tempo da catequese &eacute; o tempo da Igreja. Por isso a catequese sup&otilde;e formas diversas e v&aacute;rias etapas. As formas diversas constituem, hoje, uma exig&ecirc;ncia pastoral para garantir a unidade da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, na variedade dos m&eacute;todos, dos carismas e dos ritmos.<\/p>\n<p>Nenhuma forma de catequese pode ser fechada sobre um grupo. Tem de ser fecunda para toda a Igreja. Etapas diversas: a vida &eacute; feita de etapas. Algumas s&atilde;o &oacute;bvias na sua especificidade: a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia; a prepara&ccedil;&atilde;o para o baptismo, chamada de catecumenato; a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio; a prepara&ccedil;&atilde;o para voca&ccedil;&otilde;es de especial consagra&ccedil;&atilde;o; a prepara&ccedil;&atilde;o para formas concretas de miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Em todas estas etapas e formas se deve aprender a escutar a Palavra que o Senhor dirige, hoje, &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Esta Palavra &eacute;, hoje, viva e actual. O Senhor quer estar em di&aacute;logo permanente com o seu Povo. Esta Palavra, escutada pela Igreja em cada tempo, foi de tal maneira importante que se fixou por escrito, quer na Sagrada Escritura, quer em textos da Tradi&ccedil;&atilde;o e do Magist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Se h&aacute; algo que uniu a Igreja atrav&eacute;s dos tempos e definiu a sua f&eacute;, foi a escuta permanente da Palavra amorosa de Deus que, para al&eacute;m da sua forma escrita, a Igreja guarda no seu cora&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o podemos reduzir esta riqu&iacute;ssima tradi&ccedil;&atilde;o de escuta da Palavra aos textos escritos.<\/p>\n<p>O cristianismo nunca foi e nunca ser&aacute; uma religi&atilde;o do livro. Esses textos s&atilde;o a linguagem que encerra o poder misterioso de Deus nos falar e nos permitir ouvi-l&rsquo;O. Essa escuta viva e comovente deu, tantas vezes, origem a outros escritos, essa riqueza imensa de textos espirituais que s&atilde;o a voz de Deus a ecoar no tempo.<\/p>\n<p>Reduzir a palavra da B&iacute;blia a um texto passado, situado num tempo concreto, &eacute; trunc&aacute;-lo do seu dinamismo fundamental: ser a linguagem com que Deus nos fala hoje. A catequese assenta na Palavra viva de Deus. Se se limitar a analisar textos do passado, ser&aacute;, talvez, estudo interessante, mas n&atilde;o &eacute; catequese.<\/p>\n<p>5. Mas a Palavra viva de Deus &eacute; s&oacute; uma: Jesus Cristo, Verbo encarnado, Palavra do Pai para toda a eternidade. S&oacute; se escuta a Palavra, em todas as linguagens com que nos foi transmitida, escutando Jesus Cristo, amando Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Ele guarda em Si o segredo de todas as Escrituras e de toda a Tradi&ccedil;&atilde;o. O texto da Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica que vimos comentando ilustra esta rela&ccedil;&atilde;o de toda a escuta da Palavra com a Pessoa de Jesus, com a caminhada do ressuscitado com os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s: &ldquo;O encontro dos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s com Jesus, descrito pelo evangelista Lucas (<em>cf. L c. 24,13-35<\/em>), representa, em certo sentido, o modelo de uma catequese em cujo centro est&aacute; a &laquo;explica&ccedil;&atilde;o das Escrituras&raquo;, que somente Cristo &eacute; capaz de dar (<em>cf. L c. 24,27-28<\/em>), mostrando o seu cumprimento em Si mesmo.<\/p>\n<p>Assim, renasce a esperan&ccedil;a, mais forte do que qualquer rev&eacute;s, que faz daqueles disc&iacute;pulos testemunhas convictas e cred&iacute;veis do Ressuscitado&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o estamos a secundarizar a import&acirc;ncia dos textos escritos, sobretudo dos textos evang&eacute;licos, na catequese. &Eacute; atrav&eacute;s deles que escutamos o Senhor, n&atilde;o cada um &agrave; sua maneira, mas em Igreja. Deus fala sempre ao seu Povo e cada um de n&oacute;s deve escutar o que Ele diz &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Nesta escuta da Palavra que Cristo dirige &agrave; sua Igreja, a catequese prepara o crist&atilde;o para a import&acirc;ncia de ser Igreja, de aprender a confrontar a escuta pessoal com a da Igreja, a relativizar particularismos e individualismos. &Eacute; que a nossa f&eacute; em Cristo ganha carne na nossa f&eacute; na Igreja, na nossa ades&atilde;o &agrave; f&eacute; da Igreja.<\/p>\n<p>A catequese, hoje, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o pode sublinhar, mas tem de corrigir a tend&ecirc;ncia cultural de querer levar a Igreja a dizer o que cada um quer ouvir. &ldquo;A actividade catequ&eacute;tica implica sempre abeirar-se das Escrituras, na f&eacute; e na Tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja, de modo que aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo est&aacute; vivo, hoje, onde duas ou tr&ecirc;s pessoas se re&uacute;nem em seu nome (<em>cf. Mt. 18,20<\/em>)&rdquo;.<\/p>\n<p>O Santo Padre Bento XVI sublinha que a catequese tem de ser impregnada da Sagrada Escritura, n&atilde;o para a estudar, mas para escutar, atrav&eacute;s dela, a Palavra viva de Deus. &ldquo;A catequese &laquo;tem de ser impregnada e embebida de pensamento, esp&iacute;rito e atitudes b&iacute;blicas e evang&eacute;licas, mediante um contacto ass&iacute;duo com os pr&oacute;prios textos sagrados; e recordar que a catequese ser&aacute; tanto mais rica e eficaz quanto mais ler os textos com a intelig&ecirc;ncia e o cora&ccedil;&atilde;o da Igreja&raquo; e quanto mais se inspirar na reflex&atilde;o e na vida bimilen&aacute;ria da mesma Igreja.<\/p>\n<p>Por isso, deve-se encorajar o conhecimento das figuras, acontecimentos e express&otilde;es fundamentais do texto sagrado; com tal finalidade, pode ser &uacute;til a <em>memoriza&ccedil;&atilde;o <\/em>inteligente de algumas passagens b&iacute;blicas particularmente expressivas dos mist&eacute;rios crist&atilde;os&rdquo;.<\/p>\n<p>A memoriza&ccedil;&atilde;o &eacute; importante. &Eacute; que a Sagrada Escritura, al&eacute;m de nos fazer ouvir, agora, a Palavra de Deus, sugere-nos a resposta que devemos dar a essa Palavra. &Eacute; como aprender uma nova l&iacute;ngua. Espontaneamente respondemos com palavras da Escritura, para acreditar, para louvar, para rezar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mistagogia e celebra&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios <\/strong><\/p>\n<p>6. Se escutarmos a Palavra, ela conduz-nos ao mist&eacute;rio, e &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o em que participamos dele. Sempre a dimens&atilde;o mistag&oacute;gica da catequese valorizou a Liturgia, n&atilde;o apenas como escuta, mas como experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o. A&iacute;, n&atilde;o apenas se escuta a Palavra, mas vive-se o mist&eacute;rio de Cristo. Isto explica a centralidade dada, desde o in&iacute;cio, aos sacramentos fundantes da vida crist&atilde;: o baptismo, a confirma&ccedil;&atilde;o, a Eucaristia.<\/p>\n<p>Eles unem o crist&atilde;o a Cristo ressuscitado, introduzem-no, pelo Esp&iacute;rito Santo, na grandeza da comunh&atilde;o trinit&aacute;ria, elevam-no &agrave; dignidade de poderem, com Cristo, oferecer ao Pai o sacrif&iacute;cio pascal para a reden&ccedil;&atilde;o do mundo. A catequese deve levar &agrave; descoberta destes tr&ecirc;s sacramentos, n&atilde;o apenas explicando-os, mas vivendo-os, mergulhando neles e, atrav&eacute;s deles, mergulhando em Deus. N&atilde;o &eacute; completamente exacto dizer que, destes tr&ecirc;s sacramentos, s&oacute; a Eucaristia se pode repetir. Nela reavivam-se e actualizam-se o baptismo e a confirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O seu efeito foi de tal maneira forte e transformador, que se tornou dimens&atilde;o permanente do grande acto de louvor. A&iacute; se refresca toda a capacidade de viver, em uni&atilde;o com Cristo, toda a vida: a doen&ccedil;a e o sofrimento, a alegria e o amor, o arrependimento dos pecados.<\/p>\n<p>A catequese n&atilde;o prepara, apenas, para a celebra&ccedil;&atilde;o destes sacramentos e, neles, de toda a vida. Eles pr&oacute;prios s&atilde;o catequese; porque celebrando-os com f&eacute;, crescemos na rela&ccedil;&atilde;o com Cristo, partilhamos com Ele a paix&atilde;o da miss&atilde;o de anunciar o Reino de Deus, escutamo-l&rsquo;O sempre de novo, passando a amar a sua Palavra.<\/p>\n<p>A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica valoriza a import&acirc;ncia da viv&ecirc;ncia da Liturgia para uma escuta, sempre renovada, da Palavra de Cristo e de Cristo Palavra. &ldquo;Considerando a Igreja como &laquo;casa da Palavra&raquo;, deve-se antes de tudo dar aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Liturgia sagrada.<\/p>\n<p>Esta constitui, efectivamente, o &acirc;mbito privilegiado onde Deus nos fala, no momento presente, da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde. Cada ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica est&aacute;, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura&rdquo; (<em>Verbum Domini, n&ordm; 52<\/em>).<\/p>\n<p>E mais &agrave; frente, afirma-se: &ldquo;Deve-se afirmar que o pr&oacute;prio Cristo &laquo;est&aacute; presente na sua palavra, pois &eacute; Ele quem fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura&raquo;. Com efeito, &laquo;a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica torna-se uma cont&iacute;nua, plena e eficaz proclama&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Por isso, constantemente anunciada na liturgia, a Palavra de Deus permanece viva e eficaz pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo, e manifesta aquele amor operante do Pai que n&atilde;o cessa jamais de agir em favor de todos os homens&raquo;. De facto, a Igreja sempre mostrou ter consci&ecirc;ncia de que, na ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica, a Palavra de Deus &eacute; acompanhada pela ac&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima do Esp&iacute;rito Santo que a torna operante no cora&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is&rdquo; (<em>Ibidem<\/em>)<\/p>\n<p>7. A catequese n&atilde;o pode ser um grupo de estudo e de aprendizagem, nem o catequista &eacute; um professor. Todas as formas de catequese t&ecirc;m de ter o ritmo da Igreja que, em comunidade, escuta a Palavra, mergulha na celebra&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio, aprende a rezar e parte a anunciar.<\/p>\n<p>Toda a catequese converge para a celebra&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio pascal, na Eucaristia. O catequista &eacute;, a seu modo, um pastor, sacramento de Cristo, Bom-Pastor, que conduz um grupo de crist&atilde;os a aprofundarem a sua identidade crist&atilde;. Estamos conscientes que da renova&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da catequese depende muito a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja, para poder ser &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; aqui o lugar de analisar pedagogias e ritmos espec&iacute;ficos para as diversas formas e etapas da catequese. Guardemos apenas esta convic&ccedil;&atilde;o: a catequese &eacute; para toda a vida; todas as suas diversas formas devem convergir para a edifica&ccedil;&atilde;o da Igreja, como unidade de f&eacute; e de comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>Ven&ccedil;amos os particularismos que nos podem fechar sobre a realidade da Igreja. Esta, quanto mais se renova, mais plural &eacute; e mais busca a unidade. Se Cristo est&aacute; connosco, Ele n&atilde;o nos pode dividir.<\/p>\n<p>Gostaria de terminar com um aspecto a que sou particularmente sens&iacute;vel. Eu nunca fui &ldquo;catequista&rdquo;; e, no entanto, sou o primeiro catequista da Igreja a que presido como Pastor.<\/p>\n<p>Os sacerdotes do meu presbit&eacute;rio s&atilde;o catequistas, nem eu nem eles, podemos descartar-nos desta responsabilidade e desta miss&atilde;o. Os crist&atilde;os, a quem chamamos &ldquo;catequistas&rdquo;, s&oacute; o s&atilde;o em comunh&atilde;o connosco: eles participam do nosso minist&eacute;rio apost&oacute;lico.<\/p>\n<p>&Eacute; belo sentir esta unidade. Todos participamos da miss&atilde;o de Jesus Cristo, Ele o primeiro evangelizador e o catequista da nossa f&eacute;, que atrav&eacute;s do Esp&iacute;rito Santo nos ensina o amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Catequese no contexto das prioridades pastorais da Igreja em Portugal&rdquo; &nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o 1. O tema que me propusestes para esta interven&ccedil;&atilde;o convida-me a n&atilde;o olhar s&oacute; para a problem&aacute;tica espec&iacute;fica da catequese da inf&acirc;ncia e da adolesc&ecirc;ncia &ndash; n&atilde;o &eacute; meu objectivo apreciar os dinamismos e instrumentos de que dispomos hoje &ndash; mas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,127,161,168,246,294],"class_list":["post-50884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-liturgia","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}