{"id":50841,"date":"2011-04-12T11:19:17","date_gmt":"2011-04-12T11:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/12\/redescobrir-as-razoes-para-viver-em-comum\/"},"modified":"2011-04-12T11:19:17","modified_gmt":"2011-04-12T11:19:17","slug":"redescobrir-as-razoes-para-viver-em-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/redescobrir-as-razoes-para-viver-em-comum\/","title":{"rendered":"Redescobrir as raz\u00f5es para viver em comum"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Gon\u00e7alves, Diretor da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Paula Frassinetti, Porto <!--more--> <\/p>\n<p>Com certeza que h&aacute; &lsquo;culpados&rsquo; na situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica em que nos encontramos como pa&iacute;s, mas h&aacute;, sobretudo, uma corresponsabilidade coletiva a partilhar: enclausurados nas ilus&otilde;es do &ldquo;mercado&rdquo;, n&atilde;o percebemos a tempo as exig&ecirc;ncias que as profundas mudan&ccedil;as socioecon&oacute;micas nos colocavam pessoal e coletivamente: em poucas d&eacute;cadas passamos de um sociedade segura para uma <em>sociedade de risco, vulner&aacute;vel e prec&aacute;ria<\/em>. Embalados pela vertigem assistencialista, repousamos na solidez do &ldquo;Estado de Bem-estar&rdquo;, desligando-nos das inst&acirc;ncias sociocomunit&aacute;rias de proximidade (associa&ccedil;&otilde;es e comunidades) e privadas (fam&iacute;lia), perdendo progressivamente o v&iacute;nculo social e desistindo de procurar as raz&otilde;es que nos unem uns aos outros. Fechados num individualismo descomprometido, procuramos viver a &lsquo;nossa liberdade&rsquo; em estilos de vida alternativos, redefinindo, assim, perten&ccedil;as e lugares, e, com isso, tamb&eacute;m identidades: para n&oacute;s, vale o que &eacute; &uacute;til e funciona. Nas &uacute;ltimas semanas esta mentalidade utilit&aacute;ria ganhou maior express&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o social onde o acontecimento se sobrep&otilde;e ao argumento e a urg&ecirc;ncia do uso p&uacute;blico da raz&atilde;o tende a esfumar-se por entre as reivindica&ccedil;&otilde;es mesquinhas de partidos e grupos que v&atilde;o esgotando a esperan&ccedil;a em projetos de vida alternativos. O reverso da medalha est&aacute; &agrave; vista: desamparo, solid&atilde;o, vulnerabilidade, exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; exclus&atilde;o, desilus&atilde;o, desesperan&ccedil;a&hellip; Este &eacute; o pre&ccedil;o a pagar por uma pseudo-liberdade e cidadania vividas sem v&iacute;nculo ou la&ccedil;o social! Por interesse ou comodismo, deslig&aacute;mo-nos uns dos outros!<\/p>\n<p>Vivemos um tempo desafiador neste momento de vida coletiva: acreditar e refundar as raz&otilde;es para viver em comum &eacute;, agora, decisivo! Em tempos de incerteza social e de escassez de recursos, o desafio coletivo que enfrentamos pode formular-se nestes termos: como obter um equil&iacute;brio entre a promo&ccedil;&atilde;o da <em>equidade<\/em> (do que &eacute; justo para todos) e do <em>reconhecimento<\/em> (do que &eacute; v&aacute;lido para cada um)? Para estarmos de acordo sobre o que &eacute; <em>justo<\/em> e <em>v&aacute;lido<\/em> temos de ser capazes de redescobrir o que &eacute; o bem-comum! E o bem-comum s&oacute; se descobre quando se est&aacute; ligado vitalmente ao vizinho do pr&eacute;dio ou da rua, &agrave; comunidade de refer&ecirc;ncia ou ao colega de trabalho por v&iacute;nculos de sociabilidade que fa&ccedil;am sentido. A no&ccedil;&atilde;o de bem-comum &ndash; que n&atilde;o consiste na simples soma dos interesses particulares &ndash;, pressup&otilde;e o conjunto de condi&ccedil;&otilde;es da vida que possibilita aos grupos e a cada um dos seus membros o seu desenvolvimento integral.<\/p>\n<p>Perante as op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas tradicionais de direita e esquerda, expressas, respetivamente, na dicotomia &ldquo;mais Mercado&rdquo; <em>vs.<\/em> &ldquo;mais Estado&rdquo;, devemos propor, ent&atilde;o, &ldquo;mais Sociedade Civil&rdquo;. Em tempos de crise de confian&ccedil;a nos atores tradicionais da esfera p&uacute;blica (pol&iacute;ticos, banqueiros, grupos corporativos&hellip;) s&oacute; esta &eacute; capaz de instituir uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que estabele&ccedil;a refer&ecirc;ncias suscet&iacute;veis de dar sentido e emprestar uma vis&atilde;o coerente e de futuro ao destino coletivo. S&oacute; um movimento de cidadania, a acontecer a partir das iniciativas dos grupos e associa&ccedil;&otilde;es de bairro, das comunidades de vizinhan&ccedil;a, das ONG, IPSS, Igrejas, etc. &eacute; capaz de transformar atavismo e in&eacute;rcia em participa&ccedil;&atilde;o qualificada. Precisamos de reinventar as raz&otilde;es de vida em comum, redescobrir o que nos une, reinventar novas formas e modelos de conviv&ecirc;ncia, de escuta, de di&aacute;logo sereno, de a&ccedil;&atilde;o comum eficaz&hellip; Carecemos de pr&aacute;ticas de cidadania alicer&ccedil;adas em la&ccedil;os humanos diferenciadores: ainda que n&atilde;o sejam s&oacute;lidos e definitivos, mas que sejam, contudo, conscientes e significativos. Dito de outra forma, necessitamos ligar &lsquo;pessoas&rsquo; e &lsquo;lugares&rsquo;, dinamizando zonas de intera&ccedil;&atilde;o comuns, produzir lugares\/tempos de encontro, visando a constru&ccedil;&atilde;o de uma solidariedade de raz&otilde;es que leve &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de respostas criativas e in&eacute;ditas de vida em comum, atrav&eacute;s dos valores da proximidade, de cidadania e de comunidade fomentadoras da coes&atilde;o social.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Lu&iacute;s Gon&ccedil;alves, Diretor da Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de Paula Frassinetti, Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Gon\u00e7alves, Diretor da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Paula Frassinetti, Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187,193,314],"class_list":["post-50841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50841\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}