{"id":50828,"date":"2011-04-11T15:56:29","date_gmt":"2011-04-11T15:56:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/11\/homilia-do-bispo-da-guarda-no-5-o-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2011-04-11T15:56:29","modified_gmt":"2011-04-11T15:56:29","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-no-5-o-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-no-5-o-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda no 5.\u00ba domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>Celebramos o IV Domingo da Quaresma, tamb&eacute;m&nbsp; chamado o&nbsp; I Domingo da Paix&atilde;o. A Quaresma entra, assim, na sua etapa final, apelando a uma&nbsp; prepara&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima e intensa para a celebra&ccedil;&atilde;o mist&eacute;rio Pascal.<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje relata-nos o epis&oacute;dio da ressurrei&ccedil;&atilde;o de L&aacute;zaro e remete-nos para a Pessoa de Jesus, que &eacute; Palavra viva e fonte de vida. Desejamos, de facto, tamb&eacute;m n&oacute;s&nbsp; aproveitar estas duas semanas de Quaresma que nos separam da P&aacute;scoa para aprofundar a nossa rela&ccedil;&atilde;o com Cristo, que, pela Sua Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o, confirmou a import&acirc;ncia da vida de cada um de n&oacute;s e lhe abriu novos horizontes de esperan&ccedil;a, com o an&uacute;ncio da Vida Eterna.<\/p>\n<p>O quadro da ressurrei&ccedil;&atilde;o de L&aacute;zaro apresenta-se-nos carregado de grandes e profundos&nbsp;&nbsp; sentimentos humanos que tamb&eacute;m eram partilhados pela pessoa de Jesus. Jesus tamb&eacute;m cultivava rela&ccedil;&otilde;es de amizade e tinha naquela&nbsp; fam&iacute;lia de Bet&acirc;nia uma refer&ecirc;ncia&nbsp; importante para a Sua vida e o Seu Minist&eacute;rio. Por isso, as irm&atilde;s de L&aacute;zaro sentiram-se na obriga&ccedil;&atilde;o de comunicar a Jesus a doen&ccedil;a do irm&atilde;o. Jesus&nbsp; dirige-se para casa deste Seu amigo, com consci&ecirc;ncia de que Ele j&aacute; tinha morrido e no primeiro encontro com as irm&atilde;s comoveu-se e chorou, disse o autor do Evangelho. No di&aacute;logo que, entretanto, estabelece&nbsp; com elas parte da f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o final que elas tamb&eacute;m partilhavam e anuncia-lhes que o estado final de vida ressuscitada j&aacute; se antecipa na Sua Pessoa, ao dizer &ndash; &ldquo;Eu sou a ressurrei&ccedil;&atilde;o e a vida, quem acredita em mim n&atilde;o morrer&aacute;&rdquo;. O milagre da Ressurrei&ccedil;&atilde;o de L&aacute;zaro, que Jesus&nbsp; realiza na comunh&atilde;o com o Pai, credencia a miss&atilde;o de Jesus e, ao mesmo tempo, diz do seu apre&ccedil;o pela vida, neste caso pela vida do Seu amigo L&aacute;zaro e pela rela&ccedil;&atilde;o de amizade que lhe d&aacute;&nbsp; consist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Jesus &eacute;, de facto, a Palavra eterna de Deus Pai que, pela Sua encarna&ccedil;&atilde;o, entrou no jogo das rela&ccedil;&otilde;es e da condi&ccedil;&atilde;o humana. Ele &eacute; Palavra viva e fonte de Vida para quantos se decidem pela rela&ccedil;&atilde;o com Ele, na F&eacute;. Mas &eacute; tamb&eacute;m para todos , atrav&eacute;s da Mensagem evang&eacute;lica que dirige a toda a humanidade, um indicador do respeito e do cuidado que merece todo o ser humano, pela vida que&nbsp; lhe foi dada para ele viver na alegria e na esperan&ccedil;a&nbsp; e indicador igualmente&nbsp; das condi&ccedil;&otilde;es sociais indispens&aacute;veis para que a vida de cada&nbsp;&nbsp; ser humano se possa realizar em todas as suas potencialidades. O evangelho &eacute;, de facto, a grande lei da dignidade e da defesa da vida humana enquanto tal.<\/p>\n<p>Ao falarmos&nbsp; de vida humana, queremos referir-nos &agrave; vida de&nbsp; cada pessoa vivida com dignidade em todas as suas dimens&otilde;es. Cada cidad&atilde;o,&nbsp; para exercer o seu direito a viver com dignidade precisa&nbsp; de condi&ccedil;&otilde;es materiais e, por isso &eacute; seu dever procur&aacute;-las e ser ajudado pelos&nbsp; outros a encontr&aacute;-las. Mas as condi&ccedil;&otilde;es materiais n&atilde;o chegam. As boas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e sociais s&atilde;o ainda mais importantes; o mesmo se diga da cultura que&nbsp; permita&nbsp; &agrave; pessoa compreender a sua realidade e a do mundo para, em consequ&ecirc;ncia,&nbsp; tomar as decis&otilde;es mais&nbsp; corretas. Mas a vida humana aut&ecirc;ntica inclui tamb&eacute;m&nbsp; a abertura necess&aacute;ria aos valores espirituais, que fazem parte da condi&ccedil;&atilde;o humana como tal e ainda &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com Deus, que chamamos dimens&atilde;o religiosa da Pessoa humana. Se eliminamos ou esquecemos qualquer destas dimens&otilde;es da pessoa humana, ficamos com a vida atrofiada e, portanto, sem horizontes, com risco de perder o seu sentido, pois, no fundo, cada ser humano leva em sim mesmo a voca&ccedil;&atilde;o de exercer a sua responsabilidade&nbsp; na constru&ccedil;&atilde;o&nbsp; da hist&oacute;ria, mas com horizonte de eternidade. Sendo assim uma cultura transformada em modelo de educa&ccedil;&atilde;o que insiste&nbsp; exclusivamente no individualismo&nbsp; e na satisfa&ccedil;&atilde;o de gostos e necessidades materiais, silenciando, propositadamente ou n&atilde;o, as dimens&otilde;es humanas mais importantes, como s&atilde;o a gratuidade das rela&ccedil;&otilde;es, as dimens&otilde;es moral e espiritual da vida ou a sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus s&atilde;o uma cultura e um modelo de educa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o servem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por sua vez a vida humana, para se cumprir na sua verdade total, precisa de um quadro de vida social que lhe&nbsp; ofere&ccedil;a as necess&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es para o Seu desenvolvimento. E &eacute; esse quadro de vida social que temos de repensar, pois aquele que temos&nbsp; provou que n&atilde;o serve. E n&atilde;o serve n&atilde;o apenas porque n&atilde;o&nbsp; est&aacute;&nbsp; a conseguir realizar&nbsp; a sustentabilidade econ&oacute;mica e financeira do&nbsp; sistema.<\/p>\n<p>N&atilde;o&nbsp; serve porque umas vezes silencia e mesmo desvaloriza as dimens&otilde;es mais importantes da vida humana, como s&atilde;o as dimens&otilde;es moral, espiritual e sobrenatural; outras vezes, porque nas suas disposi&ccedil;&otilde;es legais agride diretamente&nbsp; a vida das pessoas, como s&atilde;o os casos da lei do aborto que temos ou mesmo de leis que afetam negativamente muitos aspetos da institui&ccedil;&atilde;o familiar. N&atilde;o se compreende, por exemplo, que uma fam&iacute;lia com filhos seja prejudicada pelas leis fiscais em rela&ccedil;&atilde;o&nbsp;&nbsp; outras situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o fam&iacute;lia e onde n&atilde;o&nbsp; h&aacute; filhos.&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o sistema educativo que temos em Portugal, um sistema de facto teleguiado&nbsp; de cima para baixo e sem capacidade&nbsp; para comprometer as fam&iacute;lias como primeiras inst&acirc;ncias da responsabilidade de definir o modelo de educa&ccedil;&atilde;o para os seus filhos, n&atilde;o serve. E os resultados negativos est&atilde;o &agrave; vista. S&oacute; n&atilde;o os v&ecirc;&nbsp; quem &eacute; cego.<\/p>\n<p>Estamos &agrave; espera&nbsp; dos primeiros resultados dos censos, mas desde j&aacute; &eacute; muito recomend&aacute;vel que a sociedade portuguesa, na hora de se reorganizar, venha a fazer&nbsp; uma reflex&atilde;o s&eacute;ria sobre o que eles nos v&atilde;o dizer sobre a baixa natalidade que est&aacute; a p&ocirc;r em causa&nbsp; a pr&oacute;pria&nbsp; sustentabilidade&nbsp; do sistema&nbsp; em que vivemos; e tamb&eacute;m quanto ao que nos v&atilde;o dizer sobre a distribui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa por todo o territ&oacute;rio nacional. A sua desigual distribui&ccedil;&atilde;o,&nbsp; com o abandono de certas&nbsp; zonas do pa&iacute;s, j&aacute; coloca s&eacute;rios&nbsp; problemas ao todo nacional, mas ainda vai agrav&aacute;-los.&nbsp; Isto porque &eacute;&nbsp; sabido que as grandes concentra&ccedil;&otilde;es&nbsp; de pessoas em espa&ccedil;os mais reduzidos, sendo embora uma lei geral do movimento das popula&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o criam s&oacute; condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; vida humana de qualidade. E como prova disso, v&ecirc;-se o &ecirc;xodo que se verifica&nbsp; para fora dos grandes centros quando as circunst&acirc;ncias de calend&aacute;rio e de tempo o permitem. Isto significa que a aut&ecirc;ntica qualidade de vida de todas as pessoas, incluindo aquelas que se concentram nas &aacute;reas urbanas, beneficiaria com a redistribui&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es. Esperamos que apare&ccedil;am pol&iacute;ticos corajosos &ndash; o que at&eacute; agora n&atilde;o tem acontecido &ndash; com medidas capazes de inverter este movimento de sentido &uacute;nico para as grandes centros, que continua a esvaziar as&nbsp; periferias.&nbsp; E esta &eacute; a hora de, como sociedade que est&aacute;&nbsp; a repensar os seus modelos de organiza&ccedil;&atilde;o, colocarmos este problema nos termos em que ele deve ser colocado, porque essa &eacute; a forma de podermos vir a conseguir as necess&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es para a aut&ecirc;ntica qualidade de vida, mesmo dos que se sentem beneficiados pelas ofertas que lhes s&atilde;o feitas nos grandes centros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos de ter a coragem de sair dos nossos t&uacute;mulos, como diz a leitura de Ezequiel e acordarmos&nbsp; para dimens&otilde;es da vida que t&ecirc;m andado esquecidas.&nbsp; Deixemo-nos conduzir pelo Esp&iacute;rito e assim encontraremos as condi&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m sociais que s&atilde;o necess&aacute;rias para que os cidad&atilde;os todos possam viver a vida, com verdadeira qualidade. Para isso temos que fazer, tamb&eacute;m a n&iacute;vel da organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, uma escolha de fundo: decidir e programar em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses imediatos (e ficamos sob o dom&iacute;nio da carne, como diz S. Paulo)&nbsp; ou decidir e programar com largueza de horizontes, o que inclui todas as dimens&otilde;es da vida dos cidad&atilde;os, incluindo das gera&ccedil;&otilde;es futuras (este &eacute; o dom&iacute;nio do esp&iacute;rito).<\/p>\n<p>Que a celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa para a qual nos preparamos nos ajude a&nbsp; optar pela largueza de horizontes a partir&nbsp; da Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Juncais, Fornos de Algodres, 10\/04\/2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Manuel da Rocha Fel&iacute;cio, Bispo da Guarda<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos o IV Domingo da Quaresma, tamb&eacute;m&nbsp; chamado o&nbsp; I Domingo da Paix&atilde;o. 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