{"id":50812,"date":"2011-04-10T18:31:00","date_gmt":"2011-04-10T18:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/10\/catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-5-o-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2011-04-10T18:31:00","modified_gmt":"2011-04-10T18:31:00","slug":"catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-5-o-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-5-o-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Catequese do cardeal-patriarca de Lisboa no 5.\u00ba Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Voca&ccedil;&atilde;o e Miss&atilde;o&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. Para aceitarmos e tomarmos a s&eacute;rio o desafio de Jo&atilde;o Paulo II e de Bento XVI de nos lan&ccedil;armos numa &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou uma &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&rdquo;, &eacute; essencial aprofundar o sentido de miss&atilde;o. &Eacute; tarefa de toda a Igreja e de cada membro da Igreja. A miss&atilde;o &eacute; realiza&ccedil;&atilde;o do des&iacute;gnio de Deus acerca da humanidade. Para n&oacute;s crist&atilde;os &eacute; continuar a obra de Jesus Cristo. A sua miss&atilde;o &eacute; perene e definitiva. N&oacute;s participamos dela, sinal da nossa &iacute;ntima uni&atilde;o com Ele. Partilhar a vida com Ele &eacute; participar na sua miss&atilde;o de edificar, na sociedade de cada, tempo o Reino de Deus, at&eacute; que Ele venha. Na Sagrada Escritura ao dinamismo da miss&atilde;o aparecem ligados a escolha e o chamamento por Deus (a voca&ccedil;&atilde;o) e o envio. Deus escolhe e chama aqueles que quer enviar. Mas &eacute;, no contexto da miss&atilde;o, no seu fazer-se no meio dos homens, que a escolha e o envio ganham sentido. A voca&ccedil;&atilde;o especifica-se e esclarece-se na miss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Guiados pela Palavra de Deus e da Igreja <\/strong><\/p>\n<p>2. Tamb&eacute;m na compreens&atilde;o da miss&atilde;o, da sua natureza e dos seus caminhos, a Palavra de Deus &eacute; o guia seguro. Antes de mais, a Palavra revela-nos como o plano a realizar e a anunciar &eacute; o des&iacute;gnio de Deus. Todos os enviados s&atilde;o mensageiros para realizarem no meio dos homens esse plano divino da salva&ccedil;&atilde;o. Isso j&aacute; &eacute; claro no Antigo Testamento, sobretudo nos Profetas. Deus envia a sua Palavra para que ela execute, na hist&oacute;ria dos homens, o seu plano e a sua vontade (cf. Is. 55,11). Para n&oacute;s crist&atilde;os, &eacute; a Palavra que nos mostra Jesus Cristo como o grande enviado, para realizar o plano divino da salva&ccedil;&atilde;o. Ele apresenta-se aos homens como o enviado de Deus (cf. Lc. 4,17-21). Ele veio salvar o que estava perdido (cf. Lc. 19,10). Todos os aspetos da obra redentora de Jesus Cristo est&atilde;o ligados &agrave; miss&atilde;o que recebeu do Pai. Ele veio para fazer a sua vontade, &ldquo;a vontade d&rsquo;Aquele que O enviou&rdquo; (cf. Jo. 4,34; 6,38ss). A sua miss&atilde;o &eacute; perene e definitiva. Ele &eacute; o anunciado e o anunciador. Depois d&rsquo;Ele, todos os enviados s&atilde;o enviados por Ele, com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, para continuarem a realizar, em uni&atilde;o com Ele, a miss&atilde;o que recebeu do Pai. Esse &eacute; um aspeto que devemos continuamente descobrir e aprofundar na Palavra de Deus: a miss&atilde;o n&atilde;o &eacute; nova, a for&ccedil;a da sua efic&aacute;cia n&atilde;o est&aacute; em n&oacute;s. Unidos a Cristo pelo batismo, participamos da totalidade da pessoa de Jesus Cristo, como tamb&eacute;m da sua miss&atilde;o, e a for&ccedil;a da sua efic&aacute;cia recebemo-la d&rsquo;Ele e do Esp&iacute;rito Santo. S&oacute; a Palavra de Deus nos ajudar&aacute; a n&atilde;o cair em vis&otilde;es sociol&oacute;gicas e imanentes da miss&atilde;o.<\/p>\n<p>A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica sobre a Palavra de Deus, orienta-nos nesse sentido: &ldquo;A miss&atilde;o da Igreja n&atilde;o pode ser considerada como realidade facultativa ou suplementar da vida eclesial. Trata-se de deixar que o Esp&iacute;rito Santo nos assimile a Cristo, participando assim na sua pr&oacute;pria miss&atilde;o: &laquo;Assim como o Pai Me enviou, tamb&eacute;m Eu vos envio a v&oacute;s&raquo; (Jo. 20,21), de modo a comunicar a Palavra com a vida inteira. &Eacute; a pr&oacute;pria Palavra que nos impele para os irm&atilde;os; &eacute; a Palavra que ilumina, purifica, converte; n&oacute;s somos apenas servidores. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio descobrir cada vez mais a urg&ecirc;ncia e a beleza de anunciar a Palavra, para a vinda do Reino de Deus, que o pr&oacute;prio Cristo pregou. Neste sentido, renovamos a consci&ecirc;ncia &ndash; t&atilde;o familiar aos Padres da Igreja &ndash; de que o an&uacute;ncio da Palavra tem como conte&uacute;do o Reino de Deus (cf. Mc. 1,14-15), sendo este a pr&oacute;pria pessoa de Jesus&rdquo; [1].<\/p>\n<p><strong>Quem &eacute; que o Senhor envia <\/strong><\/p>\n<p>3. No Novo Testamento s&atilde;o postos em relevo aqueles que o Senhor escolheu para a miss&atilde;o, para realizarem com Ele a mesma miss&atilde;o. Sobressaem, entre esses escolhidos e enviados, os doze Ap&oacute;stolos. Mas h&aacute; outros enviados. De uma s&oacute; vez 72 disc&iacute;pulos (cf. Lc. 9,1). O sentido desse envio &eacute; claro na inten&ccedil;&atilde;o de Jesus: &ldquo;Quem vos escuta, escuta-me a Mim, quem vos rejeitar, rejeita-me a Mim e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou&rdquo; (Lc. 10,16). &ldquo;Quem vos recebe recebe-me a Mim e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou&rdquo; (Jo. 13,20). H&aacute; uma identifica&ccedil;&atilde;o entre a miss&atilde;o de Jesus e a daqueles que Ele envia. A miss&atilde;o &eacute; a mesma, &eacute; s&oacute; uma, recebida de Deus Pai. Com a P&aacute;scoa e o Pentecostes surge uma realidade nova: aqueles que se uniram a Cristo ressuscitado pelo batismo, a quem Ele comunicou o Esp&iacute;rito Santo, tornando-se um &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, o Povo do Senhor, a sua Igreja, realiza&ccedil;&atilde;o definitiva do Povo escolhido, com quem Deus celebrou a &uacute;ltima e definitiva Alian&ccedil;a, no Sangue de Cristo. A identidade entre Cristo e a Igreja &eacute; total, a comunh&atilde;o entre eles &eacute; profunda. Cristo ama a Igreja como um esposo ama a sua esposa. Assim, desde o in&iacute;cio, surge uma consci&ecirc;ncia coletiva da Igreja. Quem Deus envia &eacute; a sua Igreja; &eacute; esta que recebe do seu Senhor a miss&atilde;o de prolongar no tempo a sua pr&oacute;pria miss&atilde;o. Os escolhidos e enviados n&atilde;o s&atilde;o apenas alguns mas todos pelo pr&oacute;prio facto de pertencer &agrave; Igreja. A consci&ecirc;ncia desta miss&atilde;o &eacute; aspeto importante da pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia de perten&ccedil;a &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Ou&ccedil;amos, a este prop&oacute;sito, a mais recente Palavra da Igreja: &ldquo;Uma vez que todo o Povo de Deus &eacute; um povo &laquo;enviado&raquo;, o S&iacute;nodo reafirmou que &laquo;a miss&atilde;o de anunciar a Palavra de Deus &eacute; dever de todos os disc&iacute;pulos de Jesus Cristo, em consequ&ecirc;ncia do seu batismo&raquo;. Nenhuma pessoa que cr&ecirc; em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do facto de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo. Esta consci&ecirc;ncia deve ser despertada em cada fam&iacute;lia, par&oacute;quia, comunidade, associa&ccedil;&atilde;o e movimento eclesial. Portanto, toda a Igreja, enquanto mist&eacute;rio de comunh&atilde;o, &eacute; mission&aacute;ria, e cada um, no seu pr&oacute;prio estado de vida, &eacute; chamado a dar uma contribui&ccedil;&atilde;o incisiva para o an&uacute;ncio crist&atilde;o&rdquo; [2].<\/p>\n<p>Esta consci&ecirc;ncia de que cada crist&atilde;o &eacute; enviado e participa da responsabilidade pela miss&atilde;o da Igreja &eacute; decisiva para um novo dinamismo de evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O &acirc;mbito da miss&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>4. Para todos se empenharem na realiza&ccedil;&atilde;o atual da miss&atilde;o de Cristo e da Igreja, &eacute; preciso ter consci&ecirc;ncia do &acirc;mbito da miss&atilde;o, das realidades humanas que desafiam o an&uacute;ncio da boa-nova do Reino de Deus. Ou&ccedil;amos, mais uma vez, como a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica nos apresenta este &acirc;mbito da miss&atilde;o: &ldquo;O Senhor oferece a salva&ccedil;&atilde;o aos homens de cada &eacute;poca. Todos nos damos conta de qu&atilde;o necess&aacute;rio &eacute; que a luz de Cristo ilumine cada &acirc;mbito da humanidade: a fam&iacute;lia, a escola, a cultura, o trabalho, o tempo livre e os outros setores da vida social. N&atilde;o se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama &agrave; convers&atilde;o, que torna acess&iacute;vel o encontro com Ele, atrav&eacute;s do qual floresce uma humanidade nova&rdquo; [3]. A miss&atilde;o, nos nossos dias, n&atilde;o pode ser vista apenas no seu aspeto marcadamente eclesi&aacute;stico. Toda a realidade humana, em que os crist&atilde;os est&atilde;o inseridos como pessoas, os desafia a um testemunho de vida que cria ruturas, inquieta&ccedil;&otilde;es e abre janelas para uma outra perspetiva da vida. Esse &eacute; o &acirc;mbito privilegiado da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, em que os crist&atilde;os, homens no meio dos outros homens, s&atilde;o chamados a ser, no ardor da sua viv&ecirc;ncia crist&atilde;, uma luz que &eacute; a luz de Cristo. Nesta vis&atilde;o da miss&atilde;o, a Igreja descobre-se continuamente como enviada ao mundo, atitude que marcar&aacute; a sua maneira de olhar e julgar a sociedade dos homens. Desde o Conc&iacute;lio Vaticano II que o sentir-se enviada ao mundo decidir&aacute; da maneira como a Igreja est&aacute; no mundo.<\/p>\n<p>Mas esta perspetiva n&atilde;o anula a consci&ecirc;ncia de que a Igreja, na sua realidade interna, &eacute; um espa&ccedil;o de evangeliza&ccedil;&atilde;o. Para ser fiel &agrave; sua miss&atilde;o, a Igreja precisa de ser continuamente evangelizada [4].<\/p>\n<p>5. Esta consci&ecirc;ncia da miss&atilde;o da Igreja tamb&eacute;m n&atilde;o anula, nem relativiza, a miss&atilde;o concreta de cada crist&atilde;o, que pode corresponder a uma voca&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. O &acirc;mbito da miss&atilde;o &eacute; de tal modo alargado, abarcando toda a realidade humana do mundo contempor&acirc;neo, que &eacute; natural e necess&aacute;rio que cada crist&atilde;o se sinta chamado e enviado a empenhar-se na realiza&ccedil;&atilde;o de aspetos concretos da miss&atilde;o. E alguns h&aacute; que est&atilde;o bastante a descoberto nas nossas sociedades contempor&acirc;neas. Para que este &ldquo;particularismo&rdquo; da miss&atilde;o seja aut&ecirc;ntico, exigem-se duas atitudes: que cada miss&atilde;o particular esteja aberta &agrave; universalidade da miss&atilde;o, e que cada um considere a sua miss&atilde;o particular como fazendo parte da miss&atilde;o da Igreja. Esta &eacute; o horizonte, que define os limites da autonomia na considera&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o pessoal de cada um de n&oacute;s.<\/p>\n<p><strong>Voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>6. Deus chama aqueles que escolheu para enviar. S&atilde;o Paulo resume bem esta situa&ccedil;&atilde;o: aqueles que escolheu, chamou-os e consagrou-os; a esses Ele enviou-os. No Antigo Testamento e durante a vida p&uacute;blica de Jesus, ressalta a densidade das escolhas pessoais, dos profetas, dos ap&oacute;stolos, de Paulo na estrada de Damasco. S&oacute; Deus sabe porque escolheu uma pessoa. Mas uma coisa &eacute; clara: escolhe para enviar em miss&atilde;o, a realizar o seu des&iacute;gnio. Algumas destas voca&ccedil;&otilde;es revestem-se de uma certa dramaticidade: as pessoas sentem que a sua vida mudou. Os Ap&oacute;stolos deixam tudo para seguir Jesus.<\/p>\n<p>A Igreja percebeu, desde o in&iacute;cio, que ser crist&atilde;o &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o. Desaparece a dramaticidade da interpela&ccedil;&atilde;o pessoal, permanece a densidade de seguir Jesus Cristo, em tudo e com todas as consequ&ecirc;ncias. Aderir &agrave; f&eacute; &eacute; considerado um aut&ecirc;ntico chamamento. &Eacute; nesse sentido que Paulo recorda aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;Considerai o vosso chamamento&rdquo; (1Co. 1,26). A vida crist&atilde; &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o porque &eacute; um chamamento do Esp&iacute;rito Santo; Ele suscita a resposta a esse chamamento: a fidelidade filial. A Igreja reconhece-se como a comunidade dos que foram chamados. A palavra grega com que se diz Igreja, significa, na sua raiz, que a Igreja &eacute; a &ldquo;eleita&rdquo;, &ldquo;a escolhida&rdquo;, e a &ldquo;chamada&rdquo;. &Eacute; porque ela deve escutar a voz do esposo e responder-lhe: &ldquo;Vem, Senhor Jesus&rdquo; (Apc. 22,20).<\/p>\n<p>Mas j&aacute; Paulo reconhece que no interior desta comum voca&ccedil;&atilde;o &ldquo;h&aacute; diversidade de dons, de minist&eacute;rios, de opera&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Mas na diversidade de carismas, h&aacute; um s&oacute; Corpo e um s&oacute; Esp&iacute;rito (cf. 1Co. 12,4-13). Esta &eacute; a novidade crist&atilde;: as interpela&ccedil;&otilde;es feitas pelo Esp&iacute;rito a cada um adquirem a densidade de uma voca&ccedil;&atilde;o, se exprimirem a voca&ccedil;&atilde;o de toda a Igreja, porque &eacute; ela a principal &ldquo;chamada&rdquo; e a continuamente enviada. A concretiza&ccedil;&atilde;o deste dinamismo acaba por fazer descobrir a Igreja, n&atilde;o apenas como a que &eacute; chamada e enviada, mas como a que chama e envia. As &ldquo;mo&ccedil;&otilde;es&rdquo; pessoais do Esp&iacute;rito precisam de ser discernidas, na sua autenticidade, pela Igreja e s&oacute; se tornam realmente voca&ccedil;&atilde;o quando a Igreja chama. A Igreja pode chamar e enviar mesmo quando as pessoas n&atilde;o sentirem interiormente essa sugest&atilde;o de Deus. Quando a Igreja as chama para a miss&atilde;o, s&atilde;o interpeladas a mudar a sua vida, os seus projetos de vida, para poder responder ao chamamento. A voz da Igreja que chama e envia, &eacute; equivalente &agrave; voz de Deus que chamou os profetas, &agrave; Palavra de Jesus que chamou os Ap&oacute;stolos. A Igreja &eacute;, verdadeiramente, o lugar da voca&ccedil;&atilde;o e da miss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>As miss&otilde;es fundadoras da Igreja miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>7. Quero terminar esta Catequese sobre a voca&ccedil;&atilde;o e a miss&atilde;o, recordando que h&aacute; voca&ccedil;&otilde;es e miss&otilde;es fundadoras e inspiradoras de toda a miss&atilde;o da Igreja. Antes de mais, a de <strong>Jesus Cristo<\/strong>, que tem uma consci&ecirc;ncia clara da sua miss&atilde;o: &ldquo;O Pai consagrou-Me e enviou-Me ao mundo&rdquo; (Jo. 10,16). No caso de Cristo, o Novo Testamento nunca fala de voca&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; um momento em que Deus O chama. A sua miss&atilde;o tem origem no seio do mist&eacute;rio de Deus, de Quem Ele &eacute; o Filho. A decis&atilde;o do Pai n&atilde;o &eacute; cham&aacute;-l&rsquo;O, mas sim envi&aacute;-l&rsquo;O.<\/p>\n<p>Depois, a de Maria. Neste caso h&aacute; chamamento e miss&atilde;o. A visita de Gabriel, mensageiro de Deus, &eacute; um chamamento a que Maria responde, aceitando a miss&atilde;o: &ldquo;Fa&ccedil;a-se em mim segundo a Tua Palavra&rdquo;. Aceita na obedi&ecirc;ncia e na alegria: &ldquo;A minha alma exulta&hellip;&rdquo;. Ela &eacute;, para a Igreja, o modelo de aceita&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o, na alegria [5].<\/p>\n<p>A voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o dos Ap&oacute;stolos. Escolhidos um a um por Jesus, a sua resposta vai sendo dada &agrave; medida que vivem a miss&atilde;o de Jesus. Tornaram-se assim constitutivos e garantias da fecundidade da miss&atilde;o de Cristo, para a Igreja e para o mundo. O minist&eacute;rio apost&oacute;lico &eacute; uma miss&atilde;o especial&iacute;ssima, no conjunto da Igreja miss&atilde;o. A sua fecundidade &eacute; garantia da nossa autenticidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 10 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p><em>NOTAS:<\/em><\/p>\n<p>1 <em>Verbum Domini<\/em> (VD), n&ordm; 93<\/p>\n<p>2 VD, n&ordm; 94<\/p>\n<p>3 VD, n&ordm; 93<\/p>\n<p>4 Cf. Paulo VI, <em>Evangelii Nuntiandi<\/em><\/p>\n<p>5 Cf. VD, n&ordm; 124<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Voca&ccedil;&atilde;o e Miss&atilde;o&rdquo; Introdu&ccedil;&atilde;o 1. Para aceitarmos e tomarmos a s&eacute;rio o desafio de Jo&atilde;o Paulo II e de Bento XVI de nos lan&ccedil;armos numa &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou uma &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&rdquo;, &eacute; essencial aprofundar o sentido de miss&atilde;o. &Eacute; tarefa de toda a Igreja e de cada membro da Igreja. 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