{"id":50800,"date":"2011-04-08T17:35:24","date_gmt":"2011-04-08T17:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/08\/homilia-do-bispo-de-coimbra-no-encontro-com-as-santas-casas-da-misericordia-da-diocese\/"},"modified":"2011-04-08T17:35:24","modified_gmt":"2011-04-08T17:35:24","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-no-encontro-com-as-santas-casas-da-misericordia-da-diocese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-no-encontro-com-as-santas-casas-da-misericordia-da-diocese\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra no encontro com as Santas Casas da Miseric\u00f3rdia da diocese"},"content":{"rendered":"<p>Senhor Governador Civil<\/p>\n<p>Senhor Presidente da C&acirc;mara Municipal de Coimbra<\/p>\n<p>Senhor Professor Doutor representante da Universidade de Coimbra<\/p>\n<p>(Permita-se-me a distin&ccedil;&atilde;o:)<\/p>\n<p>Senhor Presidente do Secretariado Regional de Coimbra da Uni&atilde;o das Miseric&oacute;rdias a quem devo esta celebra&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Senhores Presidentes dos Secretariados Regionais de Aveiro, Viseu, Leiria e Santar&eacute;m<\/p>\n<p>Senhor Presidente do Secretariado Nacional da Uni&atilde;o das Miseric&oacute;rdias Portuguesas<\/p>\n<p>Senhores Provedores, Mes&aacute;rios e Dirigentes dos &Oacute;rg&atilde;os Sociais das Miseric&oacute;rdias da nossa Diocese<\/p>\n<p>(Permita-se-me de novo a distin&ccedil;&atilde;o:)<\/p>\n<p>E da Miseric&oacute;rdia de Manteigas, minha terra natal<\/p>\n<p>Exmas Autoridades civis, acad&eacute;micas e outras individualidades aqui presentes<\/p>\n<p>Irm&atilde;os<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as esta nossa celebra&ccedil;&atilde;o. A palavra que usamos para a anunciar claramente o recorda: Celebramos &ldquo;Eucaristia&rdquo;, que o mesmo &eacute; dizer &ldquo;damos gra&ccedil;as&rdquo;.<\/p>\n<p>Efectivamente, queremos agradecer a Deus antes de mais a verdade e a certeza em n&oacute;s do que agora ouvimos: &ldquo;O que fizestes ao mais pequeno dos meus irm&atilde;os, foi a Mim que o fizestes&rdquo;.<\/p>\n<p>A velha sabedoria grega tinha-nos deixado como regra de oiro: &ldquo;N&atilde;o fa&ccedil;as ao outro o que n&atilde;o queres que te fa&ccedil;am a ti.&rdquo;<\/p>\n<p>Pensadores humanistas dos s&eacute;culos que se seguiram mudaram para a positiva esse velho princ&iacute;pio: &ldquo;Faz ao outro o que queres que te fa&ccedil;am a ti&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas Jesus Cristo deixou-nos, com for&ccedil;a de mandamento novo, uma orienta&ccedil;&atilde;o infinitamente superior: &ldquo;Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei&rdquo; (&hellip;) &ldquo;por que v&oacute;s sois todos irm&atilde;os&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; t&atilde;o alta esta orienta&ccedil;&atilde;o que, guiados por ela e animados pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito de Deus em n&oacute;s, somos capazes de servir sem que a esquerda saiba o que fez a direita e sem olharmos a quem servimos. Mais ainda: Sem o sabermos, &eacute; ao pr&oacute;prio Cristo que estamos a servir, presente naquele irm&atilde;o que precisa!<\/p>\n<p>&nbsp;Foi este t&atilde;o elevado amor crist&atilde;o que levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o das Miseric&oacute;rdias. Amor nascido no cora&ccedil;&atilde;o dos baptizados que as fundaram: Rainha, cl&eacute;rigos e leigos. Amor alimentado nas fontes da Igreja, em que eles se sentiam perfeitamente inseridos.<\/p>\n<p>&nbsp;Esse amor, que fecha os olhos para n&atilde;o vermos a quem servimos, abre os mesmos olhos para descortinarmos as car&ecirc;ncias prementes de cada &eacute;poca. Se h&aacute; 500 anos era necess&aacute;rio matar a fome, vestir os nus, acolher peregrinos e at&eacute; enterrar mortos, hoje afigura-se como priorit&aacute;rio e urgente acudir &agrave;s fam&iacute;lias e, sobretudo, atenuar a solid&atilde;o e estar presente em situa&ccedil;&otilde;es especiais de doen&ccedil;a, como as que exigem internamento para cuidados continuados ou o acompanhamento em fase terminal.<\/p>\n<p>&nbsp;Felicito as Santas Casas da Miseric&oacute;rdia pelas muitas iniciativas de cria&ccedil;&atilde;o de hospitais para esse efeito.<\/p>\n<p>&nbsp;Ao faz&ecirc;-lo, as Miseric&oacute;rdias cumprem, de modo actualizado, o mandamento sublime do amor crist&atilde;o. E realizam outro admir&aacute;vel servi&ccedil;o, que &eacute; o de proclamar, no ambiente permissivo desta velha Europa, a dignidade da vida humana at&eacute; ao seu &uacute;ltimo momento c&aacute; na terra. Opondo-se &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia, as nossas Miseric&oacute;rdias respeitam e defendem a vida at&eacute; ao seu termo natural.<\/p>\n<p>&nbsp;Para o fazer, repito, os membros das Irmandades das Santas Casas orientam-se pela luz do Evangelho. Que assim continue a ser. Que os &ldquo;homens bons&rdquo; dos finais do S&eacute;c. XV sejam hoje homens e mulheres honrados, tomados pelo desejo de servir abnegadamente e nunca pela ambi&ccedil;&atilde;o de distin&ccedil;&otilde;es ou sedu&ccedil;&atilde;o de elogios, pessoas desprendidas, de m&atilde;os limpas, habituadas &agrave; isen&ccedil;&atilde;o no julgamento dos pedidos, repletas de paci&ecirc;ncia no trato das pessoas e dos casos.<\/p>\n<p>&nbsp;Estes s&atilde;o valores que, na 1&ordf; Leitura, se imaginavam como regras de vida do povo de Deus na Antiga Alian&ccedil;a, povo comparado pelo Profeta ao rebanho que Deus guarda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Re&uacute;ne-se esta Assembleia a prop&oacute;sito da pr&oacute;xima mudan&ccedil;a daquele que &eacute; o primeiro representante, na Diocese, de Deus Pastor.<\/p>\n<p>&nbsp;Tendo sido eu, durante anos, esse pastor diocesano, cabe-me, primeiramente, agradecer a vossa presen&ccedil;a, o vosso gesto.<\/p>\n<p>&nbsp;Mas devo tamb&eacute;m aproveitar o ensejo para me examinar, diante de Deus, sobre o meu c&oacute;digo de conduta junto das mais de trinta Miseric&oacute;rdias Diocesanas, c&oacute;digo de conduta que h&aacute;-de ser igual ao dos demais Bispos de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;Assim, foi e &eacute; minha obriga&ccedil;&atilde;o fomentar nas nossas Miseric&oacute;rdias a presen&ccedil;a dos valores crist&atilde;os acima referidos.<\/p>\n<p>&nbsp;Procurei, isso sim, zelar pela unidade dentro de cada Casa, como tamb&eacute;m cultivar a mesma unidade entre todas as Miseric&oacute;rdias da Diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;Lembrava-me ainda a 1&ordf; leitura que &eacute; obriga&ccedil;&atilde;o do pastor opor-se &agrave; intromiss&atilde;o dos lobos que dizimam o rebanho. E que lobos poder&atilde;o atacar o esp&iacute;rito, o ambiente e o trabalho das Santa Casas?<\/p>\n<p>&nbsp;Por certo, aqueles que queiram servir-se do lugar de irm&atilde;o a pensar mais no seu prest&iacute;gio do que no servi&ccedil;os do pr&oacute;ximo, sonhando com triunfos que abrem portas e cargos de elevada distin&ccedil;&atilde;o. Lobos ser&atilde;o certamente este ou aquele que pretenda aproveitar a administra&ccedil;&atilde;o de bens para proveito pr&oacute;prio. Lobos ser&atilde;o tamb&eacute;m for&ccedil;as de ordem ideol&oacute;gica ou at&eacute; pol&iacute;tica que n&atilde;o se coadunem com o esp&iacute;rito do Evangelho, que &eacute; o c&oacute;digo fundacional das Miseric&oacute;rdias.<\/p>\n<p>&nbsp;Que Deus me perdoe tudo o que nestes anos de Bispo de Coimbra foi descuido meu no cumprimento destes deveres.<\/p>\n<p>&nbsp;Agrade&ccedil;o &agrave;s distintas Mesas das nossas Miseric&oacute;rdias a consci&ecirc;ncia do valor da unidade, em sua casa e entre elas, que sempre me demonstraram. O Bispo que termina e por certo o que se lhe seguir&aacute; continuar&atilde;o a zelar por essa unidade em Igreja, fiel &agrave;s normas que nos h&atilde;o-de reger, sem que, tamb&eacute;m da parte do Pastor, haja ced&ecirc;ncia &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o do autoritarismo ou menos estima pela compet&ecirc;ncia dos Leigos na Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;E que Deus a todos nos ilumine e acompanhe, agora que est&atilde;o bem patentes aos nossos olhos novas car&ecirc;ncias de novas pobrezas, &agrave; espera de respostas que a vossa criatividade e o vosso amor crist&atilde;o h&atilde;o-de encontrar.<\/p>\n<p>&nbsp;E que todos um dia possam ouvir da boca de Cristo: &ldquo;Vinde, benditos de meu Pai (&hellip;) porque tudo o que fizestes ao mais pequeno dos meus irm&atilde;os foi a Mim que o fizestes&rdquo;.<\/p>\n<p>Coimbra, 7 de Abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor Governador Civil 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