{"id":50787,"date":"2011-04-08T12:27:23","date_gmt":"2011-04-08T12:27:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/08\/catequese-quaresmal-de-d-joao-lavrador-bispo-auxiliar-do-porto\/"},"modified":"2011-04-08T12:27:23","modified_gmt":"2011-04-08T12:27:23","slug":"catequese-quaresmal-de-d-joao-lavrador-bispo-auxiliar-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-quaresmal-de-d-joao-lavrador-bispo-auxiliar-do-porto\/","title":{"rendered":"Catequese quaresmal de D. Jo\u00e3o Lavrador, bispo auxiliar do Porto"},"content":{"rendered":"<p><strong>O jejum aut&ecirc;ntico edifica o homem novo &nbsp;na verdade e na caridade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O tempo da Quaresma, com todas as propostas de convers&atilde;o que ela contem, est&aacute; orientado para a P&aacute;scoa de Jesus Cristo e, nela, para a edifica&ccedil;&atilde;o do homem novo do qual pelo baptismo j&aacute; participamos e que nos foi oferecido pela Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Vamos desenvolver este tema do Jejum tendo em conta os seguintes pontos: O Jejum daquele que espera o &laquo;esposo&raquo;, Jesus Cristo; O Jejum de quem se prepara para a miss&atilde;o; O Jejum como metan&oacute;ia; O jejum e a penit&ecirc;ncia;<strong> <\/strong>Jejum, ascese e caridade;<strong> <\/strong>O Jejum que interessa ao homem de hoje.<\/p>\n<p><strong>1.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>O Jejum daquele que espera o &laquo;esposo&raquo;, Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Para o crist&atilde;o, o Jejum deve ser caracterizado como meio que prepara a vinda de Jesus Cristo, introduzindo-nos numa experi&ecirc;ncia t&atilde;o forte que s&oacute; a linguagem nupcial pode exemplificar. Por isso, importa lembrar as palavras com que Jesus respondeu aos disc&iacute;pulos de Jo&atilde;o Baptista quando o interrogavam: <em>por que n&atilde;o jejuam os teus disc&iacute;pulos<\/em>? Jesus respondeu: <em>Porventura podem os companheiros do esposo estar tristes enquanto o esposo est&aacute; com eles? Dias h&atilde;o-de vir em que lhes tirar&atilde;o o esposo e ent&atilde;o jejuar&atilde;o<\/em> (<em>Mt<\/em> 9, 15). Na verdade, o tempo da Quaresma recorda-nos que o esposo nos foi tirado. Tirado, detido, preso, esbofeteado, flagelado, coroado de espinhos e crucificado. O jejum no tempo da Quaresma <em>&eacute; a express&atilde;o da nossa solidariedade<\/em> com Cristo. Tal foi o significado da Quaresma atrav&eacute;s dos s&eacute;culos e assim hoje se mant&eacute;m [1].<\/p>\n<p>Atendo-nos ao Novo Testamento, deparamo-nos com Jesus que ressalta a raz&atilde;o profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescri&ccedil;&otilde;es impostas pela lei, mas o seu cora&ccedil;&atilde;o estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, tal como nos &eacute; retratado nos Evangelhos, repete tamb&eacute;m noutras partes o Mestre divino, &eacute; antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual &laquo;v&ecirc; no oculto, recompensar-te-&aacute;&raquo; (<em>Mt.<\/em> <em>6, 18<\/em>). Ele pr&oacute;prio d&aacute; o exemplo respondendo a satan&aacute;s, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que &laquo;nem s&oacute; de p&atilde;o vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus&raquo; (<em>Mt.<\/em> <em>4, 4<\/em>). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o &laquo;verdadeiro alimento&raquo;, que &eacute; fazer a vontade do Pai (cf. <em>Jo<\/em> 4, 34). Portanto, se Ad&atilde;o desobedeceu ao mandamento do Senhor &laquo;de n&atilde;o comer o fruto da &aacute;rvore da ci&ecirc;ncia do bem e do mal&raquo;, com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e miseric&oacute;rdia [2]<\/p>\n<p><strong>2.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>O Jejum de quem se prepara para a miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho de S. Mateus d&aacute;-nos conta de que Jesus Cristo no inicio da sua vida p&uacute;blica, antes de se lan&ccedil;ar na proclama&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus, passou quarenta dias no deserto, sentiu fome e foi tentado pelo dem&oacute;nio. Neste contexto de jejum, &eacute;-nos oferecido o exemplo de Jesus Cristo pelo o qual reconhecemos que todo o ser humano na busca do sentido pleno da sua exist&ecirc;ncia sente-se obrigado a decidir, a fazer escolhas e a orientar decididamente a sua vida ao encontro da verdade de Deus.<\/p>\n<p>Fixemo-nos nas situa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o proporcionadas pelo Esp&iacute;rito para que se purifique verdadeiramente o ser, os crit&eacute;rios, os valores, as rela&ccedil;&otilde;es que contam e as decis&otilde;es. Diz-nos o Evangelho: &laquo;O Esp&iacute;rito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo dem&oacute;nio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome&raquo; (<em>Mt.<\/em> <em>4, 1-2).<\/em> Tudo se desenrola no deserto, lugar onde a pessoa se pode encontrar consigo mesma na solid&atilde;o do seu pr&oacute;prio ser. &Eacute; precisamente neste envolvimento que o ser humano sente fome, certamente car&ecirc;ncia de alimento, mas sobretudo o que o alimento simboliza, fome de Deus, do Amor absoluto de Deus, &uacute;nica realidade que pode dar sentido pleno &agrave; vida humana. Mas isto n&atilde;o se alcan&ccedil;a sem primeiro exercitar a vontade que &eacute; chamada a decidir. A decis&atilde;o que integra o conte&uacute;do do que se pretende, o exerc&iacute;cio da liberdade de cada um e o imperativo da vontade que se encaminha para o melhor bem.<\/p>\n<p>Como Mois&eacute;s antes de receber as T&aacute;buas da Lei (cf. <em>&Ecirc;x.<\/em> <em>34, 28<\/em>), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. <em>1 Rs<\/em> <em>19, 8<\/em>), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua miss&atilde;o, cujo in&iacute;cio foi um duro confronto com o tentador [3]<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m Paulo nos recorda as exig&ecirc;ncias apost&oacute;licas quando diz: &laquo;Em todas as coisas procuramos acreditar-nos como ministros de Deus, com muita paci&ecirc;ncia nas tribula&ccedil;&otilde;es, nas necessidades nas ang&uacute;stias, nos a&ccedil;oites, nos c&aacute;rceres, nas sedi&ccedil;&otilde;es, nos trabalho, nas vig&iacute;lias, nos jejuns&raquo; <em>(2Cor. 6, 4-7).<\/em><\/p>\n<p>O Esp&iacute;rito Santo envia em miss&atilde;o quando os ap&oacute;stolos se encontram em ora&ccedil;&atilde;o e em jejum. Assim o descreve o texto dos Actos dos Ap&oacute;stolos: &laquo;Havia na Igreja estabelecida em Antioquia profetas e doutores: Barnab&eacute;, Sime&atilde;o, chamado N&iacute;ger, L&uacute;cio de Cirene, Manaen, companheiro de inf&acirc;ncia do tetrarca Herodes e Saulo. Estando eles a celebrar o culto e a jejuar, disse-lhes o Esp&iacute;rito Santo: &ldquo;Separai Barnab&eacute; e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei&rdquo;. Ent&atilde;o depois de terem jejuado e rezado, impuseram-lhes as m&atilde;os e deixaram-nos partir&raquo; (Act. 13,1-3). Ainda nos Actos dos Ap&oacute;stolos, ao narrar o modo como a Boa Nova era anunciada em Listra e como a&iacute; fizeram muitos disc&iacute;pulos, e uma vez regressados a Antioquia, diz o texto que &laquo;depois de terem constitu&iacute;do anci&atilde;os em cada Igreja, pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, e de terem feito ora&ccedil;&otilde;es acompanhadas de jejum, encomendaram-nos ao Senhor em quem tinham acreditado&raquo; (<em>Act. 14, 21-23<\/em>).<\/p>\n<p><strong>3.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>O Jejum como metan&oacute;ia<\/strong><\/p>\n<p>O apelo &agrave; convers&atilde;o &eacute; uma constante na Sagrada Escritura. A partir da rela&ccedil;&atilde;o amorosa que Deus quer estabelecer com os seus filhos, h&aacute; um permanente apelo a voltar ao seio de Deus.<\/p>\n<p>Lemos no livro de Isa&iacute;as a seguinte advert&ecirc;ncia: &laquo;Para que jejuar, se disto n&atilde;o vos importais, para que humilhar as nossas almas, se n&atilde;o prestais aten&ccedil;&atilde;o. &Eacute; porque no dia do vosso jejum s&oacute; cuidais dos vossos neg&oacute;cios e oprimis todos os vossos servidores. Jejuais para melhor demandar e contender, ferindo com o punho malvadamente. N&atilde;o jejueis como tendes feito at&eacute; hoje se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto. &Eacute; esse o jejum que me agrada no dia em que o homem se mortifica? Curvar a cabe&ccedil;a como um junco, deitar-se sobre saco e cinza? Podeis chamar a isto jejum e dia agrad&aacute;vel ao Senhor?&raquo; (<em>Is. 58, 3-5<\/em>).<\/p>\n<p>A partir daqui, Isa&iacute;as apresenta o que &eacute; o jejum agrad&aacute;vel ao Senhor. Diz ele: &laquo;O jejum que eu aprecio &eacute; este: abrir as pris&otilde;es injustas, desatar o n&oacute; do jugo, deixar ir livres os oprimidos, quebrar toda a esp&eacute;cie de jugo, repartir o p&atilde;o com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu e n&atilde;o desprezar o teu irm&atilde;o&raquo; (<em>Is. 58, 6-7<\/em>).<\/p>\n<p>Se assim proceder, aquele que pratica tal jejum ser&aacute; querido pelo Senhor e por Ele ser&aacute; atendido. Ser&aacute; como a luz da aurora para todos os que com ele convivem.<\/p>\n<p>O mesmo apelo encontra-se no profeta Joel. Com palavras vigorosas exclama: &laquo;Mas agora ainda &ndash; diz o Senhor. Convertei-vos a Mim de todo o vosso cora&ccedil;&atilde;o, com jejuns, com l&aacute;grimas e com gemidos. Rasgai os vossos cora&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o as vossas vestes. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele &eacute; bom e compassivo, clemente e misericordioso (&hellip;) Tocai a trombeta em Si&atilde;o, ordenai um jejum. Convocai a assembleia, reuni o povo&raquo;. (<em>Jl. 2, 12- 15<\/em>).<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II, respondendo &agrave; quest&atilde;o do que &eacute; verdadeiramente a Metan&oacute;ia, a convers&atilde;o, diz que se pode definir por aquela <em>transforma&ccedil;&atilde;o espiritual, que aproxima o homem de Deus<\/em>. Por isso, sublinha que nos devemos esfor&ccedil;ar por concentrar-nos n&atilde;o s&oacute; na pr&aacute;tica da absten&ccedil;&atilde;o do alimento ou das bebidas &mdash; isto de facto significa &laquo;jejum&raquo; no sentido ordin&aacute;rio &mdash; mas no significado mais profundo desta pr&aacute;tica que, ali&aacute;s, pode e deve &agrave;s vezes ser &laquo;substitu&iacute;da&raquo; por alguma outra. E esclarece dizendo que o alimento e as bebidas s&atilde;o indispens&aacute;veis para o homem viver, disso se serve e deve servir-se, mas n&atilde;o lhe &eacute; l&iacute;cito abusar seja da forma que for. Refere ainda que a tradicional absten&ccedil;&atilde;o do alimento e das bebidas tem como finalidade introduzir na exist&ecirc;ncia do homem n&atilde;o s&oacute; o equil&iacute;brio necess&aacute;rio, mas tamb&eacute;m o desprendimento daquilo que poderia definir-se &laquo;<em>atitude consumista<\/em>&raquo;. Tal atitude tornou-se nos nossos tempos uma das caracter&iacute;sticas da civiliza&ccedil;&atilde;o e em particular da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental. A atitude consumista! O homem orientado para os bens materiais, m&uacute;ltiplos bens materiais, muitas vezes abusa deles. N&atilde;o se trata aqui unicamente do alimento e das bebidas. Quando o homem est&aacute; orientado exclusivamente para a posse e o uso dos bens materiais, isto &eacute;, das coisas, ent&atilde;o tamb&eacute;m toda a civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; medida segundo a quantidade e qualidade das coisas que se encontra capaz de fornecer ao homem e n&atilde;o se mede com a medida adequada ao homem, diz ainda o Papa. Esta civiliza&ccedil;&atilde;o fornece de facto, os bens materiais n&atilde;o s&oacute; para que sirvam ao homem a exercer as actividades criativas e &uacute;teis, mas cada vez mais&nbsp; para satisfazer os sentidos, a excita&ccedil;&atilde;o que disso deriva, o prazer moment&acirc;neo e a multiplicidade de sensa&ccedil;&otilde;es cada vez maior [4].<\/p>\n<p>Continuando ainda sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o jejum e a convers&atilde;o, insiste o Santo Padre Jo&atilde;o Paulo II dizendo que para nos convertermos a Deus, &eacute; necess&aacute;rio descobrirmos em n&oacute;s mesmos aquilo que nos torna sens&iacute;veis a quanto pertence a Deus, portanto: os conte&uacute;dos espirituais, os valores superiores, que falam &agrave; nossa intelig&ecirc;ncia, &agrave; nossa consci&ecirc;ncia e ao nosso &laquo;cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (segundo a linguagem b&iacute;blica). Para nos abrirmos a estes conte&uacute;dos espirituais e a estes valores, &eacute; preciso desapegarmo-nos de tudo quanto serve apenas ao consumismo, &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o dos sentidos. Na abertura da nossa personalidade humana para Deus, o jejum entendido quer no modo &laquo;tradicional&raquo; quer no &laquo;actual&raquo; &mdash; deve acompanhar ao mesmo passo a ora&ccedil;&atilde;o porque esta dirige-nos directamente para Ele.<\/p>\n<p>Por outro lado, conclui Jo&atilde;o Paulo II, &nbsp;o jejum, isto &eacute; a mortifica&ccedil;&atilde;o dos sentidos e o dom&iacute;nio do corpo, confere &agrave; ora&ccedil;&atilde;o maior efic&aacute;cia que o homem descobre em si mesmo. Descobre, de facto, que &eacute; &laquo;diverso&raquo;, que &eacute; mais &laquo;senhor de si mesmo&raquo; e que se tornou interiormente livre. E disso se d&aacute; conta pois a convers&atilde;o e o encontro com Deus, por meio da ora&ccedil;&atilde;o, frutificam nele [5]<\/p>\n<p><strong>4.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>O jejum e a penit&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Se o jejum n&atilde;o &eacute; muito real&ccedil;ado no Novo Testamento e j&aacute; depreendemos porqu&ecirc;, porque estamos perante o esposo para o qual se orienta toda a nossa vida, a rela&ccedil;&atilde;o do jejum com a penit&ecirc;ncia retoma vigor na Igreja primitiva.<\/p>\n<p>Vejamos algumas cita&ccedil;&otilde;es dos Padres da Igreja:<\/p>\n<p>&laquo;O meu amor foi crucificado e j&aacute; n&atilde;o h&aacute; em mim a chama que deseja as coisas materiais&raquo;, escreve o Bispo de Antioquia, In&aacute;cio, na carta aos Romanos (Santo In&aacute;cio de Antioquia, <em>Ad Romanos<\/em>, VII, 2).<\/p>\n<p>Diz, por exemplo, S&atilde;o Pedro Cris&oacute;logo: &laquo;O jejum &eacute; paz do corpo, for&ccedil;a dos esp&iacute;ritos e vigor das almas&raquo; (S&atilde;o Pedro Cris&oacute;logo, <em>Sermo VII: de ieiunio<\/em> 3), e ainda: &laquo;O jejum &eacute; o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo&raquo; (S&atilde;o Pedro Cris&oacute;logo,<em> Sermo VII: de ieiunio<\/em> 1). Sublinha, ainda, num outro passo: &laquo;O jejum &eacute; a alma da ora&ccedil;&atilde;o e a miseric&oacute;rdia &eacute; a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha miseric&oacute;rdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benef&iacute;cio o cora&ccedil;&atilde;o de Deus n&atilde;o feche o seu a quem o suplica&raquo; (<em>Sermo 43; PL<\/em> 52, 320.332).<\/p>\n<p>Santo Ambr&oacute;sio responde &agrave;s poss&iacute;veis objec&ccedil;&otilde;es contra o jejum nos seguintes termos: &laquo;A carne, pela sua condi&ccedil;&atilde;o mortal, tem algumas concupisc&ecirc;ncias suas pr&oacute;prias: a respeito delas foi-te concedido o direito de as refrear. A tua carne est&aacute;-te sujeita (&#8230;): N&atilde;o sigas as solicita&ccedil;&otilde;es il&iacute;citas, mas refreia-as algum tanto, mesmo no que diz respeito &agrave;s coisas l&iacute;citas. De facto, quem n&atilde;o se abst&eacute;m de nenhuma das coisas l&iacute;citas, est&aacute; tamb&eacute;m perto das il&iacute;citas&raquo; (Santo Ambr&oacute;sio, <em>Sermo de utilitate ieiunii<\/em> III. V. VII). At&eacute; escritores, que n&atilde;o pertencem ao cristianismo, declaram a mesma verdade. Esta &eacute; de alcance universal. Faz parte da sabedoria universal da vida [6]<\/p>\n<p>Encontramos a pr&aacute;tica do jejum muito presente na primeira comunidade crist&atilde;. Tamb&eacute;m os Padres da Igreja falam da for&ccedil;a do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do &laquo;velho Ad&atilde;o&raquo;, e de abrir no cora&ccedil;&atilde;o do crente o caminho para Deus. O jejum &eacute; tamb&eacute;m uma pr&aacute;tica frequente e recomendada pelos santos de todas as &eacute;pocas [7]<\/p>\n<p>Podemos perguntar que valor e que sentido tem para n&oacute;s, crist&atilde;os, privar-nos de algo que seria em si bom e &uacute;til para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; ensinam que o jejum &eacute; de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isso, na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o &eacute; frequente o convite a jejuar. J&aacute; nas primeiras p&aacute;ginas da Sagrada Escritura o Senhor exige que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: &laquo;Podes comer o fruto de todas as &aacute;rvores do jardim; mas n&atilde;o comas o da &aacute;rvore da ci&ecirc;ncia do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrer&aacute;s&raquo; (<em>Gn<\/em> 2, 16-17). Comentando a ordem divina, S&atilde;o Bas&iacute;lio observa que &laquo;o jejum foi ordenado no Para&iacute;so&raquo;, e &laquo;o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Ad&atilde;o&raquo;. Portanto, conclui: &laquo;O &ldquo;n&atilde;o comas&rdquo; e, deste modo, a lei do jejum e da abstin&ecirc;ncia&raquo; (cf. <em>Sermo de jejunio: PG<\/em> 31, 163, 98). Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequ&ecirc;ncias, o jejum &eacute;-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do ex&iacute;lio &agrave; Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar &laquo;para nos humilhar &ndash; diz &ndash; diante do nosso Deus&raquo; (<em>8, 21<\/em>). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protec&ccedil;&atilde;o. Fizeram o mesmo os habitantes de Ninive que, sens&iacute;veis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: &laquo;Quem sabe se Deus n&atilde;o Se arrepender&aacute;, e acalmar&aacute; o ardor da Sua ira, de modo que n&atilde;o pere&ccedil;amos?&raquo; (3, 9). Tamb&eacute;m ent&atilde;o Deus viu as suas obras e os poupou [8]<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade &agrave; pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as pr&oacute;prias inclina&ccedil;&otilde;es negativas e as definia &laquo;n&oacute; complicado e emaranhado&raquo; (<em>Confiss&otilde;es,<\/em> II, 10.18), no seu tratado <em>A utilidade do jejum,<\/em> escrevia: &laquo;Certamente &eacute; um supl&iacute;cio que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para satisfazer aos seus olhos, para alcan&ccedil;ar o agrado da sua do&ccedil;ura&raquo; (<em>Sermo<\/em> 400, 3, 3: <em>PL<\/em> 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposi&ccedil;&atilde;o para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salva&ccedil;&atilde;o. Com o jejum e com a ora&ccedil;&atilde;o permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso &iacute;ntimo: a fome e a sede de Deus [9].<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II falando aos jovens reunidos na bas&iacute;lica Vaticana, em 1979, relacionava o jejum com a penit&ecirc;ncia dizendo que o &laquo;jejum &eacute; saber dizer um &#8220;n&atilde;o&#8221; seco e decisivo a tudo o que &eacute; sugerido ou requerido pelo orgulho, pelo ego&iacute;smo, pelo v&iacute;cio, dando ouvidos &agrave; pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia, respeitando o bem alheio e conservando a fidelidade &agrave; santa Lei de Deus. Jejum significa p&ocirc;r limite a tantos desejos, &agrave;s vezes bons, para se ter o dom&iacute;nio pleno de si, para aprender a regular os pr&oacute;prios instintos, para habituar a vontade ao bem&raquo;. Refere ainda que &laquo;gestos destes recebiam antigamente o nome de &#8220;florinhas&#8221; ou obs&eacute;quios. Muda o nome, mas fica a subst&acirc;ncia. Eram e continuam a ser actos de ren&uacute;ncia, realizados por amor do Senhor ou de Nossa Senhora, com uma nobre finalidade para conseguir. Eram e s&atilde;o um &#8220;desporto&#8221;, um treino insubstitu&iacute;vel para se ficar vencedor nas competi&ccedil;&otilde;es do esp&iacute;rito. Jejum significa, por fim, privar-se dalguma coisa para valer &agrave; necessidade dum irm&atilde;o, tornando-se o jejum desse modo exerc&iacute;cio de bondade e caridade&raquo;.<\/p>\n<p>&laquo;O jejum, compreendido, praticado e vivido desse modo, sublinha o Papa, torna-se penit&ecirc;ncia, isto &eacute; convers&atilde;o a Deus, na medida em que purifica o cora&ccedil;&atilde;o das numerosas esc&oacute;rias do mal, embeleza a alma de virtudes, habitua a vontade ao bem, e dilata o cora&ccedil;&atilde;o para receber a abund&acirc;ncia da divina gra&ccedil;a. Em tal convers&atilde;o torna-se a f&eacute; mais s&oacute;lida, a esperan&ccedil;a mais alegre e a caridade mais activa&raquo;.<\/p>\n<p>Interpela os jovens sublinhando que &laquo;convertidos para Deus, cheios do Esp&iacute;rito do Senhor, tereis no cora&ccedil;&atilde;o uma alegria verdadeira, profunda e avassaladora; mostrareis um sorriso genu&iacute;no e conquistador; vereis a vossa juventude como dom estupendo, digno de ser vivido em plenitude e em autenticidade de vida, humana e crist&atilde;&raquo; [10].<\/p>\n<p><strong>5.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>Jejum, ascese e caridade<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Interligando o jejum com a ascese e a caridade, Bento XVI, na mensagem para a Quaresma de 2009, diz que o jejum ajuda-nos a tomar consci&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o na qual vivem tantos irm&atilde;os nossos. Recorda a <em>Primeira Carta<\/em> de S&atilde;o Jo&atilde;o na qual admoesta dizendo que &laquo;aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irm&atilde;o sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu cora&ccedil;&atilde;o, como estar&aacute; nele o amor de Deus?&raquo; (<em>3, 17<\/em>). Jejuar voluntariamente, continua o Papa, &nbsp;ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irm&atilde;o que sofre (cf. Enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html\">Deus caritas est<\/a>,<\/em> 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o pr&oacute;ximo em dificuldade n&atilde;o nos &eacute; indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de aten&ccedil;&atilde;o para com os irm&atilde;os, O Santo Padre dirige-se &agrave;s par&oacute;quias e a todas as outras comunidades encorajando-as a intensificar na Quaresma a pr&aacute;tica do jejum pessoal e comunit&aacute;rio, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a ora&ccedil;&atilde;o e a esmola. Foi este, desde o in&iacute;cio o estilo da comunidade crist&atilde;, na qual eram feitas colectas especiais (cf. <em>2 Cor<\/em> 8-9; <em>Rm<\/em> 15, 25-27), e os irm&atilde;os eram convidados a dar aos pobres quanto, gra&ccedil;as ao jejum, tinham poupado (cf. <em>Didascalia Ap.,<\/em> V, 20, 18).<\/p>\n<p>J&aacute; S. Le&atilde;o Magno exortava os crist&atilde;os dizendo: &laquo;Seja, neste tempo, mais generosa a nossa liberalidade para com os pobres e todos os que sofrem, para que os nossos jejuns possam mitigar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as a Deus&raquo;. E, prossegue dizendo que &laquo;nenhuma devo&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is &eacute; mais agrad&aacute;vel a Deus do que a dedica&ccedil;&atilde;o pelos seus pobres, porque nesta solicitude misericordiosa Ele reconhece a imagem da sua pr&oacute;pria bondade&raquo; (<em>Sermo 10 in Quadrag&eacute;sima, 3-5). <\/em><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m hoje esta pr&aacute;tica deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo lit&uacute;rgico quaresmal [11].<\/p>\n<p>Sobressai, deste modo, com grande clareza que o jejum representa uma pr&aacute;tica asc&eacute;tica importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a n&oacute;s mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o disc&iacute;pulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino lit&uacute;rgico quaresmal: Usemos de modo mais s&oacute;brio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permane&ccedil;amos mais atentamente vigilantes&raquo; [12].<\/p>\n<p>Proclamar o jejum quer dizer recordar com toda a energia o Amor infinito de Jesus na Cruz! Recordar a cruz. Aceitar o jejum quer dizer aceitar a revela&ccedil;&atilde;o deste amor: <em>Reencontrarmo-nos a, n&oacute;s mesmos nas dimens&otilde;es deste amor-miseric&oacute;rdia<\/em> [13].<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><strong>6.&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>O Jejum que interessa ao homem de hoje<\/strong><\/p>\n<p>Situado na realidade concreta em que vive o ser humano, hoje, em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura envolvente, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade e sobretudo &agrave;s car&ecirc;ncias que nela se desenvolvem, o homem contempor&acirc;neo deve <em>jejuar<\/em>, isto &eacute;, abster-se n&atilde;o s&oacute; do alimento ou das bebidas, mas <em>de muitos outros meios de consumo<\/em>, como de estimular e satisfazer os sentidos. Jejuar significa abster-se, renunciar a alguma coisa.<\/p>\n<p>Eis ent&atilde;o um conjunto de interroga&ccedil;&otilde;es que Jo&atilde;o Paulo II nos lan&ccedil;a: Porque renunciar a alguma coisa? Porque privarmo-nos dela? Pelo que fica dito, j&aacute; em parte respondemos a estas perguntas. N&atilde;o ser&aacute; todavia completa a resposta, se n&atilde;o nos dermos conta de o homem ser ele pr&oacute;prio, tamb&eacute;m por conseguir privar-se dalguma coisa, capaz de dizer a si mesmo &laquo;n&atilde;o&raquo;. Real&ccedil;a o Santo Padre que o homem &eacute; ser composto de corpo e alma. Refere, ent&atilde;o que alguns escritores contempor&acirc;neos apresentam esta estrutura composta do homem sob a forma de estratos, e falam, como exemplo, de estratos exteriores na superf&iacute;cie da nossa personalidade, contrapondo-os aos estratos em profundidade. A nossa vida parece estar dividida nestes estratos e desenvolve-se atrav&eacute;s deles. Enquanto os estratos superficiais est&atilde;o ligados &agrave; nossa sensualidade, os estratos profundos s&atilde;o express&atilde;o da espiritualidade do homem, isto &eacute;, da vontade consciente, da reflex&atilde;o, da consci&ecirc;ncia e da capacidade de viver os valores superiores [14].<\/p>\n<p>Esta imagem da estrutura da personalidade humana, segundo Jo&atilde;o Paulo II, pode servir para se compreender o significado do jejum para o homem. N&atilde;o se trata aqui somente do significado religioso, mas dum significado que se exprime atrav&eacute;s da chamada &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o&raquo; do homem com sujeito-pessoa. O homem desenvolve-se regularmente, quando os estratos mais profundos da sua personalidade encontram suficiente express&atilde;o, quando o &acirc;mbito dos seus interesses e das suas aspira&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se limita s&oacute; aos estratos exteriores e superficiais, ligados com a sensualidade humana. <em>Para facilitar este desenvolvimento, devemos por vezes desapegar-nos conscientemente do que serve para satisfazer a sensualidade<\/em>, quer dizer, daqueles estratos exteriores superficiais. Devemos portanto renunciar a tudo quanto os &laquo;alimenta&raquo; [15].<\/p>\n<p>Eis, em breves palavras, a interpreta&ccedil;&atilde;o do jejum dos dias de hoje.<\/p>\n<p>A ren&uacute;ncia &agrave;s sensa&ccedil;&otilde;es, aos est&iacute;mulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou &agrave;s bebidas, n&atilde;o &eacute; fim de si mesma. Deve apenas, por assim dizer, preparar o caminho para conte&uacute;dos mais profundos, de que &laquo;se alimenta&raquo; o homem interior. Tal ren&uacute;ncia, tal <em>mortifica&ccedil;&atilde;o deve servir para criar no homem as condi&ccedil;&otilde;es para poder viver os valores superiores<\/em>, de que ele est&aacute;, a seu modo, &laquo;faminto&raquo; [16].<\/p>\n<p>Bento XVI lembra que nos nossos dias, a pr&aacute;tica do jejum&nbsp; parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfa&ccedil;&atilde;o material, o valor de uma medida terap&ecirc;utica para a cura do pr&oacute;prio corpo. Contudo, refere que jejuar sem d&uacute;vida &eacute; bom para o bem-estar, mas para os crentes &eacute; em primeiro lugar uma &laquo;terapia&raquo; para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constitui&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <em>Paenitemini<\/em> de 1966, Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada crist&atilde;o a &laquo;n&atilde;o viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e tamb&eacute;m a viver pelos irm&atilde;os&raquo; (Cf. <em>Cap. <\/em>I). A Quaresma poderia ser uma ocasi&atilde;o oportuna para retomar as normas contidas na citada Constitui&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica, recorda o Santo Padre, valorizando o significado aut&ecirc;ntico e perene desta antiga pr&aacute;tica penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso ego&iacute;smo e a abrir o cora&ccedil;&atilde;o ao amor de Deus e do pr&oacute;ximo, primeiro e m&aacute;ximo mandamento da nova Lei e comp&ecirc;ndio de todo o Evangelho (cf. <em>Mt<\/em> <em>22, 34-40<\/em>) [17].<\/p>\n<p>Termino com uma passagem da mensagem que o Santo Padre nos oferece nesta Quaresma de 2011. Diz ele num dado passo: &laquo;O <em>Jejum<\/em>, que pode ter diversas motiva&ccedil;&otilde;es, adquire para o crist&atilde;o um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o ego&iacute;smo para viver na l&oacute;gica da doa&ccedil;&atilde;o e do amor; suportando as priva&ccedil;&otilde;es de algumas coisas &ndash; e n&atilde;o s&oacute; do sup&eacute;rfluo &ndash; aprendemos a desviar o olhar do nosso &laquo;eu&raquo;, para descobrir Algu&eacute;m ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irm&atilde;os nossos. Para o crist&atilde;o o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja tamb&eacute;m amor ao pr&oacute;ximo (cf. <em>Mc<\/em> <em>12, 31<\/em>)&raquo;.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jo&atilde;o Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; Cfr. JO&Atilde;O PAULO II <em>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL<\/em> Quarta-feira, 21 de Mar&ccedil;o de 1979<\/p>\n<p>2 &#8211; Cfr. BENTO <em>XVI&nbsp; MENSAGEM PARA A QUARESMA<\/em> DE 2009<\/p>\n<p>3 &#8211; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>4 &#8211; Cfr. JO&Atilde;O PAULO II <em>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL, <\/em>obr. Cit<\/p>\n<p>5 &#8211; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>6 &ndash; Cfr. JO&Atilde;O PAULO II <em>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL, <\/em>obr. cit.<\/p>\n<p>7 &ndash; Cfr. BENTO XVI&nbsp; <em>MENSAGEM PARA A QUARESMA<\/em> DE 2009, obr. cit.<\/p>\n<p>8 &ndash; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>9 &ndash; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>10 &#8211; <em>JO&Atilde;O PAULO II&nbsp; DISCURSO NO ENCONTRO COM OS JOVENS &nbsp;<\/em>NA BAS&Iacute;LICA VATICANA Quarta-feira, 21 de Mar&ccedil;o de 1979<\/p>\n<p>11 &ndash; BENTO XVI&nbsp; <em>MENSAGEM PARA A QUARESMA<\/em> DE 2009, obr. cit.<\/p>\n<p>12 &ndash; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>13 &ndash; JO&Atilde;O PAULO II, <em>HOMILIA<strong>,<\/strong> <\/em>Bas&iacute;lica de Santa Sabina Quarta-feira de Cinzas, 4 de Mar&ccedil;o de 1981<\/p>\n<p>14 &ndash; Cfr. JO&Atilde;O PAULO II <em>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL<\/em> Quarta-feira, 21 de Mar&ccedil;o de 1979<\/p>\n<p>15 &ndash; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>16 &ndash; Cfr. Ib.<\/p>\n<p>17 &ndash; Cfr. BENTO XVI&nbsp; <em>MENSAGEM PARA A QUARESMA<\/em> DE 2009, obr. cit.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jejum aut&ecirc;ntico edifica o homem novo &nbsp;na verdade e na caridade O tempo da Quaresma, com todas as propostas de convers&atilde;o que ela contem, est&aacute; orientado para a P&aacute;scoa de Jesus Cristo e, nela, para a edifica&ccedil;&atilde;o do homem novo do qual pelo baptismo j&aacute; participamos e que nos foi oferecido pela Ressurrei&ccedil;&atilde;o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,127,187,199,91,314],"class_list":["post-50787","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-quaresma","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50787\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}