{"id":50761,"date":"2011-04-06T17:23:36","date_gmt":"2011-04-06T17:23:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/06\/teatro-e-o-sagrado\/"},"modified":"2011-04-06T17:23:36","modified_gmt":"2011-04-06T17:23:36","slug":"teatro-e-o-sagrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/teatro-e-o-sagrado\/","title":{"rendered":"Teatro e o sagrado"},"content":{"rendered":"<p>O ator e encenador J\u00falio Martin fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA da sua experi\u00eancia com textos que aludem a temas religiosos <!--more--> <\/p>\n<p>O ator e encenador J&uacute;lio Martin fala da sua experi&ecirc;ncia com textos que aludem a temas religiosos e diz &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA que seria um &ldquo;desafio muito interessante&rdquo; representar a pe&ccedil;a &lsquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rsquo; ao ar livre, &agrave; semelhan&ccedil;a do que sucedia no s&eacute;culo XVII, quando o texto foi escrito.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Como descreve &ldquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p>J&uacute;lio Martin (JM) &ndash; &Eacute; um texto de grande beleza de Calder&oacute;n de la Barca [1600-1681], um dos maiores dramaturgos do s&eacute;culo de ouro espanhol. Os autos sacramentais, como este, eram representados por altura do dia do Corpo de Deus como uma grande celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica de rua.<\/p>\n<p>Trata-se de uma das pe&ccedil;as de maior didatismo teatral daquele autor. Toda a simbologia da missa &eacute; ali revelada: a maneira como a liturgia &eacute; constru&iacute;da, a sua narrativa e os seus momentos. Ele transforma a liturgia numa po&eacute;tica de rela&ccedil;&otilde;es e sentidos, fazendo-nos percorrer a eucaristia atrav&eacute;s de dois personagens que acompanham toda a pe&ccedil;a: a Ignor&acirc;ncia e a Sabedoria. A primeira, que somos todos n&oacute;s, &eacute; algu&eacute;m que quer compreender o significado dos gestos e palavras da celebra&ccedil;&atilde;o; o seu encontro com a segunda conduz os espectadores ao longo da missa.<\/p>\n<p>A pe&ccedil;a evoca quase toda a hist&oacute;ria da humanidade e do cristianismo. Come&ccedil;a com a expuls&atilde;o de Ad&atilde;o do Para&iacute;so, um quadro que representa o Homem expulso de uma realidade ideal e bela, que &eacute; a proximidade com Deus, e que depois de se arrepender quer restabelecer essa rela&ccedil;&atilde;o com o divino. A partir da&iacute; surgem os v&aacute;rios personagens, como Mois&eacute;s, Saulo e a sua convers&atilde;o em Paulo, at&eacute; culminar com o pr&oacute;prio Jesus Cristo.<\/p>\n<p>&Eacute; uma pe&ccedil;a muito bem constru&iacute;da, com tens&atilde;o dram&aacute;tica, mas sempre numa beleza po&eacute;tica muito grande.<\/p>\n<p>Quisemos manter o grau de proximidade com o p&uacute;blico, que existia &agrave; &eacute;poca em que o espet&aacute;culo era representado na rua, atrav&eacute;s da transposi&ccedil;&atilde;o para o interior de um templo. Temos sempre representado &ldquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rdquo; em igrejas com uma dimens&atilde;o de intimidade, como &eacute; o caso do Convento dos Cardaes [Lisboa], um espa&ccedil;o bel&iacute;ssimo onde &eacute; poss&iacute;vel as pessoas sentirem o olhar e a respira&ccedil;&atilde;o dos atores, que v&atilde;o circulando entre os espectadores.<\/p>\n<p>Os dois m&uacute;sicos que tocam violino e violoncelo ao vivo tamb&eacute;m ajudam a criar um ambiente muito belo de grande celebra&ccedil;&atilde;o e espiritualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que &eacute; um auto sacramental?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; Os autos sacramentais s&atilde;o muito pr&oacute;prios da dramaturgia espanhola, sobretudo em Calder&oacute;n de la Barca.  Tratam-se de representa&ccedil;&otilde;es teatrais cujo conte&uacute;do tem sempre a ver com personagens b&iacute;blicas ou com momentos particulares que se querem celebrar. O dia do Corpo de Deus era o grande momento de representa&ccedil;&atilde;o, numa enorme festa de rua marcada por uma viv&ecirc;ncia muito popular, art&iacute;stica e espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Seria poss&iacute;vel e pertinente o regresso &agrave;s pra&ccedil;as de &ldquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; &Eacute; um desafio, sem d&uacute;vida. Penso que se poderia concretizar, obviamente com outras condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de audi&ccedil;&atilde;o e visibilidade, que hoje em dia s&atilde;o perfeitamente poss&iacute;veis de obter. Acredito que o teatro pode e deve estar presente no meio da cidade, recriando e adaptando aos nossos tempos o modelo do auto sacramental.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel recriar o clima que se vivia no s&eacute;culo XVII, bastando para isso encontrar o local adequado &ndash; uma pra&ccedil;a e um percurso &ndash; e integrar mais pessoas, como se fazia originalmente. Estes autos sacramentais inclu&iacute;am muita gente, desde m&uacute;sicos a bailarinos, e o texto continha j&aacute; todos estes elementos. Quando o cortejo parava, as pessoas ouviam e viam a representa&ccedil;&atilde;o, mas pelo meio, enquanto se deslocavam de uma rua para outra, decorriam cantares e dan&ccedil;as que permitiam a participa&ccedil;&atilde;o de toda a gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Seria adequado fazer uma prociss&atilde;o do Corpo de Deus com este auto?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; N&atilde;o propriamente integrado na prociss&atilde;o, que tem uma simb&oacute;lica pr&oacute;pria. Mas nesse dia seria poss&iacute;vel apresentar um auto sacramental, &agrave; semelhan&ccedil;a do que &eacute; feito em muitos pa&iacute;ses, nomeadamente Inglaterra e Fran&ccedil;a, onde h&aacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o muito viva de exibi&ccedil;&atilde;o destas representa&ccedil;&otilde;es sacras no meio da rua, em cima de cami&otilde;es e carro&ccedil;as. O cortejo com os v&aacute;rios quadros desloca-se ao longo das art&eacute;rias, det&eacute;m-se em determinados locais para as pessoas assistirem e converge para uma pra&ccedil;a onde decorre o final.<\/p>\n<p>S&atilde;o momentos muito especiais porque marcam os tempos lit&uacute;rgicos com o cariz cultural e art&iacute;stico, que nos diz muito atualmente. Podemos manter a solenidade e a sacralidade destas representa&ccedil;&otilde;es teatrais num espa&ccedil;o p&uacute;blico. O que &eacute; preciso &eacute; criar condi&ccedil;&otilde;es para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Era um desafio que gostava de assumir?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; Claro que sim. No ambiente de viv&ecirc;ncia crist&atilde; de partilha e ora&ccedil;&atilde;o que experimentamos no Teatro do Ourives falamos muito em trazer &agrave; contemporaneidade toda a riqueza de outra linguagem e de outra forma de estar no mundo. E tamb&eacute;m queremos dar esperan&ccedil;a. Para n&oacute;s, a arte e o teatro passam por dar esperan&ccedil;a, algo que &eacute; muito importante sobretudo nestes momentos que estamos a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O texto da vers&atilde;o agora apresentada &eacute; fiel ao original?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; A obra de Calder&oacute;n de la Barca &eacute; um texto barroco, feito em verso e um pouco mais longo. Fizemos uma adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; da estrutura &ndash; a pe&ccedil;a tem a dura&ccedil;&atilde;o de uma hora e n&atilde;o &eacute; em verso &ndash; como tamb&eacute;m de algumas personagens, j&aacute; que o original era muito marcado pela &eacute;poca.<\/p>\n<p>H&aacute; elementos permanentes e intemporais, mas h&aacute; outros que se referem a aspetos espec&iacute;ficos, pelo que tentamos aproximar o texto da nossa atualidade. Um caso concreto: as personagens do Romano e do Judeu, que fazem um contraponto e d&atilde;o tens&atilde;o dram&aacute;tica &agrave; pe&ccedil;a ao oporem-se ao cristianismo, foram transformadas no Fariseu e no Paganismo. O primeiro &eacute; aquele que n&atilde;o est&aacute; aberto a outras perspetivas, enquanto que o segundo representa outro entendimento do mundo. Ambos acabam por ser interpelados pela boa nova.<\/p>\n<p>&Agrave; exce&ccedil;&atilde;o de pequenas modifica&ccedil;&otilde;es mantivemos o essencial e o esp&iacute;rito da pe&ccedil;a permanece perfeitamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quantos atores entram em palco?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; Sete, para cerca de dez personagens. E temos duas crian&ccedil;as, filhas de um dos atores, que fazem um momento muito belo e comovente durante a cena da convers&atilde;o de Saulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Qual &eacute; a cena que lhe &eacute; mais significativa?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; &Eacute; dif&iacute;cil escolher porque todas representam o empenho e a dedica&ccedil;&atilde;o de cada um dos atores a atrizes. E como a pe&ccedil;a demora apenas uma hora, flui e v&ecirc;-se muito bem como um todo.<\/p>\n<p>H&aacute; momentos muito belos: ao in&iacute;cio, quando a Ignor&acirc;ncia se encontra pela primeira vez com a Sabedoria; a entrada de Ad&atilde;o por entre o p&uacute;blico; a apari&ccedil;&atilde;o de Mois&eacute;s e Jo&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>E depois h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o muito &iacute;ntima com a m&uacute;sica. Os m&uacute;sicos tocam algumas pe&ccedil;as com partitura, mas h&aacute; ocasi&otilde;es em que tamb&eacute;m improvisam sobre o trabalho dos atores. Todos t&ecirc;m de estar muito atentos para que esse casamento funcione bem.<\/p>\n<p>Um dos instantes em que isso acontece &eacute; o da convers&atilde;o de Saulo. &Eacute; uma cena bela porque est&atilde;o quase todos os personagens em palco a testemunhar esse acontecimento. E tamb&eacute;m porque &eacute; a &uacute;nica ocasi&atilde;o em que surgem as duas crian&ccedil;as, que rodam, cantam e dan&ccedil;am &agrave; volta dele, dizendo &ldquo;Saulo, Saulo, porque me persegues?&rdquo;. S&atilde;o uma presen&ccedil;a muito especial e marcam essa passagem fundamental de Saulo em Paulo.<\/p>\n<p>Real&ccedil;o tamb&eacute;m o quadro em que se representa o n&uacute;cleo da celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, bem como a forma como o Fariseu e o Paganismo s&atilde;o interpelados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os atores e m&uacute;sicos s&atilde;o amadores?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; A maior parte dos atores tem forma&ccedil;&atilde;o profissional, e alguns, como &eacute; o caso do Jos&eacute; Nogueira Ramos e do Jos&eacute; Sim&atilde;o, conclu&iacute;ram o curso superior de Teatro e atuaram profissionalmente durante muitos anos. Os m&uacute;sicos tamb&eacute;m terminaram o Conservat&oacute;rio.<\/p>\n<p>Temos tamb&eacute;m atores que vieram do teatro universit&aacute;rio e de outras institui&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m daqueles que come&ccedil;aram connosco a sua caminhada teatral.<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m da equipa vive exclusivamente da atividade art&iacute;stica. Alguns atores dedicaram-se ao Vale de Ac&oacute;r, que &eacute; a m&atilde;e deste projeto do Teatro do Ourives. &Eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o com sede em Almada, que trabalha na recupera&ccedil;&atilde;o de pessoas com problemas de droga e &aacute;lcool, dirigida pelo padre Pedro Quintela, um homem de grande paix&atilde;o pelo teatro e de grande cultura.<\/p>\n<p>Antes de o Teatro do Ourives ser constitu&iacute;do havia j&aacute; um percurso teatral de treze anos. Estes atores, quando foram trabalhar para o Vale de Ac&oacute;r, levaram tamb&eacute;m a sua experi&ecirc;ncia, criando pequenos espet&aacute;culos, em que eu, pontualmente, tamb&eacute;m colaborei.<\/p>\n<p>O ano passado, por ocasi&atilde;o da comemora&ccedil;&atilde;o do Ano Sacerdotal [que a Igreja cat&oacute;lica assinalou entre 2010 e 2011], a experi&ecirc;ncia deles e a nossa rela&ccedil;&atilde;o de amizade confluiu na vontade de dar outra forma e estrutura &agrave;s apresenta&ccedil;&otilde;es teatrais.<\/p>\n<p>Foi no decorrer dos ensaios de &ldquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rdquo; [em 2010] que surgiu a ideia de criar o &ldquo;Teatro do Ourives&rdquo;. O nome &eacute; uma homenagem ao Papa Jo&atilde;o Paulo II, um grande apaixonado pelo teatro e ele pr&oacute;prio ator e dramaturgo, e a uma das suas pe&ccedil;as mais conhecidas, &ldquo;A Loja do Ourives&rdquo;. Tamb&eacute;m gost&aacute;mos muito da simbologia da profiss&atilde;o, executada por quem dedica o seu cuidado ao trabalho com metais delicados, preciosos e belos, como s&atilde;o tamb&eacute;m as pessoas, palavras e gestos com que n&oacute;s trabalhamos no teatro. E o ourives, obviamente, tamb&eacute;m &eacute; Deus que nos trabalha.<\/p>\n<p>O nome revela igualmente uma rela&ccedil;&atilde;o com a hist&oacute;ria do teatro portugu&ecirc;s atrav&eacute;s de Gil Vicente. Ningu&eacute;m sabe ao certo, mas h&aacute; quem diga que ele poderia ter sido ourives.<\/p>\n<p>&ldquo;Os Mist&eacute;rios da Missa&rdquo; s&atilde;o uma reposi&ccedil;&atilde;o do espet&aacute;culo que estreou o ano passado, por altura do fim do Ano Sacerdotal. Essas atua&ccedil;&otilde;es foram para n&oacute;s uma surpresa bel&iacute;ssima porque tivemos de fazer mais apresenta&ccedil;&otilde;es do que as que estavam previstas. E justamente porque correu t&atilde;o bem, ach&aacute;mos importante voltar a faz&ecirc;-lo este ano, tamb&eacute;m para marcar a Quaresma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A pe&ccedil;a vai ser apresentada noutros locais al&eacute;m de Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; Para j&aacute; vamos fazer esta carreira no Convento dos Cardaes at&eacute; 17 de abril, domingo de ramos, de quinta a s&aacute;bado &agrave;s 21h30 e ao domingo pelas 18h00. T&ecirc;m surgido convites, nomeadamente do Porto e Braga, bem como de outras localidades. Agora &eacute; tudo uma quest&atilde;o de nos deslocarmos para fazer o espet&aacute;culo, que &eacute; muito &aacute;gil em termos de produ&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s adaptamo-nos ao espa&ccedil;o existente, dado que n&atilde;o temos cen&aacute;rios e os figurinos s&atilde;o simples, pelo que &eacute; praticamente s&oacute; o trabalho dos atores e dos m&uacute;sicos. Tudo se resume a conciliar disponibilidades e a conseguir um m&iacute;nimo de condi&ccedil;&otilde;es para apresentar a pe&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>RM<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ator e encenador J\u00falio Martin fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA da sua experi\u00eancia com textos que aludem a temas religiosos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[114,172,187,199,246,91],"class_list":["post-50761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-ano-sacerdotal","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}