{"id":5072,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispo-do-porto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispo-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-porto\/","title":{"rendered":"Bispo do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Bispo h\u00e1 25 anos, h\u00e1 10 do Porto. Honra-o ser &#8216;Bispo do Porto&#8217;, tamb\u00e9m porque \u00e9 portuense e portista. Este ano, D. Armindo Lopes Coelho marca o ritmo da Igreja diocesana do Porto tamb\u00e9m porque celebra as Bodas de Ouro Sacerdotais e de Prata Episcopais. <!--more--> Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 Celebrar 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e 25 de ordena\u00e7\u00e3o episcopal \u00e9 olhar um percurso de vida que, \u00e0 partida, teve alguma previs\u00e3o?  D. Armindo Lopes Coelho \u2013 Confesso que nunca tentei adivinhar, prever ou sonhar. O tempo passa. Passou com naturalidade e eu fui sendo testemunha e agente daquilo que comigo acontecia.  AE \u2013 Sem preocupa\u00e7\u00f5es por estrat\u00e9gias? ALC \u2013 N\u00e3o\u2026 nunca tive estrat\u00e9gias, nem sonhos de futuro. Costumo dizer muitas vezes que a \u00faltima coisa que pedi foi, atrav\u00e9s de um requerimento, para ser ordenado presb\u00edtero. E nunca mais pedi nada.  AE \u2013 Que miss\u00f5es eram pedidas aos sacerdotes em 1954? ALC \u2013 Eu n\u00e3o diria que era pedido alguma coisa, antes que era exigido tudo o que faz parte do estado eclesi\u00e1stico, sobretudo o que diz respeito \u00e0 vida pastoral paroquial. No semin\u00e1rio os alunos eram preparados intelectual e pastoralmente para o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio que era, normalmente, paroquial.  AE \u2013 De ent\u00e3o para c\u00e1, registaram-se mudan\u00e7as, na forma\u00e7\u00e3o, no perfil do sacerdote e sobretudo nos contextos sociais e as din\u00e2micas paroquiais? ALC \u2013 Ordenei-me em 1954. D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes mandou-me de imediato para Roma. Quando cheguei, em 1959, tinha sido j\u00e1 anunciado o Conc\u00edlio Vaticano II. Entrei para o Semin\u00e1rio como prefeito e professor, onde estive durante todo o conc\u00edlio, e continuei como professor no semin\u00e1rio at\u00e9 ter sido nomeado Bispo Auxiliar em 1979. Vivi no semin\u00e1rio, como aluno, aquilo que era cl\u00e1ssico e tradicional de h\u00e1 muito tempo. Voltei depois num per\u00edodo de uma certa agita\u00e7\u00e3o e expectativa sobre aquilo que ia ser o Vaticano II. Continuei a leccionar no esp\u00edrito do Vaticano II. O meu per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o foi, assim, durante o Conc\u00edlio Vaticano II, atrav\u00e9s de leituras e acompanhamento do Conc\u00edlio   AE \u2013 Foi natural essa transforma\u00e7\u00e3o? ALC \u2013 Foi. At\u00e9 porque o Conc\u00edlio foi convocado depois de ter havido, durante d\u00e9cadas, transforma\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias \u00e1reas (na liturgia, na pr\u00f3pria dogm\u00e1tica) que nos faziam antever uma grande transforma\u00e7\u00e3o conciliar. Eu estava dispon\u00edvel, aberto, na expectativa do Conc\u00edlio. Quando vim para aqui como Bispo Auxiliar, trazia j\u00e1 no meu esp\u00edrito aquilo que eram as transforma\u00e7\u00f5es operadas dentro da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e aquilo que eram os anseios, os desejos em ordem a uma vida pastoral renovada. Antes disso, quando cheguei de Roma em 1959, fui cumprimentar o Senhor D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes que, oralmente, me nomeou prefeito e professor do semin\u00e1rio Maior. No dia seguinte ele foi para uma \u201cf\u00e9rias\u201d que duraram 10 anos. Quando regressou em 1969, ele trazia a experi\u00eancia do Conc\u00edlio em que esteve presente e colaborou. O Senhor D. Ant\u00f3nio vinha um homem p\u00f3s-Conciliar. No ano seguinte nomeou-me para a Reitoria do Semin\u00e1rio. Fiz, assim, um percurso como Reitor do Semin\u00e1rio acompanhado com o pensamento e a orienta\u00e7\u00e3o de um Bispo que vinha do Conc\u00edlio, que trazia a reforma na cabe\u00e7a e no cora\u00e7\u00e3o.   <b>Com Ferreira Gomes, aliciado a renunciar<\/b> AE &#8211; Como foi a conviv\u00eancia do Senhor D. Armindo com D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes? ALC \u2013 Aquilo que se passou na Diocese no relacionamento com o Sr. D. Ant\u00f3nio, s\u00f3 n\u00f3s os diocesanos do Porto o podemos compreender e at\u00e9 mesmo testemunhar. Durante os 10 anos em que o Sr. D. Ant\u00f3nio esteve no ex\u00edlio, n\u00e3o houve, creio, padre nenhum da Diocese que se recusasse a colaborar com o Administrador Apost\u00f3lico ou que manifestasse menos amor ou dedica\u00e7\u00e3o, ou mesmo alguma frustra\u00e7\u00e3o ou des\u00e2nimo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, \u00e0 Igreja Diocesana. Continuamos a trabalhar sempre na expectativa de que o Bispo viria no\u2026 dia seguinte\u2026 Mas viria, como veio. A Diocese n\u00e3o paralisou.  AE \u2013 N\u00e3o estava fracturada, a Diocese? ALC \u2013 N\u00e3o. Embora (e por isso \u00e9 que eu digo que ningu\u00e9m como n\u00f3s pode ser testemunha) existissem interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f3neas de fora, a partir de incidentes que n\u00e3o tinham import\u00e2ncia nenhuma: no c\u00e2none, por exemplo, uns falavam do nosso Bispo Ant\u00f3nio, outros do nosso Bispo Florentino. Depois discutia-se se jur\u00eddica e liturgicamente poderia ser um ou outro e cada um defendia a sua opini\u00e3o\u2026  AE \u2013 Ningu\u00e9m sentia na diocese que estaria com substituto? ALC \u2013 N\u00e3o. Na Diocese havia o pensamento generalizado que o Bispo deveria regressar. Sent\u00edamos que era a posi\u00e7\u00e3o dele, que n\u00e3o renunciou \u00e0 diocese mesmo quando foi aliciado &#8211; e at\u00e9 com altos postos na hierarquia da Igreja \u2013 para renunciar.  AE \u2013 Aliciado por quem? ALC \u2013 Por outras pessoas.  AE \u2013 Da Igreja? ALC \u2013 Foi aliciado por outras pessoas (eu aqui n\u00e3o tenho grande pormenores nem nunca quis investigar. Sobretudo n\u00e3o quero faltar \u00e0 verdade).  AE \u2013 Sente que h\u00e1 diferen\u00e7as quando algu\u00e9m se dirige ao Bispo do Porto ou ao D. Armindo Lopes Coelho? A express\u00e3o \u201cBispo do Porto\u201d est\u00e1 marcadamente ligada a D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes? ALC \u2013 Est\u00e1. E eu diria que \u00e9 um t\u00edtulo humanamente apetec\u00edvel. Se isto n\u00e3o \u00e9 pecado, \u00e9 um t\u00edtulo que honra muito quem tiver o direito de o usar, pela tradi\u00e7\u00e3o que conhecemos de Bispos do Porto, nomeadamente neste s\u00e9culo. D. Ant\u00f3nio Barroso, por exemplo, que tem introduzido o processo de canoniza\u00e7\u00e3o. D. Ant\u00f3nio Barroso \u00e9 o c\u00e9lebre Bispo que mandou ler a carta de protesto contra o governo, aquando da promulga\u00e7\u00e3o da Lei da Separa\u00e7\u00e3o, que os Bispos portugueses consideraram injusta: prepararam um documento para ser lido, o Afonso Costa amea\u00e7ou-os, alguns hesitaram e\u2026 D. Ant\u00f3nio Barroso insistiu que a Carta fosse lida. Resultado: Afonso Costa chamou-o a Lisboa, D. Ant\u00f3nio Barroso foi mal tratado pela \u201cpopula\u00e7a\u201d, pessoalmente muito respeitado por Afonso Costa que ter\u00e1 oferecido um charuto a D. Ant\u00f3nio, mas destituiu-o de Bispo da Diocese (ele foi exilado) e esta casa (resid\u00eancia episcopal) foi entregue \u00e0 sociedade civil e c\u00e2mara do Porto instalou-se aqui em 1914 at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 50. S\u00f3 o administrador apost\u00f3lico, D. Florentino de Andrade e Silva, \u00e9 que veio para aqui para abrir uma era nova. (D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes tinha mandado preparar a casa, mas entretanto foi para ex\u00edlio).  AE \u2013 Esse perfil, de D. Ant\u00f3nio Barroso, \u00e9 de alguma forma o perfil tipo do Bispo do Porto: com radicalismo nas posi\u00e7\u00f5es que assume, mesmo \u00e0 custa da impopularidade? ALC \u2013 N\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma prerrogativa exclusiva dos Bispos do Porto. Agora, continuo a afirmar: \u00e9 uma honra para qualquer bispo ser \u201cBispo do Porto\u201d.  <b>Viana do Castelo<\/b> AE \u2013 Nos 25 anos de minist\u00e9rio episcopal, parte consider\u00e1vel foi passada na Diocese de Viana do Castelo. Que balan\u00e7o faz desse per\u00edodo? ALC \u2013 \u00c9 muito dif\u00edcil falar de Viana do Castelo em confronto com o Porto. Ao fim de 25 anos de episcopado, 15 passaram-se em Viana, no Porto 10.  S\u00e3o circunst\u00e2ncias diferentes: a diocese do Porto tem mais de 2 milh\u00f5es de habitantes; Viana tinha 160 mil habitantes; a Diocese do Porto tem 467 par\u00f3quias, a de Viana 192; no Porto tenho 3 auxiliares, em Viana era s\u00f3. \u00c9 muito diferente ser Bispo \u00fanico numa diocese ou ser Bispo com auxiliares noutra diocese. Em Viana, eu era Bispo para todas as actividades: ou estava presente ou n\u00e3o havia Bispo. Aqui n\u00e3o posso trabalhar nos mesmos moldes: tenho determinadas \u00e1reas distribu\u00eddas pelos Bispos Auxiliares. Isso significa que n\u00e3o tenho diante de mim a felicidade de viver aquilo que s\u00e3o os grandes momentos da vida de um bispo: as visitas pastorais, o contacto com o povo, com os v\u00e1rios movimentos.   <b>Portista<\/b> AE \u2013 Que lideran\u00e7a est\u00e1 reservada ao Bispo do Porto, Bispo de uma regi\u00e3o refer\u00eancia do pa\u00eds? ALP \u2013 O Bispo do Porto n\u00e3o \u00e9 l\u00edder de nada. \u00c9 o respons\u00e1vel primeiro da diocese enquanto tal. N\u00e3o \u00e9 l\u00edder de nada: nem de pensamento, nem de atitudes, institui\u00e7\u00f5es, regi\u00e3o\u2026 nada!  AE \u2013 Em todo o caso est\u00e1 com os l\u00edderes da regi\u00e3o\u2026? ALC \u2013 Evidentemente que est\u00e1. Tenho bom relacionamento, como deve ter qualquer bispo, com as autoridades civis ou militares, ter boas rela\u00e7\u00f5es com os que mandam. O Bispo n\u00e3o manda nada. O Bispo \u00e9 apenas o respons\u00e1vel pela Igreja diocesana.  AE \u2013 Mas o D. Armindo Lopes Coelho gosta do Porto: gosta de ser tripeiro, de ser portista! ALC \u2013 Eu nasci no Porto. Se n\u00e3o gostasse do Porto era de alguma maneira traidor. Sou portista: n\u00e3o tenho culpa nem m\u00e9rito porque, nessa coisa do desporto, a paix\u00e3o nasce quase com a nossa estadia no ber\u00e7o. Sei que h\u00e1 voca\u00e7\u00f5es tardias, mesmo no desporto. A minha voca\u00e7\u00e3o portista \u00e9 desde a inf\u00e2ncia. Eu sabia l\u00e1 que havia Boavista ou Salgueiros no Porto\u2026 A minha fam\u00edlia era portista, eu tamb\u00e9m comecei a ser portista. N\u00e3o considero que firo a susceptibilidade de ningu\u00e9m por isso: estive este ano na inaugura\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio do Porto, estive tamb\u00e9m no do Boavista, nos cem anos do Boavista\u2026 e desejo tantos \u00eaxitos ao Boavista como ao Porto, para j\u00e1 n\u00e3o falar do Salgueiros, que \u00e9 por ventura o clube mais popular do Porto. Gosto muito do desporto, gosto muito de futebol e, evidentemente, tenho as minhas prefer\u00eancias.  AE \u2013 Ser por uns n\u00e3o significa ser contra os outros? ALC \u2013 De maneira nenhuma, mesmo que n\u00e3o sejam do Porto. Eu n\u00e3o sou contra ningu\u00e9m.  AE \u2013 A sociedade actual provoca interpela\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es? Partilha do dito des\u00e2nimo dos portugueses? ALC \u2013 Antes de tudo, eu sou muito optimista. H\u00e1 quem diga que eu tenho um bom humor. E isso ajuda-me a ser feliz, ajuda-me a ser optimista. Eu nunca esque\u00e7o e ando constantemente a repetir, sobretudo quando crismo jovens: \u201cn\u00e3o tenhais medo\u201d. Eu n\u00e3o tenho medo. Mesmo que a sociedade apresente sombras, com esta palavra de Cristo e a ajuda que o meu humor me d\u00e1, n\u00e3o tenho medo.  AE &#8211; Mas h\u00e1 problemas que afectam a sociedade negativamente? Sem duvida nenhuma. Eles andam a\u00ed pela vossa pena, no vosso trabalho nos v\u00e1rios canais de televis\u00e3o. \u00c9 penoso at\u00e9 falar nisso, que \u00e9 evidente. Mas isso n\u00e3o me desanima.  AE &#8211; Mas estar\u00e1 a acontecer a degrada\u00e7\u00e3o humana? ALC &#8211; Eu n\u00e3o quero falar de cada pessoa que se degrada. Antes de uma sociedade que apresenta certas somas de degrada\u00e7\u00e3o. E os culpados somos n\u00f3s todos. N\u00f3s somos todos respons\u00e1veis da sociedade. Eu n\u00e3o perten\u00e7o a nenhum grupo de puritanos a olhar para a sociedade para a criticar.  AE &#8211; Que projectos alimenta para os pr\u00f3ximos anos, para esta diocese? ALC &#8211; S\u00e3o projectos que sintetizamos, eu e os Bispos Auxiliares, ao terminar o Grande Jubileu. Estabelecemos, e anunciamos j\u00e1 \u00e0 diocese, algumas prioridades, que entretanto se v\u00eam formulando de modo mais preciso. Neste momento estamos a lan\u00e7ar um programa, que posso agora delinear, que foi preparado com os Bispos Auxiliares, com o Conselho Presbiteral, com o Conselho pastoral Diocesano e com os grupos de padres que participaram nas Jornadas de Actualiza\u00e7\u00e3o. Este programa, a ser lan\u00e7ado de modo formal na diocese, come\u00e7a pela Evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o como termo vago, antes uma evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e0 base da forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica, intelectual e que leve \u00e0 viv\u00eancia. Uma esp\u00e9cie de revis\u00e3o de vida a partir dos estudos B\u00edblicos, que v\u00e3o ser implementados em toda a \u00e1rea da diocese. Neste programa, temos outros temas englobados: a fam\u00edlia, as voca\u00e7\u00f5es, a juventude e a dimens\u00e3o social.  AE &#8211; A celebra\u00e7\u00e3o de dois jubileus constitui um momento privilegiado para a vida e o revigoramento da diocese? ALC &#8211; O que houver n\u00e3o ser\u00e1 lan\u00e7ado por mim. O que h\u00e1 de revigoramento, est\u00e1 em ac\u00e7\u00e3o. A diocese \u00e9 constantemente trabalhada ou pela presen\u00e7a dos quatro bispos ou pela vinda de grandes respons\u00e1veis \u00e0 Diocese.   <b>Bispo com os media<\/b> AE \u2013 Acha importante a comunica\u00e7\u00e3o social nos compromissos pastorais que a Igreja tem no mundo de hoje? ALC \u2013 Acho muito importante. Aprendi a considerar a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o social em Roma, quando estava l\u00e1 a estudar. N\u00e3o ia sensibilizado, mas vim sensibilizado.  AE \u2013 Mesmo que, por vezes, deturpe a verdade\u2026 ALC \u2013 Como sabe, \u00e9 uma problem\u00e1tica muito vasta. Claro que se a comunica\u00e7\u00e3o social faz uma reportagem ou d\u00e1 uma not\u00edcia e me faz refer\u00eancias que n\u00e3o me agradam, eu fico desagradado com a comunica\u00e7\u00e3o social. Se d\u00e1 not\u00edcias sobre assuntos que me s\u00e3o gratos e d\u00e3o a conhecer aquilo que eu entendo que deve ser conhecido e diz a verdade ou aquilo que eu considero que \u00e9 verdade, \u00e9 claro que isso me agrada mais. Portanto, a comunica\u00e7\u00e3o social est\u00e1 muito exposta, como estamos n\u00f3s que somos visados pela comunica\u00e7\u00e3o social. H\u00e1 momentos menos agrad\u00e1veis. \u00c0s vezes, dentro da Igreja, h\u00e1 questi\u00fanculas, h\u00e1 \u201cguerrinhas\u201d que para n\u00f3s n\u00e3o t\u00eam muita import\u00e2ncia, mas a comunica\u00e7\u00e3o social d\u00e1-lhes import\u00e2ncia e, para n\u00f3s, \u00e9 menos grato. Mas isto \u00e9 muito subjectivo. E um Bispo n\u00e3o pode escapar a esta subjectividade que, \u00e0s vezes, pode redundar at\u00e9 em injusti\u00e7a.   AE \u2013 Foi o que aconteceu com uma recente not\u00edcia do Expresso? ALC \u2013 Sim. Fiquei, de facto, aborrecido, porque aquilo n\u00e3o correspondia \u00e0 verdade. Mas eu n\u00e3o quero falar nem do Expresso nem da mat\u00e9ria tratada, porque estamos num momento em que j\u00e1 se disse tanta coisa e se continua a dizer tanta coisa que n\u00e3o tenho mais nada para acrescentar.  AE \u2013 E j\u00e1 \u00e9 conhecido o pensamento do Sr. D. Armindo sobre a mat\u00e9ria\u2026 ALC \u2013 Sim: estou perfeitamente em harmonia total com a Igreja Cat\u00f3lica e sou um radical contra o aborto.  <b>Entre os seus pares<\/b> AE \u2013 Referindo-nos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, perguntava-lhe: como vive a colegialidade entre o episcopado portugu\u00eas? ALC \u2013 Vivo com normalidade. Mas h\u00e1 momentos em que se sente efectivamente. S\u00e3o ali\u00e1s os momentos em que, expressamente, se fala no assunto. A minha ordena\u00e7\u00e3o episcopal, a minha entrada em Viana e minha entrada aqui no Porto, s\u00e3o exemplos disso. Aqui no Porto tive a presen\u00e7a muito colegial do episcopado, de modo especial colegas Bispos e amigos de h\u00e1 muito, como o caso do Senhor Cardeal D. Ant\u00f3nio Ribeiro. Estava num momento muito dif\u00edcil da sua vida, com a sua sa\u00fade muito abalada e eu comovi-me quando cheguei junto dos bispos e vi o Senhor Cardeal j\u00e1 paramentado e sentado numa cadeira. Foi um momento particularmente sens\u00edvel desta amizade colegial. Ele personificou-a com os outros muitos bispos que estavam a\u00ed. A colegialidade episcopal, para al\u00e9m de ser uma ideia, uma convic\u00e7\u00e3o, um sentimento e uma realidade que fundamenta a nossa pr\u00f3pria unidade episcopal, \u00e9 tamb\u00e9m uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria de seguran\u00e7a doutrinal e pastoral que retiramos desta conviv\u00eancia.  AE \u2013 \u00c9 f\u00e1cil encontrar sintonias entre v\u00e1rias sensibilidades? ALC \u2013 \u00c9 muito mais f\u00e1cil do que se possa pensar. H\u00e1 uma grande for\u00e7a, que n\u00e3o se explica, de converg\u00eancia na unidade. E quando, doutrinalmente, se discutem temas, e, pastoralmente, se discutem atitudes, h\u00e1 um movimento que n\u00e3o se pode explicar, que est\u00e1 acima da nossa raz\u00e3o e, certamente, tem como causa o esp\u00edrito que nos une.    <B>Confira o Dossier da Ag\u00eancia ECCLESIA<\/B> <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/temas.asp?tipoid=189\">\u2022 D. Armindo Lopes Coelho<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo h\u00e1 25 anos, h\u00e1 10 do Porto. Honra-o ser &#8216;Bispo do Porto&#8217;, tamb\u00e9m porque \u00e9 portuense e portista. Este ano, D. Armindo Lopes Coelho marca o ritmo da Igreja diocesana do Porto tamb\u00e9m porque celebra as Bodas de Ouro Sacerdotais e de Prata Episcopais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,144,160,182,187,206,211,246,261],"class_list":["post-5072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-concilio-vaticano-ii","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-ferias","tag-liturgia","tag-missoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5072\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}