{"id":50651,"date":"2011-03-29T14:57:24","date_gmt":"2011-03-29T14:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/29\/maior-crise-economica-e-social-das-ultimas-decadas\/"},"modified":"2011-03-29T14:57:24","modified_gmt":"2011-03-29T14:57:24","slug":"maior-crise-economica-e-social-das-ultimas-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maior-crise-economica-e-social-das-ultimas-decadas\/","title":{"rendered":"Maior crise econ\u00f3mica e social das \u00faltimas d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p>Gra\u00e7a Franco, Directora de informa\u00e7\u00e3o da RR <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">Portugal vive a maior crise econ&oacute;mica e social das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. E n&atilde;o &eacute; verdade que na sua g&eacute;nese esteja essencialmente uma crise internacional perante a qual pouco ou nada pod&iacute;amos fazer. Nas pr&oacute;ximas semanas n&atilde;o &eacute; sequer certo que consigamos fugir ao pedido de ajuda internacional.<\/p>\n<p>De qualquer modo, este &eacute; o momento para fazer exame de consci&ecirc;ncia colectivo com um forte prop&oacute;sito de emenda de vida. &Eacute; in&uacute;til pensar que o faremos sozinhos ou uns contra os outros. Ou nos mobilizamos todos para uma ac&ccedil;&atilde;o comum, dispondo-nos a escutar e aprender at&eacute; dos advers&aacute;rios ou, em democracia, talvez j&aacute; n&atilde;o tenhamos uma segunda oportunidade. Os totalitarismos os populismos e os anarquismos espreitam. E todos eles proliferam com o caos. &Eacute; mentira que 48 anos nos tenham vacinado.<\/p>\n<p>Bem antes de se desencadear a violenta crise internacional era j&aacute; claro que a aparente consolida&ccedil;&atilde;o das contas nacionais n&atilde;o passava disso: uma cosm&eacute;tica pouco s&eacute;ria e pouco s&oacute;lida acompanhada de um despesismo galopante e compulsivo de uma m&aacute;quina estatal gigantesca. Pior, a gest&atilde;o do sector estava enxameada de agentes pol&iacute;ticos focados nos interesses pr&oacute;prios de curto prazo e arredados da mais vaga no&ccedil;&atilde;o de interesse nacional na gest&atilde;o da coisa p&uacute;blica. E como se isto n&atilde;o bastasse tornava-se j&aacute; evidente a debilidade estrutural da economia para estimular o crescimento com cria&ccedil;&atilde;o de emprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na campanha eleitoral de 2009 &agrave; esquerda e &agrave; direita foram muitas as vozes independentes que chamaram a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de conter, enquanto ainda era tempo, o rolo compressor da d&iacute;vida (p&uacute;blica e externa), alertando para a necessidade de p&ocirc;r trav&atilde;o aos planos megal&oacute;manos dos grandes investimentos p&uacute;blicos devoradores do pouco cr&eacute;dito ainda dispon&iacute;vel para a economia. N&atilde;o as quisemos ouvir.<\/p>\n<p>A m&aacute;quina de propaganda governamental conseguiu, com ineg&aacute;vel sucesso e profissionalismo, fazer da mentira um sonho que o povo preferiu escutar como o canto da sereia em alternativa ao apelo &agrave; mudan&ccedil;a de vida. Para c&uacute;mulo o ano eleitoral custou ainda novos dislates (da redu&ccedil;&atilde;o do IVA ao aumento da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em valor superior ao da infla&ccedil;&atilde;o &hellip;).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S&oacute;crates recebeu do povo um segundo mandato e se do primeiro ainda se salvaram os dois anos iniciais de forte pendor reformista, desta vez em menos de quinze dias j&aacute; tinha ca&iacute;do a m&aacute;scara. Ao d&eacute;fice or&ccedil;amental e ao d&eacute;fice externo os &uacute;ltimos seis anos de Governo somaram o mais alarmante dos d&eacute;fices: o d&eacute;fice de verdade e de &eacute;tica na gest&atilde;o da coisa p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Multiplicaram-se os ind&iacute;cios de corrup&ccedil;&atilde;o, compadrio e nepotismo. Ora, sem &eacute;tica e transpar&ecirc;ncia n&atilde;o h&aacute; concorr&ecirc;ncia. E sem concorr&ecirc;ncia n&atilde;o h&aacute; mercado. E sem mercado nem regula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; economia que resista. O autismo do Banco de Portugal no in&iacute;cio da crise e a recente passividade da Autoridade da Concorr&ecirc;ncia custaram-nos muito caro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recusa do &uacute;ltimo PEC por uma coliga&ccedil;&atilde;o negativa na Assembleia da Republica desembocou no pedido de demiss&atilde;o do Governo. Ca&iacute;mos na emerg&ecirc;ncia pol&iacute;tica que nos faltava e foram penosos os treze dias de inac&ccedil;&atilde;o presidencial que mediaram entre o pr&eacute;-an&uacute;ncio da crise e o respectivo desfecho na v&eacute;spera da Cimeira de todos os riscos. Confirmou-se haver uma esp&eacute;cie de puls&atilde;o suicida nacional.<\/p>\n<p>Acresce que, depois das correc&ccedil;&otilde;es exigidas por Bruxelas, afinal o d&eacute;fice de 2010 dever&aacute; ficar muito pr&oacute;ximo dos 8,5 % do PIB. Isto quando o Governo se comprometera a n&atilde;o ultrapassar os 7,3 por cento (e depois de ter absorvido uma receita extraordin&aacute;ria de mais de dois mil milh&otilde;es de euros do Fundo de Pens&otilde;es da PT).<\/p>\n<p>Como &eacute; poss&iacute;vel tal coisa? Simples. As contas das empresas p&uacute;blicas transportadoras cujas receitas pr&oacute;prias se ficam bem aqu&eacute;m dos 50 por cento s&atilde;o obrigatoriamente inclu&iacute;das nas contas do Estado e n&atilde;o podem continuar como at&eacute; aqui fora das contas p&uacute;blicas. Ao disparo do d&eacute;fice soma-se o disparo da d&iacute;vida p&uacute;blica (que vai ficar j&aacute; este ano acima dos 90 por cento).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falta ainda falar da tenaz da divida externa, a que se soma a forte depend&ecirc;ncia nacional dos mercados exteriores agravada pela alta depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica (com o petr&oacute;leo a saltar, com a crise do M&eacute;dio Oriente, para uns previstos 107 d&oacute;lares por barril contra os 82 do &uacute;ltimo or&ccedil;amento!).<\/p>\n<p>Acresce a perigosa crise social traduzida num disparo da taxa de desemprego para mais de 11 por cento fazendo que o balan&ccedil;o da promessa eleitoral de 2005 (cria&ccedil;&atilde;o de mais 150 mil postos de trabalho) se tenha traduzido numa fat&iacute;dica cria&ccedil;&atilde;o de mais 180 mil novos desempregados. E cresceu tamb&eacute;m, de forma exponencial, a precariedade do emprego. Hoje 55 por cento do emprego abaixo dos 24 anos &eacute; prec&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aos crist&atilde;os convir&aacute; n&atilde;o esquecer a imagem do Papa este fim-de-semana, de capacete, em solidariedade com os trabalhadores prec&aacute;rios de todo o mundo. Por c&aacute; ser&aacute; um erro ignorar a for&ccedil;a dos 200 mil na rua pretensamente &ldquo;&agrave; rasca&rdquo; e contra a precariedade. Vale a pena lembr&aacute;-los na hora de aceitar, ou recusar, inevitabilidades e solu&ccedil;&otilde;es desumanizadas e estritamente economicistas que as vozes liberais (e pior do que elas as neo-liberais!) se apressar&atilde;o a vender-nos como imposi&ccedil;&atilde;o directa, ou indirecta, dos &ldquo;credores nacionais&rdquo; (sejam ou n&atilde;o expressamente o FMI).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dias , como M&aacute;rio Soares no <em>DN,<\/em> Maria Jo&atilde;o Rodrigues, no <em>i<\/em> , e Jo&atilde;o Carlos Espada no<em> P&uacute;blico<\/em> (a quem roubei a ideia inicial deste texto) foram muitas as vozes a apelar ao bom senso e &agrave; VERDADE, e a uma cidadania activa e n&atilde;o resignada, vale a pena por uma vez ouvi-las. Se n&atilde;o for agora n&atilde;o nos poderemos queixar de j&aacute; n&atilde;o ir a tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Gra&ccedil;a Franco, Directora de informa&ccedil;&atilde;o da RR<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gra\u00e7a Franco, Directora de informa\u00e7\u00e3o da RR<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,314],"class_list":["post-50651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}