{"id":5063,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pais-no-seculo-xxi-um-desafio-a-vencer\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pais-no-seculo-xxi-um-desafio-a-vencer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pais-no-seculo-xxi-um-desafio-a-vencer\/","title":{"rendered":"Pais no s\u00e9culo XXI &#8211; Um desafio a vencer"},"content":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es do encontro <!--more--> O meu primeiro agradecimento a toda a Comiss\u00e3o Organizadora deste evento e em especial \u00e0 Sr.\u00aa Dr.\u00aa Maria da Concei\u00e7\u00e3o Seabra Gomes pelo convite que me fez para a elabora\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es deste Congresso. Foi um prazer participar e um privil\u00e9gio presenciar os momentos que aqui se viveram. N\u00e3o poderei reproduzir neste trabalho de s\u00edntese, a profundidade de todos os temas e quest\u00f5es que foram abordadas&#8230;Mas, partilharei convosco o que considerei mais significativo e a reter. Vieram meninos da cidade (Academia de M\u00fasica de St.\u00aa Cec\u00edlia) e do campo (Coro Infantil de Belgais). Trouxeram sons de arte que comoveram tanto pela ternura como pelo rigor. E trouxeram \u00e0 nossa mem\u00f3ria colectiva, ra\u00edzes, e o direito \u00e0s ra\u00edzes foi uma ideia partilhada pelo Sr. Juiz Conselheiro Armando Leandro na sua interven\u00e7\u00e3o. O mundo parecia assim estar em equil\u00edbrio. E o futuro promissor. E assim, at\u00e9 os desafios mais ambiciosos, para um s\u00e9culo inteiro, perderam a capa de Adamastor e tornaram-se boa esperan\u00e7a. Pela primeira vez em 18 anos de participa\u00e7\u00f5es em eventos deste g\u00e9nero, vi a condi\u00e7\u00e3o humana t\u00e3o bem representada na sua dupla situa\u00e7\u00e3o de profissionais e pais em igualdade de circunst\u00e2ncias. A refor\u00e7ar isso tivemos a presen\u00e7a permanente dos pais da Madalena e da Marta que efectuaram a apresenta\u00e7\u00e3o do programa durante todo o Congresso. Estas conclus\u00f5es foram organizadas em fun\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias comunica\u00e7\u00f5es e agrupadas em tr\u00eas partes, as quais foram denominadas como:  I.\tDE ONDE PARTIMOS A ONDE ESTAMOS II.\tQUE CAMINHO III.\tTESTEMUNHOS DE FILHOS E PAIS.   I &#8211; DE ONDE PARTIMOS A ONDE ESTAMOS De um &#8220;Conselho Maternal&#8221;, termo utilizado pela Dr.\u00aa Margarida Neto, alusivo \u00e0 refer\u00eancia de h\u00e1 dez anos feita pela Dr.\u00aa Raquel Ribeiro, aquando das comemora\u00e7\u00f5es do Ano Internacional da Fam\u00edlia, para que as associa\u00e7\u00f5es de unissem, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual j\u00e1 com uma Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa das Associa\u00e7\u00f5es para a Forma\u00e7\u00e3o Parental criada e que integra as seguintes Associa\u00e7\u00f5es: \t&#8211; AFEP &#8211; Associa\u00e7\u00e3o para a Forma\u00e7\u00e3o de Pais (Lisboa) \t&#8211; Associa\u00e7\u00e3o Fam\u00edlias (Braga) \t&#8211; CENOFA &#8211; Centro de Orienta\u00e7\u00e3o Familiar (Lisboa e Leiria) \t&#8211; Instituto da Educa\u00e7\u00e3o &#8211; UCP (Lisboa) \t&#8211; EPN &#8211; Escola de Pais Nacional (Porto) \t&#8211; MDV &#8211; Movimento de Defesa da Vida (Lisboa).  Estas Associa\u00e7\u00f5es partem do princ\u00edpio da confian\u00e7a nas compet\u00eancias dos pais para o exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es enquanto tal, em ordem ao desenvolvimento integral da crian\u00e7a e da coopera\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es. E parafraseando uma frase trazida pela Dr.\u00aa Concei\u00e7\u00e3o Seabra Gomes, &#8220;s\u00f3 consegue ser educador aquele que se vai educando&#8221;. E aqui est\u00e1 a dificuldade e a oportunidade: no car\u00e1cter din\u00e2mico da quest\u00e3o.  As ac\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas pela Escola de Pais, quer em Portugal quer no estrangeiro com fam\u00edlias emigrantes, conferem a esta nova metodologia de interven\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia significativa, e alertam para o seguinte: &#8211; a necessidade de n\u00e3o se ser fundamentalista face ao modelo a implementar e adaptar a forma\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades e realidade espec\u00edfica do grupo de pais em presen\u00e7a.  Esta Forma\u00e7\u00e3o tem sido dirigida a grupos de pais de associa\u00e7\u00f5es de pais, escolas, par\u00f3quias etc. onde s\u00e3o apresentados problemas ao n\u00edvel comportamental das crian\u00e7as, dificuldades de aprendizagem ou necessidades especiais. As associa\u00e7\u00f5es promovem ainda a forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos para desenvolverem os programas que levam a efeito. Estas Associa\u00e7\u00f5es vivem com dificuldades econ\u00f3micas, j\u00e1 que vivem do valor das quotas, donativos e receitas da forma\u00e7\u00e3o. T\u00eam tido apoio da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional para os Assuntos da Fam\u00edlia, o que na pessoa da sua coordenadora, Dr.\u00aa Margarida Neto, reflecte o interesse e a necessidade de se olhar para esta \u00e1rea da Forma\u00e7\u00e3o Parental seriamente, de forma a que as Pol\u00edticas de Fam\u00edlia em Portugal, integrem apoios \u00e0s v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es e que segundo o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, congreguem em vez de separar. Foi tamb\u00e9m efectuado um apelo \u00e0 dinamiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil para uma maior participa\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea. Monsieur Moncef Guitouni, afirma que Portugal, conjuntamente com a B\u00e9lgica e o Canad\u00e1, est\u00e1 na linha da frente das preocupa\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia. Chama-lhe at\u00e9 &#8220;paix\u00e3o pela fam\u00edlia&#8221;. O Presidente da F\u00e9d\u00e9ration Internationale Pour L`Education d\u00eas Parents (FIEP), refere ainda que a seguran\u00e7a afectiva proporcionada pelos pais deve tamb\u00e9m contemplar o desenvolvimento da coragem nas crian\u00e7as e nos jovens, conferindo-lhes autonomia para que tomem consci\u00eancia c\u00edvica dos seus direitos e deveres face \u00e0 Sociedade e \u00e0 Humanidade. Coloca os pais num papel preponderante na resolu\u00e7\u00e3o de dilemas actuais face ao futuro. Na luta pelo lugar de educadores de excel\u00eancia, n\u00e3o podendo continuar a ser ultrapassados pela televis\u00e3o, pelas novas tecnologias, pela escola que tamb\u00e9m n\u00e3o pode continuar a desempenhar todos os pap\u00e9is que lhe s\u00e3o conferidos. H\u00e1 que ter um olhar atento a estes pais que se encontram em desespero e apoi\u00e1-los para n\u00e3o comprometer mais o futuro, dadas tamb\u00e9m as grandes altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas, com os baixos \u00edndices de natalidade dos pa\u00edses ocidentais. A Sr.\u00aa D. Maria Jos\u00e9 Ritta refere a necessidade de uma nova cultura educativa, sem qualquer presun\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o parental mas com a convic\u00e7\u00e3o de que se deve apoiar os pais no desenvolvimento das compet\u00eancias que lhe est\u00e3o adstritas naturalmente. Como salientou a Dr.\u00aa Margarida Neto, enquadrar a fam\u00edlia como n\u00facleos de coes\u00e3o social, de desenvolvimento humano, alertando para as maiores dificuldades de chegar \u00e0s fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis, o que requer aten\u00e7\u00e3o especial por parte destas associa\u00e7\u00f5es. Sendo que a Forma\u00e7\u00e3o Parental tem que ser um bom instrumento ao servi\u00e7o do Pa\u00eds dado que encerra em si mesma, projectos de cidadania.  H\u00e1 no entanto que partir do pressuposto, como alertou o Dr. Daniel Sampaio, de que n\u00e3o existe uma Fam\u00edlia, mas Fam\u00edlias e que estas nas suas din\u00e2micas tendem sempre para o equil\u00edbrio. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar conta com 25 anos de exist\u00eancia, mas a rede de apoios a esta nova problem\u00e1tica encontra-se ainda em fase embrion\u00e1ria, como os Gabinetes de Media\u00e7\u00e3o Familiar, exigindo o desenvolvimento e consolida\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias respostas e servi\u00e7os de apoio \u00e0 Fam\u00edlia. Como afirmou o Conselheiro Armando Leandro, s\u00f3 teremos uma efectiva cidadania activa quando esta integrar um exerc\u00edcio parental equilibrado, baseado numa cultura da crian\u00e7a e da fam\u00edlia. Encontramo-nos actualmente numa realidade em que, segundo o Prof. Dr. J\u00falio Santos Silva, confi\u00e1mos que a escola resolvia a quest\u00e3o educativa, esquecendo que n\u00e3o responderia \u00e0 quest\u00e3o profunda da cultura de valores. E a &#8220;educa\u00e7\u00e3o fundamental&#8221; que \u00e9 uma quest\u00e3o de cultura, pertence \u00e0 fam\u00edlia. Hoje, temos 68% de n\u00facleos familiares sem filhos ou s\u00f3 com um filho; filhos dependentes por mais tempo; a coexist\u00eancia de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es; e os problemas de cidadania parecem ficar &#8220;resolvidos&#8221; pelo sistema de depend\u00eancia instalado, mas ser\u00e1 assim? Teremos que investir numa atitude de capacita\u00e7\u00e3o para a autonomia, o que de certa maneira contraria as atitudes de proteccionismo instaladas. Precisamos de entender a fam\u00edlia como uma realidade em interac\u00e7\u00e3o com outras realidades, numa linha de pensamento org\u00e2nico como afirma o Dr. Marinho Antunes. Numa constante procura de equil\u00edbrio, embora este n\u00e3o exista na vida social; identifique-mo-lo assim como um equil\u00edbrio din\u00e2mico, ou em permanente busca e em permanente perda. Num trabalho de forma\u00e7\u00e3o parental, deveremos ter em conta: &#8211; a complexidade e a diversidade dos modelos familiares, sem querer impor aquele que \u00e9 a refer\u00eancia de cada um, o que implica um equil\u00edbrio ente o eu-tu-n\u00f3s o que por sua vez exige capacidade de leitura do fen\u00f3meno em presen\u00e7a; &#8211; a interven\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia deve situ\u00e1-la no seu contexto pr\u00f3prio, nas suas rela\u00e7\u00f5es com o seu meio envolvente; &#8211; a necessidade de ultrapassar a vis\u00e3o parcelarizada para uma nova realidade que \u00e9 a da efectiva interac\u00e7\u00e3o entre a natureza e cultura, com todas as altera\u00e7\u00f5es sociais que se encontram na sociedade dos dias de hoje (novas formas de fam\u00edlia, novas formas de conceber filhos, etc.); e ainda &#8211; a necessidade de rever os pap\u00e9is de cada um nos desafios que se nos colocam na perspectiva de um &#8220;equil\u00edbrio din\u00e2mico&#8221;, na viv\u00eancia dos mist\u00e9rios da vida e da morte. Os pais de hoje questionam-se mais de como fazer melhor e \u00e9 aqui que est\u00e1 a oportunidade de evolu\u00e7\u00e3o. Tendo por base que os valores para o s\u00e9culo XXI t\u00eam necessariamente que se construir na interac\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o poderemos considerar o &#8220;Patrim\u00f3nio dos valores de hoje como um museu&#8221;, dado que vivemos numa sociedade em constante mudan\u00e7a e interdependente, h\u00e1 sim que valorizar o indiv\u00edduo na busca da sua plenitude, que poder\u00e1 ter v\u00e1rias formas mais materialistas ou n\u00e3o. O Dr. Ant\u00f3nio Pinto Leite referiu a &#8220;ternura como um dos principais crit\u00e9rios de felicidade&#8221; e houve quem apelidasse o Prof. Gomes Pedro e o Dr. Freitas Gomes como &#8220;os mestres da ternura&#8221;. O Prof. Gomes Pedro apresentou-nos a metodologia &#8220;Touch Points&#8221;, alertando para um novo conceito de desenvolvimento humano, onde os &#8220;Touch Points&#8221; s\u00e3o considerados pontos de viragem, per\u00edodos significativos da vida das crian\u00e7as que provocam desajustamentos pessoais e familiares mas que nem por isso deixam de ser naturais. Defende a alian\u00e7a fundamental entre o profissional e a fam\u00edlia como uma das linhas de for\u00e7a desta metodologia, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da partilha com os pais de todas as componentes din\u00e2micas do desenvolvimento da crian\u00e7a (ex.: a c\u00f3lica como um momento de reorganiza\u00e7\u00e3o do beb\u00e9). Defende ainda a potencia\u00e7\u00e3o da abordagem multidisciplinar, de acordo com as refer\u00eancias do meio envolvente de cada crian\u00e7a. Educar \u00e9, segundo o Prof. Gomes Pedro viabilizar coer\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o entre identidade e circunst\u00e2ncia. O nosso destino \u00e9 relacional e este \u00e9 o cerne da quest\u00e3o educacional dos nossos dias. O sentimento de si e da forma como v\u00ea as suas rela\u00e7\u00f5es e o significado que lhes atribui \u00e9 decisivo. \u00c9 nos primeiros per\u00edodos sens\u00edveis da vida que constru\u00edmos ou n\u00e3o o nosso sentido de coer\u00eancia. Urge reconceptualizar o conceito de sa\u00fade e aproximar este da educa\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e do ambiente. A actividade m\u00e9dica nos nossos dias \u00e9 ainda centrada na patologia. H\u00e1 a necessidade de passar de um modelo patol\u00f3gico para um modelo biol\u00f3gico e relacional onde se promova a resili\u00eancia das fam\u00edlias, dado que a educa\u00e7\u00e3o ganha-se ou perde-se no grau de resili\u00eancia que cada um consegue face \u00e0 vida. O Dr. Freitas Gomes trouxe-nos uma comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me permitiu registar muitas notas porque a natureza da sua mensagem teve outro cond\u00e3o. Sob o tema &#8220;Necessidades de afecto e perten\u00e7a&#8221;, apresentou-nos a Teoria da Vincula\u00e7\u00e3o, onde salientou que esta envolve interac\u00e7\u00e3o. Referiu tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da reabilita\u00e7\u00e3o do prazer, a seguran\u00e7a como a motiva\u00e7\u00e3o mais importante para o ser humano e a protec\u00e7\u00e3o como a principal fun\u00e7\u00e3o do comportamento de vincula\u00e7\u00e3o. Mas a forma da sua comunica\u00e7\u00e3o teve a fun\u00e7\u00e3o de contrariar o institu\u00eddo, o questionar permanente daquilo que s\u00e3o os nossos dados adquiridos, a import\u00e2ncia de nos pormos em causa. O riso e o mexer-se na cadeira da assist\u00eancia foram talvez um bom pren\u00fancio para este in\u00edcio de s\u00e9culo. II &#8211; QUE CAMINHO  A Dr.\u00aa F\u00e1tima Perloiro na Mesa sobre &#8220;Quem educa os nossos filhos&#8221;, sossega-nos ao afirmar que independentemente dos medos leg\u00edtimos dos pais face aos eventuais amigos dos filhos, os seus benef\u00edcios s\u00e3o amplamente superiores, dado o papel destes no desenvolvimento social e emocional das crian\u00e7as ao n\u00edvel do altru\u00edsmo, da assimila\u00e7\u00e3o de regras, do sentimento de perten\u00e7a etc.. A amizade baseia-se numa interdepend\u00eancia volunt\u00e1ria, dado que \u00e9 a menos programada das rela\u00e7\u00f5es sociais, embora com grande significado.  As v\u00e1rias fases de crescimento est\u00e3o assim correlacionadas com v\u00e1rias vis\u00f5es do que \u00e9 a amizade. Dos testemunhos trazidos por crian\u00e7as, um pareceu de grande utilidade aos pressupostos da Forma\u00e7\u00e3o Parental &#8220;Com os amigos aprendem-se coisas fabulosas como saber ajudar&#8221;. Para al\u00e9m dos amigos, a Sr.\u00aa Prof.\u00aa Dr.\u00aa Isabel Valente Pires, apresenta-nos a fun\u00e7\u00e3o da Escola ao n\u00edvel educativo, n\u00e3o sem antes defender a Fam\u00edlia como a primeira respons\u00e1vel. Embora a Escola tenha vindo a ganhar espa\u00e7o nesta fun\u00e7\u00e3o, requer uma atitude atenta por parte dos pais, questionando &#8220;que articula\u00e7\u00e3o entre Escola e Fam\u00edlia?&#8221;. A Escola dever\u00e1 passar de uma cultura de depend\u00eancia para uma cultura de empreendimento, dado que s\u00e3o essas compet\u00eancias as defendidas pelos pais. Ao escolher uma Escola, dever-se-\u00e1 ter em aten\u00e7\u00e3o: o projecto educativo (princ\u00edpios, sistema de valores, objectivos, op\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas) e as condi\u00e7\u00f5es da sua efectiva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 ao n\u00edvel dos conte\u00fados acad\u00e9micos como dos recursos humanos e dos espa\u00e7os de recreio, actividades extra-escolares, etc. O papel das novas tecnologias na educa\u00e7\u00e3o dos nossos filhos foi abordada pela Sr.\u00aa Prof.\u00aa Dr.\u00aa Maria Pereira Coutinho. Chamou-nos a ten\u00e7\u00e3o para uma realidade de grande peso na nossa sociedade: a utiliza\u00e7\u00e3o das novas tecnologias e as suas implica\u00e7\u00f5es na vida humana, nomeadamente ao n\u00edvel educacional. Que nova concep\u00e7\u00e3o de Homem se imp\u00f5e? Que desafios estas tecnologias colocam aos pais? Que fun\u00e7\u00e3o educativa \u00e9 dada a estes \u00faltimos? A aten\u00e7\u00e3o para o facto de na sociedade actual da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento estas tecnologias serem amplamente valorizadas por contraponto \u00e0s formas anteriores de comunica\u00e7\u00e3o. (Prometer\u00e3o o que n\u00e3o poder\u00e3o cumprir?) O Sr. Eng.\u00ba Roberto Carneiro lan\u00e7a o desafio de que &#8220;Precisamos de pais educadores!&#8221;. Se a realidade de hoje se nos apresenta com algum desespero e desorienta\u00e7\u00e3o parental face a quest\u00f5es como a omnipot\u00eancia infantil, importa refor\u00e7ar que a fun\u00e7\u00e3o educativa \u00e9 dos pais e n\u00e3o pode nem deve ser transferida para outros agentes. E refere &#8220; mudar para melhor a forma como os pais educam os filhos ser\u00e1 a melhor coisa a fazer para o seu desenvolvimento cognitivo&#8221;. No entanto, &#8220;para que uma fam\u00edlia funcione educativamente \u00e9 imprescind\u00edvel que algu\u00e9m nela se resigne a ser adulto&#8221;. Num ninho de inter rela\u00e7\u00f5es de cuidados entre os v\u00e1rios elementos da fam\u00edlia, de partilha, h\u00e1 que conciliar a manuten\u00e7\u00e3o da individualidade; s\u00f3 uma comunidade de afectos partilhados poder\u00e1 ser um motor de esperan\u00e7a. Essa esperan\u00e7a passa necessariamente por se devolver \u00e0 fam\u00edlia a fun\u00e7\u00e3o reguladora da educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos; como \u00fanico e insubstitu\u00edvel agente de regula\u00e7\u00e3o afectiva, social, cognitiva, emocional e psicol\u00f3gica da educa\u00e7\u00e3o. Esta educa\u00e7\u00e3o, segundo o Eng.\u00ba Roberto Carneiro, requer disciplina e disciplina requer valores. Se n\u00e3o existirem regras as crian\u00e7as ficar\u00e3o em risco. Defende ainda que a reforma do sistema educativo implica uma devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade da sua escola, entendendo esta n\u00e3o s\u00f3 como o recurso acad\u00e9mico, mas institucional desde a creche por exemplo. S\u00e3o as comunidades que deveriam definir o seu plano estrat\u00e9gico e as respectivas estruturas operativas desse plano em fun\u00e7\u00e3o da sua realidade, atrav\u00e9s do seu conselho escolar constitu\u00eddo pelas for\u00e7as vivas do meio. Ao estado caberia uma fun\u00e7\u00e3o reguladora e supletiva. O Sr. Conselheiro Armando Leandro refere que a aquisi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e da pessoa como agente de direitos \u00e9 uma valor recente e deveremos praticar a \u00e9tica da discuss\u00e3o. Vivemos numa era em que vigora o princ\u00edpio da igualdade de direitos e deveres dos pais numa perspectiva de biparentalidade, mas o que vemos em situa\u00e7\u00f5es de ruptura como o div\u00f3rcio, n\u00e3o \u00e9 isso. Nessas situa\u00e7\u00f5es, as rela\u00e7\u00f5es parentais devem ser asseguradas como um direito dos filhos e, este trabalho, n\u00e3o compete s\u00f3 ao Estado mas tamb\u00e9m \u00e0 sociedade civil, \u00e0s IPSS, \u00e0 Igreja, \u00e0s Universidades, etc. para um verdadeiro investimento na Educa\u00e7\u00e3o Parental. Se a magia e a maravilha da vida se inicia cedo, que a educa\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea tamb\u00e9m se inicie cedo. As situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade infantil e familiar requerem um maior investimento ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o parental. Entendamos a Forma\u00e7\u00e3o Parental como um instrumento fundamental da qualidade de vida. Onde volunt\u00e1rios poder\u00e3o tamb\u00e9m receber essa forma\u00e7\u00e3o para o devido efeito multiplicador junto das fam\u00edlias. \u00c9 ainda defendido que as nossas ac\u00e7\u00f5es sejam sujeitas a metodologias de investiga\u00e7\u00e3o ac\u00e7\u00e3o. No caso das fam\u00edlias adoptantes, n\u00e3o deveremos s\u00f3 pensar na crian\u00e7a mas tamb\u00e9m no futuro da fam\u00edlia em causa e intervir no \u00e2mbito das suas compet\u00eancias. Foi referido que &#8220;o afecto \u00e9 t\u00e3o natural como o sangue&#8221;. Ao n\u00edvel operativo \u00e9 sugerido que estas Associa\u00e7\u00f5es integrem as Comiss\u00f5es alargadas das CPCJ para a preven\u00e7\u00e3o precoce. Ao n\u00edvel da preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria estes recursos poder\u00e3o ainda colaborar no acompanhamento e\/ou apoio aos pais, tornando-se eventualmente elementos fundamentais na celebra\u00e7\u00e3o dos Acordos de protec\u00e7\u00e3o dos menores. H\u00e1 assim, que confiar na sociedade civil ao n\u00edvel do desenvolvimento de projectos de Educa\u00e7\u00e3o Parental com o apoio estatal, tendo sempre em conta que os pr\u00f3prios direitos da crian\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos mas din\u00e2micos e a Educa\u00e7\u00e3o Parental \u00e9 um direito da crian\u00e7a.  A Prof. Dr.\u00aa Helena Marujo trouxe-nos uma reflex\u00e3o subordinada ao tema &#8220;M\u00e3e e Pai numa educa\u00e7\u00e3o que se complementa&#8221;, onde defende que o conceito de complementaridade implica diferen\u00e7a. Depois de se crer que um bom pai \u00e9 igual \u00e0 m\u00e3e, deseja-se que cada um potencie as suas especificidades, pela riqueza dessa diferen\u00e7a. A caminho da constru\u00e7\u00e3o de novos futuros, o pai passa de perif\u00e9rico a central na fam\u00edlia, ao mesmo tempo que a m\u00e3e se vira para o mundo exterior.  O Sr. Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa apresentou-nos a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia vivenciada a tr\u00eas n\u00edveis: \t&#8211; A educa\u00e7\u00e3o recebida pelos seus progenitores; \t&#8211; As li\u00e7\u00f5es retiradas da educa\u00e7\u00e3o com os filhos; \t&#8211; A experi\u00eancia conferida pela actividade de professor. No primeiro n\u00edvel salienta a forma\u00e7\u00e3o dos filhos em ambiente de amor, servi\u00e7o e disponibilidade baseada em princ\u00edpios onde a educa\u00e7\u00e3o foi um processo constante, n\u00e3o tanto te\u00f3rico mas de obras, de exemplo. &#8220;A educa\u00e7\u00e3o como uma actua\u00e7\u00e3o a tempo inteiro&#8221;. No segundo n\u00edvel, a educa\u00e7\u00e3o faz-se de referenciais, de valores, de rituais, de locais, de comportamentos, em que &#8220;as casas n\u00e3o s\u00e3o paragens de autocarro&#8221;. A import\u00e2ncia de progressivamente terem conhecimento da vida, do mundo e at\u00e9 da pr\u00f3pria vida dos pais. Segundo o Prof. n\u00e3o h\u00e1 vida dos filhos e vida dos pais, mas sim vida de fam\u00edlia. No terceiro n\u00edvel, refere as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o com os pais pelas prioridades estabelecidas, as quais t\u00eam custos familiares apreci\u00e1veis. O papel da comunica\u00e7\u00e3o social nos dias de hoje \u00e9 tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o significativa, pelo peso decisivo que det\u00e9m. Os pais t\u00eam que encontrar espa\u00e7os pr\u00f3prios nessa realidade.  III &#8211; TESTEMUNHOS DE FILHOS E PAIS As experi\u00eancias relatadas por uns (filhos) e outros (pais) que participaram neste Congresso, trazem na natureza dos seus testemunhos, valores que talvez importe refor\u00e7ar; como sejam:  &#8211;\tA forma\u00e7\u00e3o moral (no caso cat\u00f3lica), com uma forte viv\u00eancia de testemunho de vida e comprometimento social; &#8211;\tO optimismo entusiasta gerador de confian\u00e7a; &#8211;\tA fam\u00edlia como porto de abrigo; &#8211;\tA identifica\u00e7\u00e3o clara de valores e prioridades e a viv\u00eancia pelos pais desses valores defendidos; &#8211;\tA import\u00e2ncia da abertura dos mais velhos aos novos valores como forma de aprendizagem dos pr\u00f3prios pais face \u00e0 realidade actual; &#8211;\tUma actua\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio entre o que se deve impor, o que se deve receber e o que se deve partilhar; &#8211;\tValoriza\u00e7\u00e3o do papel dos av\u00f3s no per\u00edodo da adolesc\u00eancia pelos graus de vulnerabilidade que av\u00f3s e netos det\u00e9m nesta fase, face aos pais; &#8211;\tA experi\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o parental e da orienta\u00e7\u00e3o familiar como ac\u00e7\u00f5es preventivas de rupturas familiares; &#8211;\tA import\u00e2ncia de uma heran\u00e7a familiar de amor, flexibilidade e liberdade com responsabilidade; &#8211;\tA porta aberta aos amigos e o regime de comunica\u00e7\u00e3o estabelecido &#8220;aquilo que semeamos no dia-a-dia, colhe-se nesses mesmos dias&#8221; (Dr.\u00aa Laurinda Alves) &#8211;\tS\u00f3 podemos viver com crit\u00e9rios que permitam estabelecer prioridades; &#8211;\tAprende-se sempre na troca.  Como \u00faltimo testemunho de um pai, na pessoa do Dr. Ant\u00f3nio Pinto Leite, &#8220;Espero que os meus filhos saiam doutorados em capacidade de amar&#8221;.  Para finalizar, gostaria de encerrar estas conclus\u00f5es com um poema de Pablo Neruda &#8220;Ode \u00e0 Esperan\u00e7a&#8221; dedicado a todas as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis e mais fragilizadas do nosso Pa\u00eds, para que um dia encontrem um caminho&#8230;  ODE \u00c0 ESPERAN\u00c7A Pablo Neruda Crep\u00fasculo marinho, No centro  Da minha vida, De ondas como uvas, A solid\u00e3o do c\u00e9u, Enches-me E transbordas, Todo o mar,  Todo o c\u00e9u, Movimento E espa\u00e7o, Os brancos batalh\u00f5es da espuma, A terra cor de laranja, A cintura Incendiada  Do sol agonizante,  D\u00e1divas sobre d\u00e1divas, Aves Que aos seus sonhos Acorrem, E o mar, o mar, Aroma Ondulante,  Coro de sal sonoro, Enquanto n\u00f3s,  Os homens,  \u00c0 beira da \u00e1gua Vamos lutando E esperando \u00c1 beira do mar,  Esperando.  &#8220;Tudo se realizar\u00e1&#8221; Dizem as ondas ao duro litoral.  Cec\u00edlia Cavalheiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es do encontro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,172,187,193,206,207,254,261,267,285,321],"class_list":["post-5063","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima","tag-mdv","tag-missoes","tag-natal","tag-patrimonio","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5063\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}