{"id":50530,"date":"2011-03-23T12:09:15","date_gmt":"2011-03-23T12:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/23\/homilia-do-bispo-da-guarda-no-ii-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2011-03-23T12:09:15","modified_gmt":"2011-03-23T12:09:15","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-no-ii-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-no-ii-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda no II Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jesus &eacute; a Palavra viva que nos transfigura<\/strong><\/p>\n<p>l. Neste segundo domingo da Quaresma contemplamos o mist&eacute;rio da Transfigura&ccedil;&atilde;o de Jesus. Pedro, Tiago e Jo&atilde;o no alto do monte Tabor ficam deslumbrados com a figura de Jesus resplandecente de luz. Com Ele falavam duas figuras do Antigo Testamento &ndash; Mois&eacute;s e Elias e o tema da conversa era, como diz o Evangelista S. Lucas no lugar paralelo a este de S.Mateus, a morte de Jesus. Se lemos a passagem imediatamente anterior do Evangelho, encontramos Jesus a fazer o an&uacute;ncio da sua morte que vai acontecer em Jerusal&eacute;m E, perante o esc&acirc;ndalo dos doze, o mesmo Jesus acrescenta ainda mais mat&eacute;ria de esc&acirc;ndalo, sublinhando o estatuto do verdadeiro disc&iacute;pulo, ao dizer: &ldquo;Se algu&eacute;m quiser seguir-me, renegue-se a sim mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a vida h&aacute;-de perd&ecirc;-la&hellip;!<\/p>\n<p>A transfigura&ccedil;&atilde;o anuncia a identidade divina de Jesus, sem esconder o percurso dif&iacute;cil que Ele teve de fazer para cumprimento da vontade do Pai e Salva&ccedil;&atilde;o da Humanidade, o qual incluiu a Paix&atilde;o e a morte, imposta pela maldade dos homens, rumo &agrave; vit&oacute;ria sobre a mesma morte, na Sua Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. E agora n&oacute;s que havemos de fazer para dar cumprimento, &agrave; mensagem da Transfigura&ccedil;&atilde;o de Jesus?<\/p>\n<p>Primeiro, temos de saber olhar para a nossa vida pessoal, comunit&aacute;ria e social e ver quais s&atilde;o os aspectos que precisam de ser transfigurados e que caminhos nos podem conduzir a essa transfigura&ccedil;&atilde;o. Para o discernimento desses caminhos a Palavra de Deus hoje proclamada d&aacute;-nos indica&ccedil;&otilde;es claras.<\/p>\n<p>Assim, o Patriarca Abra&atilde;o transfigurou a sua vida e a vida do mundo quando teve a coragem de trocar as seguran&ccedil;as comuns de fam&iacute;lia, pa&iacute;s, cultura, religi&atilde;o, pela &uacute;nica seguran&ccedil;a que d&aacute; verdadeiro sentido &agrave; vida de qualquer pessoa e mesmo de qualquer Povo &ndash; colocar-se nas m&atilde;os de Deus para servi&ccedil;o da comunidade. Tamb&eacute;m Paulo apontou ao seu disc&iacute;pulo Tim&oacute;teo, no exerc&iacute;cio da miss&atilde;o episcopal de condutor do Povo de Deus, um caminho que &eacute; no m&iacute;nimo surpreendente, ao dizer-lhe: &ldquo;Sofre comigo pelo Evangelho apoiado na for&ccedil;a de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A Igreja em Portugal encontra-se &agrave; procura de novos caminhos e mesmo de novas formas de ser Igreja para interpretar bem e levar &agrave; pr&aacute;tica a mensagem libertadora de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando Tentamos responder ao apelo do &ldquo;repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal&rdquo;, sentimos &agrave; partida, que qualquer pastoral, para ser digna desse nome, tem de nos conduzir para o encontro com o Senhor Jesus e Sua Palavra e s&oacute; depois pode levar a tarefas concretas. Por isso, o encontro com Cristo vivo, atrav&eacute;s da leitura meditada e partilhada da Sua Palavra presente na B&iacute;blia, &eacute; a nossa grande prioridade. &Eacute; a partir deste encontro vivo com o Senhor Ressuscitado que a Igreja tem de se organizar para prestar o seu servi&ccedil;o &agrave; comunidade portuguesa, na situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil em que se encontra. Esta situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil torna urgente que sejam repensados os caminhos da gest&atilde;o da coisa p&uacute;blica que est&atilde;o a ser percorridos. Isto, porque as pessoas, em geral, n&atilde;o est&atilde;o satisfeitas e o n&iacute;vel da sua insatisfa&ccedil;&atilde;o cresce em vez de diminuir. E n&atilde;o pensemos que esta insatisfa&ccedil;&atilde;o acabaria se estivessem equilibradas as contas p&uacute;blicas e a nossa volumosa d&iacute;vida externa estivesse por inteiro saldada. Sem d&uacute;vida que este &eacute; um grav&iacute;ssimo problema que tem de preocupar todos os portugueses.<\/p>\n<p>Todavia, a insatisfa&ccedil;&atilde;o das pessoas temos obriga&ccedil;&atilde;o de a saber avaliar principalmente a partir da falta de condi&ccedil;&otilde;es para conseguirem a qualidade de vida que n&atilde;o t&ecirc;m.<\/p>\n<p>Essa falta de condi&ccedil;&otilde;es de vida com qualidade manifesta-se principalmente no elevado n&uacute;mero de pessoas que est&atilde;o fora do trabalho e consequentemente impedidas de participarem activamente no desenvolvimento. Est&atilde;o fora do trabalho porque perderam o emprego, ou ainda n&atilde;o conseguiram o primeiro emprego ou ent&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es para tomarem a iniciativa de criarem o seu pr&oacute;prio trabalho. Temos de encontrar formas de mobilizar as pessoas todas para um verdadeiro projecto comum, que poderemos chamar de des&iacute;gnio nacional. Um des&iacute;gnio que saiba aproveitar as potencialidades de crescimento que temos e, em particular, os recursos humanos mais qualificados que existem na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. E aqui h&aacute; exemplos que n&atilde;o s&atilde;o nada animadores.<\/p>\n<p>Cito apenas um. No ano 2010, o n&uacute;mero de licenciados que sa&iacute;ram do nosso pa&iacute;s &agrave; procura de emprego no estrangeiro cresceu numa percentagem de 57%. Temos de concordar em que &eacute; frustrante saber que o Estado Portugu&ecirc;s suportou custos elevados com a forma&ccedil;&atilde;o de quadros qualificados que agora oferece de bandeja a outros pa&iacute;ses. E podemos acrescentar outras incapacidades verificadas na gest&atilde;o da coisa p&uacute;blica do nosso pa&iacute;s. S&oacute; cito mais um exemplo. O Estado portugu&ecirc;s endividou-se e continua a endividar-se ao estrangeiro e n&atilde;o teve arte nem engenho para aproveitar da melhor maneira os fundos comunit&aacute;rios que h&aacute; mais de 2 d&eacute;cadas lhe est&atilde;o a ser atribu&iacute;dos para vencer a dist&acirc;ncia que nos separa dos pa&iacute;ses mais desenvolvidos da Europa. Continuamos a divergir deles em vez de conseguirmos a desejada converg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Precisamos, de facto, que toda a sociedade portuguesa se empenhe a s&eacute;rio para definir qual &eacute; o seu des&iacute;gnio e se empenhe ainda mais em comprometer nesse des&iacute;gnio todos os cidad&atilde;os portugueses. E nesse des&iacute;gnio n&atilde;o podem constar apenas objectivos materiais econ&oacute;micos, mas tamb&eacute;m todos aqueles que s&atilde;o necess&aacute;rios para a completa satisfa&ccedil;&atilde;o das pessoas. Do n&uacute;mero deles n&atilde;o podem ficar exclu&iacute;das as dimens&otilde;es humanas da espiritualidade, da &eacute;tica e da rela&ccedil;&atilde;o com Deus, para virmos a ser uma sociedade verdadeiramente equilibrada. Acresce ainda a necessidade de promover a m&aacute;xima participa&ccedil;&atilde;o de todos, pessoas e institui&ccedil;&otilde;es. Assim, precisamos de criar condi&ccedil;&otilde;es &agrave;s fam&iacute;lias para elas poderem desempenhar a parte mais importante da sua miss&atilde;o que &eacute; promover a vida e oferecerem &agrave; sociedade os cidad&atilde;os bem preparados que ela precisa. Precisamos de dar novo enquadramento &aacute;s escolas para que saibam ocupar o seu espa&ccedil;o, dando cumprimento a projectos educativos que brotem realmente da sociedade civil e, em particular das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Sabemos todos que vivemos tempos de muita dificuldade, pois, se em outros pa&iacute;ses a crise est&aacute; a passar, no nosso , parece que veio para ficar. &Eacute;, por isso, natural que nos sejam pedidos sacrif&iacute;cios. Ora, n&oacute;s temos de reconhecer que a educa&ccedil;&atilde;o em geral praticada nas nossas escolas n&atilde;o prima por apresentar com realismos aos nossos jovens o lado dif&iacute;cil da vida e dos sacrif&iacute;cios que vale a pena fazer para atingir metas de excel&ecirc;ncia. Todavia, julgamos poss&iacute;vel continuar a pedir sacrif&iacute;cios ao nosso povo desde que sejam bem explicados e tamb&eacute;m fique bem clara a distribui&ccedil;&atilde;o equitativa dos mesmos.<\/p>\n<p>Regressando ao quadro da Transfigura&ccedil;&atilde;o, sentimos o convite &agrave; renova&ccedil;&atilde;o para centrarmos a nossa vida cada vez mais na pessoa de Jesus Cristo e na Sua Palavra Evang&eacute;lica. &Eacute; a partir desta renova&ccedil;&atilde;o que tamb&eacute;m poderemos ajudar a sociedade portuguesa a encontrar os caminhos de equil&iacute;brio e de verdadeira humanidade que lhe est&atilde;o a faltar.<\/p>\n<p>Do Senhor Jesus esperamos a resposta para a sede de bem e de valores que de facto existe na vida das pessoas. Por isso, para a pr&oacute;xima vamos centrar-nos em Cristo, Palavra e fonte de Vida, onde todos podem matar a sede de viver.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Manuel da Rocha Fel&iacute;cio, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus &eacute; a Palavra viva que nos transfigura l. Neste segundo domingo da Quaresma contemplamos o mist&eacute;rio da Transfigura&ccedil;&atilde;o de Jesus. Pedro, Tiago e Jo&atilde;o no alto do monte Tabor ficam deslumbrados com a figura de Jesus resplandecente de luz. 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