{"id":50404,"date":"2011-03-15T15:11:34","date_gmt":"2011-03-15T15:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/15\/espiritualidade-crista-natureza-e-ecologia\/"},"modified":"2011-03-15T15:11:34","modified_gmt":"2011-03-15T15:11:34","slug":"espiritualidade-crista-natureza-e-ecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/espiritualidade-crista-natureza-e-ecologia\/","title":{"rendered":"Espiritualidade crist\u00e3, Natureza e Ecologia"},"content":{"rendered":"<p>Frei Daniel Teixeira <!--more--> <\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma realidade evidente em avan&ccedil;o impar&aacute;vel. O fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o oferece enormes possibilidades de comunica&ccedil;&atilde;o e de encontros interpessoais, gerando, por um lado, um movimento de unifica&ccedil;&atilde;o, mas, por outro lado descaracterizando a humanidade. &Eacute; um fen&oacute;meno que tem tanto de esperan&ccedil;oso quanto de preocupante. Por&eacute;m, a globaliza&ccedil;&atilde;o tem capacidade para incutir um novo impulso ao bem-estar, &agrave; consci&ecirc;ncia comunit&aacute;ria e &agrave; fraternidade universal.<\/p>\n<p>A forma de viver das pessoas, o seu m&uacute;tuo entendimento e o seu relacionamento com o mundo transformam-se. A interdepend&ecirc;ncia entre indiv&iacute;duos, povos, culturas e religi&otilde;es vai ganhando terreno para mais humanamente caminharmos nesta Casa comum chamada planeta Terra e melhorarmos as rela&ccedil;&otilde;es com todo o Universo.<\/p>\n<p>O problema ambiental &eacute; cient&iacute;fico, t&eacute;cnico e pol&iacute;tico; mas &eacute; tamb&eacute;m cultural, &eacute;tico e religioso, pois nos bastidores da crise ecol&oacute;gica est&aacute; a quest&atilde;o da justi&ccedil;a, da igualdade de direitos humanos e do respeito pelo mundo natural. &Agrave; ci&ecirc;ncia n&atilde;o compete prescrever o que &eacute; bom ou mau nem fixar crit&eacute;rios de valor. Imp&otilde;e-se o recurso &agrave; &eacute;tica, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma nova mentalidade e &agrave; influ&ecirc;ncia da religi&atilde;o para dar &agrave;s ci&ecirc;ncias a consci&ecirc;ncia de que devem orientar-se para o bem comum.<\/p>\n<p>Na actualidade o homem est&aacute; desiludido com as ideologias comunit&aacute;rias. O individualismo militante dos anos sessenta diluiu-se num pragmatismo desencantado, mais preocupado com o seu dia-a-dia do que com grandes projectos de transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. O idealismo social deu lugar ao cepticismo e retraimento intimista. Pouco se pensa em conseguir grandes objectivos comuns. Os valores comunit&aacute;rios foram substitu&iacute;dos por um individualismo hedonista e permissivo, sem ideais. Na sociedade actual pensa-se que a felicidade depende da auto-realiza&ccedil;&atilde;o, e esta resulta de ser fiel a si mesmo. Para a maior parte dos mortais a autenticidade reduz-se a uma autonomia individualista, sem exageros e sem ideais, comodamente instalados e contentes com a sua mediocridade. O objectivo fundamental &eacute; sentirem-se satisfeitos consigo mesmos, evitando tudo quanto possa significar discord&acirc;ncia, risco, sofrimento ou compromisso. Os grandes e nobre ideais de melhorar a sociedade s&atilde;o substitu&iacute;dos pelo intimismo redutor, envolvidos numa cultura de narcisismo, cedendo &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de se isolar, ao contacto meramente virtual que afecta menos o indiv&iacute;duo, apresenta menos riscos e exige menos compromissos, &agrave;s vezes nem sequer o de assumir a sua pr&oacute;pria identidade.<\/p>\n<p>O homem p&oacute;s-moderno, de personalidade fragmentada, ainda n&atilde;o encontrou um sentido unificador para a pr&oacute;pria vida, tem dificuldade em aceitar a sua fragilidade, os seus limites e fracassos. Trata o corpo como o que tem de mais importante para valorizar a sua identidade. Constr&oacute;i uma vida ilus&oacute;ria e fragmentada, na busca ansiosa da felicidade moment&acirc;nea, pretendendo obter tudo de imediato e sem esfor&ccedil;o.<\/p>\n<p>Esta filosofia de vida transforma a natureza, as outras pessoas e a pr&oacute;pria divindade, em objectos a manipular. Urge uma cultura do limite e do compromisso que desenvolva uma personalidade em harmonia consigo mesmo, com os demais e com o cosmos.<\/p>\n<p>Em geral, todas as formas de espiritualidade procuram uma rela&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica do ser humano com o universo criado. A espiritualidade crist&atilde; introduz Deus neste cen&aacute;rio, como refer&ecirc;ncia fundamental. Ele &eacute; o Criador do ser humano, mas tamb&eacute;m de todo o Universo. O Homem &eacute; criatura por excel&ecirc;ncia, a quem Deus confia todo o universo, para que em Seu nome o cuide, sempre em refer&ecirc;ncia ao Criador.<\/p>\n<p>A sensibilidade ecol&oacute;gica actual parte fundamentalmente da &ldquo;ecologia do medo&rdquo;: h&aacute; que buscar o equil&iacute;brio com a natureza porque o homem se sente amea&ccedil;ado na sua exist&ecirc;ncia. Para o Cristianismo a Natureza &eacute; um maravilhoso presente de Deus ao homem, o que gera uma rela&ccedil;&atilde;o de fraternidade e uma atitude de gratuidade. Para a espiritualidade crist&atilde; a refer&ecirc;ncia a Deus &eacute; fundamental e geradora de uma nova atitude perante o universo a ser desfrutado de forma gozosa e pac&iacute;fica e n&atilde;o a ser explorado e manipulado.<\/p>\n<p>O expoente m&aacute;ximo de espiritualidade ecol&oacute;gica crist&atilde; &eacute; Francisco de Assis, patrono da ecologia, que ao reconhecer um &uacute;nico Pai-Criador de todos os seres de todos se sente irm&atilde;o, a todos trata por &laquo;irm&atilde;os&raquo;: o irm&atilde;o sol, a irm&atilde; lua, o irm&atilde;o lobo, a irm&atilde;, &aacute;gua, a irm&atilde; pedra, a irm&atilde; abelha, o irm&atilde;o falc&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p>O seguinte texto do primeiro bi&oacute;grafo de Francisco de Assis &eacute; s&iacute;ntese maravilhosa da postura crist&atilde; frente &agrave; Natureza.<\/p>\n<p>&laquo;Olhando o sol, a lua e contemplando o firmamento com todas as estrelas enchia-se de inef&aacute;vel gozo. Quem poder&aacute; explicar a alegria que no seu esp&iacute;rito provocava a beleza das flores?&#8230; Quando encontrava muitas flores juntas pregava-lhes, convidando-as a louvar o Senhor como se tivessem o dom da raz&atilde;o. E o mesmo fazia com os trigais e as vinhas, as pedras e os bosques e tudo o que h&aacute; de belo nos campos: as nascentes, a terra e o fogo, o ar e o vento, e tratava-os de modo eminente e n&atilde;o acess&iacute;vel aos outros&raquo; (1 Cel 80-81).<\/p>\n<p>Em hino de universal fraternidade e gratid&atilde;o ao Alt&iacute;ssimo Senhor cantemos com Francisco de Assis: &laquo;Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irm&atilde;, a m&atilde;e terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras&hellip;<\/p>\n<p>Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-Ihe gra&ccedil;as e servi-o com grande humildade&raquo;.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Frei Daniel Teixeira, OFM<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Daniel Teixeira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[189,199],"class_list":["post-50404","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-direitos-humanos","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50404\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}