{"id":50403,"date":"2011-03-15T15:10:56","date_gmt":"2011-03-15T15:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/15\/natureza-e-biblia\/"},"modified":"2011-03-15T15:10:56","modified_gmt":"2011-03-15T15:10:56","slug":"natureza-e-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natureza-e-biblia\/","title":{"rendered":"Natureza e B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>Frei Lopes Morgado <!--more--> <\/p>\n<p><em>Em F&aacute;tima, no Centro B&iacute;blico dos Capuchinhos, cresce h&aacute; v&aacute;rios anos um &ldquo;Jardim B&iacute;blico&rdquo;. De l&aacute; veio este Roteiro para um encontro com a Natureza.<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>A Terra e a Natureza est&atilde;o no ADN do homem b&iacute;blico. Feito do p&oacute; da terra, o ser humano (<em>Adam<\/em>) vai de terra em terra, entre aquela que deixa e a que lhe vai ser dada, aprendendo a domin&aacute;-la e a contempl&aacute;-la, a moldar a vida com ela na escravid&atilde;o e a suport&aacute;-la no deserto, a possu&iacute;-la na terra prometida e a perd&ecirc;-la nos ex&iacute;lios &ndash; vindo a project&aacute;-la numa <em>nova terra<\/em> de muitas utopias, j&aacute; visionada no in&iacute;cio (<em>Ap<\/em> 22,1-3). Nessa viagem, variados s&atilde;o os seus encontros com a Natureza.<\/p>\n<p><em>Leitura crente<\/em><\/p>\n<p>A B&iacute;blia faz uma leitura crente da Natureza, a partir da f&eacute; monote&iacute;sta no Deus inef&aacute;vel (YHWH). &laquo;Pela f&eacute;, sabemos que o mundo foi organizado pela palavra de Deus, de modo que o que se v&ecirc; prov&eacute;m de coisas n&atilde;o vis&iacute;veis&raquo;, assume o autor da <em>Carta aos Hebreus<\/em> (11,2). Da&iacute; atribuir ao &uacute;nico Senhor toda a cria&ccedil;&atilde;o: &laquo;A palavra do Senhor criou os c&eacute;us,\/ e o sopro da sua boca, todos os astros.\/&hellip; Porque Ele disse e tudo foi feito,\/ Ele ordenou e tudo foi criado&raquo; (<em>Sl <\/em>33,6.9).<\/p>\n<p><em>Linguagem e mensagem<strong><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sob esta f&eacute;, os escritores sagrados falam da origem e do sentido das coisas. A sua informa&ccedil;&atilde;o &eacute; emp&iacute;rica, n&atilde;o cient&iacute;fica. Escrevem nos g&eacute;neros liter&aacute;rios do seu tempo. Servem-se de lendas e mitos da Sum&eacute;ria, da Babil&oacute;nia e de Ugarit, purificando-os de polite&iacute;smos. Por isso, ao ler um texto da B&iacute;blia, &eacute; preciso ter em conta o g&eacute;nero liter&aacute;rio em que foi escrito. Sen&atilde;o, geram-se equ&iacute;vocos e fazem-se falsas leituras da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Por exemplo: os primeiros cap&iacute;tulos do <em>G&eacute;nesis<\/em> s&atilde;o um poema catequ&eacute;tico. N&atilde;o temos a&iacute; uma explica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da origem do mundo e do ser humano, nem podemos encontrar contradi&ccedil;&atilde;o entre o seu esquema liter&aacute;rio da cria&ccedil;&atilde;o em seis dias e a explica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da evolu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das idades. N&atilde;o &eacute; a sua linguagem nem a sua mensagem. O poeta\/catequista quer apresentar ao trabalhador crente o modelo de Deus, para que tamb&eacute;m ele, ap&oacute;s uma semana laboral, dedique um dia in\/&uacute;til ao encanto com as criaturas e ao louvor de Deus que fez dele seu colaborador na gest&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p><em>Vida e B&iacute;blia<\/em><\/p>\n<p>Ali&aacute;s, a B&iacute;blia apresenta dois relatos diferentes da cria&ccedil;&atilde;o. Quer dizer que, por tr&aacute;s da escrita, h&aacute; sempre uma experi&ecirc;ncia de vida e uma reflex&atilde;o para colher as suas li&ccedil;&otilde;es. Diferentes contextos e viv&ecirc;ncias revelam nova imagem de Deus e criam diferente rela&ccedil;&atilde;o com Ele, exigindo outra linguagem para exprimi-lo. E a B&iacute;blia faz essa incultura&ccedil;&atilde;o. Aos escravos que descobriram YHWH quando amassavam tijolos no Egipto, mostra-se Deus a fazer o homem do barro e a insuflar-lhe vida; ao povo castigado nas agruras do deserto, promete-se um jardim com um rio de quatro bra&ccedil;os e &aacute;rvores de fruto (<em>Gn<\/em> 2). E para animar Israel no regresso do ex&iacute;lio, os <em>Profetas<\/em>, anunciam que o deserto se vai transformar em rio e a terra seca, em jardim (<em>Is<\/em> 43,18-21)!<\/p>\n<p><em>Lugar teol&oacute;gico<\/em><\/p>\n<p>Jacob exclama, ao acordar de um sonho ao ar livre: &laquo;O Senhor est&aacute; realmente neste lugar e eu n&atilde;o o sabia!&raquo; (<em>Gn<\/em> 28,16). Mois&eacute;s descobre o Senhor na sar&ccedil;a-ardente (<em>Ex<\/em> 3,1-14) e nos fen&oacute;menos naturais do Sinai (<em>Ex<\/em> 19, 16-25). Elias pensava encontr&aacute;-lo no vento ou no fogo, mas ouve-o no &laquo;murm&uacute;rio de uma brisa suave&raquo; (<em>1 Rs<\/em> 19,9-14). Jesus ensina a ler nas flores e nas aves a Provid&ecirc;ncia do Pai (<em>Mt <\/em>6,25-34).<\/p>\n<p>A Natureza &eacute; um lugar de encontro com Deus, pois a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; a sua primeira palavra; mas as criaturas n&atilde;o s&atilde;o divindades. Tamb&eacute;m o Sol e a Lua devem louvar o Senhor (<em>Dn<\/em> 3,62). Da&iacute; Paulo recriminar os pag&atilde;os: &laquo;Porquanto, o que de Deus se pode conhecer est&aacute; &agrave; vista deles, j&aacute; que Deus lho manifestou. N&atilde;o se podem desculpar. Pois, tendo conhecido a Deus, n&atilde;o o glorificaram nem lhe deram gra&ccedil;as, como a Deus &eacute; devido&raquo;, mas cultuaram as criaturas (<em>Rm <\/em>1,18-32).<\/p>\n<p><em>Roteiro de Primavera<\/em><\/p>\n<p>A vida n&atilde;o permite viajar para destinos ex&oacute;ticos, nem ter as f&eacute;rias sonhadas? Podemos passear no campo, num bosque ou na montanha; contemplar o c&eacute;u com nuvens e aves, da janela; sentar-nos diante do mar imenso; cultivar plantas ou flores na varanda e admirar as nervuras e a colora&ccedil;&atilde;o das folhas, a diversidade, ordem e unidade das p&eacute;talas e flores.<\/p>\n<p>A Primavera transforma a Natureza. A Quaresma desafia-nos a renovar o cora&ccedil;&atilde;o. As dificuldades econ&oacute;micas aconselham a simplificar h&aacute;bitos de vida. Que tal, um encontro com a Natureza? Eis algumas pistas de acesso: <em>Gn <\/em>1 e 2; <em>Sir<\/em> 42,15&ndash;43; <em>Job <\/em>38-39; <em>Salmos<\/em> 1, 8, 19, 29, 33; Is 5; Jer 17,5-8; <em>Mt <\/em>13; <em>C&acirc;ntico dos C&acirc;nticos<\/em>&hellip;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Lopes Morgado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Lopes Morgado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[124,91],"class_list":["post-50403","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-capuchinhos","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50403"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50403\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}