{"id":50400,"date":"2011-03-15T09:49:39","date_gmt":"2011-03-15T09:49:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/15\/natureza-e-peregrinacao\/"},"modified":"2011-03-15T09:49:39","modified_gmt":"2011-03-15T09:49:39","slug":"natureza-e-peregrinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natureza-e-peregrinacao\/","title":{"rendered":"Natureza e peregrina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O padre Jos\u00e9 Antunes da Silva \u00e9 mission\u00e1rio do Verbo Divino, um apaixonado pelas peregrina\u00e7\u00f5es e profundo conhecedor do Caminho de Santiago. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA d\u00e1 a perceber o encantamento de caminhar entre a Natureza e de como este tempo quaresmal tamb\u00e9m pode ser uma peregrina\u00e7\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>O padre Jos&eacute; Antunes da Silva &eacute; mission&aacute;rio do Verbo Divino, um apaixonado pelas peregrina&ccedil;&otilde;es e profundo conhecedor do Caminho de Santiago. Come&ccedil;ou com um grupo de universit&aacute;rios a caminhar para se distanciar dos ru&iacute;dos da cidade e nunca mais parou&hellip;<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA d&aacute; a perceber o encantamento de caminhar entre a Natureza e de como este tempo quaresmal tamb&eacute;m pode ser uma peregrina&ccedil;&atilde;o com subidas e descidas, pontes e riachos, sol ou chuva&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &ndash; Fazer uma peregrina&ccedil;&atilde;o nasceu de algum sonho? E porque &eacute; que a primeira foi a Santiago de Compostela?<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;Jos&eacute; Antunes Silva &ndash;<\/em> Eu sempre gostei de andar a p&eacute; no meio da Natureza&hellip; e Santiago dada a proximidade e o local que &eacute;, como um centro que ao longo dos s&eacute;culos atraiu peregrinos de todo o Mundo pela a exist&ecirc;ncia do t&uacute;mulo do ap&oacute;stolo Tiago. Al&eacute;m disso a dist&acirc;ncia permitiu que fossem peregrina&ccedil;&otilde;es com um n&uacute;mero razo&aacute;vel de dias que permitiam entrar num ritmo mais calmo, de contacto com a natureza que &eacute; muito libertador para quem vive o ano todo no meio do trabalho, do stress e do ru&iacute;do da cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O peregrino tem sempre em vista uma meta. Pode-se dizer que essa meta &eacute; o encontro com Deus? <\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> A peregrina&ccedil;&atilde;o tem sempre uma meta&hellip; Se &eacute; esse encontro, j&aacute; n&atilde;o sei responder ao certo&hellip; O que posso dizer &eacute; que atrav&eacute;s da peregrina&ccedil;&atilde;o, das etapas que fazem, podemos encontrar Deus de alguma forma&hellip; esse encontro faz-se ao longo do caminho, vai-se descobrindo porque n&atilde;o se d&aacute; num &uacute;nico momento. Deus vai-se revelando no pr&oacute;prio caminho, etapa a etapa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A Natureza &eacute; a maior companhia numa peregrina&ccedil;&atilde;o, nomeadamente no caminho de Santiago s&atilde;o variados os elementos que se apresentam: bosque, pontes, regatos&hellip; Que significado tem toda esta envolvente?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> Quem anda a p&eacute; muitos dias atravessa paisagens diferentes e o contacto com a natureza pode ser uma extraordin&aacute;ria experi&ecirc;ncia espiritual no sentido de nos sentirmos um todo. Como dizemos num salmo &ldquo;Deus criou o Mundo e tudo o que nele cont&eacute;m&rdquo; portanto toda a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; obra de Deus&hellip; Eu costumava pensar assim: estes montes, estas florestas, estes riachos est&atilde;o aqui desde o in&iacute;cio do Mundo para mim, para eu contemplar, para eu cruzar&hellip; Toda a beleza que Deus criou no universo est&aacute; ali na actualidade para mim, mas &eacute; necess&aacute;rio eu abrir os olhos, o cora&ccedil;&atilde;o e a minha vida para observar, s&oacute; assim me consigo sentir criatura de Deus.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Referia que uma peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; uma rica experi&ecirc;ncia espiritual. Cada vez que o faz &eacute; sempre um novo convite &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e contempla&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> Sim&hellip; Eu gostava de fazer uma distin&ccedil;&atilde;o: mais do que fazer coisas religiosas ou espirituais numa peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; importante viver a espiritualidade de peregrinar, porque eu n&atilde;o preciso de ir em peregrina&ccedil;&atilde;o para rezar! Agora viver um caminho, as v&aacute;rias etapas, durante dias, isso s&oacute; mesmo colocando p&eacute;s ao caminho. Etapa por etapa, sem querer chegar &agrave; meta no primeiro dia, fazendo sempre o processo e durante esse tempo perceber as for&ccedil;as, as fragilidades e pelo caminho conhecer outras pessoas, saber acolh&ecirc;-las e confrontar ideias e ideais. Muitas vezes mesmo repensar a nossa f&eacute;, as nossas raz&otilde;es de acreditar com essas pessoas, tamb&eacute;m peregrinos e o contacto com a natureza &eacute; que nos leva &agrave; proximidade com o divino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; No meio da natureza, em peregrina&ccedil;&atilde;o, o que costuma pensar ou rezar?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> No sil&ecirc;ncio&hellip; Caminhando muito tempo, muitos dias, atrav&eacute;s de paisagens praticamente desertas muitas delas, onde s&oacute; o sil&ecirc;ncio habita, isso tamb&eacute;m vai entrando em n&oacute;s. Uma das coisas que mais estimo neste ambiente de peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; a terapia do sil&ecirc;ncio, porque estamos cheios de ru&iacute;dos dentro de n&oacute;s e uma caminhada longa &eacute; terapia. N&atilde;o &eacute; preciso muitas palavras, nem muitas ora&ccedil;&otilde;es, porque se conseguirmos fazer sil&ecirc;ncio dentro de n&oacute;s, ent&atilde;o iremos ouvir muitas coisas: a nossa consci&ecirc;ncia, o nosso cora&ccedil;&atilde;o e especialmente os mais variados sons da natureza. E depois a voz de Deus.<\/p>\n<p>Sil&ecirc;ncio poderia ser a melhor palavra para eu definir a peregrina&ccedil;&atilde;o, o atravessar os campos, as montanhas, os bosques.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Aqueles que vivem na cidade t&ecirc;m falta de proximidade com a Natureza e por isso se encantam tanto numa peregrina&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> Sim, acho que h&aacute; uma esp&eacute;cie de saudade de pertencermos &agrave; terra e quem vive nas grandes cidades, no meio do ru&iacute;do e com pouca possibilidade de acompanhar o ciclo das esta&ccedil;&otilde;es do ano e tem necessidade de sair, nem que seja numa breve caminhada de 5 ou 6 dias. Torna-se num deslumbramento que as &aacute;rvores t&ecirc;m folhas e que depois as perdem para dar flores e frutos, chega a dar-nos uma nova vis&atilde;o da vida, porque este processo &eacute; lento e n&oacute;s queremos tudo rapidamente.<\/p>\n<p>Nesta altura, por exemplo, fora da cidade temos a oportunidade de assistir ao nascimento da Primavera que est&aacute; agora a explodir em cores, em flores e folhas e numa peregrina&ccedil;&atilde;o a p&eacute; permite sentirmos a cumplicidade de pisar a terra, passo a passo, de sentirmos o vento ou de nos molharmos com a chuva&hellip; experi&ecirc;ncias que nos ajudam a perceber o nosso lugar no Universo e o papel do Criador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash;Este tempo de Quaresma tamb&eacute;m pode ser definido como uma peregrina&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> Sim, a Quaresma &eacute; uma peregrina&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o 40 dias. Eu costumo mesmo dizer que &eacute; uma peregrina&ccedil;&atilde;o das cinzas &agrave; luz e tamb&eacute;m exige de n&oacute;s vencer etapa ap&oacute;s etapa, n&atilde;o se pode chegar &agrave; P&aacute;scoa no dia a seguir a quarta-feira de cinzas. &Eacute; preciso haver um processo de crescimento que envolve algum sacrif&iacute;cio, alguma austeridade, que envolve o jejum, a ora&ccedil;&atilde;o&hellip; Toda uma s&eacute;rie de etapas que nos v&atilde;o ajudar a transformar a cinza, que simboliza a nossa fragilidade, o nosso pecado, em luz, a luz Pascal que &eacute; o pr&oacute;prio Cristo. Quarenta dias at&eacute; l&aacute; &eacute; mesmo uma caminhada, n&atilde;o &eacute; f&iacute;sica mas tamb&eacute;m pode envolver alguma peregrina&ccedil;&atilde;o neste tempo. A pr&oacute;pria quaresma &eacute; um caminho espiritual que exige dedica&ccedil;&atilde;o e empenho para que haja tamb&eacute;m alguma mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Comparando com as peregrina&ccedil;&otilde;es por que tipo de natureza temos de passar para ir das cinzas at&eacute; &agrave; luz?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> Primeiro &eacute; preciso o discernimento, o essencial do sup&eacute;rfluo. Para peregrinar a primeira coisa &eacute; fazer a mochila e esse acto &eacute; de discernir o que levar e o que deixar em casa. &Eacute; talvez nesta caminhada quaresmal uma primeira atitude a ter, ficando com essencial, a palavra de deus e o amor ao pr&oacute;ximo, na esmola, ora&ccedil;&atilde;o e jejum aliados no amor a Deus e ao pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Depois a persist&ecirc;ncia, se eu quero atingir uma meta eu n&atilde;o posso desistir ao primeiro fracasso nem saltar etapas. Este passo tamb&eacute;m &eacute; importante numa caminhada quaresmal porque pela const&acirc;ncia tamb&eacute;m conseguimos dar espa&ccedil;o a Deus.<\/p>\n<p>Como pontes ou riachos&hellip; como momentos de beleza na quaresma temos o perd&atilde;o, dar e receber o perd&atilde;o podem ser momentos de extrema beleza na nossa vida espiritual. Outro &eacute; a caridade e solidariedade, traduzida na esmola em linguagem antiga, o ser capaz de amar o outro, de o ajudar sem esperar nada em troca. Isto tamb&eacute;m se pode aprender numa peregrina&ccedil;&atilde;o, a ajuda que se d&aacute; ao outro, que &eacute; peregrino como eu, s&oacute; pelo facto de ajudar. Um apoio, um abrigo, um p&atilde;o ou uma simples conversa s&atilde;o gestos que se fazem sem esperar nada em troca, s&atilde;o momentos de grande beleza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Antes de come&ccedil;ar uma peregrina&ccedil;&atilde;o decerto que d&aacute; algumas palavras. O que nos diria antes desta caminhada quaresmal?<\/em><\/p>\n<p><em>JAS &ndash;<\/em> A import&acirc;ncia do sil&ecirc;ncio interior, o olhar para quem vive connosco e &agrave; nossa volta n&atilde;o podem ser esquecidos. &Eacute; atrav&eacute;s deles, dos outros, que podemos chegar ao cora&ccedil;&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>SN<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre Jos\u00e9 Antunes da Silva \u00e9 mission\u00e1rio do Verbo Divino, um apaixonado pelas peregrina\u00e7\u00f5es e profundo conhecedor do Caminho de Santiago. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA d\u00e1 a perceber o encantamento de caminhar entre a Natureza e de como este tempo quaresmal tamb\u00e9m pode ser uma peregrina\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[199,91,299,314],"class_list":["post-50400","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-espiritualidade","tag-quaresma","tag-santiago-de-compostela","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50400\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}