{"id":50371,"date":"2011-03-13T19:00:17","date_gmt":"2011-03-13T19:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/13\/catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-da-quaresma-2\/"},"modified":"2011-03-13T19:00:17","modified_gmt":"2011-03-13T19:00:17","slug":"catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-da-quaresma-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-1-o-domingo-da-quaresma-2\/","title":{"rendered":"Catequese do cardeal-patriarca de Lisboa no 1.\u00ba domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;A Igreja &eacute; o Povo do Senhor&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. As minhas Catequeses durante a Quaresma deste ano, tratar&atilde;o temas que enquadram a renova&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o evangelizadora da Igreja, a sua fidelidade ao envio do Senhor. A renova&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o evangelizadora, que o Papa Jo&atilde;o Paulo II designou por &ldquo;Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, s&oacute; acontecer&aacute; se a Igreja e cada crist&atilde;o viverem profundamente o seu mist&eacute;rio, acolhendo a Palavra de Deus com f&eacute; e deixando-se atrair pelo amor, que &eacute; a caridade. Para evangelizar, a Igreja precisa de acreditar na Mensagem e precisa de amar a Deus em Jesus Cristo, de modo a sentir que evangelizar &eacute; uma fidelidade de amor. &ldquo;Ai de mim se n&atilde;o evangelizar&rdquo;, exclamava o Ap&oacute;stolo Paulo.<\/p>\n<p>Assim, temos de perscrutar o des&iacute;gnio de Deus acerca da humanidade, e o infinito amor de Jesus Cristo por todos os homens. Foi por isso que escolhi, como primeiro tema, aquele onde est&atilde;o impressos esse des&iacute;gnio eterno de Deus e a paix&atilde;o amorosa de Jesus Cristo pelos homens. Deus quis formar para Si um Povo com o qual exercite, j&aacute; neste mundo, a comunh&atilde;o amorosa entre pessoas, pois criou o homem &agrave; sua imagem, Ele que &eacute; comunh&atilde;o de pessoas distintas, unidas no amor. A Igreja &eacute; este Povo que o Senhor escolheu.<\/p>\n<p><strong>Porqu&ecirc; um Povo?<\/strong><\/p>\n<p>2. Na mentalidade contempor&acirc;nea, a compreens&atilde;o da pessoa humana, a busca da felicidade como plenitude de vida, est&atilde;o marcadas pela perspectiva do indiv&iacute;duo, desenvolvida no pensamento filos&oacute;fico dos &uacute;ltimos s&eacute;culos, o que levou &agrave; perda do sentido do colectivo como unidade, como verdadeiro sujeito inter-agindo com os sujeitos individuais. A sociedade, a Igreja, a fam&iacute;lia ou outras express&otilde;es de comunidade n&atilde;o s&atilde;o somat&oacute;rios de indiv&iacute;duos, mas s&atilde;o uma realidade nova, com uma identidade pr&oacute;pria, que n&atilde;o anulam o indiv&iacute;duo, mas o enquadram na sua realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, que nunca &eacute; separ&aacute;vel da realiza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;eu colectivo&rdquo;. No des&iacute;gnio de Deus, nenhuma pessoa humana &eacute; apenas um &ldquo;eu&rdquo;, &eacute; necessariamente um &ldquo;n&oacute;s&rdquo;. Este des&iacute;gnio de Deus est&aacute; impresso no pr&oacute;prio acto criador. Deus criou o homem &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a, porque Ele, sendo v&aacute;rias pessoas individuais, iguais e distintas, &eacute; &ldquo;um s&oacute;&rdquo;, fruto do amor dessas pessoas. Este dinamismo divino, de v&aacute;rios a constitu&iacute;rem um s&oacute;, Deus exprimiu-o, antes de mais, na cria&ccedil;&atilde;o do homem e da mulher: &ldquo;Deus criou o homem &agrave; sua imagem, &agrave; imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher os criou&rdquo; (Gen. 1,27).<\/p>\n<p>Na linguagem b&iacute;blica, em toda a Sagrada Escritura, o primeiro interlocutor de Deus &eacute; sempre o &ldquo;eu colectivo&rdquo;, a fam&iacute;lia humana, o Povo escolhido, a fam&iacute;lia que &eacute; a uni&atilde;o, num s&oacute;, do homem e da mulher. &Eacute; a esse &ldquo;eu colectivo&rdquo; que Deus fala e Se revela, com ele faz alian&ccedil;a, estabelece intimidade, tornando-se pr&oacute;ximo e vivendo com ele, e o conduz &agrave; Terra Prometida. Esse &eacute; o Povo que o Senhor escolheu, e envia a atrair todos os homens para que um dia toda a fam&iacute;lia humana seja o Povo do Senhor.<\/p>\n<p>A Igreja, Povo do Senhor, &eacute; que foi enviada a evangelizar. Se considerarmos a miss&atilde;o de evangelizar apenas como uma obriga&ccedil;&atilde;o pessoal, n&atilde;o poderemos perceber o dinamismo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Foi a Igreja, novo Povo do Senhor, que Ele enviou a anunciar o Evangelho como boa-nova da salva&ccedil;&atilde;o. Tudo o que cada um de n&oacute;s possa fazer, deve faz&ecirc;-lo em Igreja, ouvindo a Igreja, amando como a Igreja ama, contribuindo para que ela seja fiel ao mandato que recebeu do Senhor.<\/p>\n<p><strong>Da promessa &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica<\/strong><\/p>\n<p>3. A primeira manifesta&ccedil;&atilde;o de que &eacute; des&iacute;gnio de Deus formar, para Si, um Povo, est&aacute; expressa na promessa feita a Abra&atilde;o. A revela&ccedil;&atilde;o deste des&iacute;gnio, sob a forma de promessa, revela j&aacute; que se trata de um des&iacute;gnio de amor m&uacute;tuo entre Deus e o seu Povo. A promessa &eacute; uma das palavras chave de uma linguagem do amor. Quem ama faz promessas &agrave; pessoa amada. Elas brotam da abund&acirc;ncia do seu cora&ccedil;&atilde;o, da for&ccedil;a e poder para as cumprir. A promessa faz parte da atrac&ccedil;&atilde;o do amor. Aquele a quem &eacute; prometido, acredita na promessa, confia e p&otilde;e-se a caminho com um sentido novo.<\/p>\n<p>A promessa &eacute; feita a Abra&atilde;o, homem crente e temente a Deus. Deus convida-o a come&ccedil;ar de novo, a abandonar o seu pa&iacute;s e a vida concreta que leva, porque, promete-lhe Deus, &ldquo;farei de ti um grande Povo&rdquo;. A promessa exprime-se sob a forma de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, o que indica que ela pode ser aceite com a for&ccedil;a de Deus. &ldquo;Aben&ccedil;oarei aqueles que te aben&ccedil;oarem (&hellip;) em ti ser&atilde;o aben&ccedil;oadas todas as na&ccedil;&otilde;es da terra&rdquo; (cf. Gen. 12,1-3). Abra&atilde;o, o amigo de Deus, participa, assim, da solicitude de Deus por todos os povos da terra. Esta universalidade da promessa est&aacute; expressa tamb&eacute;m quando Deus promete a Abra&atilde;o que a sua descend&ecirc;ncia, esse Povo que o Senhor deseja, ser&aacute; t&atilde;o numeroso como as estrelas do C&eacute;u. A reac&ccedil;&atilde;o de Abra&atilde;o &eacute; a atitude prot&oacute;tipa que Deus espera do seu Povo: &ldquo;Abra&atilde;o acreditou em Deus, que teve em conta esta atitude de Abra&atilde;o como justi&ccedil;a&rdquo; (cf. Gen. 15,6), isto &eacute;, de santidade. Acreditou em Deus e p&ocirc;s-se a caminho: &ldquo;Abra&atilde;o partiu como Deus lhe tinha dito&rdquo; (cf. Gen. 12,4).<\/p>\n<p>&Eacute; esta descend&ecirc;ncia de Abra&atilde;o que d&aacute; origem &agrave; primeira concretiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do Povo de Deus. Emigrado para o Egipto, nos tempos de gl&oacute;ria, mas sobretudo na experi&ecirc;ncia da opress&atilde;o, esse Povo vai aprendendo a confiar na promessa feita aos seus antepassados, encontrando s&oacute; nela a esperan&ccedil;a da liberta&ccedil;&atilde;o. O Deus de Israel apresentar-se-&aacute; sempre como o Deus da promessa: &ldquo;Eu sou o Deus de Abra&atilde;o, de Isaac e de Jacob&rdquo; (Ex. 3,6). &Eacute; este cart&atilde;o de visita com que Deus se apresenta a Mois&eacute;s e lhe revela que est&aacute; perante o Deus vivo.<\/p>\n<p>Ao longo da Hist&oacute;ria, Deus ser&aacute; para o seu Povo, o Deus da promessa, sobretudo o Deus que cumpre a promessa. Ela vai-se realizando, antes de mais, sob a forma da sua renova&ccedil;&atilde;o. Deus &eacute; fiel &agrave; promessa, prometendo de novo e prometendo mais: promete a liberta&ccedil;&atilde;o do Egipto, promete uma terra &ldquo;onde corre leite e mel&rdquo;, promete um Rei justo e definitivo que ser&aacute; o Messias, o ungido do Senhor. O pr&oacute;prio Jesus que &eacute; a m&aacute;xima realiza&ccedil;&atilde;o das promessas de Deus, tamb&eacute;m promete: ressuscitar dos mortos, enviar o Esp&iacute;rito Santo, ficar com o seu Povo at&eacute; ao fim dos tempos, regressar um dia, na sua Gl&oacute;ria, para inaugurar a humanidade definitiva, recriada porque resgatada. O nosso Deus nunca &eacute; o Deus do definitivamente feito, &eacute; sempre o Deus da promessa. E perante a sua Palavra, continua a esperar de n&oacute;s a atitude de Abra&atilde;o: acreditar, confiar, p&ocirc;r-se a caminho. Este &eacute; o dinamismo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Do Povo de Israel &agrave; Igreja<\/strong><\/p>\n<p>4. Na voca&ccedil;&atilde;o de Mois&eacute;s est&aacute; claro que Deus considera aqueles descendentes de Abra&atilde;o, hoje escravos no Egipto, o seu Povo, concretiza&ccedil;&atilde;o da promessa feita a Abra&atilde;o. Lembrou-se da promessa e comoveu-se. &ldquo;Deus ouviu os seus gemidos e lembrou-se da sua Alian&ccedil;a com Abra&atilde;o, Isaac e Jacob&rdquo; (Ex. 2,24). No sofrimento e na aventura da sua caminhada na hist&oacute;ria, Israel ser&aacute; o Povo predilecto de Deus. &Eacute; isso que Mois&eacute;s lhes comunica em nome do Senhor: &ldquo;Tu &eacute;s um povo consagrado ao Senhor, teu Deus. Na verdade, o Senhor, teu Deus, escolheu-te para seres para Ele um povo particular entre todos os povos que h&aacute; sobre a face da terra&rdquo; (Deut. 7,6).<\/p>\n<p>Esta convic&ccedil;&atilde;o de que Israel &eacute; o Povo escolhido e amado por Deus, atravessa toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos nossos dias. O Conc&iacute;lio Vaticano II afirmou: &ldquo;Agradou a Deus que os homens n&atilde;o recebessem a santifica&ccedil;&atilde;o e a salva&ccedil;&atilde;o separadamente, fora de qualquer la&ccedil;o comunit&aacute;rio; ao contr&aacute;rio quis formar um Povo que o conheceria na verdade e o serviria na santidade. Foi por isso que escolheu o Povo de Israel, para ser o seu Povo&rdquo; (LG. 9).<\/p>\n<p>N&atilde;o admira, pois, que seja no seio deste Povo que nasce Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o Messias prometido. Ele &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o plena da promessa e a manifesta&ccedil;&atilde;o definitiva da fidelidade de Deus. Na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, inaugurou o homem novo, com a vit&oacute;ria definitiva sobre o individualismo. A unidade do &ldquo;eu colectivo&rdquo;, entre os diversos membros de um mesmo Povo, radicalizou-se em Jesus Cristo. Pela f&eacute; e pelo baptismo, os disc&iacute;pulos unem-se a Jesus Cristo, s&atilde;o um s&oacute; com Ele, s&atilde;o o novo Povo de Deus. Com essa nova unidade em Cristo, os crist&atilde;os s&atilde;o, antes de mais, um Povo, uma comunh&atilde;o, eles s&atilde;o o novo Povo, o Povo do Senhor. Eles s&atilde;o, no dizer do Ap&oacute;stolo Pedro, &ldquo;uma ra&ccedil;a eleita, um sacerd&oacute;cio real, uma na&ccedil;&atilde;o santa, um Povo que Deus adquiriu para Si, os que outrora n&atilde;o eram um Povo, s&atilde;o agora o Povo de Deus&rdquo; (1Pet. 2,9-10).<\/p>\n<p><strong>A uni&atilde;o entre Deus e o seu Povo<\/strong><\/p>\n<p>5. Em toda a Sagrada Escritura, a uni&atilde;o entre Deus e o seu Povo &eacute; vista como umas n&uacute;pcias: Deus &eacute; o esposo do seu Povo. E n&atilde;o se trata apenas de uma compara&ccedil;&atilde;o, a partir da realidade humana das n&uacute;pcias, para sugerir alguma compreens&atilde;o sobre esta uni&atilde;o misteriosa e privilegiada entre Deus e um Povo que escolheu. &Eacute; exactamente o contr&aacute;rio. S&atilde;o as n&uacute;pcias humanas que encontram a sua verdade na realidade misteriosa de Deus, Ele que sendo v&aacute;rios, &eacute; um s&oacute; no amor. J&aacute; vimos que Deus ao criar o homem e a mulher, os criou &agrave; Sua imagem, permitindo-lhe que sem deixarem de ser diferentes, sejam um s&oacute; no amor. &ldquo;E ser&atilde;o dois uma s&oacute; carne&rdquo;. O Verbo encarnado, que desde toda a eternidade &eacute; um s&oacute; com o Pai e o Esp&iacute;rito Santo, na sua humanidade ressuscitada, unindo a Si aqueles que acreditam n&rsquo;Ele, &eacute; um s&oacute; com todos eles, todos os membros da Igreja, que sem deixarem de ser muitos e diferentes, s&atilde;o um s&oacute; com ele, s&atilde;o verdadeiramente uma s&oacute; carne, expressa no corpo eucar&iacute;stico de Cristo. A Carta aos Ef&eacute;sios &eacute; clara a este respeito, ao falar do mist&eacute;rio das n&uacute;pcias crist&atilde;s: &ldquo;Ningu&eacute;m de facto, odiou jamais a pr&oacute;pria carne, antes a nutre e acalenta, como Cristo &agrave; Igreja, pois n&oacute;s somos membros do seu corpo. Por isso o homem deixar&aacute; pai e m&atilde;e, ligar-se-&aacute; &agrave; mulher e passar&atilde;o os dois a ser uma s&oacute; carne. &Eacute; grande este mist&eacute;rio; mas digo-o relativamente a Cristo e &agrave; Igreja&rdquo; (Efs. 5,29-32).<\/p>\n<p><strong>As express&otilde;es da uni&atilde;o de Deus com o Seu Povo<\/strong><\/p>\n<p>6. A Alian&ccedil;a. &Eacute; o pacto de amor e fidelidade para sempre, celebrado entre os esposos. Desde a antiguidade inspirou os pactos entre povos e na&ccedil;&otilde;es, em ordem &agrave; conviv&ecirc;ncia e &agrave; paz, pactos esses que eram ratificados com o pr&oacute;prio sangue. Sem negar a influ&ecirc;ncia que estes pactos entre reis e povos tiveram na compreens&atilde;o vetero-testament&aacute;ria da Alian&ccedil;a de Deus com o Povo de Israel, o seu verdadeiro modelo inspirador &eacute; a alian&ccedil;a nupcial. Perante a dificuldade de Israel se comportar como a &ldquo;esposa fiel&rdquo;, Deus renova continuamente a sua Alian&ccedil;a, at&eacute; &agrave; &uacute;ltima e definitiva, ratificada com o sangue de Cristo. Ao dar o seu corpo a comer e o seu sangue a beber, declara: &ldquo;Isto &eacute; o Meu sangue, sangue de Alian&ccedil;a, que vai ser derramado por uma multid&atilde;o em remiss&atilde;o dos pecados&rdquo; (Mt. 26,28). Esta Alian&ccedil;a, ratificada no sangue de Cristo, &eacute; nova e definitiva, porque Cristo exerce na Alian&ccedil;a o papel do &ldquo;esposo&rdquo; (de Deus) e da esposa (a Igreja). Ele exprime a fidelidade radical de Deus, no seu amor infinito pelos homens. A primeira Alian&ccedil;a falhou, porque a &ldquo;esposa&rdquo; (o Povo de Deus) foi infiel. Nesta nova Alian&ccedil;a, a &ldquo;esposa&rdquo; (a Igreja) ser&aacute; fiel, porque Cristo Homem, membro desse Povo, &eacute; sempre fiel. Mesmo quando os crist&atilde;os s&atilde;o infi&eacute;is, a Igreja ser&aacute; sempre fiel em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>7. A revela&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria intimidade. Numa alian&ccedil;a nupcial os contraentes est&atilde;o dispostos a revelar-se, a abrir e partilhar a sua intimidade. Deus fez isso de modo maravilhoso, revelando-se, partilhando com os membros do Povo, pela sua Palavra, a sua pr&oacute;pria intimidade, o seu pr&oacute;prio ser, os segredos do seu cora&ccedil;&atilde;o, os desejos acerca do Povo. Em Cristo, essa abertura de Deus &eacute; total. Quem o ouve, ouve Deus. A Igreja tem de escutar o Senhor e abrir-lhe o seu cora&ccedil;&atilde;o, deixando-se envolver pelo seu amor e confiar na sua miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p>Desta partilha de intimidade faz parte o desejo de proximidade, de viver em comunh&atilde;o. Qual &eacute; o Povo que pode ufanar-se de ter Deus t&atilde;o pr&oacute;ximo de si como n&oacute;s? &ldquo;V&oacute;s sois o meu Povo e Eu sou o vosso Deus&rdquo;. Esta &eacute; a disposi&ccedil;&atilde;o de Cristo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja: &ldquo;Eu ficarei convosco at&eacute; ao fim&rdquo; (Mt. 28,20); &ldquo;onde dois ou tr&ecirc;s estiverem reunidos em meu nome Eu estarei no meio deles&rdquo; (Mt. 18,20). A Igreja deve cultivar esta intimidade de conviv&ecirc;ncia. Quando cada um de n&oacute;s se deixa envolver por essa intimidade com Cristo, que n&atilde;o viva isso s&oacute; individualmente, mas saiba que est&aacute; a exprimir a Cristo &ldquo;esposo&rdquo; o amor de toda a Igreja, sua &ldquo;esposa&rdquo;. E como a Sagrada Escritura no-lo exprime continuamente, o amor da esposa d&aacute; prioridade &agrave; ternura, &agrave; ousadia do amor, que n&atilde;o &eacute; catalog&aacute;vel em c&oacute;digo de atitudes, mas irrompe de forma ousada ao sabor das circunst&acirc;ncias. Nessa explos&atilde;o de amor a Igreja percebe que o amor de Deus, esposo, &eacute; um amor de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p><strong>A Igreja &eacute; enviada com amor<\/strong><\/p>\n<p>8. Uma das manifesta&ccedil;&otilde;es da intimidade amorosa entre Cristo e a Igreja &eacute; o facto de Ele a associar &agrave; sua miss&atilde;o: anunciar a boa-nova da salva&ccedil;&atilde;o, comunicar a sua Palavra, amar como Ele ama. A Igreja &eacute; enviada com amor. &Eacute; por isso que ela, ao anunciar o Evangelho, a sua primeira palavra &eacute; sempre para falar d&rsquo;Ele, do amor que nos une. Evangelizar &eacute; uma fidelidade de amor. Ao envi&aacute;-la, Cristo manifestou o Seu amor pelos homens. &ldquo;Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura&rdquo; (Mc. 16,15). A Igreja n&atilde;o se limita a anunciar. Ela &eacute; an&uacute;ncio e este &eacute; o preg&atilde;o da alegria que sentimos em ser o Povo do Senhor.<\/p>\n<p>Neste ano em que celebro o meu jubileu sacerdotal, quero manifestar essa alegria de ter procurado viver toda uma vida, amando este Povo como o Senhor o ama, servir a Igreja, Povo do Senhor, tornando-a cada vez mais a esposa adornada com a beleza da salva&ccedil;&atilde;o, para que seja, cada vez mais, a alegria do seu esposo.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 13 de Mar&ccedil;o de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Igreja &eacute; o Povo do Senhor&rdquo; Introdu&ccedil;&atilde;o 1. 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