{"id":50314,"date":"2011-03-09T23:13:01","date_gmt":"2011-03-09T23:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/09\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-2\/"},"modified":"2011-03-09T23:13:01","modified_gmt":"2011-03-09T23:13:01","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas-2\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa de Quarta-Feira de Cinzas"},"content":{"rendered":"<p>A Quaresma \u00e9 uma Peregrina\u00e7\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>1. A Quaresma &eacute; o tempo lit&uacute;rgico que encerra a verdade profunda de toda a vida crist&atilde;: uma caminhada, seguindo Jesus, em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; Jerusal&eacute;m Celeste. Na Quaresma, somos chamados a viver com mais verdade e radicalidade a nossa vida crist&atilde;, em Igreja. Esta &eacute; um povo de peregrinos que sabe que n&atilde;o tem neste mundo morada permanente e definitiva. O Papa Bento XVI ofereceu-nos este ano o 2&ordm; volume de &ldquo;Jesus de Nazar&eacute;&rdquo;. O facto de ser divulgado no in&iacute;cio da Quaresma sugere que este texto nos pode ajudar a caminhar at&eacute; &agrave; P&aacute;scoa da Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Este 2&ordm; volume apresenta-nos a grande caminhada de Jesus, desde a entrada messi&acirc;nica em Jerusal&eacute;m at&eacute; &agrave; Ressurrei&ccedil;&atilde;o e Ascens&atilde;o aos C&eacute;us. &Eacute; a grande &ldquo;passagem&rdquo; em que Cristo, nosso Redentor, convida a humanidade a encetar uma nova caminhada em ordem &agrave; sua liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Aquela entrada em Jerusal&eacute;m &eacute; uma peregrina&ccedil;&atilde;o, prevista na espiritualidade de Israel, em direc&ccedil;&atilde;o ao Templo, morada de Deus e &ldquo;casa de ora&ccedil;&atilde;o para todos os povos&rdquo;. Jesus vem da Galileia a caminho de Jerusal&eacute;m. O grupo dos que O seguem vai engrossando, torna-se multid&atilde;o, cativados pela sua pessoa, miraculados pela sua gra&ccedil;a. Em Jeric&oacute;, o cego Bartimeu, que Jesus curou, juntou-se aos peregrinos (cf. Mc. 10,48-52). 2<\/p>\n<p>&Eacute; essa multid&atilde;o de peregrinos que, &agrave;s portas de Jerusal&eacute;m, O aclama Messias-Rei, aclama&ccedil;&atilde;o que Jesus aceita e esclarece com os textos da Escritura sobre o verdadeiro Messias prometido. Este reconhecimento de Jesus, como o verdadeiro Messias esperado, estar&aacute; depois no centro das acusa&ccedil;&otilde;es durante o processo de Jesus. A Pilatos tem de declarar: &ldquo;O meu Reino n&atilde;o &eacute; deste mundo&rdquo;. Para o perceber &eacute; preciso ser peregrino. Ali&aacute;s, aquela proclama&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica &eacute; fruto da peregrina&ccedil;&atilde;o; foi seguindo Jesus, na subida para Jerusal&eacute;m, que aquela multid&atilde;o O reconheceu na sua verdade messi&acirc;nica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Mas para Jesus, diz o Santo Padre, &ldquo;a meta final desta subida &eacute; a oferta de Si mesmo na Cruz (&hellip;). Esta ascens&atilde;o at&eacute; &agrave; presen&ccedil;a de Deus passa pela Cruz; &eacute; a subida para o amor at&eacute; ao fim (cf. Jo. 13,1) que &eacute; o verdadeiro monte de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>Todos aqueles disc&iacute;pulos que peregrinam com Jesus v&atilde;o viver esses momentos dram&aacute;ticos da Paix&atilde;o do Senhor: alguns fogem, outros desistem, escandalizados com a humilha&ccedil;&atilde;o do seu Messias-Rei. Mas os que foram capazes de seguir Jesus, na sua peregrina&ccedil;&atilde;o pessoal, v&atilde;o ter a surpresa da Ressurrei&ccedil;&atilde;o. E ent&atilde;o, com o ressuscitado, percebem que uma nova peregrina&ccedil;&atilde;o, a seguir Jesus, come&ccedil;a de novo, agora em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; Jerusal&eacute;m Celeste, a &ldquo;nova Jerusal&eacute;m&rdquo;. T&ecirc;m a certeza de que Jesus vai com eles nessa nova peregrina&ccedil;&atilde;o e que todos os povos s&atilde;o agora chamados a engrossar o n&uacute;mero dos peregrinos. Esta nova peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; a Igreja, Povo do Senhor, que Ele acompanha, fortalece e vivifica, com amor infinito, o seu amor redentor, at&eacute; &agrave; Casa do Pai. Ela sabe que, se quer Jesus, n&atilde;o pode evitar a Cruz, e que hoje pode viver com a esperan&ccedil;a da ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A Quaresma &eacute; uma caminhada, em esp&iacute;rito de peregrina&ccedil;&atilde;o, em ordem &agrave; nova Jerusal&eacute;m. Somos chamados, durante ela, a redescobrir a atitude fundamental da vida crist&atilde;. Ponhamo-nos, pois, a caminho.<\/p>\n<p>Aquela &uacute;ltima ida de Jesus para Jerusal&eacute;m, onde celebrar&aacute; a sua P&aacute;scoa, a nova P&aacute;scoa, &eacute; a refer&ecirc;ncia fundadora da nossa peregrina&ccedil;&atilde;o. Mas esta &eacute; fundamentalmente a caminhada a partir da ressurrei&ccedil;&atilde;o, em que os novos disc&iacute;pulos que acreditaram em Jesus ressuscitado resolvem segui-l&rsquo;O, movidos pelo Esp&iacute;rito. &Eacute; a caminhada da Igreja e em Igreja. Esta caminhada tem os elementos essenciais da peregrina&ccedil;&atilde;o de Jesus para Jerusal&eacute;m e do seguimento, por parte dos disc&iacute;pulos, de Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p>&Eacute;, antes de mais, um peregrinar com o Senhor. Em ambos os casos, os peregrinos caminham porque o Senhor vai com eles. Na sua peregrina&ccedil;&atilde;o, a Igreja precisa de acreditar e se poss&iacute;vel sentir que o Senhor ressuscitado vai com ela, caminha com ela. Se a convida a mergulhar na dureza da sua Paix&atilde;o, e a Igreja &eacute; convidada a faz&ecirc;-lo em cada Eucaristia onde aprende a perceber o sentido redentor de todo o sofrimento, guia-a, atrav&eacute;s do Esp&iacute;rito, a fruir, desde j&aacute;, a surpresa da vida nova do ressuscitado. Uma Igreja que caminha no tempo, seguindo Jesus ressuscitado, tem necessariamente os olhos postos em Deus, comunh&atilde;o de amor e na nova Jerusal&eacute;m, &uacute;ltima meta da nossa esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Mas a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o faz-se neste tempo, atrav&eacute;s da complexa realidade humana. N&atilde;o podemos perder os olhos d&rsquo;Ele, pois s&oacute; Ele nos d&aacute; for&ccedil;a para avan&ccedil;ar por entre as dificuldades deste mundo. Porque Ele &eacute; a Palavra eterna, seguimos a Palavra, somos guiados pela Palavra. As express&otilde;es tradicionais da Quaresma s&atilde;o, no fundo, as atitudes do peregrino. Rezam enquanto caminham. Rezam, escutando a Palavra do Senhor que nos sugere, tamb&eacute;m, a nossa pr&oacute;pria resposta. A Quaresma &eacute; um tempo de ora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o de uma ora&ccedil;&atilde;o qualquer, mas uma medita&ccedil;&atilde;o da Palavra, um di&aacute;logo com o Senhor que nos fala. &Eacute; tempo de rezar a Sagrada Escritura. Neste tempo toda a palavra, mesmo a da Igreja, deve fazer-nos mergulhar na Palavra de Deus que sempre nos acompanha.<\/p>\n<p>Depois, &eacute; pr&oacute;prio dos peregrinos levar uma vida simples, na comida, no vestu&aacute;rio, no alojamento. Quem j&aacute; se fez peregrino sabe que &eacute; assim. A simplicidade de vida, de que o jejum &eacute; uma express&atilde;o, ajudar-nos-&aacute; a n&atilde;o fixarmos o nosso cora&ccedil;&atilde;o nas coisas do mundo mas no Senhor que seguimos e na meta do nosso peregrinar. Caminhamos como pobres, como Jesus com os seus disc&iacute;pulos e os pobres aprendem a partilhar. Talvez aqueles com quem partilhamos queiram, como o cego Bartimeu, entrar na peregrina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta simplicidade leva-nos a valorizar as dimens&otilde;es da nossa verdade interior, que s&oacute; Deus conhece, e n&atilde;o a apar&ecirc;ncia vistosa dos crit&eacute;rios deste mundo. Neste processo, vai-se realizando, cada dia mais, a nossa convers&atilde;o interior. &ldquo;Convertei-vos ao Senhor vosso Deus&rdquo; (Joel. 2,12-13), pedia-nos o Profeta Joel. &ldquo;N&oacute;s vos pedimos, em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus&rdquo;(2Cor. 5,20), exortava-nos o Ap&oacute;stolo Paulo. Se caminharmos com o Senhor, purificaremos o nosso cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 9 de Mar&ccedil;o de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quaresma \u00e9 uma Peregrina\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,199,91],"class_list":["post-50314","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-espiritualidade","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50314\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}