{"id":50297,"date":"2011-03-09T12:24:33","date_gmt":"2011-03-09T12:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/09\/mensagem-de-quaresma-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2\/"},"modified":"2011-03-09T12:24:33","modified_gmt":"2011-03-09T12:24:33","slug":"mensagem-de-quaresma-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-quaresma-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-2\/","title":{"rendered":"Mensagem de Quaresma do cardeal-patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sigamos o Senhor a caminho da Nova Jerusal&eacute;m <\/strong><\/p>\n<p>1. O Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para a Quaresma deste ano, diz que a Quaresma &eacute; &ldquo;tempo lit&uacute;rgico muito precioso e importante (&hellip;) Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na P&aacute;scoa eterna, a comunidade eclesial, ass&iacute;dua na ora&ccedil;&atilde;o e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purifica&ccedil;&atilde;o no esp&iacute;rito, para aurir com mais abund&acirc;ncia do mist&eacute;rio da reden&ccedil;&atilde;o, a vida nova em Cristo Senhor&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta primeira Quaresma depois da visita do Santo Padre &agrave; Igreja de Lisboa, vivamo-la em comunh&atilde;o com ele, guiados pela sua palavra. Antes de mais, por esta sua Mensagem para a Quaresma, que nos ajuda a percorrer o caminho proposto pela Liturgia, para a viv&ecirc;ncia actualizada do nosso baptismo; depois, a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Post-Sinodal &ldquo;Verbum Domini&rdquo; que nos ensina a escutar a Palavra que o Senhor dirige hoje &agrave; sua Igreja. Na nossa caminhada, continuamos guiados pela sua Palavra; e, finalmente, o segundo volume da sua obra &ldquo;Jesus de Nazar&eacute;&rdquo;, que por vontade do Papa, ser&aacute; apresentado pelos Bispos &agrave;s suas Igrejas diocesanas, antes do primeiro Domingo da Quaresma. Esta orienta&ccedil;&atilde;o encerra uma proposta: que todos os que puderem se apoiem na sua leitura, para a caminhada quaresmal deste ano, at&eacute; &agrave; P&aacute;scoa. De facto, neste 2&ordm; volume, Bento XVI apresenta-nos a caminhada do Jesus real, desde a sua entrada em Jerusal&eacute;m at&eacute; &agrave; ressurrei&ccedil;&atilde;o. Quem O aclama como Messias, na sua entrada em Jerusal&eacute;m, n&atilde;o s&atilde;o os habitantes da cidade, mas os peregrinos que se juntam a Ele, a caminho da Cidade Santa. Este grupo de disc&iacute;pulos e simpatizantes, que a pouco e pouco se v&atilde;o tornando multid&atilde;o, anunciam um outro povo de peregrinos que, depois da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, O h&atilde;o-de seguir como disc&iacute;pulos. Esta segunda peregrina&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou, para cada um de n&oacute;s, no nosso baptismo. A <strong>Mensagem <\/strong>do Papa di-lo: &ldquo;esta mesma vida j&aacute; nos foi transmitida no dia do nosso baptismo, quando, tendo-nos tornado participantes da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, iniciou para n&oacute;s a aventura jubilosa e exaltante do disc&iacute;pulo&rdquo;. &Eacute; neste segundo povo de peregrinos que a Igreja se insere de cada vez que celebra a P&aacute;scoa. Estes dois grupos de seguidores de Jesus n&atilde;o se excluem mutuamente, mas fundem-se um no outro. Se &eacute; verdade que a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou na ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor, em que participamos pelo baptismo, &eacute; tamb&eacute;m verdade que somos chamados a viver como o primeiro grupo de peregrinos, a dureza da Cruz, a tristeza da nega&ccedil;&atilde;o e do abandono, a dificuldade de continuar a ser disc&iacute;pulo, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo de Deus. Porque estes dois grupos s&atilde;o um s&oacute;, continuamos a consider&aacute;-los como caminheiros connosco, &agrave; procura da vida, os que desanimaram, os que ainda n&atilde;o deram o salto da f&eacute; no ressuscitado, os que ainda n&atilde;o perceberam o horizonte da eternidade e continuam demasiadamente voltados para as realidades do mundo, mesmo aqueles que negaram o Senhor. Todos, somos um &uacute;nico Povo de peregrinos a caminho da nova Jerusal&eacute;m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conduzidos pela Palavra <\/strong><\/p>\n<p>2. Tomemos a s&eacute;rio a palavra do Papa: &ldquo;para empreender seriamente o caminho rumo &agrave; P&aacute;scoa, o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus?&rdquo; E ele pr&oacute;prio sugere como: meditar a Palavra da Liturgia nos cinco domingos da Quaresma deste ano.<\/p>\n<p>Temos uma abund&acirc;ncia de meios para nos conduzir nesta escuta da Palavra. &Eacute; preciso acolh&ecirc;-la como Palavra do Senhor, dita agora, a toda a Igreja, seu Povo, e a cada um de n&oacute;s. Os P&aacute;rocos e seus colaboradores s&atilde;o chamados a garantir que a Palavra de Deus seja realmente proclamada. Que por defeito da ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica, ningu&eacute;m fique sem ser interpelado pela Palavra viva do Senhor.<\/p>\n<p>Procuremos na Palavra de Deus o sentido e a for&ccedil;a para as express&otilde;es tradicionais da caminhada quaresmal: o jejum, a esmola, a ora&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A Quaresma educa para viver de modo mais radical o amor de Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>O jejum <\/strong>&ldquo;ajuda-nos a superar o ego&iacute;smo para viver na l&oacute;gica da doa&ccedil;&atilde;o e do amor&rdquo;. Tamb&eacute;m a <strong>esmola<\/strong>, acentuando a beleza da partilha, ajuda-nos a vencer a tenta&ccedil;&atilde;o da avidez das coisas materiais e a dar mais lugar ao amor. Vivamos estas pr&aacute;ticas assumindo a exig&ecirc;ncia da partilha no momento particularmente dif&iacute;cil da nossa sociedade. A nossa Diocese continuar&aacute; fiel &agrave; j&aacute; longa tradi&ccedil;&atilde;o da <em>&ldquo;Ren&uacute;ncia Quaresmal&rdquo;<\/em>, que destinaremos, mais uma vez, &agrave; ajuda da Igreja de Lisboa a outras Igrejas mais pobres e a necessidades particularmente gritantes no seio da nossa Igreja diocesana. No momento em que um sacerdote de Lisboa, o P. Ildo Augusto dos Santos Fortes, foi nomeado Bispo da Diocese do Mindelo, em Cabo-Verde, as necessidades dessa Igreja ter&atilde;o um lugar privilegiado no nosso cora&ccedil;&atilde;o e na nossa generosidade.<\/p>\n<p><strong>A ora&ccedil;&atilde;o<\/strong>: rezemos, escutando a Palavra do Senhor. Escutemos o Santo Padre: &ldquo;em todo o per&iacute;odo quaresmal, a Igreja oferece-nos, com particular abund&acirc;ncia, a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstitu&iacute;vel de ora&ccedil;&atilde;o, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso cora&ccedil;&atilde;o, alimenta o caminho de f&eacute; que inici&aacute;mos no dia do baptismo&rdquo;.<\/p>\n<p>Desafio as nossas comunidades a intensificarem a ora&ccedil;&atilde;o, a partir da Palavra de Deus. Para os sacerdotes, pastores da nossa Igreja, esta &eacute; uma prioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O desafio da santidade <\/strong><\/p>\n<p>3. Seguir Jesus, na radicalidade da sua P&aacute;scoa, leva a assumir e a cultivar o desejo de santidade. O ideal da santidade atravessa toda a caminhada hist&oacute;rica do Povo de Deus. E o amor de Deus, tornado mais pr&oacute;ximo de n&oacute;s no amor de Jesus Cristo, &eacute; a sua fonte inspiradora. Quem se sente amado com a ternura transformadora de Deus, deseja amar como Deus ama, retribuir a Deus o seu amor e amar os irm&atilde;os como Deus os ama. O pr&oacute;prio Deus desafia o seu Povo a este grau radical da santidade: &ldquo;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo&rdquo; (Lev. 19.2). Aqueles que, na sua vida, deram o testemunho vivo desta radicalidade do amor, a quem por isso chamamos &ldquo;santos&rdquo;, s&atilde;o para n&oacute;s um modelo e um est&iacute;mulo. Todos podemos ser santos.<\/p>\n<p>Este ano temos a alegria de celebrar, em Lisboa, a beatifica&ccedil;&atilde;o de uma crist&atilde;, nascida na Amadora: Lib&acirc;nia do Carmo Galv&atilde;o Mexia de Moura Telles e Albuquerque, que em religi&atilde;o tomou o nome de <strong>Maria Clara do Menino Jesus<\/strong>. A sua radicalidade de amor &eacute; uma resposta vivida a situa&ccedil;&otilde;es concretas da nossa sociedade de ent&atilde;o, a Lisboa de finais do s&eacute;c. XIX, repleta de pobres e marginalizados. O seu ideal &eacute; n&atilde;o s&oacute; mitigar-lhes o sofrimento mas restituir-lhes a dignidade de pessoas amadas por Deus. Nos pobres ela encontra Deus, pois s&oacute; a Deus devemos amar. &ldquo;Amemos a Deus e s&oacute; a Deus&rdquo;, escrevia ela &agrave;s suas irm&atilde;s. Cristo &eacute; a fonte do seu amor. &ldquo;Queria que a presen&ccedil;a humilde e cont&iacute;nua de Cristo no Tabern&aacute;culo despertasse em cada cora&ccedil;&atilde;o o sentimento de louvor e de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as que Lhe &eacute; devido; e que a mera presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que fica connosco fosse configurando a vida em hospitalidade, &agrave; imagem de Deus-Amor, sempre disposto a acolher aqueles que O buscam e d&rsquo;Ele se aproximam&rdquo;. A fonte do seu amor &eacute; Jesus Cristo, o alvo do seu amor s&atilde;o os pobres, que ama com o amor de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Depressa comunicou este amor a outras jovens e fundou a Congrega&ccedil;&atilde;o das <strong>Franciscanas Hospitaleiras do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o<\/strong>, hoje presentes em 14 pa&iacute;ses. &Eacute; que o seu lema era &ldquo;onde houver o bem a fazer, que se fa&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao beatific&aacute;-la, a Igreja prop&otilde;e-no-la como modelo. Porque nasceu na nossa Cidade &ndash; a Quinta do Bosque da Amadora (hoje Falagueira), pertencia, nessa altura, &agrave; Par&oacute;quia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica &ndash; ela convida a Igreja de Lisboa a caminhar na santidade. Festa da Congrega&ccedil;&atilde;o que fundou, ela &eacute; tamb&eacute;m festa de toda a Igreja de Lisboa.<\/p>\n<p>A Beatifica&ccedil;&atilde;o ter&aacute; lugar no dia 21 de Maio, no Est&aacute;dio do Restelo e ser&aacute; anunciada por um representante do Santo Padre, o Cardeal Angelo Amato. Outros elementos e informa&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o sendo divulgados, quer pela Congrega&ccedil;&atilde;o que a tem como fundadora, quer pela Comiss&atilde;o para o efeito constitu&iacute;da, com membros da Congrega&ccedil;&atilde;o e representantes do Patriarcado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ardor da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>4. Este ardor de Madre Clara &eacute; aquele &ldquo;novo ardor&rdquo; de que falava o Papa Jo&atilde;o Paulo II ao desafiar a Igreja para uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Na linha da minha &uacute;ltima Carta Pastoral, estamos todos a tentar despertar na nossa Igreja de Lisboa este ardor de uma &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&rdquo;. A nossa P&aacute;scoa ser&aacute; incompleta se n&atilde;o aceitarmos o envio do ressuscitado: ide por todo o mundo e de todas as na&ccedil;&otilde;es fazei disc&iacute;pulos (cf. Mt. 28,19).<\/p>\n<p>A Igreja de Lisboa quis, durante este ano, dar relevo ao meu Jubileu Sacerdotal (cinquenta anos de sacerd&oacute;cio). Estou-lhe grato por isso e tenho apenas um desejo: que o meu sacerd&oacute;cio continue a ser, apesar dos meus limites, um foco irradiador do amor de Jesus Cristo, e que esta celebra&ccedil;&atilde;o jubilar, mais do que uma homenagem pessoal, seja este abrir-se da Igreja de Lisboa ao &ldquo;ardor&rdquo; de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Lisboa, 22 de Fevereiro de 2011, Festa da Cadeira de S&atilde;o Pedro, Ap&oacute;stolo<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sigamos o Senhor a caminho da Nova Jerusal&eacute;m 1. 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