{"id":50294,"date":"2011-03-09T12:13:28","date_gmt":"2011-03-09T12:13:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/09\/homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-ordenacao-de-um-diacono\/"},"modified":"2011-03-09T12:13:28","modified_gmt":"2011-03-09T12:13:28","slug":"homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-ordenacao-de-um-diacono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-ordenacao-de-um-diacono\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Portalegre-Castelo Branco na ordena\u00e7\u00e3o de um di\u00e1cono"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;As palavras que eu vos digo, gravai-as no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa alma, atai-as &agrave; m&atilde;o como um sinal e sejam como um frontal entre os vossos olhos&rdquo; diz-nos Mois&eacute;s na primeira leitura de hoje, fazendo-nos perceber que, perante a duplicidade dos caminhos que poderemos seguir, s&oacute; o caminho da fidelidade &agrave; Lei de Deus, por pensamentos e obras, nos conduzir&aacute; &agrave; verdadeira felicidade. S&oacute; Deus &eacute; o nosso ref&uacute;gio, a nossa salva&ccedil;&atilde;o, a nossa for&ccedil;a. S&oacute; Deus nos salva pela sua bondade, nos encoraja, nos anima e liberta, cant&aacute;mos com o Salmista.<\/p>\n<p>O Autor da Carta aos Romanos, por sua vez, ajuda-nos a reflectir sobre a gratuidade da salva&ccedil;&atilde;o que &eacute; fruto da iniciativa amorosa de Deus e nos foi dada atrav&eacute;s do sacrif&iacute;cio volunt&aacute;rio de Jesus Cristo, como Dom. Dom que exige a colabora&ccedil;&atilde;o humana e a fidelidade &Agrave;quele que nos justificou tornando-nos capazes de escolher e praticar o bem. N&atilde;o &eacute; pela grandeza e for&ccedil;a das nossas obras que podemos ceder &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de reivindicar a salva&ccedil;&atilde;o. A salva&ccedil;&atilde;o &eacute; gratuita. &Eacute; iniciativa de Deus. Somos justificados pela f&eacute;. F&eacute; que &eacute; dom de Deus e nos leva a optar pelo bem, colaborando com a gra&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>Se n&atilde;o s&atilde;o, por&eacute;m, as obras que nos salvam, a salva&ccedil;&atilde;o implica a colabora&ccedil;&atilde;o de cada um de n&oacute;s, a nossa convers&atilde;o e o seguimento de Jesus Cristo. N&atilde;o &eacute; aquele que diz: &ldquo;Senhor, Senhor&rdquo;, que entrar&aacute; no Reino dos C&eacute;us, mas aquele que faz a vontade do Pai que est&aacute; nos C&eacute;us (Ev). Por este sinal vos h&atilde;o-de conhecer: &ldquo;Se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei&hellip;&rdquo;, disse-nos Cristo. A neutralidade perante Deus, o pr&oacute;ximo e o mundo, &eacute; incompat&iacute;vel com o Evangelho e com as exig&ecirc;ncias da santidade e da salva&ccedil;&atilde;o. As boas obras, &ldquo;n&atilde;o precedendo a justifica&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia&rdquo; necess&aacute;ria. Deus decidiu &ldquo;justificar&rdquo; o homem, isto &eacute;, deu-lhe um cora&ccedil;&atilde;o novo, a capacidade de amar e de fazer o bem, de construir sobre a rocha para resistir &agrave;s tempestades da vida. Deu-lhe a capacidade de arrepiar caminho quando este come&ccedil;a a conduzir a becos sem sa&iacute;da, a fazer perder o entusiasmo da primeira hora, a banalizar a vida de intimidade com o Senhor. Deu-lhe a aptid&atilde;o necess&aacute;ria para n&atilde;o se deixar embrulhar num ego&iacute;smo desastroso e arrogante que recusa ouvir os alertas da consci&ecirc;ncia, dos amigos e outros, e o poder&aacute; fazer desmoronar como casa sobre a areia.<\/p>\n<p>Se formos fi&eacute;is, intuiremos com mais facilidade o que o Senhor nos pede em cada momento da nossa vida. Permaneceremos interiormente livres para dizer n&atilde;o ao que nos destr&oacute;i. Centralizaremos a nossa vida no que &eacute; essencial. Continuaremos a sentir a alegria de viver na fidelidade &agrave;s nossas op&ccedil;&otilde;es existenciais, fundamentais e estruturantes, deixando-nos de pessimismos in&uacute;teis, de leviandades persistentes e duradoiras que podem, de momento, parecer atractivas e realizadoras, mas, a breve prazo, s&oacute; arrastam sofrimento, divis&otilde;es interiores, infidelidades e abandono do bom e do bem.<\/p>\n<p>Caros Fi&eacute;is, esta celebra&ccedil;&atilde;o fala por si, n&atilde;o requer muitas palavras. &Eacute; catequ&eacute;tica e interpelativa. Quero, no entanto, recordar-vos o que o Pontifical Romano de Ordena&ccedil;&atilde;o nos sugere dizer neste momento em que Nuno Miguel Lopes da Silva vai entrar na Ordem dos Di&aacute;conos, para melhor ponderarmos o grau do minist&eacute;rio a que ele &eacute; elevado.<\/p>\n<p>O Di&aacute;cono, fortalecido com os dons do Esp&iacute;rito Santo, tem por miss&atilde;o ajudar o Bispo e o seu presbit&eacute;rio no servi&ccedil;o da palavra, do altar e da caridade, mostrando-se como servo de todos. Ministro do Altar, proclama o Evangelho, prepara o sacrif&iacute;cio e distribui aos fi&eacute;is o Corpo e o Sangue do Senhor.<\/p>\n<p>Segundo o mandato do Bispo, pertence-lhe exortar e formar na doutrina sagrada os n&atilde;o crentes e os crentes, presidir &agrave;s ora&ccedil;&otilde;es, celebrar o baptismo, assistir ao matrim&oacute;nio e aben&ccedil;o&aacute;-lo, levar o vi&aacute;tico aos moribundos e presidir aos ritos das ex&eacute;quias.<\/p>\n<p>Consagrado pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, gesto que vem desde os Ap&oacute;stolos, e vinculado mais estreitamente ao altar, exercer&aacute; o minist&eacute;rio da caridade em nome do Bispo ou do P&aacute;roco.<\/p>\n<p>Com a ajuda de Deus, deve em tudo comportar-se de tal modo que sempre nele se reconhe&ccedil;a um verdadeiro disc&iacute;pulo de Cristo, que n&atilde;o veio para ser servido mas para servir.<\/p>\n<p>E tu, caro Nuno, que vais entrar na Ordem dos Di&aacute;conos, v&ecirc; o exemplo que o Senhor te deixou, para que, como Ele procedeu, assim procedas tu tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>Na tua condi&ccedil;&atilde;o de Di&aacute;cono, ou seja, de ministro de Jesus Cristo que no meio dos seus disc&iacute;pulos Se apresentou como servo, procura de todo o cora&ccedil;&atilde;o fazer com amor a vontade de Deus, e servindo ao Senhor, serve tamb&eacute;m aos homens com alegria. E como sabes que ningu&eacute;m pode servir a dois senhores, considera toda a impureza e o apego ao dinheiro como servid&atilde;o e idolatria e procura construir sobre a rocha, com amor e alegria (PR).<\/p>\n<p>Recordas, com certeza, o que o Santo Padre Bento XVI dizia na Carta que dirigiu aos Seminaristas, em 18 de Outubro de 2010. Afirmava ele: &ldquo;Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um &laquo;homem de Deus&raquo;, como o apresenta S&atilde;o Paulo (<em>1 Tm <\/em>6, 11). Para n&oacute;s, Deus n&atilde;o &eacute; uma hip&oacute;tese remota, n&atilde;o &eacute; um desconhecido que se retirou depois do &laquo;big-bang&raquo;. Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o pr&oacute;prio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerd&oacute;cio e ao longo de toda a vida sacerdotal &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote n&atilde;o &eacute; o administrador de uma associa&ccedil;&atilde;o qualquer, cujo n&uacute;mero de membros se procura manter e aumentar. &Eacute; o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus e assim fazer crescer tamb&eacute;m a verdadeira comunh&atilde;o dos homens entre si&hellip;&rdquo;.<\/p>\n<p>Caro Nuno, s&oacute; d&aacute; quem tem para dar. Pede ao Senhor aquela Sabedoria que o Rei Salom&atilde;o tamb&eacute;m pedia para saber conduzir o seu povo. Salom&atilde;o n&atilde;o ousou pedir riqueza: pediu sabedoria para bem governar o seu povo.<\/p>\n<p>Como disc&iacute;pulo de Cristo, chamado para &ldquo;estar com Ele&rdquo;, procura ser disciplinado contigo mesmo, vivendo sempre em fidelidade e sendo seu mensageiro.<\/p>\n<p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de S. Miguel, patrono desta S&eacute; e Par&oacute;quia, quando, porventura, se travar o combate entre a tua pessoa e aquilo que o mundo te quer aliciantemente oferecer, s&ecirc; capaz de reafirmar para ti mesmo: &ldquo;Quem como Deus?&rdquo;.<\/p>\n<p>Damos gra&ccedil;as a Deus por esta hora. Hora feliz para ti e feliz para todos n&oacute;s, Igreja Diocesana.<\/p>\n<p>S. Miguel da S&eacute; &#8211; Castelo Branco, 6 de Mar&ccedil;o de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;As palavras que eu vos digo, gravai-as no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa alma, atai-as &agrave; m&atilde;o como um sinal e sejam como um frontal entre os vossos olhos&rdquo; diz-nos Mois&eacute;s na primeira leitura de hoje, fazendo-nos perceber que, perante a duplicidade dos caminhos que poderemos seguir, s&oacute; o caminho da fidelidade &agrave; Lei de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,179],"class_list":["post-50294","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50294\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}