{"id":50285,"date":"2011-03-08T11:12:04","date_gmt":"2011-03-08T11:12:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/03\/08\/opiniao-jesus-e-as-mulheres\/"},"modified":"2011-03-08T11:12:04","modified_gmt":"2011-03-08T11:12:04","slug":"opiniao-jesus-e-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/opiniao-jesus-e-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Jesus e as mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Isabel Varanda, Faculdade de Teologia da UCP <!--more--> <\/p>\n<p>Visitando a galeria de retratos das mulheres do Novo Testamento, a&iacute; encontramos Jesus. Cada retrato conta a hist&oacute;ria de uma rela&ccedil;&atilde;o.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>No Evangelho de Marcos, o corpo de Jesus recebe uma aten&ccedil;&atilde;o especial. Uma mulher derrama um perfume precioso sobre a sua cabe&ccedil;a. (Mc 14,9). O gesto da mulher de Bet&acirc;nia, lido pelos presentes num registo utilit&aacute;rio e &ldquo;calculista&rdquo;, provoca irrita&ccedil;&atilde;o pela aud&aacute;cia e pelo desperd&iacute;cio. Jesus, ao contr&aacute;rio, acolhe e louva, com doce emo&ccedil;&atilde;o, a generosa gratuidade do gesto; deixa-se tocar no seu corpo e n&atilde;o permite que o gesto de sublime afei&ccedil;&atilde;o da mulher seja lido num registo banal.<\/p>\n<p>Marta e Maria, duas irm&atilde;s (Lc 10,38-40a). Marta atarefa-se no acolhimento a Jesus, enquanto Maria contempla e escuta. Marta cumpre os deveres da hospitalidade, enquanto Maria assume uma atitude surpreendente e inusual, caracter&iacute;stica do <em>disc&iacute;pulo<\/em>: sentada aos p&eacute;s do mestre, <em>escutando<\/em> com aten&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute;, certamente, conhecedora das obriga&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas, mas na sua rela&ccedil;&atilde;o com Jesus prevalece a atitude de disc&iacute;pula: &agrave; <em>escuta<\/em> da palavra do mestre. Jesus aprecia o servi&ccedil;o hospitaleiro de Marta &ndash; que encarna o papel exigido &agrave;s mulheres judias na &eacute;poca &ndash;, mas louva a atitude de Maria, que se distancia do padr&atilde;o de comportamento expect&aacute;vel.<\/p>\n<p>Conta S. Jo&atilde;o que levaram junto de Jesus uma mulher apanhada em adult&eacute;rio (Jo 8,3-6). S&oacute; a mulher &eacute; acusada. Ao homem &ndash; deveria ter havido pelo menos um &ndash; n&atilde;o &eacute; feita qualquer refer&ecirc;ncia. Esta era a sensibilidade da &eacute;poca. Jesus n&atilde;o vai entrar no jogo dos homens que acusam a mulher ad&uacute;ltera; ele n&atilde;o &eacute; um juiz ou um zelador da moral e dos bons costumes. Diante de t&atilde;o grave situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &ldquo;fala de alto&rdquo;, nem toma partido. Com uma surpreendente pedagogia, inclina-se, escrevendo na terra com o dedo. Deixa aos presentes a iniciativa na condena&ccedil;&atilde;o e no castigo; <em>aquele que nunca pecou&hellip; atire a primeira pedra<\/em>. Os acusadores partiram; ficou Jesus e a mulher. Jesus n&atilde;o vira as costas &agrave; &ldquo;pecadora&rdquo;; fala com ela, devolvendo-lhe o direito &agrave; palavra, libertando-a do estatuto de mero &ldquo;objecto de acusa&ccedil;&atilde;o&rdquo; a que os escribas e os fariseus a haviam reduzido. Jesus n&atilde;o a condena, antes lhe aponta um futuro de vida nova ainda poss&iacute;vel: &ldquo;Vai&rdquo;. Aquele lugar de condena&ccedil;&atilde;o transformou-se em lugar de liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De S. Lucas recebemos a informa&ccedil;&atilde;o de que os Doze e tamb&eacute;m algumas mulheres &ndash; Maria Madalena, Joana e Susana &ndash; acompanhavam Jesus atrav&eacute;s das cidades e dos povoados (Lc 8,1-3). Esta refer&ecirc;ncia &agrave;s mulheres que acompanham Jesus &eacute; bem representativa da Sua &ldquo;surpreendente liberdade&rdquo;, que rompe claramente com o que na &eacute;poca seria admitido, do ponto de vista social e religioso. As mulheres n&atilde;o haviam sido explicitamente chamadas a seguir o Mestre, como o foram os Doze. Mas elas est&atilde;o l&aacute;: caminheiras, pr&oacute;ximas, olhadas, escutadas, consideradas, acolhidas, tratadas com respeito e afei&ccedil;&atilde;o. Est&atilde;o l&aacute;, at&eacute; &agrave; cruz.<\/p>\n<p>Maria Madalena, aquela que na Idade M&eacute;dia vai ser chamada <em>ap&oacute;stola dos ap&oacute;stolos<\/em>, ser&aacute; a primeira a visitar o t&uacute;mulo do seu Senhor morto; mas, Ele n&atilde;o est&aacute; l&aacute;; ressuscitou e apareceu-lhe. O ressuscitado &ldquo;envia-a em miss&atilde;o&rdquo;: contar aos disc&iacute;pulos que o Mestre est&aacute; vivo. Eis uma mulher, Maria Madalena, <em>l&aacute;<\/em>, primeira nos alvores da f&eacute; crist&atilde;, precedida apenas por Maria, a mulher de Nazar&eacute;, no seio de quem, Jesus, o Filho de Deus, foi gerado homem.<\/p>\n<p>Maria &ndash; presen&ccedil;a discreta, &iacute;cone da disponibilidade e do dom &ndash; gera um filho para o mundo. O Filho doa a sua m&atilde;e ao mundo. No seu calv&aacute;rio, envia-a em miss&atilde;o: ser m&atilde;e do mundo. Maria, m&atilde;e de Jesus e m&atilde;e nossa. Maria, primeira disc&iacute;pula de Jesus. M&atilde;e, disc&iacute;pula do Filho at&eacute; &agrave; cruz, onde, m&atilde;e do Filho, se torna m&atilde;e da Igreja e disc&iacute;pula na Igreja.<\/p>\n<p>As mulheres <em>de<\/em> Jesus n&atilde;o s&atilde;o as <em>suas<\/em> mulheres; a nenhuma ret&eacute;m; nenhuma ignora; com nenhuma se prende; a todas ama; para todas tem uma palavra que cura, que salva, que liberta, que perdoa, que lhes reconhece o direito &agrave; palavra; a todas acolhe: nos gestos extravagantes da mulher de Bet&acirc;nia, na humilha&ccedil;&atilde;o da mulher ad&uacute;ltera, na az&aacute;fama de Marta, na escuta atenta de Maria, no amor possessivo de Maria Madalena e no amor oblativo de Maria, Sua m&atilde;e.<\/p>\n<p>Hoje, como ontem, que mulher resistiria ao encanto todo humano e todo divino de um tal Jesus Cristo?<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Isabel Varanda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Varanda, Faculdade de Teologia da UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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