{"id":50121,"date":"2011-02-23T17:02:37","date_gmt":"2011-02-23T17:02:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/23\/igreja-republica-a-revolta-dos-bispos\/"},"modified":"2011-02-23T17:02:37","modified_gmt":"2011-02-23T17:02:37","slug":"igreja-republica-a-revolta-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-republica-a-revolta-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Igreja\/Rep\u00fablica: A \u00abrevolta\u00bb dos bispos"},"content":{"rendered":"<p>Documento, divulgado em finais de Fevereiro de 1911, contestava medidas \u00abanticat\u00f3licas\u00bb e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas <!--more--> <\/p>\n<p>Lisboa, 23 Fev (Ecclesia) &ndash; Os bispos cat&oacute;licos de Portugal escolheram o final de Fevereiro de 1911 para reagir &agrave;s medidas tomadas desde a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, a 5 de Outubro do ano anterior, que consideravam de &ldquo;fei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; acat&oacute;lica, mas anticat&oacute;lica&rdquo;.<\/p>\n<p>A &laquo;Pastoral Collectiva&raquo; do episcopado (na altura ainda n&atilde;o existia Confer&ecirc;ncia Episcopal) tinha data de 24 de Dezembro de 1910, mas s&oacute; a 22 de Fevereiro de 1911 os bispos se decidiram pela sua leitura p&uacute;blica, nas missas dos domingos seguintes, sem pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o do Governo, o que acabou por ser impedido, em muitos casos, pelo poder civil.<\/p>\n<p>No documento, os bispos assinalam, em tom cr&iacute;tico, que o novo regime &ldquo;proscreveu a Companhia de Jesus e extinguiu todas as demais ordens e consagra&ccedil;&otilde;es religiosas&rdquo; aboliu o &ldquo;juramento religioso&rdquo;, suprimiu &ldquo;a observ&acirc;ncia de muitos dias santos de preceito&rdquo; e &ldquo;proibiu o ensino da doutrina crist&atilde;&rdquo; nas escolas oficiais &#8211; suprimindo ainda a Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra &#8211; e facultou o div&oacute;rcio.<\/p>\n<p>&ldquo;Como complemento e remate desta obra de hostilidade ao Catolicismo, vir&aacute;, talvez, &#8211; como muito &eacute; de recear, &#8211; vibrar-lhe mais fundo e dilacerante golpe a anunciada lei da separa&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a Igreja&rdquo;, alertavam, ent&atilde;o, o patriarca de Lisboa, os arcebispos e bispos &ldquo;do Continente de Portugal&rdquo;.<\/p>\n<p>A carta foi redigida na sua forma definitiva por D. Augusto Eduardo Nunes (1849-1920), arcebispo de &Eacute;vora, mas o Governo Provis&oacute;rio procurou evitar a sua divulga&ccedil;&atilde;o recorrendo &agrave; n&atilde;o concess&atilde;o do tradicional benepl&aacute;cito.<\/p>\n<p>O bispo do Porto, D. Ant&oacute;nio Barroso (1854-1918), acabaria por ser destitu&iacute;do das suas fun&ccedil;&otilde;es por n&atilde;o ter acatado esta decis&atilde;o governamental.<\/p>\n<p>&ldquo;O Catolicismo n&atilde;o &eacute; s&oacute; repelido, como importuno estorvo &agrave; marcha das gera&ccedil;&otilde;es novas em demanda dos novos ideais: &eacute; vexado, &eacute; perseguido; e de futuro, segundo a f&aacute;cil previs&atilde;o que os acontecimentos autorizam, ir&aacute; recrudescendo a persegui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pode ler-se na Pastoral Colectiva.<\/p>\n<p>O texto refere a exist&ecirc;ncia de 5,41 milh&otilde;es de cat&oacute;licos em 5,42 milh&otilde;es de habitantes, partindo do censo de 1900 como justifica&ccedil;&atilde;o para a recusa de quaisquer medidas laicizadoras.<\/p>\n<p>Esta pastoral foi, segundo o historiador Ant&oacute;nio Matos Ferreira, &ldquo;um protesto formal &agrave;s medidas do Governo&rdquo;, onde os bispos &ldquo;reiteram o respeito pelo novo regime institu&iacute;do&rdquo;, mas informam que &ldquo;os cat&oacute;licos n&atilde;o podiam cooperar com quem hostilizasse o catolicismo&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Apelam ainda ao compromisso dos cat&oacute;licos no favorecimento da causa da Igreja, e pedem um empenhamento de esfor&ccedil;os na remo&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o contra a causa da religi&atilde;o&rdquo;, escreve o especialista do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da UCP, na edi&ccedil;&atilde;o especial com que a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA assinalou o Centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>As medidas anticlericais tomadas pelo Governo Provis&oacute;rio viriam a agudizar-se com a publica&ccedil;&atilde;o da Lei da Separa&ccedil;&atilde;o, a 20 de Abril de 1911.<\/p>\n<p>D. Manuel Clemente, bispo do Porto e historiador, lembrou, em confer&ecirc;ncia proferida na &uacute;ltima semana, que a Igreja apresentou &ldquo;resist&ecirc;ncia&rdquo; perante este novo enquadramento legal da religi&atilde;o organizada, &ldquo;com as consequentes desaven&ccedil;as entre o Governo e o Episcopado&rdquo;.<\/p>\n<p>Em Maio de 1911, seria o Papa Pio X a assinar a enc&iacute;clica &laquo;Iandundum&raquo;, na qual condenava a &ldquo;inacredit&aacute;vel s&eacute;rie de excessos e crimes que foram levados a cabo em Portugal, para opress&atilde;o da Igreja&rdquo;.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento, divulgado em finais de Fevereiro de 1911, contestava medidas \u00abanticat\u00f3licas\u00bb e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es 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