{"id":50088,"date":"2011-02-22T10:57:08","date_gmt":"2011-02-22T10:57:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/22\/liberdade-de-aprender-e-ensinar\/"},"modified":"2011-02-22T10:57:08","modified_gmt":"2011-02-22T10:57:08","slug":"liberdade-de-aprender-e-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/liberdade-de-aprender-e-ensinar\/","title":{"rendered":"Liberdade de aprender e ensinar"},"content":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins <!--more--> <\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\">A Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa reconhece n&atilde;o s&oacute; o direito de aprender e ensinar, mas tamb&eacute;m o direito &agrave; funda&ccedil;&atilde;o de escolas particulares e cooperativas. Assim, a liberdade de ensino constitui um direito pessoal de todos aplic&aacute;vel universalmente em toda a rede de educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o, que assim se constitui em &ldquo;rede de servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Servi&ccedil;o p&uacute;blico n&atilde;o se confunde com &ldquo;servi&ccedil;o estatal&rdquo;, havendo obriga&ccedil;&otilde;es comuns para o Estado e para a iniciativa particular e cooperativa &ndash; em especial ligadas ao desenvolvimento de uma sociedade democr&aacute;tica, baseada na dignidade da pessoa humana, na soberania popular, no pluralismo de express&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e no respeito e garantia da efectiva&ccedil;&atilde;o dos direitos e liberdades fundamentais.<\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">A &ldquo;liberdade de aprender e ensinar&rdquo; exige que o Estado n&atilde;o tenha o monop&oacute;lio do &ldquo;servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, sem preju&iacute;zo de ter especiais responsabilidades, designadamente quanto &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o da &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o para todos&rdquo;. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; meramente nominalista, mas substantiva. Se a iniciativa privada e a liberdade de ac&ccedil;&atilde;o est&atilde;o consagradas como regra na vida econ&oacute;mica e social, n&atilde;o faria sentido uma interpreta&ccedil;&atilde;o limitativa sobre o papel da iniciativa particular no campo da Educa&ccedil;&atilde;o. Nas &ldquo;especiais responsabilidades&rdquo; do Estado est&aacute; a obriga&ccedil;&atilde;o de criar uma rede educativa, de proceder ao seu financiamento adequado e de assegurar as tarefas previstas no artigo 74&ordm;, n&ordm; 2 &ndash; desde o ensino b&aacute;sico universal, obrigat&oacute;rio e gratuito at&eacute; ao estabelecimento progressivo da gratuitidade de todos os graus de ensino&hellip; E &eacute; perante f&oacute;rmulas t&atilde;o generosas e abertas como estas que o tema deve ser analisado, tendo em considera&ccedil;&atilde;o a escassez de recursos, a diversidade de situa&ccedil;&otilde;es sociais abrangidas e a necessidade de concretizar um conceito de &ldquo;justi&ccedil;a complexa&rdquo;, capaz de conciliar liberdade de escolha, igualdade e diferen&ccedil;a.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">O moderno Estado social precisa de encontrar novas formas de concretiza&ccedil;&atilde;o da &ldquo;liberdade de aprender e ensinar&rdquo;, a partir da rede existente e do seu desenvolvimento, maximizando os recursos dispon&iacute;veis e assegurando uma &ldquo;justi&ccedil;a distributiva&rdquo; apta a evitar distor&ccedil;&otilde;es na distribui&ccedil;&atilde;o (equilibrada) dos recursos p&uacute;blicos e a assegurar que n&atilde;o haja agravamento de desigualdades e privil&eacute;gios. N&atilde;o basta, pois, uma an&aacute;lise formal de preceitos constitucionais ou legais, exige-se, sim, um conceito integrado de &ldquo;rede de servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, na qual seja poss&iacute;vel uma adequada e equitativa utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos, provenientes dos contribuintes. E &eacute; aqui que as dificuldades se p&otilde;em, mesmo quando analisamos as experi&ecirc;ncias de Direito comparado. A afecta&ccedil;&atilde;o de meios &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o tem de ser feita com base em crit&eacute;rios rigorosos, que permitam a melhor utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos, segundo uma l&oacute;gica distributiva e de correc&ccedil;&atilde;o de desigualdades. E neste ponto temos de ser cada vez mais exigentes e audaciosos, de modo a compreender que as redes de escolas actualmente existentes t&ecirc;m de ser melhor utilizadas; que a rede estatal n&atilde;o pode ser desvalorizada; e que a autonomia dos estabelecimentos de ensino tem de se tornar regra.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Muito se tem escrito e debatido sobre o tema da rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a sociedade civil a prop&oacute;sito da concretiza&ccedil;&atilde;o da liberdade de aprender e ensinar. As dificuldades maiores encontradas t&ecirc;m estado, no entanto, ligadas aos vultuosos investimentos necess&aacute;rios, &agrave; diversidade da popula&ccedil;&atilde;o escolar abrangida, &agrave; crise do Estado&#8209;provid&ecirc;ncia e &agrave; decad&ecirc;ncia demogr&aacute;fica, com repercuss&otilde;es evidentes nos sistemas vigentes de cobertura dos riscos sociais tradicionais e a uma tend&ecirc;ncia para um forte centralismo burocr&aacute;tico avesso a mudan&ccedil;as, acrescendo as dificuldade t&eacute;cnicas inerentes &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de novos sistemas. Como conjugar liberdade e efici&ecirc;ncia? Como evitar a mercantiliza&ccedil;&atilde;o de um bem p&uacute;blico como a Educa&ccedil;&atilde;o e a Forma&ccedil;&atilde;o? Como considerar a evolu&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e a quebra de popula&ccedil;&atilde;o em idade escolar? Como conciliar a educa&ccedil;&atilde;o para todos, a exig&ecirc;ncia, a avalia&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e do sistema? Como garantir a qualidade e a justi&ccedil;a numa sociedade competitiva de fronteiras abertas?<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">De modo inequ&iacute;voco, a Lei Fundamental portuguesa consagra a garantia da &ldquo;liberdade de aprender e ensinar&rdquo;, no elenco dos direitos, liberdades e garantias pessoais. Da&iacute; que o conceito de &ldquo;servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; deva ser abrangente, respons&aacute;vel e integrado, envolvendo as diversas iniciativas. Se hoje a exist&ecirc;ncia na rede p&uacute;blica de contratos de associa&ccedil;&atilde;o com escolas privadas permite que se fale de um conceito alargado de &ldquo;rede&rdquo;, teremos de ser mais audaciosos e de aprofundar este entendimento e esta pr&aacute;tica legal, de modo a encontrar novas formas de associa&ccedil;&atilde;o e de complementaridade entre escolas estatais e n&atilde;o estatais.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"line-height: normal; text-align: right;\"><em>Guilherme d&rsquo;Oliveira Martins<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-50088","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50088\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}