{"id":50017,"date":"2011-02-17T11:30:47","date_gmt":"2011-02-17T11:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/17\/diaconia-e-diaconado-na-igreja-expectativas-e-praticas-da-igreja-do-porto\/"},"modified":"2011-02-17T11:30:47","modified_gmt":"2011-02-17T11:30:47","slug":"diaconia-e-diaconado-na-igreja-expectativas-e-praticas-da-igreja-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diaconia-e-diaconado-na-igreja-expectativas-e-praticas-da-igreja-do-porto\/","title":{"rendered":"Diaconia e diaconado na igreja &#8211; expectativas e pr\u00e1ticas da igreja do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. Manuel Clemente nas Jornadas de Teologia do n\u00facleo do Porto da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">1. Um texto assinado por A. P. e publicado na <em>Voz Portucalense<\/em> de 27 de Mar&ccedil;o de 1991 apresentava assim o que se esperava da decis&atilde;o de D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas<\/span>, ent&atilde;o Arcebispo-Bispo do Porto, de ordenar no ano seguinte os primeiros di&aacute;conos permanentes da Diocese: &ldquo;Grandes s&atilde;o as expectativas que necessariamente cria a ordena&ccedil;&atilde;o de di&aacute;conos permanentes para servi&ccedil;o da Igreja. E ningu&eacute;m se admire de haver muitas d&uacute;vidas ainda quanto ao modo como vai ser exercido este minist&eacute;rio eclesial. A restaura&ccedil;&atilde;o do diaconado permanente sofre as perplexidades e resist&ecirc;ncias ligadas a qualquer processo inovador. &nbsp;&nbsp; As comunidades n&atilde;o t&ecirc;m arqu&eacute;tipos acerca deste grau do minist&eacute;rio ordenado que deixou de existir desde h&aacute; s&eacute;culos&rdquo;.<\/p>\n<p>D&uacute;vidas fundadas, por aus&ecirc;ncia de mem&oacute;ria. Mas expectativas positivas, por raz&otilde;es de eclesiologia reencontrada, na esteira conciliar, acrescentava-se mais &agrave; frente: &ldquo;Dentro em breve sacerdotes e comunidades poder&atilde;o usufruir dos seus servi&ccedil;os diaconais de modo que a Igreja se organize de acordo com o que deve ser. E isso sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de bispos, padres e di&aacute;conos, para al&eacute;m de religiosos e leigos na multiplicidade de minist&eacute;rios e servi&ccedil;os eclesiais em que podem ser investidos&rdquo;[1].<\/p>\n<p>Assim o pretendia o prelado diocesano, com intencionalidade espiritual tamb&eacute;m, como o jornal n&atilde;o deixar&aacute; de salientar meses depois, relatando o leitorado dos candidatos: &ldquo;Como explicou, D. J&uacute;lio espera que o diaconado seja &lsquo;factor de renova&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tanto dos m&eacute;todos e das formas mas de convers&atilde;o&hellip; n&atilde;o s&oacute; das pessoas mas da comunidade como tal para que ela seja cada vez mais sacramento de salva&ccedil;&atilde;o e sinal de presen&ccedil;a divina no mundo&rsquo;&rdquo;. N&atilde;o se tratava de raz&otilde;es meramente funcionais. D. J&uacute;lio pretendia, com o diaconado, fomentar comunidades mais din&acirc;micas, complementares e mission&aacute;rias, como acrescentava a not&iacute;cia: &ldquo;[D. J&uacute;lio] disse que acredita que o diaconado permanente poder&aacute; ajudar a desenvolver uma pastoral renovadora, fundada na perspectiva de comunidades articuladas, descentralizadas e mission&aacute;rias podendo deste modo, e na variedade das experi&ecirc;ncias, nascer de facto &lsquo;um sinal de esperan&ccedil;a&rsquo; para a Igreja e para a humanidade&rdquo;[2].<\/p>\n<p>A prepara&ccedil;&atilde;o dos futuros di&aacute;conos prosseguiu entretanto, sendo ordenados a 26 de Abril de 1992. Logo a seguir, um editorial do mesmo &oacute;rg&atilde;o diocesano previa compreens&iacute;veis demoras na identifica&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio relan&ccedil;ado: &ldquo;A grande dificuldade &eacute;, para os pr&oacute;prios &lsquo;di&aacute;conos&rsquo; e para a comunidade crist&atilde;, acertar com a &lsquo;identidade&rsquo; desta &lsquo;figura&rsquo; que se apagou j&aacute; da mem&oacute;ria colectiva da Igreja e &ndash; pior &ndash; que se confundiu com a identidade do presb&iacute;tero. [&hellip;] E demorar&aacute; certamente algum tempo at&eacute; que o pr&oacute;prio ordenado no diaconado se situe em rela&ccedil;&atilde;o ao <em>leigo<\/em> que j&aacute; n&atilde;o &eacute; embora pare&ccedil;a, e ao <em>presb&iacute;tero<\/em> com quem se parece mas que n&atilde;o &eacute;&rdquo;[3].<\/p>\n<p>Quase duas d&eacute;cadas depois, n&atilde;o podemos deixar de concordar com a grande lucidez destas reflex&otilde;es do editorialista da <em>Voz Portucalense<\/em>. O diaconado tem sido exercido com indesment&iacute;vel generosidade, mas s&oacute; a pouco e pouco vai encontrando o seu estatuto espec&iacute;fico, dentro e fora da comunidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Todavia, algo vai relevando, quer localmente quer na compreens&atilde;o da Igreja universal. Refiro-me &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do diaconado em torno do servi&ccedil;o, mesmo sacramentalmente real&ccedil;ado e como activa&ccedil;&atilde;o duma Igreja cada vez mais definida nesse sentido tamb&eacute;m. E era tamb&eacute;m assim que o prelado diocesano j&aacute; o entrevia na altura: &ldquo;No contacto imediato com as pessoas e os pequenos grupos e na pr&oacute;pria comunidade humana o Di&aacute;cono &lsquo;&eacute; chamado a ser sinal de Cristo servo, l&aacute; onde as pessoas vivem, trabalham, sofrem e lutam pela justi&ccedil;a&rsquo;, como disse D. J&uacute;lio. Desta forma realizar&aacute; &lsquo;uma evangeliza&ccedil;&atilde;o individualizada&rsquo; dando a conhecer Cristo que se inclina sobre cada um para o servir, e sendo nas comunidades &lsquo;fermento prof&eacute;tico&rsquo; de uma Igreja &lsquo;serva do mundo&rsquo;&rdquo;[4].<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">2. Estas considera&ccedil;&otilde;es de h&aacute; duas d&eacute;cadas s&atilde;o o melhor p&oacute;rtico para as que acrescento agora, depois de novas ordena&ccedil;&otilde;es diaconais e sob o t&iacute;tulo de &ldquo;Diaconia da Igreja e diaconado permanente&rdquo;.<\/span> Tento ilustrar o que certamente j&aacute; foi dito nestas Jornadas, a saber, que a restaura&ccedil;&atilde;o do diaconado como grau est&aacute;vel e pr&oacute;prio do sacramento da Ordem, se h&aacute;-de entender na maior redescoberta da Igreja toda, como comunidade de servi&ccedil;o e miss&atilde;o, al&eacute;m de sacerdotal e c&uacute;ltica.<\/p>\n<p>Esta segunda caracteriza&ccedil;&atilde;o _ sacerdotal e c&uacute;ltica, correspondente a popula&ccedil;&otilde;es mais fixas e definidas _ prevaleceu longamente entre n&oacute;s, absorvendo muito a ministerialidade eclesial. O seu enfraquecimento hoje em dia, quase nos for&ccedil;a ao que n&atilde;o dever&iacute;amos ter perdido, no que ao servi&ccedil;o e &agrave; miss&atilde;o diz respeito.<\/p>\n<p>Concretizando mais, diremos que a actual e progressiva restaura&ccedil;&atilde;o do diaconado na diocese do Porto, se verifica num contexto de grave decr&eacute;scimo do n&uacute;mero de presb&iacute;teros (nos &uacute;ltimos dez anos faleceram 117 ao servi&ccedil;o da diocese e ordenaram-se 40) e consequente aumento de trabalho pastoral para os que existem, com m&eacute;dia et&aacute;ria acima dos sessenta anos. Soma-se a profunda mudan&ccedil;a s&oacute;ciocultural a que assistimos, com grandes desafios para o que habitualmente &eacute;ramos e faz&iacute;amos, eclesialmente falando.<\/p>\n<p>Precisemos ainda que n&atilde;o se trata apenas de j&aacute; n&atilde;o ser poss&iacute;vel atribuir um presb&iacute;tero a cada comunidade crist&atilde; &shy;_ s&atilde;o pouco mais de trezentos &ldquo;no activo&rdquo; para 477 par&oacute;quias _, multiplicando-se a respectiva responsabilidade pastoral por v&aacute;rias delas e nem sempre cont&iacute;guas ou cong&eacute;neres. De facto, &agrave; itiner&acirc;ncia dos pastores soma-se a dos fi&eacute;is, que cada vez menos se situam exclusivamente num local e, crescentemente, j&aacute; n&atilde;o sabem nem podem definir-se como daqui ou dali; e isto tanto do ponto de vista da geografia, como da conex&atilde;o real ou virtual, que se faz com v&aacute;rias &ldquo;localiza&ccedil;&otilde;es&rdquo; di&aacute;rias ou frequentes e diversas para cada membro da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Por outro lado ainda, &nbsp;&nbsp; a indefini&ccedil;&atilde;o crescente das perten&ccedil;as comunit&aacute;rias vai a par da perplexidade propriamente cultural no confronto com os ambientes de trabalho, &ldquo;mass media&rdquo;, ou tempos livres. Seria mais f&aacute;cil responder &agrave; plurilocaliza&ccedil;&atilde;o actual se conviv&ecirc;ssemos de modo tradicional e un&iacute;voco, culturalmente falando. Mas &eacute; exactamente o contr&aacute;rio que se verifica, n&atilde;o s&oacute; porque as convic&ccedil;&otilde;es &ldquo;crist&atilde;s&rdquo; est&atilde;o hoje mais esbatidas, quando n&atilde;o mesmo rebatidas na comunica&ccedil;&atilde;o corrente, mas tamb&eacute;m porque a mentalidade geral n&atilde;o apetece nem desenvolve a concord&acirc;ncia de ideias e sentimentos. Muito pelo contr&aacute;rio, e especialmente no que toca &agrave; f&eacute; cat&oacute;lica, simb&oacute;lica e tradicional.<\/p>\n<p>Somos em grand&iacute;ssimo n&uacute;mero, mesmo os diocesanos do Porto, mais ub&iacute;quos na geografia e algo equ&iacute;vocos na cren&ccedil;a e na pr&aacute;tica. Mas n&atilde;o fiquemos por aqui, ou seja, ainda dentro da refer&ecirc;ncia comunit&aacute;ria e confessional. Coexistimos _ tantas vezes no pr&oacute;prio agregado familiar _ com muita gente que ainda se diz &ldquo;cat&oacute;lica&rdquo; por conservar alguma mem&oacute;ria de gera&ccedil;&otilde;es passadas e n&atilde;o encontrar outro nome dispon&iacute;vel para se qualificar a gosto. Sobrevivem, &eacute; certo, sentimentos b&aacute;sicos de indesment&iacute;vel inspira&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica; enquadram-se e identificam-se povoa&ccedil;&otilde;es inteiras &agrave; volta de padroeiros e festas&hellip; Tudo isto &eacute; leg&iacute;timo, socioculturalmente falando, e at&eacute; prefer&iacute;vel ao vazio simb&oacute;lico e &agrave; aridez local.<\/p>\n<p>Mas obviamente n&atilde;o chega e pode tornar-se cada vez mais residual. As tradi&ccedil;&otilde;es transportam significados que, se muito afastados da fonte, acabam por secar e transmudar-se no oposto daquilo a que aludem. Quando reparamos em certos cartazes de festas locais, a pretexto de santos e padroeiros, com n&uacute;meros t&atilde;o pouco conformes com a verdade do que eles foram e anunciaram, podemos e devemos interrogar-nos sobre o que resta ali de cristianismo aut&ecirc;ntico, ou se n&atilde;o estamos diante de retornos pag&atilde;os, quando n&atilde;o de persist&ecirc;ncias pr&eacute;-crist&atilde;s indisfar&ccedil;&aacute;veis.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m nisto manteremos o cuidado evang&eacute;lico de &ldquo;n&atilde;o apagar a mexa que fumega&rdquo;, mas mais nos devemos aplicar a aviventar a chama duma religi&atilde;o coerente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">3. &Eacute; neste quadro que tamb&eacute;m podemos reflectir sobre o diaconado permanente em restaura&ccedil;&atilde;o, dentro duma Igreja inteira que se reconhe&ccedil;a e relance em termos de miss&atilde;o e servi&ccedil;o<\/span>. E n&atilde;o poderia ser doutro modo, pois a aludida e grande altera&ccedil;&atilde;o do que ainda h&aacute; pouco existiria, em popula&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;fica e mentalmente situadas, &eacute; o que mais exige e urge a redefini&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica e eclesial; redefini&ccedil;&atilde;o que h&aacute;-de ser feita em termos de diaconia geral, estimulada por mais diaconia sacramental (ordenada).<\/p>\n<p>A diaconia da Igreja e do diaconado refere-se essencialmente &agrave; diaconia de Cristo, que se apresentou &ldquo;como quem serve&rdquo;, que o mesmo &eacute; dizer &ldquo;como quem salva&rdquo; e salva servindo. Diaconia esta que, das mesas do indispens&aacute;vel sustento material, progride at&eacute; &agrave; mesa eucar&iacute;stica. Aqui reencontramos a m&iacute;stica crist&atilde;, legitimamente referida. Realizada em n&oacute;s, &ldquo;eleva o mundo&rdquo;, na oferta c&oacute;smica em que o Esp&iacute;rito de Cristo nos integra e realiza, e, por n&oacute;s, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o inteira. Para tal se orienta e destina a diaconia geral da Igreja, por isso mesma apost&oacute;lica e mission&aacute;ria.<\/p>\n<p>Esta a diaconia da Igreja, vivida em cada comunidade crente &shy;_ come&ccedil;ando pela das fam&iacute;lias, quais &ldquo;Igrejas dom&eacute;sticas&rdquo;_, que irradie em redor, nas m&uacute;ltiplas realidades da sociedade que nos toca hoje em dia, das escolas &agrave;s empresas, das pris&otilde;es aos hospitais, do trabalho ao descanso, &ldquo;como sal da terra e luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta diaconia nos legitimaremos e nela mesma nos reencontraremos tamb&eacute;m. Se nos fic&aacute;ssemos pelo culto, apenas ritualmente entendido, ver&iacute;amos a redu&ccedil;&atilde;o impar&aacute;vel do n&uacute;mero de praticantes, porque os de hoje e de amanh&atilde; cada vez menos se ficam pelos espa&ccedil;os e ritmos situados das sociedades antecedentes. &Agrave; estabilidade corresponderia o culto centr&iacute;peto e mais &ldquo;sacerdotal&rdquo;, quase reduzindo o novo sacerd&oacute;cio de Cristo ao do antigo templo, t&atilde;o fixado num lugar como insistente no modo. &Agrave; actual mobilidade s&oacute; pode corresponder a diaconia&nbsp; refor&ccedil;ada duma Igreja em miss&atilde;o, que certamente tem e ter&aacute; um cora&ccedil;&atilde;o sacerdotal de oferta a Deus, mas da&iacute; se alonga em presen&ccedil;a evangelizadora, que convide outros tantos para o mesmo culto &ldquo;em esp&iacute;rito e verdade&rdquo;[5].<\/p>\n<p>Em suma: teremos ministros do sacerd&oacute;cio de Cristo, que com Ele ofere&ccedil;am ao Pai um povo inteiramente sacerdotal; e teremos ministros da diaconia de Cristo, que promovam na comunidade crist&atilde; o mesmo esp&iacute;rito de servi&ccedil;o ao mundo, que finalmente se oferecer&aacute; tamb&eacute;m[6].<\/p>\n<p>O Conc&iacute;lio e o magist&eacute;rio subsequente encaram esta complementaridade de sacerd&oacute;cio e diaconia como dinamismo maior da rela&ccedil;&atilde;o Igreja-Mundo. Reconstruiremos a comunidade crist&atilde; se nos movermos cada vez mais entre a mesa do altar e as &ldquo;mesas&rdquo; em que Cristo servia os seus disc&iacute;pulos, e a todos atrav&eacute;s dos disc&iacute;pulos. E nesse vai-vem do altar ao mundo e do mundo ao altar situar-se-&atilde;o os di&aacute;conos, significando e activando id&ecirc;ntica atitude por parte dos crist&atilde;os em geral. A Igreja reencontra-se na diaconia do mundo e os di&aacute;conos ser&atilde;o o sacramento e o cont&iacute;nuo est&iacute;mulo para que tal suceda, mais e mais[7].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">4. Das ra&iacute;zes neotestament&aacute;rias da diaconia eclesial e da hist&oacute;ria antiga do diaconado<\/span>, bem como do seu longo ofuscamento como grau permanente do sacramento da Ordem, j&aacute; dispomos de s&aacute;bias contribui&ccedil;&otilde;es, inclusive de autores desta Escola[8]. N&atilde;o me cabe repeti-las, nem sumari&aacute;-las agora. Cabe-me sim sublinhar a conveni&ecirc;ncia e a urg&ecirc;ncia da sua restaura&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o na diocese, precisamente para simbolizar e estimular a diaconia de toda a Igreja, em constante miss&atilde;o de testemunho e convite evang&eacute;licos.<\/p>\n<p>Como sabemos, a vida da Igreja, haurida em Cristo, Palavra e Sacramento de Deus, projecta-se em tr&ecirc;s incid&ecirc;ncias gerais de an&uacute;ncio, culto e servi&ccedil;o. Hoje, a ac&ccedil;&atilde;o pastoral que alimente as comunidades constitu&iacute;das tem for&ccedil;osamente de transbordar em &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que comunique a vida que de Deus recebem para dar ao mundo. Os di&aacute;conos permanentes, t&atilde;o pr&oacute;ximos do sacerdote no altar, quanto ao lado do comum de todos no dia a dia da fam&iacute;lia, da profiss&atilde;o e donde for, concretizam e estimulam a nova irradia&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica que hoje importa. N&atilde;o &eacute; por acaso que a &uacute;ltima palavra da Eucaristia lhes pertence: despedindo a assembleia com um &ldquo;Ide em paz e o Senhor vos acompanhe&rdquo;, ir&atilde;o eles tamb&eacute;m, para depois retornarem ao cora&ccedil;&atilde;o da Igreja, que s&oacute; pode pulsar missionariamente se quiser acompanhar o des&iacute;gnio salv&iacute;fico do cora&ccedil;&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>Como todas as outras, a nossa Igreja diocesana recompor-se-&aacute; na miss&atilde;o e no servi&ccedil;o. Por isso mesmo, e complementando o sacerd&oacute;cio ministerial de bispos presb&iacute;teros, o diaconado permanente reencontra nela um lugar fundamental de activa&ccedil;&atilde;o de todos no servi&ccedil;o ao mundo, &uacute;nica maneira de agradar a Deus[9].<\/p>\n<p>Manuel Clemente<br \/>16 de Fevereiro de 2011<\/p>\n<p>________<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[1] A. P. [Eloy Almeida de Pinho] &#8211; Di&aacute;conos permanentes em breve, no Porto. <em>Voz Portucalense,<\/em> 27 de Mar&ccedil;o de 1991, p. 3-4.<\/p>\n<p>[2] Diaconado permanente: factor de &ldquo;convers&atilde;o&rdquo; da Igreja diocesana? <em>Voz Portucalense<\/em>, 13 de Junho de 1991, p. 1-3.<\/p>\n<p>[3] Diaconado permanente. Um desafio. <em>Voz Portucalense<\/em>, 29 de Abril de 1992, p. 1-2.<\/p>\n<p>[4] Igreja do Porto j&aacute; tem Diaconado Permanente. <em>Voz Portucalense<\/em>, 29 de Abril de 1992, p. 1-2.<\/p>\n<p>[5] Cf. BORRAS, Alphonse &ndash; <em>O diaconado e o risco da sua novidade<\/em>. Prior Velho: Paulinas Editora, 2010, p. 227-228: &ldquo;Pela sua reactiva&ccedil;&atilde;o na Igreja latina, o diaconado permanente permite assim ultrapassar a focaliza&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o mesmo a redu&ccedil;&atilde;o da ministerialidade ao &uacute;nico sacerd&oacute;cio de Cristo. Favorece, em consequ&ecirc;ncia, a valoriza&ccedil;&atilde;o de todos os minist&eacute;rios e servi&ccedil;os indispens&aacute;veis para edificar a Igreja <em>neste lugar<\/em> e realizar o an&uacute;ncio do Evangelho. A pluriministerialidade &eacute;, sem qualquer d&uacute;vida, um dos maiores ganhos da restaura&ccedil;&atilde;o diaconado. Ela tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; independente doutros ganhos maiores, precedentemente evocados, a saber, uma maior consci&ecirc;ncia da miss&atilde;o e uma melhor incultura&ccedil;&atilde;o da f&eacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>[6] Cf. PETROLINO, Enzo &ndash; <em>Diaconado. Servi&ccedil;o-Miss&atilde;o. Do Conc&iacute;lio Vaticano II a Jo&atilde;o Paulo II<\/em>. Lisboa: Paulus Editora, 2007, p. 127, referindo-se &agrave; frase conciliar que orienta o diaconado &ldquo;n&atilde;o para o sacerd&oacute;cio mas para o minist&eacute;rio&rdquo; (<em>Lumen Gentium<\/em> 29): &ldquo;Al&eacute;m disso deve-se ter presente que a f&oacute;rmula &lsquo;&hellip; <em>non ad sacerdotium, sed ad ministerium<\/em>&rsquo; tem uma particular conota&ccedil;&atilde;o cultural que recorda o &lsquo;<em>proprium<\/em>&rsquo; do minist&eacute;rio diaconal, isto &eacute; a <em>diakonia<\/em>. Um &lsquo;servi&ccedil;o&rsquo; que tem uma estreita liga&ccedil;&atilde;o com o sacerd&oacute;cio ministerial do bispo e dos presb&iacute;teros e se une ao sacerd&oacute;cio comum de todos os fi&eacute;is. Uma <em>diakonia<\/em> que tem a sua fonte e o seu &aacute;pice no servi&ccedil;o ao banquete da Palavra e da Eucaristia e no servi&ccedil;o dos pobres&rdquo;. Cf. PAULO VI &ndash; Carta apost&oacute;lica <em>Ad Pascendum<\/em>, 15 de Agosto de 1972: &ldquo;O Conc&iacute;lio Vaticano II, finalmente, anuiu aos desejos e aos pedidos para que o diaconado permanente [&hellip;] fosse restaurado como Ordem interm&eacute;dia entre os graus superiores da Hierarquia eclesi&aacute;stica e o resto do Povo de Deus, para ser como que int&eacute;rprete das necessidades e aspira&ccedil;&otilde;es das comunidades crist&atilde;s, animador do servi&ccedil;o, ou seja, da <em>diaconia<\/em> da Igreja junto das comunidades crist&atilde;s locais, e sinal ou sacramento do pr&oacute;prio Cristo Senhor, que <em>n&atilde;o veio para ser servido, mas para servir<\/em>&rdquo;. Cf. JO&Atilde;O PAULO II &ndash; <em>Discurso aos di&aacute;conos norte-americanos<\/em>, 19 de Setembro de 1987: &ldquo;O Conc&iacute;lio Vaticano II explica que a gra&ccedil;a sacramental conferida [aos di&aacute;conos] atrav&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os vos torna capazes de prestar o vosso servi&ccedil;o da palavra, do altar e da caridade com uma efic&aacute;cia especial (cf. <em>Ad Gentes<\/em>, 16). <em>O servi&ccedil;o do di&aacute;cono &eacute; o servi&ccedil;o sacramentalizado da Igreja,<\/em> mas deve realmente ser, como o definiu Paulo VI, uma &lsquo;for&ccedil;a motriz&rsquo; para a <em>diaconia<\/em> da Igreja. Com a vossa ordena&ccedil;&atilde;o tornastes-vos semelhantes a Cristo na sua fun&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o. V&oacute;s deveis ser tamb&eacute;m <em>sinais vivos do servi&ccedil;o &agrave; sua Igreja<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>[7] Cf. BORRAS &ndash; <em>O diaconado,<\/em> p. 90-91: &ldquo;Ministros da &uacute;nica media&ccedil;&atilde;o sacerdotal de Cristo, o bispo e os padres significam o dom gratuito de Deus ao seu povo e a oferenda em recompensa deste, gra&ccedil;as ao &uacute;nico sacrif&iacute;cio de Cristo. Ministros da &lsquo;diaconia de Cristo&rsquo;, vindo para servir e n&atilde;o para ser servido (cf. <em>Mc<\/em> 10, 45), os di&aacute;conos significam a voca&ccedil;&atilde;o diaconal de toda a Igreja que &eacute; o seu Corpo e atestam, deste modo, a autenticidade da Eucaristia que ela celebra&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>[8] Cf. Diaconado permanente. Elementos para uma reflex&atilde;o. <em>Human&iacute;stica e Teologia<\/em>, 29\/2 (Dezembro 2008).<\/p>\n<p>[9] Cf. BORRAS, <em>O diaconado<\/em>, p. 233: &ldquo;Pelo minist&eacute;rio &lsquo;diaconal&rsquo;, os di&aacute;conos prefiguram, sacramentalmente, a diaconia de Cristo &agrave; qual toda a Igreja &eacute; chamada. Eles conduzem os baptizados a tornar-se um povo de servidores e d&atilde;o a este mundo o gosto do servi&ccedil;o. Desempenham um papel de liga&ccedil;&atilde;o, estando no &lsquo;limiar&rsquo;, na intersec&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e a hist&oacute;ria &ndash; entre a comunidade e o seu ambiente. &Eacute; assim que eles ajudam, <em>pela sua parte<\/em>, na salvaguarda e na promo&ccedil;&atilde;o da identidade apost&oacute;lica e, por este facto, evang&eacute;lica da Igreja local&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. 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