{"id":49986,"date":"2011-02-15T13:06:50","date_gmt":"2011-02-15T13:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/15\/onde-esta-deus-2\/"},"modified":"2011-02-15T13:06:50","modified_gmt":"2011-02-15T13:06:50","slug":"onde-esta-deus-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/onde-esta-deus-2\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e1 Deus?"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o, investigador universit\u00e1rio <!--more--> <\/p>\n<p>A 20 de Fevereiro de 2010, as chuvas intensas na ilha da Madeira deixaram um rasto da prior destrui&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos 100 anos e um n&uacute;mero de mortos acima dos 40, deixando mais de 350 pessoas sem alojamento. Sete dias depois, a 27 de Fevereiro, um dos mais poderosos terramotos de h&aacute; 100 anos atinge o Chile, matando mais de 300 pessoas, destruindo diversas casas e gerando tsunamis que amea&ccedil;aram diversos pontos nas encostas do pac&iacute;fico, indo t&atilde;o longe quanto o Jap&atilde;o. Perante estes acontecimentos, s&atilde;o muitas as quest&otilde;es que se colocam relativamente a estes desastres naturais e &agrave;s suas consequ&ecirc;ncias para a natureza e a vida humana, mas as duas que mais ressoam no &iacute;ntimo do cora&ccedil;&atilde;o humano talvez sejam: Porqu&ecirc;? Onde est&aacute; Deus?<\/p>\n<p>Terramotos, tsunamis e cheias fazem parte dos ritmos do nosso planeta h&aacute; milhares de milh&otilde;es de anos. Outros eventos, como queda de meteoros, pensa-se terem ocorrido h&aacute; 65 milh&otilde;es de anos atr&aacute;s com 75% de extin&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies, em particular os dinoss&aacute;urios. Estes fen&oacute;menos s&atilde;o contingentes, isto &eacute;, a sua ocorr&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; evidente por si mesma, nem necess&aacute;ria, podendo ocorrer de forma diferente. Pelo rasto de destrui&ccedil;&atilde;o que deixam e confus&atilde;o que geram, designamo-los como males naturais, consequentemente com aspectos de dor, sofrimento e morte associados. No que diz respeito &agrave;s extin&ccedil;&otilde;es em massa, tais males naturais t&ecirc;m sido associados a acelera&ccedil;&otilde;es na evolu&ccedil;&atilde;o da vida na terra, de tal forma que o acaso a eles associado e seu car&aacute;cter incerto revela-se como oportuno e gerador de novidade. Tudo isto quer dizer que h&aacute; muito, muito tempo que o mundo experimenta dores, sofre e morre, em ordem a aprender a sobreviver, a viver em comunidade e a estar aberto &agrave; novidade, respectivamente. Isto pode significar que dor, sofrimento e morte, n&atilde;o s&oacute; fazem parte do processo evolutivo, mas podem tamb&eacute;m servir como sua for&ccedil;a motriz. Contudo, alguns sectores culturais afirmam que se Deus &eacute; criador e se a dor, sofrimento e morte fazem parte da cria&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o isso &eacute; o resultado da ac&ccedil;&atilde;o de Deus. Ao que o crente responde frequentemente &ldquo;Deus permite &#8230;&rdquo; ou &ldquo;Deus manda &#8230;&rdquo;. Ser&aacute; assim?<\/p>\n<p>Importar salientar que a teologia afirma que Deus cria do nada por amor (<em>creatio ex nihilo amoris<\/em>, ver Coda:2003) (1). Por outro lado, da mesma forma que uma pintura &eacute; marcada nos seus tra&ccedil;os pelo estilo do seu pintor, tamb&eacute;m podemos questionar como foi marcada a cria&ccedil;&atilde;o pelos tra&ccedil;os do estilo do seu Criador. Se tudo no mundo est&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o com tudo, cada coisa com cada coisa, n&atilde;o ser&aacute; isso express&atilde;o de uma marca deixada por Deus-Trindade, um Deus rela&ccedil;&atilde;o e, por isso, n&atilde;o ser&aacute; esta marca a <em>relacionalidade<\/em>? Se assim for, a palavra de ordem no mundo seria: viver em reciprocidade. Logo, seguindo este racioc&iacute;nio, se Deus amou e, por isso, criou, n&atilde;o poder&iacute;amos pensar que o mundo quis responder a esse amor e, por isso, evoluiu? N&atilde;o ser&aacute; a evolu&ccedil;&atilde;o, metafisicamente, uma resposta de amor ao Amor de Deus? Sendo o mundo finito e limitado, n&atilde;o &eacute; de esperar que essa resposta fosse perfeita, da&iacute; poder-se pensar a dor, o sofrimento e a morte como imperfei&ccedil;&otilde;es na resposta do mundo ao amor de Deus. Por&eacute;m, permanece a quest&atilde;o: se n&atilde;o permite, ou manda cat&aacute;strofes naturais, onde est&aacute; Deus?<\/p>\n<p>A resposta parece-me mais simples do que possamos pensar: <strong><em>Deus est&aacute;<\/em><\/strong><em> <strong>com <\/strong>quem sofre, sente dor e morre<\/em>. Deus &eacute; um Deus-connosco, pr&oacute;ximo, logo, se h&aacute; algum lugar onde Ele possa estar presente perante o drama humano que tomamos contacto, ou por vezes, que experimentamos na nossa pr&oacute;pria vida, esse lugar &eacute; no &ldquo;nosso&rdquo; lugar. Deus-com. Deus-em. Se assim for, apenas faz sentido um &ldquo;Deus permite&rdquo; se o experimentarmos como &ldquo;permite a Si mesmo&rdquo; porque, acima de tudo, Ele est&aacute; connosco, em n&oacute;s, entre n&oacute;s. Se assim for, &ldquo;Deus manda&rdquo; deixa de fazer sentido porque Deus n&atilde;o &eacute; um observador, mas Algu&eacute;m que est&aacute; mais pr&oacute;ximo de n&oacute;s, do que n&oacute;s relativamente a n&oacute;s pr&oacute;prios. Se tivermos estes aspectos em conta, ao vemos um carro a ser levado pelas &aacute;guas com pessoas dentro, ou algu&eacute;m que luta por se segurar no primeiro galho, vemos tamb&eacute;m onde est&aacute; Deus, pois &eacute; Ele a fonte existencial de perante a dor, o sofrimento e a morte, continuar a viver&#8230;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Miguel Oliveira Pan&atilde;o, Investigador Universit&aacute;rio<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Nota)<\/p>\n<p>Piero Coda (2003) &ldquo;Creatio ex nihilo amoris. Per una lettura trinitaria del principio di creazione&rdquo;, <em>Nuova Umanit&agrave;<\/em> 145:55-68. (<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.cittanuova.it\/FILE\/PDF\/articolo21950.pdf&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNGyGs-8XKbbnoG5vD9AbHXEMItdxg\">link<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o, investigador universit\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-49986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49986\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}