{"id":49983,"date":"2011-02-15T13:00:56","date_gmt":"2011-02-15T13:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/15\/vida-depois-da-tragedia\/"},"modified":"2011-02-15T13:00:56","modified_gmt":"2011-02-15T13:00:56","slug":"vida-depois-da-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vida-depois-da-tragedia\/","title":{"rendered":"Vida depois da trag\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>Muitas das imagens que chocaram o pa\u00eds, h\u00e1 um ano atr\u00e1s, aquando das enxurradas que atingiram a Madeira, vinham das localidades da Ribeira Brava e da Serra de \u00c1gua. <!--more--> <\/p>\n<p><em>Muitas das imagens que chocaram o pa&iacute;s, h&aacute; um anos atr&aacute;s, aquando das enxurradas que atingiram a Madeira, vinham das localidades da Ribeira Brava e da Serra de &Aacute;gua. A Ag&ecirc;ncia ECCLESIA falou com o padre Bernardino Trindade, p&aacute;roco local, que aborda o esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o, material e espiritual, confessando que n&atilde;o p&aacute;ra de descobrir pessoas que ainda precisam de ajuda.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Como &eacute; que a comunidade paroquial viveu esta trag&eacute;dia em 2010 e como acompanhou as v&iacute;timas, imediatamente a seguir?<\/em><\/p>\n<p><em>Pe. Bernardino Trindade (BT) &#8211;<\/em> As pessoas ajudaram-se mutuamente, compreenderam a situa&ccedil;&atilde;o, todos se uniram em esfor&ccedil;os, bens e meios e tamb&eacute;m em solidariedade, para socorrer aquelas pessoas que tinham sido v&iacute;timas da trag&eacute;dia. A uni&atilde;o fez-se sentir&hellip; E aos poucos fomos recompondo a vida, estabelecendo esperan&ccedil;as mas, sabemos que quando h&aacute; chuvas em maior abund&acirc;ncia h&aacute; sempre sobressaltos. E as pessoas v&atilde;o continuando as suas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Passado um ano, quais s&atilde;o as preocupa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas que foram afectadas, tanto materialmente como pela perda de familiares?<\/em><\/p>\n<p><em>BT &ndash;<\/em> As pessoas t&ecirc;m de sentir que n&atilde;o est&atilde;o sozinhas, que est&atilde;o apoiadas na comunidade paroquial e nas outras institui&ccedil;&otilde;es. Continuamos com o acompanhamento, na escuta, nas visitas que se fazem&hellip; estamos sempre despertos para ajudar mas ainda h&aacute; pessoas que n&atilde;o pediram ajuda, que ficaram caladas&hellip; Ainda estamos a descobrir pessoas que realmente precisavam de ajuda e n&atilde;o cheg&aacute;mos l&aacute;! Ainda h&aacute; duas semanas descobrimos fam&iacute;lias que precisaram de ajuda e nada pediram, fizeram como puderam. H&aacute; essa vertente das pessoas que t&ecirc;m vergonha e uma certa timidez em pedir ajuda porque sempre se tiveram de desenrascar sozinhas&hellip; Mas o que &eacute; mais importante para n&oacute;s na par&oacute;quia &eacute; perceber quem &eacute; que precisava de ajuda e n&atilde;o foi ajudado porque n&atilde;o falou, n&oacute;s n&atilde;o soubemos ou simplesmente n&atilde;o houve sinais.<\/p>\n<p>Agora a Igreja sempre esteve presente, os meios que disp&otilde;e sempre fizeram tudo, continuamos a disponibilizar instala&ccedil;&otilde;es, as confer&ecirc;ncias de S. Vicente de Paulo e a Caritas Diocesana continuam a ajudar diariamente muitas v&iacute;timas da cat&aacute;strofe e outras pessoas que v&ecirc;m &agrave; Igreja para dar ajuda. Eu mesmo recebo dinheiro de pessoas que me entregam para ajudar quem mais foi afectado por aquela tr&aacute;gica situa&ccedil;&atilde;o, porque confiam no padre. A Igreja tem um papel importante na distribui&ccedil;&atilde;o das coisas que t&ecirc;m chegado, na divis&atilde;o de verbas, porque h&aacute; confian&ccedil;a na Igreja, na par&oacute;quia local. Claro que n&oacute;s temos a sensibilidade, aqui na par&oacute;quia da Ribeira Brava, em fazer uma gest&atilde;o certa da entrega dos donativos, se as pessoas precisam de dinheiro ou de outros bens&hellip; A Igreja est&aacute; aqui desperta para as necessidades das pessoas, pronta para a ajudar mas nem sempre &eacute; a imagem que passa, as par&oacute;quias abriram as suas portas e merecemos muito mais respeito por todo o trabalho realizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Falava-nos h&aacute; pouco de acompanhamento, nomeadamente espiritual&hellip; Est&aacute; presente nesse acompanhamento &agrave;s pessoas que perderam familiares?<\/em><\/p>\n<p><em>BT &ndash; <\/em>Estou presente mas ao mesmo tempo estou ausente&hellip; &Eacute; a minha maneira de ser. N&oacute;s n&atilde;o podemos estar sempre a dizer, coitadinhos&hellip; O lamento n&atilde;o resolve nada! Temos de dar apoio &agrave;s pessoas para que elas possam resolver as situa&ccedil;&otilde;es concretas e a&iacute; poderem erguer a cabe&ccedil;a. Quando &eacute; necess&aacute;rio h&aacute; sempre uma conversa amiga, um encontro pessoal, e nem fal&aacute;mos dos psic&oacute;logos que tanto trabalharam tamb&eacute;m&hellip; Mas as pessoas t&ecirc;m de se erguer e com f&eacute; superar a situa&ccedil;&atilde;o sabendo que n&atilde;o est&atilde;o sozinhas, para que em cada uma nas&ccedil;a aquela esperan&ccedil;a de dar a volta; ao sermos muitos, poderemos voltar &agrave; normalidade na uni&atilde;o e andarmos para a frente.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A zona da Ribeira Brava e da Serra de &Aacute;gua foi das mais afectadas pela trag&eacute;dia. Como tem decorrido o esfor&ccedil;o de recupera&ccedil;&atilde;o de bens e das rotinas quotidianas?<\/em><\/p>\n<p><em>BT &ndash;<\/em> Daquilo que eu sei na Serra de &Aacute;gua o processo tem sido acompanhado a par e passo e ajudar as pessoas monetariamente. Por exemplo a congrega&ccedil;&atilde;o dos Sacerdotes Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus (respons&aacute;veis pelas par&oacute;quias desta &aacute;rea, ndr) tem ajudado directamente as pessoas. &Eacute; evidente que uma casa n&atilde;o se faz da noite para o dia, h&aacute; pois um certo desespero e uma certa pressa porque quem perdeu os seus haveres e os seus bens anda &agrave; merc&ecirc; de ajudas&hellip;Mas continuamos no terreno e acolhemos as ajudas monet&aacute;rias para tudo ser mais r&aacute;pido, concretamente na reconstru&ccedil;&atilde;o das casas.<\/p>\n<p>Posso j&aacute; dizer que est&aacute; a avan&ccedil;ar o projecto do bairro de 12 casas, mas &eacute; tudo muito moroso e nem sempre &eacute; f&aacute;cil porque h&aacute; muito burocracia a tratar. Outro exemplo &eacute; a reformula&ccedil;&atilde;o que o antigo centro de sa&uacute;de est&aacute; a ter para se transformar num pequeno lar e acolher muitos dos idosos que perderam as suas casas e agora n&atilde;o t&ecirc;m forma de reconstruir. Neste momento s&atilde;o 9 idosos que est&atilde;o l&aacute;.<\/p>\n<p>Eu e os meus colegas que estamos no terreno sentimos uma certa press&atilde;o e um frenesim de pressa das pessoas que querem regressar &agrave; normalidade das suas vidas mas isso muitas vezes n&atilde;o depende de n&oacute;s. No entanto as pessoas n&atilde;o podem ficar iludidas que a sociedade, as institui&ccedil;&otilde;es, as organiza&ccedil;&otilde;es ou o Estado, v&atilde;o fazer a parte delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que li&ccedil;&otilde;es devem tirar a comunidade eclesial e a sociedade civil deste acontecimento?<\/em><\/p>\n<p><em>BT &#8211;<\/em> As pessoas t&ecirc;m de lutar pelos seus direitos e arrega&ccedil;ar as mangas. Muitas vezes temos de ajudar as pessoas a discernir esta quest&atilde;o. Sei que depois de uma trag&eacute;dia daquelas &eacute; dif&iacute;cil mas o desafio &eacute; mesmo esse&hellip; Ver, julgar e agir. Nestes momentos tem de haver sempre pessoas a ajudar e a discernir o mais importante e ajudem nestas ang&uacute;stias.<\/p>\n<p>No meio de todo o rebuli&ccedil;o destas afli&ccedil;&otilde;es havia algu&eacute;m que dizia: &ldquo;estamos vivos&rdquo;, e estas duas palavrinhas s&atilde;o o mote mais importante de apoio e esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>SN<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas das imagens que chocaram o pa\u00eds, h\u00e1 um ano atr\u00e1s, aquando das enxurradas que atingiram a Madeira, vinham das localidades da Ribeira Brava e da Serra de \u00c1gua.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[102,314],"class_list":["post-49983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-agua","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}