{"id":49951,"date":"2011-02-13T10:46:32","date_gmt":"2011-02-13T10:46:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/13\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-celebracao-do-xix-dia-mundial-do-doente\/"},"modified":"2011-02-13T10:46:32","modified_gmt":"2011-02-13T10:46:32","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-celebracao-do-xix-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-celebracao-do-xix-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na celebra\u00e7\u00e3o do XIX Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p><strong>Acompanhar o doente, um desafio para o crist&atilde;o!<\/strong><\/p>\n<p>Neste ano de 2011, mais uma vez a Igreja celebra o Dia Mundial do Doente. N&atilde;o &eacute; uma &ldquo;festa&rdquo;, mas a demonstra&ccedil;&atilde;o do amor da Igreja pelos que sofrem. Qualquer pessoa doente &eacute; um ser fragilizado que, s&oacute; por isso, merece todo o nosso carinho, preocupa&ccedil;&atilde;o e cuidado, a nossa solidariedade e a nossa ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vem de 1992 esta iniciativa do saudoso Papa Jo&atilde;o Paulo II, que escolheu para a sua celebra&ccedil;&atilde;o o dia 11 de Fevereiro de cada ano, mem&oacute;ria lit&uacute;rgica de Nossa Senhora de Lurdes. O Santo Padre Bento XVI deu continuidade a esta tradi&ccedil;&atilde;o do seu predecessor e refor&ccedil;ou o apelo &agrave; Igreja, para que valorize este dia dedicado aos doentes.<\/p>\n<p>S&atilde;o importantes e conservam toda a actualidade e for&ccedil;a interpeladora as mensagens publicadas nestas ocasi&otilde;es, algumas das quais &eacute; sempre oportuno recordar, na diversidade dos seus temas e objectivos.<\/p>\n<p>A dignidade de cada vida humana<\/p>\n<p>Em 2009, Bento XVI escreveu uma mensagem especialmente dedicada &agrave;s crian&ccedil;as. Nesse ano, o Papa reafirmou o que a Igreja sempre tem proclamado: &ldquo;a absoluta e suprema dignidade de cada vida humana, que h&aacute; que viver em plenitude, mesmo quando &eacute; d&eacute;bil e envolvida pelo mist&eacute;rio do sofrimento.&rdquo;<\/p>\n<p>Um crist&atilde;o n&atilde;o pode permanecer indiferente ao &ldquo;silencioso grito de dor&rdquo; que se eleva das crian&ccedil;as doentes ou abandonadas a si mesmas. Como escreveu o Santo Padre, &ldquo;h&aacute; crian&ccedil;as feridas no corpo e na alma em raz&atilde;o dos conflitos e de guerras, e outras v&iacute;timas inocentes do &oacute;dio de insensatas pessoas adultas.&rdquo; Esta &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante e terna do Papa, lan&ccedil;ada como verdadeiro apelo &agrave; aten&ccedil;&atilde;o e cuidado dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>No ano passado (2010), o Papa enviou a toda a Igreja uma nova mensagem: &ldquo;Que a Igreja esteja ao servi&ccedil;o do amor pelos enfermos e por todos os que sofrem&rdquo;. A ideia-for&ccedil;a esteve centrada em &ldquo;Dar vida, semeando esperan&ccedil;a&rdquo;. Bento XVI falava do sofrimento humano, relacionando-o com a dimens&atilde;o salv&iacute;fica do sofrimento de Jesus. Na tarde de Sexta-feira Santa, pendente da Cruz, olhos vidrados de dor, com a sensa&ccedil;&atilde;o de que o Pai O tinha abandonado, Ele sofreu a tortura do abandono e da fuga dos amigos, que deram lugar aos seus inimigos.<\/p>\n<p>Comunidades mais sens&iacute;veis aos doentes<\/p>\n<p>Naquele sangue que escorre da Cruz e, aparentemente, perdido na terra e entre as pedras do Calv&aacute;rio, est&aacute; a total entrega de Jesus, assumindo a nossa dor e dando sentido ao nosso sofrer.<\/p>\n<p>Na Mensagem para este XIX Dia Mundial da Pessoa Doente, intitulada &ldquo;Ver o Homem que sofre com contempla&ccedil;&atilde;o&rdquo;, Bento XVI pede que as comunidades crist&atilde;s e a sociedade civil sejam mais sens&iacute;veis aos irm&atilde;os e irm&atilde;s sofredores.<\/p>\n<p>J&aacute; na Carta Enc&iacute;clica &ldquo;Spe Salvi&rdquo;, 38, ele sublinhava que &ldquo;a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento e com quem sofre!&rdquo; E acrescentava: &ldquo;Uma sociedade que n&atilde;o consegue aceitar os que sofrem e n&atilde;o &eacute; capaz de contribuir, mediante a com-paix&atilde;o, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido, &eacute; uma sociedade cruel&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O sofrimento permanece sempre carregado de mist&eacute;rio, dif&iacute;cil de aceitar e suportar&rdquo;, escreve ainda o Papa na Mensagem deste ano, que ao mesmo tempo aponta uma palavra iluminadora, lembrando a pequena frase da primeira Carta de S. Pedro: &ldquo;Pelas Suas chagas fostes curados&rdquo; (1 Pd 2,24).<\/p>\n<p>No rosto dos doentes, o rosto de Cristo<\/p>\n<p>Assim, para iluminar o sofrimento humano, a grande refer&ecirc;ncia &eacute; o Mist&eacute;rio Pascal de Jesus. O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou; por isso, aquelas chagas tornam-se sinal da nossa reden&ccedil;&atilde;o, do perd&atilde;o e da reconcilia&ccedil;&atilde;o com o Pai; tornam-se, tamb&eacute;m, uma prova para a f&eacute; dos disc&iacute;pulos.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio de Jesus de que o Filho do Homem, Ele pr&oacute;prio, deveria sofrer para consumar a Sua obra, foi um esc&acirc;ndalo para os disc&iacute;pulos, provocando um verdadeiro drama para a sua f&eacute;. Mas, &ldquo;somente um Deus que nos ama, a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, &eacute; digno de f&eacute;&rdquo; (Bento XVI, Mensagem da P&aacute;scoa, 2007).<\/p>\n<p>E o Santo Padre termina a sua Mensagem, dirigindo-se &agrave;s Autoridades, a fim de que invistam cada vez mais energias em estruturas m&eacute;dicas; sa&uacute;da os Bispos e os sacerdotes, todas as pessoas consagradas, os agentes no campo da sa&uacute;de, os volunt&aacute;rios e quantos se dedicam, com amor, a cuidar e aliviar as chagas de cada irm&atilde;o e irm&atilde; doente: &ldquo;nos rostos dos doentes sabei ver, sempre, o Rosto dos rostos: o de Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p>A concluir, Bento XVI exprime o seu afecto a todos e a cada um dos doentes, solid&aacute;rio nos sofrimentos e nas esperan&ccedil;as deles, para que Cristo crucificado e ressuscitado lhes conceda a paz e a cura f&iacute;sica e espiritual!<\/p>\n<p><em>Um grande desafio para os crist&atilde;os<\/em><\/p>\n<p>Acompanhar a pessoa doente &eacute; um desafio para os crist&atilde;os! E o lugar ideal para que os crist&atilde;os exer&ccedil;am o seu amor pelos doentes, idosos, solit&aacute;rios, &eacute; na Comunidade paroquial. Os hospitais e as cl&iacute;nicas s&atilde;o lugares de passagem. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso n&atilde;o esquecer que os doentes s&atilde;o membros efectivos da comunidade paroquial.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta visitar as pessoas doentes, mas assisti-las em suas necessidades b&aacute;sicas, como a alimenta&ccedil;&atilde;o, o arrumo da casa ou at&eacute; a ajuda econ&oacute;mica. E apoi&aacute;-los, espiritualmente, com a ora&ccedil;&atilde;o e os sacramentos.<\/p>\n<p>A Igreja que somos, atrav&eacute;s das comunidades paroquiais, dever&aacute; apostar, com todas as suas for&ccedil;as, em prestar aux&iacute;lio aos seus membros doentes e a todos os que sentem a necessidade da partilha do carinho, do bem-estar f&iacute;sico e da consola&ccedil;&atilde;o de se sentirem amados.<\/p>\n<p>Neste dia, dedicado a Maria, invocada como Nossa Senhora de Lurdes, confiamos-lhe, como Sa&uacute;de dos enfermos e Consoladora dos aflitos, todos os nossos idosos e doentes. E, como Maria, na hora da nossa cruz, fiquemos de p&eacute;, firmes na f&eacute; e na esperan&ccedil;a que n&atilde;o desilude, e alicer&ccedil;ados na solidez do amor.<\/p>\n<p>Apesar do avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia e das t&eacute;cnicas evolu&iacute;das, o sofrimento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico continua a ferir a vida e a desgastar energias de muita gente. Quem acredita no Senhor Jesus tem, sem d&uacute;vida, mais facilidade em encontrar o sentido da pr&oacute;pria entrega da vida, na dor.<\/p>\n<p><em>Solidariedade e ora&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Como Bispo desta Diocese, embora celebrando o Dia do Doente neste Hospital Dr. N&eacute;lio Mendon&ccedil;a, quero saudar todos os doentes da Madeira e Porto Santo, quantos os acolhem e acompanham, aqueles que os transportam aos locais de assist&ecirc;ncia e aos tratamentos, os volunt&aacute;rios e tamb&eacute;m os profissionais de sa&uacute;de que n&atilde;o podem ser, apenas, t&eacute;cnicos competentes, mas humanamente pr&oacute;ximos dos que procuram recuperar a sa&uacute;de ou minimizar o desgaste, que a doen&ccedil;a imp&otilde;e. A todos asseguro a minha solidariedade e ora&ccedil;&atilde;o, a minha B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Pastor Diocesano.<\/p>\n<p>Hospital Dr. N&eacute;lio Mendon&ccedil;a &ndash; Funchal, 11 de Fevereiro de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanhar o doente, um desafio para o crist&atilde;o! Neste ano de 2011, mais uma vez a Igreja celebra o Dia Mundial do Doente. N&atilde;o &eacute; uma &ldquo;festa&rdquo;, mas a demonstra&ccedil;&atilde;o do amor da Igreja pelos que sofrem. 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