{"id":49866,"date":"2011-02-08T13:11:41","date_gmt":"2011-02-08T13:11:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/08\/escola-catolica-e-iniciativa-publica\/"},"modified":"2011-02-08T13:11:41","modified_gmt":"2011-02-08T13:11:41","slug":"escola-catolica-e-iniciativa-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/escola-catolica-e-iniciativa-publica\/","title":{"rendered":"Escola cat\u00f3lica e iniciativa p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Etienne Verhack, Secret\u00e1rio-geral do Comit\u00e9 Europeu para o Ensino Cat\u00f3lico <!--more--> <\/p>\n<p>O ensino no mundo livre ocidental &eacute; baseado numa s&atilde; colabora&ccedil;&atilde;o entre a iniciativa p&uacute;blica e a iniciativa semi-p&uacute;blica ou, em certos casos, a iniciativa puramente privada, movida por projectos pedag&oacute;gicos particular, como Steiner, entre outros.<\/p>\n<p>A rede cat&oacute;lica semi-p&uacute;blica (liberdade pedag&oacute;gica, sal&aacute;rios pagos pelo Estado e subs&iacute;dios num quadro de entendimento) conta com 25 698 estabelecimentos escolares prim&aacute;rios e secund&aacute;rios na Uni&atilde;o Europeia, sem contar com o pr&eacute;-escolar. O conjunto destas escolas e liceus acolhe cerca de 7, 63 milh&otilde;es de alunos.<\/p>\n<p>&Eacute; importante recordar brevemente os objectivos das escolas cat&oacute;licas. Uma escola cat&oacute;lica quer ser um lugar de educa&ccedil;&atilde;o <em>integral<\/em> da pessoa humana. Isso quer dizer que n&atilde;o se contenta apenas em formar a intelig&ecirc;ncia ou em preparar jovens unicamente para serem empreg&aacute;veis nas empresas. Certamente, o primeiro objectivo de qualquer escola &eacute; ser uma boa escola, com uma excelente forma&ccedil;&atilde;o. O mundo d&aacute;-se conta, mais do que nunca, de que uma boca prepara&ccedil;&atilde;o para um emprego &eacute; importante. Os resultados dos antigos alunos das universidades e escolas superiores mostram que a escola cat&oacute;lica atinge excelentes resultados. No entanto, a escola cat&oacute;lica n&atilde;o se deixa instrumentalizar por inst&acirc;ncias meramente econ&oacute;micas.<\/p>\n<p>A mais-valia da escola cat&oacute;lica &eacute; colocar em di&aacute;logo a vida e a cultura, a cultura e a f&eacute; em  Jesus Cristo. Ela prop&otilde;e aos jovens que confrontem, gradualmente, o conhecimento e a cultura que adquirem com as quest&otilde;es do sentido &uacute;ltimo e com a f&eacute;, num curso de religi&atilde;o cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o a impede de contribuir seriamente para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa e equitativa, ensinando a doutrina social da Igreja e propondo aos jovens compromissos concretos de servi&ccedil;o social. Por isso, a maior parte das escolas cat&oacute;licas da Alemanha obriga os seus alunos a fazer servi&ccedil;o social de duas semanas em hospitais, creches, casas para idosos ou institutos para pessoas com defici&ecirc;ncias. Os alunos s&atilde;o a&iacute; acompanhados pelos pr&oacute;prios professores.<\/p>\n<p>H&aacute; cerca de vinte anos, as escolas cat&oacute;licas de Birmingham (Inglaterra) organizaram uma educa&ccedil;&atilde;o e um ensino para alunos ditos imposs&iacute;veis de gerir. Esta iniciativa generalizou-se, desde ent&atilde;o, noutras regi&otilde;es, tamb&eacute;m por escolas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>O que &eacute; que motiva milh&otilde;es de pais europeus a fazer uso da sua liberdade para escolher uma educa&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica? Porque &eacute; que tantos l&iacute;deres comunistas h&uacute;ngaros e polacos escolheram as raras escolas cat&oacute;licas, que combatiam em p&uacute;blico, para lhes confiar a educa&ccedil;&atilde;o dos seus pr&oacute;prios filhos? Qual foi a raz&atilde;o pela qual o ministro lituano da educa&ccedil;&atilde;o pediu &agrave;s escolas cat&oacute;lica que o ajudassem a redigir os novos programas, ap&oacute;s a queda do Muro de Berlim? O que pode explicar o sucesso das escolas cat&oacute;licas no Egipto ou Marrocos, bem como nas capitais muito multiculturais como Roterd&atilde;o ou Bruxelas (por vezes, mais de 70% de imigrantes nas escolas prim&aacute;rias), ou ainda em Marselha e Lyon, a n&atilde;o ser o seu ensino e a sua educa&ccedil;&atilde;o para a liberdade do homem e para uma responsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade?<\/p>\n<p>Uma das chaves da pedagogia das escolas cat&oacute;licas, segundo inqu&eacute;ritos realizados, por exemplo, nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, &eacute; que a <em>comunidade educativa<\/em> &eacute; ali fortemente valorizada. Assim que uma comunidade se organiza em volta de <em>um &uacute;nico projecto educativo<\/em>, neste caso um projecto claro de humanismo evang&eacute;lico, conjugado com uma preocupa&ccedil;&atilde;o de excel&ecirc;ncia com cada crian&ccedil;a, a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas fica a ganhar.<\/p>\n<p>Queremos sublinhar duas consequ&ecirc;ncias disto: A primeira &eacute; que a <em>solicitude dos professores para com os alunos<\/em> encontra um fundamento, sobretudo um encorajamento. Pensemos no sucesso das escolas dos Salesianos, que apresentam uma rela&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica de amizade. Porque &eacute; que os pais acampam, na B&eacute;lgica, diante das escolas de &laquo;Dom Bosco&raquo; para ter a possibilidade de ali inscrever o seu filho ou a sua filha? Pensemos na espiritualidade de Santo In&aacute;cio, que encoraja desde h&aacute; muitos s&eacute;culos os educadores a tomar conta, de forma personalizada (&laquo;cura personalis&raquo;), da educa&ccedil;&atilde;o de todos os alunos. Esta espiritualidade deu forma a numerosas iniciativas pedag&oacute;gicas no mundo. Os irm&atilde;os das Escolas crist&atilde;s, os Maristas, as Ursulinas e tantas outras escolas de Congrega&ccedil;&otilde;es religiosas e diocesanas elaboraram uma pedagogia personalizada e, ao mesmo tempo, comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Uma segunda consequ&ecirc;ncia &eacute; que o <em>clima de motiva&ccedil;&atilde;o <\/em>&eacute; mais facilmente sustentado, dado que os colegas educadores contribuem pessoalmente e assumem, em conjunto, os desafios no mesmo esp&iacute;rito e em volta dos mesmos valores. As escolas cat&oacute;licas da B&oacute;snia-herzegovina acolhem alunos cat&oacute;licos, ortodoxos, judeus e mu&ccedil;ulmanos num clima pol&iacute;tico e social de tens&atilde;o. Os educadores colocam a sua motiva&ccedil;&atilde;o na sua f&eacute;, cumprindo um trabalho fant&aacute;stico de &laquo;<em>peace-keeping<\/em>&raquo;, de constru&ccedil;&atilde;o da paz entre cren&ccedil;as e ra&ccedil;as, assim como fazem os seus colegas na escola cat&oacute;lica do Kosovo. A motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&oacute;nimo de voca&ccedil;&atilde;o, ali.<\/p>\n<p>Em quase todos os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia, tanto ocidentais como ex-comunistas, os governos exprimiram o seu apre&ccedil;o pelos direitos internacionais de liberdade, mas tamb&eacute;m pela qualidade do contributo das escolas cat&oacute;licas para a sua sociedade, assegurando o pagamento de sal&aacute;rios, incluindo o dos professores de religi&atilde;o, e um subs&iacute;dio no quadro de acordos. As escolas dos pa&iacute;ses de Leste s&atilde;o j&aacute; mais bem subsidiadas do que as escolas (secund&aacute;rias) da It&aacute;lia. &Eacute; evidente que a afirma&ccedil;&atilde;o de liberdades fundamentais s&oacute; tem sentido quando os governos oferecem igualmente os meios necess&aacute;rios para organizar essas liberdades aos pais &ndash; que pagam, ali&aacute;s, os seus impostos &ndash; que fazem a sua livre escolha. Nenhum governo deve temer que a escola cat&oacute;lica seja mais dispendiosa do que a escola p&uacute;blica. A realidade &eacute; que um subs&iacute;dio a escolas cat&oacute;licas &eacute; sin&oacute;nimo de poupan&ccedil;a. Sempre e quando elas sigam os programas oficiais, aceitem inspec&ccedil;&otilde;es e controlos sobre o uso dos subs&iacute;dios e se inscrevam nos direitos do homem.<\/p>\n<p>Num momento em que a Europa est&aacute; em crise, e n&atilde;o s&oacute; a Europa, os governos t&ecirc;m de testemunhar lucidez. Para usar os termos da Comiss&atilde;o Europeia: se a Europa quer ser &laquo;a economia mais competitiva do mundo&raquo;, os seus membros devem reflectir na melhor maneira de fazer frutificar o seu pomar. O meu conselho seria n&atilde;o cortar as &aacute;rvores que d&atilde;o excelentes frutos!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Etienne Verhack,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Secret&aacute;rio-geral do Comit&eacute; Europeu para o Ensino Cat&oacute;lico &ndash; CEEC<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em><a href=\"http:\/\/www.ceec.be\/\">www.ceec.be<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Etienne Verhack, Secret\u00e1rio-geral do Comit\u00e9 Europeu para o Ensino Cat\u00f3lico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,199,203,252,296],"class_list":["post-49866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-maristas","tag-salesianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}