{"id":49862,"date":"2011-02-08T12:51:58","date_gmt":"2011-02-08T12:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/02\/08\/cuidados-paliativos-humanismo-que-faz-diferenca\/"},"modified":"2011-02-08T12:51:58","modified_gmt":"2011-02-08T12:51:58","slug":"cuidados-paliativos-humanismo-que-faz-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuidados-paliativos-humanismo-que-faz-diferenca\/","title":{"rendered":"Cuidados Paliativos: Humanismo que faz diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>S\u00f3nia Neves, Ag\u00eancia Ecclesia <!--more--> <\/p>\n<p><strong>Cuidados Paliativos: Humanismo que faz diferen&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&oacute;nia Neves, Ag&ecirc;ncia Ecclesia (reportagem)<\/strong><\/p>\n<p>Os corredores do Hospital est&atilde;o quentes e alguns doentes d&atilde;o passos em chinelos silenciosos. No &acirc;mbito do dia mundial do doente a ECCLESIA foi ao Hospital do Mar, na Bobadela, em Lisboa, e conseguiu perceber como h&aacute; tantos doentes que ali se sentem em casa: afinal, o hospital devia ser um s&iacute;tio que d&aacute; sa&uacute;de e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Frei Herm&iacute;nio Ara&uacute;jo, sacerdote franciscano, &eacute; o capel&atilde;o deste hospital. &Eacute; ele que conhece aqueles corredores como ningu&eacute;m e os preenche com o seu riso e boa disposi&ccedil;&atilde;o. Ali sente que cada doente tem de ter o seu espa&ccedil;o, a fam&iacute;lia ter um lugar privilegiado e, mesmo no sofrimento de cada doen&ccedil;a, prolongada em muitos casos, dar valor &agrave; vida e ao bem-estar do ser humano.<\/p>\n<p>Ele &eacute; um dos elementos da equipa de cuidados paliativos deste hospital. &Eacute; com ele que percebemos que ningu&eacute;m tem a dor do doente mas tem de se ter empatia com o doente, &ldquo;trata-se de um modelo &eacute;tico relacional, uma &eacute;tica de cuidado e de compaix&atilde;o e estes cuidados integram a espiritualidade como meio terap&ecirc;utico&rdquo;, afirmava o capel&atilde;o.<\/p>\n<p>Caminhamos a passo ritmado. As sauda&ccedil;&otilde;es acontecem com naturalidade, doentes e familiares, crentes e n&atilde;o crentes, todos identificam o padre de bata branca. &ldquo;Todos me conhecem, porque tento estabelecer rela&ccedil;&atilde;o com todos. N&atilde;o imponho a religi&atilde;o a ningu&eacute;m e momentos de espiritualidade todos temos, como partilhar a vida, as experi&ecirc;ncias e os afectos&hellip;&rdquo;, confessa Frei Herm&iacute;nio denunciando o gosto pelo que faz.<\/p>\n<p>&Eacute; num quarto de luz apagada que se encontra D. Teresa, senhora de 71 anos, doente oncol&oacute;gica. Est&aacute; no hospital do Mar h&aacute; 2 anos e ali sente-se bem. &ldquo;Gosto de c&aacute; estar e as visitas do Frei Herm&iacute;nio s&atilde;o muito boas. Ele incute-nos sentimentos bons, &eacute; nele que vemos a representa&ccedil;&atilde;o de Cristo. E al&eacute;m disso &eacute; muito alegre!&rdquo;, conta emocionada &agrave; ECCLESIA. Os ter&ccedil;os est&atilde;o pendurados na cama e junto &agrave; cabeceira est&aacute; uma imagem do Menino Jesus. D. Teresa confessa mesmo que, &ldquo;falo com ele todos os dias, &eacute; a minha companhia e conto-lhe tudo o que se passa&rdquo;.<\/p>\n<p>&Agrave; conversa com Frei Herm&iacute;nio percebemos que esta &eacute; uma doente paliativa, que tem de ser vigiada e controlada todos os dias devido ao problema de sa&uacute;de, mas necessita de ganhar apre&ccedil;o pelo dia-a-dia e sentir-se mimada. O sacerdote franciscano dizia que &ldquo;mesmo s&oacute;, esta doente n&atilde;o se pode sentir sozinha, e a nossa responsabilidade &eacute; dar-lhe qualidade de vida a todos os n&iacute;veis, social, psicol&oacute;gica e espiritual.&rdquo;<\/p>\n<p>Noutro corredor entramos num quarto preenchido por desenhos de crian&ccedil;a, que tentam dar cor aos dias de uma av&oacute; que esqueceu o presente, a doen&ccedil;a de Alzheimer chegou ainda cedo&hellip; Stella &eacute; a filha que a visita todos os dias. H&aacute; 4 anos que chegou ao Hospital do Mar e tinha a certeza que a m&atilde;e ia ser bem tratada. &ldquo;&Eacute; muito dif&iacute;cil ver a minha m&atilde;e desta forma. Ela n&atilde;o fala, n&atilde;o se mexe, pouco abre os olhos, nem sei se me conhece, mas tem de ser assim, dia ap&oacute;s dia&hellip;&rdquo;, afirmava &agrave; ECCLESIA, com as l&aacute;grimas a cair pelo rosto.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o s&oacute; os doentes precisam de apoio&hellip; Mas as fam&iacute;lias precisam de for&ccedil;a a cada hora para ultrapassar a situa&ccedil;&atilde;o e depois n&atilde;o ficarem mazelas para toda uma vida&rdquo;, como nos explicava o capel&atilde;o.<\/p>\n<p>Do lado de fora do quarto ouvem-se dizer n&uacute;meros&hellip; &laquo;vinte e nove&raquo;&hellip; &laquo;quarenta e cinco&raquo;&hellip; &laquo;sete&raquo;&hellip; em mesas redondas, v&aacute;rios doentes e duas funcion&aacute;rias jogam ao loto. Podia ser um simples passatempo, mas Frei Herm&iacute;nio explica tratar-se de um m&eacute;todo terap&ecirc;utico. &ldquo;Numa zona de dem&ecirc;ncia &eacute; essencial exercitar o c&eacute;rebro e fazer os doentes pensar. Pequenos jogos como este fazem com que se sintam ocupados e n&atilde;o alheados de tudo, o que lhes pode adiar novas fases da doen&ccedil;a. Aqui combina-se ci&ecirc;ncia e humanismo, chamam-se cuidados paliativos&rdquo;.<\/p>\n<p>E s&atilde;o os cuidados paliativos que d&atilde;o qualidade de vida e conforto a muitos doentes do Hospital do Mar. M&eacute;dicos, enfermeiros, psic&oacute;logos e um padre constituem uma equipa que, atenta a cada caso, humaniza o hospital e estabelece la&ccedil;os de afecto com doentes e familiares. &Eacute; nesta cadeia de afectos que o dia mundial do doente se passa, com celebra&ccedil;&atilde;o de eucaristia e uns mimos especiais, colorindo dias que podiam apenas ser cinzentos&hellip;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>S&oacute;nia Neves, Ag&ecirc;ncia ECCLESIA<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3nia Neves, Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[166,199],"class_list":["post-49862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-dia-mundial-do-doente","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}