{"id":4977,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/e-agora\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-agora\/","title":{"rendered":"E agora?"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Paulo Areia de Carvalho, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa Pela Vida <!--more--> Depois de acesa discuss\u00e3o na sociedade civil, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e nos meandros da pol\u00edtica, na semana passada foram chumbados, na Assembleia da Rep\u00fablica, todos os projectos-lei que visavam a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto ou a realiza\u00e7\u00e3o de um novo referendo que tinha como finalidade \u00fanica ser mais uma tentativa dos abortistas em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o. Como sempre, do lado dos que defendem o aborto, a argumenta\u00e7\u00e3o foi de tipo b\u00e1sico e panflet\u00e1rio, com repeti\u00e7\u00e3o dos slogans do costume, com muita mentira e engano \u00e0 mistura, com campanhas bem organizadas, com a intoxica\u00e7\u00e3o constante do apelo ao aborto livre, sob a capa da sua inevitabilidade: tudo servia, tudo era aproveitado. Foi, como se costuma dizer, um momento do \u201cvale tudo\u201d! \u201cTudo\u201d, diga-se, na pretensa defesa dos interesses das mulheres portuguesas, que os abortistas n\u00e3o se cansam de elevar-se em grandes arautos. Alguns iluminados \u2013 os do costume\u2026 \u2013 julgavam ser j\u00e1 os \u00fanicos int\u00e9rpretes aut\u00eanticos da vontade popular que, asseguravam, j\u00e1 tinha mudado completamente. O Julgamento de Aveiro foi aproveitado at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o e os sentimentos dos envolvidos explorados de forma despudorada; repetia-se que \u00e9 uma humilha\u00e7\u00e3o que uma mulher tenha que ir a Tribunal. Muitos devem at\u00e9 ter-se esquecido que os Tribunais s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os de soberania, que nos termos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa, que t\u00eam por miss\u00e3o \u201cadministrar a Justi\u00e7a em nome do povo\u201d (art. 202\u00ba, n\u00ba 1 da CRP). Mas pronto, a ideia da humilha\u00e7\u00e3o perpetrada pelos Tribunais, l\u00e1 ia sendo repetida at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o. Falava-se em profundas divis\u00f5es em alguns partidos pol\u00edticos. Aqui j\u00e1 era a quest\u00e3o do aborto a ser instrumentalizada como simples arma de arremesso no \u00e2mbito do puro combate pol\u00edtico-partid\u00e1rio. Descontextualizadas, as declara\u00e7\u00f5es de D. Armindo, Bispo do Porto, eram repetidas por quem sistematicamente despreza, da forma mais prim\u00e1ria, a hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica. Com grande pompa, foi apresentada uma peti\u00e7\u00e3o que reunia mais de 120.000 assinaturas\u2026 Parecia mesmo que tudo tinha mudado, que aquilo em que at\u00e9 agora acredit\u00e1vamos, tinha ru\u00eddo e desaparecido. S\u00f3 que, mais uma vez, se enganaram aqueles que t\u00eam a v\u00e3 pretens\u00e3o de falar pelo povo, sem o ouvir \u2026  No dia 3 de Mar\u00e7o de 2004, o Parlamento rejeitou todas as propostas de liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto! E agora? Sim, pergunto repetidamente, e agora? Porqu\u00ea o sil\u00eancio em face desta pergunta t\u00e3o simples que todos sentimos vontade de fazer? Porque se calam aqueles que diziam ser os defensores das mulheres? O que prop\u00f5em, o que sugerem, o que pedem? Nada, absolutamente nada!! Remetem-se a um sil\u00eancio tal, que apenas demonstra como tudo n\u00e3o passou de mero espect\u00e1culo pol\u00edtico e ideol\u00f3gico, no qual at\u00e9 as causas mais elevadas foram instrumentalizadas sem escr\u00fapulos. Se o que defendem \u00e9 o melhor para as mulheres e para as fam\u00edlias, porque raz\u00e3o nada t\u00eam para propor agora? Porque ficam t\u00e3o calados? Querem resolver os problemas, ou querem apenas e somente o aborto? Em abono da verdade, devo reconhecer que nem todos ficaram calados e no vazio da sua falta de propostas: na comemora\u00e7\u00e3o do seu anivers\u00e1rio, o PCP veio j\u00e1 afirmar que, quando a maioria parlamentar for diferente, voltar\u00e1 a propor exactamente a mesma coisa\u2026 \u00c9 triste, mas exemplar!  Felizmente n\u00e3o somos todos assim. H\u00e1 ainda quem n\u00e3o aceite que estejamos votados fatalmente \u00e0 incompet\u00eancia ou \u00e0 simples discuss\u00e3o pela discuss\u00e3o. Uma vaga de fundo surgiu durante o m\u00eas de Fevereiro por iniciativa de um grupo de cidad\u00e3os an\u00f3nimos denominado \u201cMais Vida, Mais Fam\u00edlia\u201d. Reuniu, num espa\u00e7o t\u00e3o curto de quatro semanas, mais de 200.000 assinaturas pedindo respeito pela vida humana, respeito pela fam\u00edlia e a manuten\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre o aborto. Este grupo de cidad\u00e3os construiu o maior cord\u00e3o humano alguma vez feito em Portugal, e logo um cord\u00e3o constru\u00eddo em torno de um valor civilizacional elementar: o respeito pela vida! Centenas de milhar de portugueses gritaram que a vida humana \u00e9 para ser respeitada desde o primeiro ao \u00faltimo momento. Mas disseram mais: disseram que n\u00e3o querem ficar por aqui, que n\u00e3o se sentem satisfeitos apenas dizendo n\u00e3o ao aborto, participando numa discuss\u00e3o. Exigem constru\u00e7\u00e3o! Pedem \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica e ao Governo que, cada um dentro da sua esfera de compet\u00eancia, produzam legisla\u00e7\u00e3o e medidas de execu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que desenvolvam uma cultura de respeito pela vida humana. Que se comece a apoiar de forma sistem\u00e1tica a gr\u00e1vida em dificuldade, nomeadamente atrav\u00e9s dos Centros de Apoio \u00e0 Vida \u2013 como medida espec\u00edfica dirigida ao apoio da gr\u00e1vida em dificuldade -; que se proteja a vida humana embrion\u00e1ria, nomeadamente impedindo a cria\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es excedent\u00e1rios no \u00e2mbito da procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida ou atrav\u00e9s da regulamenta\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o em embri\u00f5es para que esta apenas ocorra quando em benef\u00edcio do pr\u00f3prio embri\u00e3o em causa; reclamaram a proibi\u00e7\u00e3o da clonagem reprodutiva ou da terap\u00eautica, se esta implicar a reprodutiva; que se apoiem as fam\u00edlias que acolhem os seus familiares idosos; que se respeite a autonomia dos pais na educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos, em especial na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o sexual; que se desagrave, progressivamente, a carga fiscal sobre as fam\u00edlias. Eis um conjunto de medidas concretas, aqui indicado apenas em breve sum\u00e1rio, que estes mais de 200.000 cidad\u00e3os portugueses querem ver imediatamente executadas. Trata-se de um objectivo positivo, construtivo, de quem quer chegar para l\u00e1 dos valores, de quem v\u00ea para al\u00e9m da discuss\u00e3o, de quem pretende ir para al\u00e9m da cr\u00edtica destrutiva. \u00c9, por isso, dever do Governo, e da maioria parlamentar que o apoia, mostrar que percebeu o sinal que lhe foi dado pelo povo; pelo povo real, que n\u00e3o escreve artigos de opini\u00e3o, mas que tem a sua opini\u00e3o e a sua convic\u00e7\u00e3o!   Porto, 8 de Mar\u00e7o de 2004 Jos\u00e9 Paulo Areia de Carvalho, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa Pela Vida <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Paulo Areia de Carvalho, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa Pela Vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,131,170,187,193,206],"class_list":["post-4977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-clonagem","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}