{"id":49730,"date":"2011-01-31T13:26:46","date_gmt":"2011-01-31T13:26:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/31\/conferencia-do-arcebispo-de-braga-na-vi-jornada-da-familia-vila-nova-de-famalicao\/"},"modified":"2011-01-31T13:26:46","modified_gmt":"2011-01-31T13:26:46","slug":"conferencia-do-arcebispo-de-braga-na-vi-jornada-da-familia-vila-nova-de-famalicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-do-arcebispo-de-braga-na-vi-jornada-da-familia-vila-nova-de-famalicao\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia do arcebispo de Braga na VI Jornada da Fam\u00edlia, Vila Nova de Famalic\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Educar e Testemunhar<\/strong><\/p>\n<p>Educar e Testemunhar segundo a Boa-Nova de Jesus Cristo &eacute; uma verdadeira &ldquo;emerg&ecirc;ncia&rdquo; na miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>Ao longo dos s&eacute;culos a Igreja exerceu a sua miss&atilde;o no campo do ensino. Os disc&iacute;pulos reuniram-se em torno de Jesus, Mestre da Palavra, pedagogo ex&iacute;mio, porque cheio da sabedoria de Deus-Pai. A primeira comunidade crist&atilde; era ass&iacute;dua ao &ldquo;ensino dos ap&oacute;stolos&rdquo; e ao testemunho que davam do amor de Deus. A Igreja, com a gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo, com o contributo de homens e mulheres s&aacute;bios, desde sempre ajudou a desvendar o mist&eacute;rio da cria&ccedil;&atilde;o e do homem.<\/p>\n<p>&nbsp;Estamos numa sociedade e num tempo novo que exige de n&oacute;s o esfor&ccedil;o cont&iacute;nuo de repensar os modelos educativos. O que significa educar? Que educa&ccedil;&atilde;o para hoje? Que projectos educativos existem? Como educar e para qu&ecirc;? S&atilde;o quest&otilde;es que certamente j&aacute; foram levantadas e debatidas ao longo desta Jornada de reflex&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o sem raz&atilde;o se diz que as figuras tradicionalmente educativas se adaptaram, por via das circunst&acirc;ncias do tempo, &agrave;s correntes pedag&oacute;gicas do facilitismo e da lei do menor esfor&ccedil;o. Acomodaram-se aos conselhos de pedagogias centradas na auto-realiza&ccedil;&atilde;o individual sem vislumbrar uma cultura da fraternidade e da partilha de valores. Um panorama que contagiou a Fam&iacute;lia, a Escola e a pr&oacute;pria Igreja. Assim:<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia, na sua forma materna e paterna, j&aacute; n&atilde;o ousa contrariar as crian&ccedil;as e permite precocemente, por demiss&atilde;o ou por omiss&atilde;o, todo o tipo de experi&ecirc;ncias que desequilibram o crescimento integral da pessoa. &Eacute; preciso clareza e comunh&atilde;o no exerc&iacute;cio do testemunho parental. Onde est&aacute; um sim tamb&eacute;m pode estar um n&atilde;o.<\/p>\n<p>&middot;A escola, na perspectiva redutora de uma forma&ccedil;&atilde;o pluricultural, n&atilde;o tem sido capaz de delinear um projecto educativo respeitador e promotor de uma cultura verdadeiramente humana. Imp&otilde;e-se a todo o custo uma ideologia educativa estatal com a consequente elimina&ccedil;&atilde;o silenciosa de todas as propostas educativas que orientem para os valores do testemunho, da autoridade, da seriedade, da vontade de trabalho e de iniciativa, da f&eacute; e da vis&atilde;o crist&atilde; do mundo.<\/p>\n<p>A Igreja, na sua tarefa irrenunci&aacute;vel de apresentar um projecto educativo &agrave; luz do pensamento crist&atilde;o, nem sempre tem sido capaz de propor um itiner&aacute;rio de crescimento e de di&aacute;logo entre a f&eacute; e a raz&atilde;o. A forma&ccedil;&atilde;o dos agentes educativos da Igreja &eacute; urgent&iacute;ssima porque estamos a perder oportunidades &uacute;nicas de testemunhar com a vida o an&uacute;ncio primordial da f&eacute; crist&atilde;. &Eacute; tempo de perguntar se a actual catequese &eacute; um itiner&aacute;rio que educa e forma disc&iacute;pulos de Cristo? As fam&iacute;lias sentem-se respons&aacute;veis pela catequese dos seus filhos? Como temos acompanhado aqueles jovens que ap&oacute;s o crisma n&atilde;o regressam &agrave; comunidade? O que temos para lhes oferecer? Que novos minist&eacute;rios poder&atilde;o surgir nas nossas comunidades &agrave; luz dos dons variados dos nossos jovens? Ser&aacute; que a proposta de anunciar o Evangelho na comunidade se resume &agrave; presen&ccedil;a dominical, a ser leitor, ac&oacute;lito ou membro do grupo coral?<\/p>\n<p>Se estes tradicionais lugares de educa&ccedil;&atilde;o est&atilde;o a perder a sua capacidade de formar teremos de voltar a acreditar na fam&iacute;lia como a primeira escola da esperan&ccedil;a e da comunh&atilde;o. N&atilde;o basta ser pai ou m&atilde;e. &Eacute; preciso ter a humildade para reconhecer que educar exige disponibilidade, encontro, presen&ccedil;a e acompanhamento. Tamb&eacute;m as comunidades crist&atilde;s devem exercer essa miss&atilde;o educadora na f&eacute;, testemunho e desafiando os jovens a colocar os seus dons ao servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Nesse sentido &eacute; para a Igreja um aut&ecirc;ntico desafio criar novos minist&eacute;rios que se aproximem dos dons dos mais novos de modo que as suas qualidades possam ser acolhidas para o crescimento da comunidade. Indico alguns minist&eacute;rios poss&iacute;veis: a utiliza&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias (p&aacute;gina da internet do arciprestado ou da par&oacute;quia); a elabora&ccedil;&atilde;o de uma equipa de jornalismo que elabore o boletim paroquial e divulgue a f&eacute; crist&atilde; na comunica&ccedil;&atilde;o social; a forma&ccedil;&atilde;o de equipas de voluntariado de ac&ccedil;&atilde;o social (tantos jovens formados em Ci&ecirc;ncias Sociais!); iniciativas de &iacute;ndole cultural onde o pensamento crist&atilde;o seja apresentado com criatividade e originalidade (por exemplo apresentar uma exposi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica a partir das artes pl&aacute;sticas ou da pintura com crian&ccedil;as da catequese ou jovens formados em Belas Artes). N&atilde;o podemos exigir que venham somente &agrave; Eucaristia dominical, &eacute; preciso que a comunidade acolha com a alegria as v&aacute;rias sinergias e dons ao servi&ccedil;o do Evangelho.<\/p>\n<p>Neste compromisso activo e no exerc&iacute;cio de uma cidadania pensante, permiti que partilhe convosco uma preocupa&ccedil;&atilde;o, um apelo e um compromisso:<\/p>\n<p>1 ) Preocupa-me a redu&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o a uma certa demagogia ideol&oacute;gica. Ultimamente verifica-se uma polariza&ccedil;&atilde;o da perspectiva economicista da educa&ccedil;&atilde;o. Por nosso lado n&atilde;o podemos deixar de dizer que o ensino privado n&atilde;o pode ser visto como contraponto do estatal. O ensino privado &eacute; ensino p&uacute;blico na medida em que est&aacute; ao servi&ccedil;o de toda a sociedade na forma&ccedil;&atilde;o dos quadros directivos e do tecido produtivo do nosso pa&iacute;s. Certamente que a quest&atilde;o econ&oacute;mica n&atilde;o &eacute; despicienda mas &eacute; necess&aacute;rio garantir o direito das fam&iacute;lias poderem escolher o modelo educativo para os seus filhos.<\/p>\n<p>2) Apelo a uma educa&ccedil;&atilde;o integral resultante de testemunho de vida e da compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica de todos aqueles que interagem no acompanhamento vocacional das crian&ccedil;as e dos jovens. Uma educa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja auto-realiza&ccedil;&atilde;o ou funcionalista mas que eduque as novas gera&ccedil;&otilde;es para uma cidadania exigente e activa na luta por um progresso justo e humano.<\/p>\n<p>3) Como crist&atilde;os n&atilde;o podemos deixar de propor uma educa&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica, universal e diversificada, que toque as grandes quest&otilde;es da nossa exist&ecirc;ncia. Educar na f&eacute; &eacute; seguir a pedagogia de Jesus que inicia os disc&iacute;pulos a partir do testemunho relacional com Deus, Seu e nosso Pai.<\/p>\n<p>Por isso, a todos deixo uma palavra de encorajamento para darmos raz&otilde;es de esperan&ccedil;a &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es. A v&oacute;s, pais e educadores na f&eacute;, pe&ccedil;o que testemunheis com a vida aquilo que ensinais, porque v&oacute;s sois os primeiros respons&aacute;veis no crescimento harmonioso e sadio dos vossos filhos. N&atilde;o desanimeis na bela miss&atilde;o de educar humanamente aqueles e aquelas que dar&atilde;o continuidade &agrave; obra da cria&ccedil;&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>Famalic&atilde;o, 29 de Janeiro de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar e Testemunhar Educar e Testemunhar segundo a Boa-Nova de Jesus Cristo &eacute; uma verdadeira &ldquo;emerg&ecirc;ncia&rdquo; na miss&atilde;o da Igreja. Ao longo dos s&eacute;culos a Igreja exerceu a sua miss&atilde;o no campo do ensino. Os disc&iacute;pulos reuniram-se em torno de Jesus, Mestre da Palavra, pedagogo ex&iacute;mio, porque cheio da sabedoria de Deus-Pai. 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