{"id":49697,"date":"2011-01-27T17:30:03","date_gmt":"2011-01-27T17:30:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/27\/75-anos-na-evangelizacao-do-mundo-operario\/"},"modified":"2011-01-27T17:30:03","modified_gmt":"2011-01-27T17:30:03","slug":"75-anos-na-evangelizacao-do-mundo-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/75-anos-na-evangelizacao-do-mundo-operario\/","title":{"rendered":"75 Anos na Evangeliza\u00e7\u00e3o do Mundo Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>LOC\/MTC <!--more--> <\/p>\n<p>Celebrar os 75 anos de vida da LOC\/MTC significa, entre outros motivos, avivar a nossa mem&oacute;ria sobre tantos homens e mulheres que sempre, inspirados no Evangelho e no Ensino Social da Igreja, fizeram deste movimento uma refer&ecirc;ncia, seja na vida eclesial, seja no campo sindical, pol&iacute;tico ou social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A figura do padre Abel Varzim<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Portugal no ano de 1936, a partir dos C&iacute;rculos Cat&oacute;licos de Oper&aacute;rios e da Uni&atilde;o Social Cat&oacute;lica, este movimento aparece integrado nos organismos especializados da Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica para adultos do meio oper&aacute;rio: LOC &ndash; Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica para os homens e LOCF &ndash; Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica Feminina para as mulheres.<\/p>\n<p>Temos de referir aqui a relev&acirc;ncia que teve na projec&ccedil;&atilde;o inicial do movimento o facto de ser nomeado para o cargo de seu assistente eclesi&aacute;stico a eminente figura de Abel Varzim, padre e soci&oacute;logo, natural da Arquidiocese de Braga. Foi com este esteio fundamental que a LOC deu um not&oacute;rio contributo na &ldquo;recondu&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores &agrave; posi&ccedil;&atilde;o social a que t&ecirc;m direito&rdquo;, segundo palavras da &eacute;poca. Mas a ac&ccedil;&atilde;o do Padre Abel Varzim foi t&atilde;o inc&oacute;moda para os poderes instalados da altura que este acabou por ser perseguido pelo regime ditatorial do Estado Novo e, por press&atilde;o deste, demitido pela Hierarquia da Igreja, que o respeitava, de assistente nacional. Este facto ocorreu em 1948.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Primeiros passos<\/strong><\/p>\n<p>Tudo come&ccedil;ou quando, em 1932, o presidente da Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica Portuguesa, D. Ernesto Sena de Oliveira, pediu aos padres Abel Varzim e Manuel Rocha, que estudavam ci&ecirc;ncias sociais na Universidade de Lovaina, a elabora&ccedil;&atilde;o do projecto de bases da mesma Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, ainda nascente, n&atilde;o suspeitando, decerto, que estava a tomar uma decis&atilde;o de enorme alcance hist&oacute;rico.<\/p>\n<p>Com efeito, aqueles padres soci&oacute;logos n&atilde;o se limitaram a formular um conjunto de artigos jur&iacute;dicos que viessem a regular a vida da organiza&ccedil;&atilde;o, mas propunham sobretudo uma ideia: Que a Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica se estruturasse a partir de um conjunto de movimentos espec&iacute;ficos de cada meio social; isto &ldquo;para que se n&atilde;o verificasse uma supremacia dos intelectuais sobre os oper&aacute;rios, das senhoras sobre as mulheres&rdquo;, experimentada j&aacute; em algumas institui&ccedil;&otilde;es cong&eacute;neres de outros pa&iacute;ses que se organizavam de forma conjunta.<\/p>\n<p>Esta proposta de &ldquo;especializa&ccedil;&atilde;o&rdquo; contrariava por&eacute;m uma forte corrente de pensamento, interna e externa, que se batia pela &ldquo;unidade&rdquo;, nuns casos por genu&iacute;na escolha, noutros por ced&ecirc;ncia, consciente ou n&atilde;o, &agrave;s subtis press&otilde;es do regime ditatorial do Estado Novo que se estruturava tamb&eacute;m nessa altura &agrave; volta da sua suposta &ldquo;unidade&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um Movimento oper&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>Os argumentos a favor da especializa&ccedil;&atilde;o por meios sociais eram por&eacute;m muito fortes e, sobretudo, muito bem fundamentados, e assim nasceram os movimentos de oper&aacute;rios, de estudantes, de rurais, etc; de jovens e de adultos, se o &ldquo;meio&rdquo; continha as duas categorias; sendo que a Manuel Rocha coube a miss&atilde;o de ser assistente nacional da JOC &ndash; Juventude Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica e a Abel Varzim a de o ser da LOC &#8211; Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Conv&eacute;m aqui dizer que a op&ccedil;&atilde;o pelos movimentos especializados coincidia com o pensamento do padre Cardijn, fundador da JOC, com o qual estes dois assistentes privaram na Universidade de Lovaina. Assim, a LOC, tal como a JOC, fazia-se tamb&eacute;m &ldquo;entre eles, por eles e para eles&rdquo;, ou seja, entre, por e para os trabalhadores, pois estes, e ningu&eacute;m em seu nome, &eacute; que deveriam &ldquo;ser protagonistas da pr&oacute;pria liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; desta forma que a LOC vai contribuir, com outros movimentos da Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, para uma consciencializa&ccedil;&atilde;o no interior da Igreja sobre o papel e a miss&atilde;o dos leigos na variedade dos carismas existentes. Mas com o seu dinamismo, a LOC, ao longo dos anos, foi tamb&eacute;m intervindo notavelmente na Hist&oacute;ria do Movimento Oper&aacute;rio em Portugal, adaptando-se aos condicionalismos e necessidades de cada &eacute;poca, sempre na dupla din&acirc;mica de fidelidade aos interesses dos trabalhadores e ao projecto libertador de Jesus Cristo, convicta de que este serve superiormente aqueles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Revis&atilde;o de Vida Oper&aacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>Um per&iacute;odo marcante na vida do Movimento foi, tamb&eacute;m, a d&eacute;cada de 1960, quando &eacute; introduzida a Revis&atilde;o de Vida Oper&aacute;ria que surgiu como aperfei&ccedil;oamento do m&eacute;todo de reflex&atilde;o Ver-Julgar-Agir, lan&ccedil;ado por Jos&eacute; Cardijn, atrav&eacute;s da JOC.<\/p>\n<p>&ldquo;Revis&atilde;o de Vida&rdquo; &eacute; uma express&atilde;o n&atilde;o exclusivamente Locista mas ela encontra neste movimento uma sem&acirc;ntica muito especial e uma pr&aacute;tica permanente. Por aqui, definiu-se &ldquo;que n&atilde;o h&aacute; militante sem grupo, nem grupo sem Revis&atilde;o de Vida&rdquo;. Realmente, esta metodologia de reflex&atilde;o e de ac&ccedil;&atilde;o generalizou-se na LOC a partir dos anos sessenta e ela &eacute; ainda hoje praticada em pequenos grupos de sete ou oito elementos, reunindo periodicamente.<\/p>\n<p>Por isso dizemos que ser locista implica responsabilidade, pois com este m&eacute;todo n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel &ldquo;existirmos&rdquo; alheios &agrave; reflex&atilde;o, ao compromisso, &agrave; ac&ccedil;&atilde;o e &agrave; convers&atilde;o pessoal. Podemos dizer que a Revis&atilde;o de Vida &eacute; praticamente todo o Locismo. N&atilde;o se pode deix&aacute;-la na sede, em casa, na Igreja, na f&aacute;brica; nem se pode estar nesses locais sem a sua companhia. A assembleia ou o congresso, a celebra&ccedil;&atilde;o ou o cargo social, n&atilde;o prescindem igualmente do &ldquo;m&eacute;todo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um m&eacute;todo que leva &agrave; participa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A Revis&atilde;o de Vida &eacute; o VER, o JULGAR e o AGIR. N&atilde;o &eacute; um tema ou um assunto para ser discutido numa reuni&atilde;o. &Eacute; uma forma de se ser, de se estar e de se fazer. O grupo re&uacute;ne-se em esp&iacute;rito de Revis&atilde;o de Vida.<\/p>\n<p>&Eacute; uma caracter&iacute;stica essencial do militante locista a participa&ccedil;&atilde;o e o compromisso nas organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias e populares. O Evangelho manda-nos ser fermento na massa, sal da terra e luz do mundo. Ora a pr&aacute;tica da Revis&atilde;o de Vida, quando com qualidade, permite-nos ser a express&atilde;o viva daqueles s&iacute;mbolos nas organiza&ccedil;&otilde;es de trabalhadores, e tornarmo-nos uma mais-valia para a ac&ccedil;&atilde;o destas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A forma&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m na d&eacute;cada de 1960 que &eacute; criado pela LOC o Centro de Cultura Oper&aacute;ria, com o objectivo de dinamizar e realizar cursos de forma&ccedil;&atilde;o sistematizados e rotativos pelas dioceses, permitindo desta forma, a um elevado n&uacute;mero de trabalhadores, a aquisi&ccedil;&atilde;o de ferramentas culturais e pr&aacute;ticas muito &uacute;teis para a profiss&atilde;o e para a vida.<\/p>\n<p>Estes cursos foram cuidadosamente preparados para que a linguagem e os conceitos pudessem ser percebidos pelos participantes com baixo n&iacute;vel escolar e cultural. Mas, principalmente, porque estes cursos iam tamb&eacute;m ser dados, em alguns casos, por dirigentes e militantes da LOC, tamb&eacute;m eles com poucas bases de prepara&ccedil;&atilde;o para esta miss&atilde;o. Mas foi desta confian&ccedil;a e deste protagonismo que muitos locistas se tornaram grandes activistas sindicais, pol&iacute;ticos e sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saber ler os sinais<\/strong><\/p>\n<p>Com a conquista das liberdades, a 25 de Abril de 1974, a LOC adquiriu novas condi&ccedil;&otilde;es para a sua ac&ccedil;&atilde;o, sendo a d&eacute;cada de 1970 e seguintes de um grande dinamismo na sua interven&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>&Eacute; ap&oacute;s o 25 de Abril que se d&aacute; tamb&eacute;m a fus&atilde;o da LOC e da LOCF num &uacute;nico movimento misto. Esta decis&atilde;o sucede por haver j&aacute; algumas equipas de base mistas, e fruto do tempo que se vivia, n&atilde;o deixando esta op&ccedil;&atilde;o, mesmo assim, de ser antecedida por longas reflex&otilde;es e discuss&otilde;es. Havia que salvaguardar n&atilde;o s&oacute; os princ&iacute;pios e carisma dos dois movimentos que at&eacute; eram comuns, mas principalmente a igualdade de g&eacute;nero.<\/p>\n<p>&Eacute; deste t&atilde;o fecundo passado que nos adv&eacute;m a confian&ccedil;a para o presente e o futuro, com a certeza de que a for&ccedil;a transformadora da sociedade prov&eacute;m dos homens e das mulheres. E porque, ao longo destes 75 anos de vida, a LOC &ndash; e, desde 1998, a LOC\/MTC -, sempre promoveu a forma&ccedil;&atilde;o ao longo da vida, permitindo que tantos trabalhadores, dos mais fragilizados, assumam o seu papel de promotores da mudan&ccedil;a contribuindo para um mundo mais justo e humanizado.<\/p>\n<p align=\"right\"><em><a href=\"http:\/\/loc-mtc.ecclesia.pt\/\">LOC\/MTC<\/a> &#8211; &laquo;Voz do Trabalho&raquo;, 27\/01\/2011<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOC\/MTC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[92,168,172,247],"class_list":["post-49697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-25-de-abril","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-loc-mtc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}