{"id":49647,"date":"2011-01-25T14:57:22","date_gmt":"2011-01-25T14:57:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/25\/irma-maria-clara\/"},"modified":"2011-01-25T14:57:22","modified_gmt":"2011-01-25T14:57:22","slug":"irma-maria-clara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/irma-maria-clara\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3 Maria Clara"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves <!--more--> <\/p>\n<p>Temos mais um portugu&ecirc;s a subir aos altares. Lib&acirc;nia do Carmo Telles de Albuquerque, nascida na Amadora em 1843 e falecida em Lisboa a 1 de Dezembro de 1899, ficar&aacute; para sempre conhecida como a agora beata, um dia santa Maria Clara do Menino Jesus. Externamente a sua obra &eacute; a funda&ccedil;&atilde;o da CONFHIC, a Congrega&ccedil;&atilde;o das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o. Mas ela esconde uma hist&oacute;ria paradoxal que nos interpela mais de cem anos depois.<\/p>\n<p>O aspecto mais saliente &eacute; a persegui&ccedil;&atilde;o religiosa. O regime liberal instalado em 1934 foi endemicamente anti-crist&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o que manteve, com altos e baixos, durante quase cem anos. Lib&acirc;nia do Carmo nasceu num per&iacute;odo de acalmia, pois h&aacute; menos de ano e meio que voltara a haver n&uacute;ncio em Lisboa, ap&oacute;s oito anos de cisma. Mas toda a sua vida seria marcada pela sombra anti-religiosa. A persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja em Portugal tinha um aspecto muito marcante, o &oacute;dio &agrave;s ordens religiosas. A vida da Irm&atilde; Clara est&aacute; directamente ligada a ele.<\/p>\n<p>Dos tr&ecirc;s grandes ataques que o Liberalismo lan&ccedil;ou contra a Igreja ap&oacute;s o per&iacute;odo revolucion&aacute;rio, a M&atilde;e Clara esteve directamente ligada a dois, sendo protagonista principal de um deles. A persegui&ccedil;&atilde;o latente do per&iacute;odo costumava rebentar, de vez em quando, em enormes tempestades. As maiores foram o caso das Irm&atilde;s da Caridade, expulsas em 1862, de que Lib&acirc;nia do Carmo era aluna e de cujo Pensionato foi for&ccedil;ada a sair, o caso Sara de Matos, falecida em 1891 numa das casas da Congrega&ccedil;&atilde;o fundada pela M&atilde;e Clara, e o caso Rosa Calmon, de 1901, j&aacute; posterior &agrave; sua morte. Pode assim dizer-se que esta vida esteve mesmo no centro da terr&iacute;vel prova&ccedil;&atilde;o que a Igreja portuguesa sofreu nessas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Aquilo que esta hist&oacute;ria mostra bem &eacute; a forma como Deus lida com a persegui&ccedil;&atilde;o. Perante a arrog&acirc;ncia bastante pateta dos liberais, o Omnipotente responde com uma superabund&acirc;ncia de gra&ccedil;as inesperada e esmagadora. N&atilde;o era suposto haver ordens religiosas. A lei proibia-as. Deus, n&atilde;o s&oacute; cria uma nova, mas cria-a com uma tal esfusiante prosperidade, efic&aacute;cia e influ&ecirc;ncia que esmaga qualquer oposi&ccedil;&atilde;o. V&ecirc;m da Sua infinita miseric&oacute;rdia as in&uacute;meras voca&ccedil;&otilde;es, obras e gestos caritativos, inestim&aacute;veis para resolver os dramas e as mis&eacute;rias que os inimigos da Igreja n&atilde;o conseguiam solucionar.<\/p>\n<p>A dimens&atilde;o envolvida &eacute; impressionante. A Congrega&ccedil;&atilde;o, fundada em 1871 e reconhecida por Roma em 1876, tinha no fim do s&eacute;culo, data da morte da fundadora, 508 irm&atilde;s, das quais 464 professas, 28 novi&ccedil;as e 16 rec&eacute;m admitidas ao h&aacute;bito. Em menos de 30 anos, numa sociedade organizada contra a Igreja, &eacute; quase incompreens&iacute;vel esta multid&atilde;o. &laquo;Nada acontece no mundo sem permiss&atilde;o divina&raquo;, era algo que a Irm&atilde; Maria Clara costumava dizer muitas vezes. A persegui&ccedil;&atilde;o tonta e invejosa aconteceu para se manifestar esta abund&acirc;ncia impar&aacute;vel da miseric&oacute;rdia divina.<\/p>\n<p>O elemento fundamental da sua obra, que a coloca para sempre na hist&oacute;ria de Portugal s&atilde;o milhares e milhares de pobres, doentes, desamparados crian&ccedil;as e infelizes acolhidos, tratados, ajudados, encaminhados. Em &eacute;poca t&atilde;o turbulenta, ela &eacute; um exemplo de atitude crist&atilde; face &agrave; injusti&ccedil;a e &agrave; dor.<\/p>\n<p>Mas o aspecto mais patente &eacute; o sentido de humor de Deus. O Senhor da Hist&oacute;ria tem muita ironia na sua ac&ccedil;&atilde;o, que nem sempre entendemos. O contraste gritante entre aquilo que as leis pretendiam e o que Deus fez chega a ser hilariante. Diz o Salmo segundo: &laquo;Porque se amotinam as na&ccedil;&otilde;es e os povos fazem planos insensatos? Revoltam-se os reis da Terra e os pr&iacute;ncipes conspiram juntos contra o Senhor e o seu ungido. &ldquo;Quebremos as algemas e atiremos para longe de n&oacute;s o seu jugo!&rdquo; Aquele que habita nos c&eacute;us sorri; o Senhor escarnece deles&raquo; (Sl 2, 1-4). A M&atilde;e Clara do Menino de Jesus &eacute; este sorriso de Deus que escarnece dos ma&ccedil;ons portugueses.<\/p>\n<p>Escarnece deles fazendo o bem nas suas barbas. Criando uma congrega&ccedil;&atilde;o, totalmente proibida, que em 1999 tinha 140 obras, sendo 44 hospitais, 41 col&eacute;gios e escolas, 17 asilos de inf&acirc;ncia, 18 asilos de inv&aacute;lidos, 4 creches, 6 cozinhas econ&oacute;micas, 9 hosp&iacute;cios, 2 pensionatos, 5 conventos e 2 noviciados e estava presente, n&atilde;o s&oacute; em todo o Portugal, do Minho ao Algarve, mas expandira-se para Luanda, Goa, Guin&eacute;-Bissau e Cabo Verde. Esta despropor&ccedil;&atilde;o entre o que os homens pretendiam e o que Deus fez &eacute; propriamente um milagre, e assim deve ser visto por n&oacute;s. A vida e obra da M&atilde;e Clara &eacute; um milagre do humor de Deus, que sorri com amor perante os esbracejos dos homens que O querem atacar, e responde &agrave;s persegui&ccedil;&otilde;es com carinho pelos pobres.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves, economista, autor da obra &laquo;Os Santos de Portugal&raquo;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[123,185,250],"class_list":["post-49647","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-cabo-verde","tag-diocese-do-algarve","tag-maria-clara-do-menino-jesus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49647\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}