{"id":49538,"date":"2011-01-18T16:56:57","date_gmt":"2011-01-18T16:56:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/18\/ultima-decada-diversificou-panorama-das-migracoes-em-portugal\/"},"modified":"2011-01-18T16:56:57","modified_gmt":"2011-01-18T16:56:57","slug":"ultima-decada-diversificou-panorama-das-migracoes-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ultima-decada-diversificou-panorama-das-migracoes-em-portugal\/","title":{"rendered":"\u00daltima d\u00e9cada diversificou panorama das migra\u00e7\u00f5es em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Maria do Ros\u00e1rio Farmhouse, alta comiss\u00e1ria para a Imigra\u00e7\u00e3o e o Di\u00e1logo Intercultural, fala num pa\u00eds que hoje acolhe 175 nacionalidades diferentes <!--more--> <\/p>\n<p>Ros&aacute;rio Farmhouse, licenciada em Antropologia com especializa&ccedil;&atilde;o em Antropologia Social, dirige desde 2008 o Alto Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e o Di&aacute;logo Intercultural (ACIDI). Antiga directora do Servi&ccedil;o Jesu&iacute;ta aos Refugiados, recebeu h&aacute; tr&ecirc;s anos o Pr&eacute;mio Padre Ant&oacute;nio Vieira pela sua actividade a favor dos direitos humanos e da integra&ccedil;&atilde;o dos imigrantes em Portugal.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, passa em revista a &uacute;ltima d&eacute;cada das migra&ccedil;&otilde;es em Portugal, com destaque para o novo fluxo de imigrantes, que chegam de diferentes proveni&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; Como retrata esta &uacute;ltima d&eacute;cada de migra&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>Ros&aacute;rio Farmhouse (RF) &#8211;<\/em> A grande diferen&ccedil;a que surgiu foi a diversidade de nacionalidades que chegaram a Portugal. At&eacute; aos finais da d&eacute;cada de 90, princ&iacute;pios de 2000, t&iacute;nhamos imigrantes provenientes essencialmente da &Aacute;frica ou da &Aacute;sia &#8211; pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia e a China.<\/p>\n<p>J&aacute; nesta &uacute;ltima d&eacute;cada, tivemos uma diversidade muito maior, principalmente com os fluxos de Leste, os emigrantes eslavos vindos da Ucr&acirc;nia, Mold&aacute;via, Rom&eacute;nia e tamb&eacute;m a R&uacute;ssia, embora esta em menor n&uacute;mero.<\/p>\n<p>Neste momento temos mais de 175 nacionalidades diferentes, da&iacute; afirmar que a grande diferen&ccedil;a &eacute; a diversidade. Obviamente, o n&uacute;mero tamb&eacute;m subiu, porque os imigrantes s&atilde;o muitos mais do que eram h&aacute; 10 anos.<\/p>\n<p>Acrescento tamb&eacute;m o facto destes novos imigrantes serem provenientes de zonas com as quais Portugal n&atilde;o tinha liga&ccedil;&otilde;es culturais t&atilde;o fortes, algo que fez com que acord&aacute;ssemos para a condi&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s de acolhimento, pois at&eacute; h&aacute; pouco tempo v&iacute;amo-nos mais como pa&iacute;s de partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A comunidade africana queixa-se disso&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>RF &#8211;<\/em> Imagino que possa queixar-se, mas de facto at&eacute; aqui a comunidade africana era muito vista como tendo ra&iacute;zes t&atilde;o profundas com Portugal que n&atilde;o se consideravam estrangeiros. Isso, por um lado, podia ser uma forma de ofuscar ou disfar&ccedil;ar alguns problemas; por outro, tamb&eacute;m era um sinal de que, para os portugueses, eles faziam parte da nossa casa.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o facto de n&atilde;o se ter dispersado tanto, geograficamente, fez com que a comunidade africana fosse mais reconhecida, quer na Grande Lisboa e em Set&uacute;bal, essencialmente, quer no sul do pa&iacute;s, no Algarve.<\/p>\n<p>A comunidade eslava, tal como a comunidade brasileira, nos &uacute;ltimos 10 anos, teve a caracter&iacute;stica de se dispersar pelo pa&iacute;s inteiro. Foi isso que fez acordar as comunidades que estavam mais distantes das grandes cidades e principalmente a Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>As comunidades cat&oacute;licas foram as primeiras a abrir as portas a esta diversidade e a quererem estar preparadas para aceitar o desafio de ver como se pode responder a estas pessoas, que n&atilde;o falam a nossa l&iacute;ngua, que n&atilde;o t&ecirc;m trabalho, que precisam de ajuda nas mais diferentes &aacute;reas. Portugal agitou-se, a verdade &eacute; que o pa&iacute;s acordou para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nesta quest&atilde;o do acolhimento e da ajuda &agrave; integra&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, considera que a sociedade civil, as estruturas governamentais e a Igreja t&ecirc;m dado os passos certos?<\/em><\/p>\n<p><em>RF &#8211;<\/em> Sim, penso que n&oacute;s, talvez por sermos um pa&iacute;s de acolhimento recente, pudemos aproveitar aquilo que de melhor se faz noutros pa&iacute;ses, em termos de boas pr&aacute;ticas. &Eacute; algo que tamb&eacute;m tem muito a ver com a nossa hist&oacute;ria, com a nossa caracteriza&ccedil;&atilde;o como povo, que se reflectiu nesta abertura que a sociedade civil fez logo, atrav&eacute;s das mais diversas associa&ccedil;&otilde;es, principalmente na Igreja Cat&oacute;lica, desenhando aquilo que seria um ideal, no acolhimento aos imigrantes.<\/p>\n<p>Isto, em conjunto com o consenso pol&iacute;tico que se criou, permitiu desenhar pol&iacute;ticas que s&atilde;o reconhecidas internacionalmente, quer no passado quer actualmente.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao ACIDI, n&oacute;s queremos sempre mais e melhor e por isso, neste momento, continuamos com metas ambiciosas no nosso plano 2010-2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Quais s&atilde;o as grandes novidades que o segundo Plano de Integra&ccedil;&atilde;o dos Imigrantes apresenta?<\/em><\/p>\n<p><em>RF &#8211;<\/em> Uma aten&ccedil;&atilde;o especial aos imigrantes idosos, algo que vem dizer tamb&eacute;m que Portugal, afinal, &eacute; um pa&iacute;s de acolhimento h&aacute; bem mais tempo do que se imagina. Aqui temos essencialmente os imigrantes africanos, que j&aacute; c&aacute; estavam, de quem n&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos dado conta, por diversas raz&otilde;es.<\/p>\n<p>Neste momento temos principalmente idosas, vi&uacute;vas idosas, em zonas do Centro Hist&oacute;rico da cidade de Lisboa, a viverem em condi&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis e que precisam de ser ajudadas.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m desta aten&ccedil;&atilde;o especial aos idosos, o plano olha tamb&eacute;m para a promo&ccedil;&atilde;o da diversidade e da interculturalidade, porque, numa altura de crise, consideramos importante dar maior visibilidade aos valores. &Eacute; uma altura para mostramos melhor o que somos e o que temos, e sermos capazes de valorizar cada um como pe&ccedil;a fundamental para o desenvolvimento de Portugal.<\/p>\n<p>&Eacute; isso que queremos concretizar, n&atilde;o deixando que a crise nos transforme cada vez mais em ego&iacute;stas, achando que s&atilde;o os estrangeiros que nos est&atilde;o a dificultar o desenvolvimento, quando eles s&atilde;o, na verdade, um grande factor para o nosso desenvolvimento econ&oacute;mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nota-se ainda a ideia de que, por exemplo, os imigrantes est&atilde;o c&aacute; para roubarem postos de trabalho? Neste contexto de crise, qual &eacute; a melhor atitude a tomar?<\/em><\/p>\n<p><em>RF &#8211;<\/em> O nosso Observat&oacute;rio de Imigra&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s dos seus estudos acad&eacute;micos, tem ajudado a desconstruir estes mitos. Na verdade, os imigrantes est&atilde;o a trabalhar em &aacute;reas que os portugueses j&aacute; n&atilde;o querem, ou est&atilde;o a colaborar em &aacute;reas que dizem respeito &agrave; sua especialidade e especificidade, trabalhos que s&atilde;o atribu&iacute;dos independentemente da origem da pessoa, que chegou l&aacute; por m&eacute;rito pr&oacute;prio, n&atilde;o por ser estrangeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Os imigrantes est&atilde;o a ajudar-nos a sair da crise?<\/em><\/p>\n<p><em>RF &#8211;<\/em> Penso que sim. Primeiro, pela sua capacidade empreendedora, s&atilde;o capazes de partir &agrave; procura de um mundo melhor. N&atilde;o sentem que tenham muito a perder por arriscar e arriscam muito mais do que os portugueses. N&atilde;o se deixam abater t&atilde;o facilmente, perante as adversidades, porque n&atilde;o foi isso que os fez vir.<\/p>\n<p>Posso dizer que a ACIDI est&aacute; a levar a cabo um programa de empreendedorismo imigrante que est&aacute; a ter um sucesso enorme. S&atilde;o pequenas coisas, mas que fazem a diferen&ccedil;a e que est&atilde;o a dar trabalho, quer a imigrantes quer a portugueses.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m interessante verificar que, apesar de estarmos nesta crise t&atilde;o complexa e profunda, n&atilde;o sentimos que eles estejam a regressar a casa. Tirando os imigrantes brasileiros &#8211; muitos deles voltaram a casa porque o seu pa&iacute;s est&aacute;, felizmente, em expans&atilde;o &#8211; os outros acreditam que &eacute; poss&iacute;vel Portugal voltar a estar bem. S&oacute; este factor ajuda a que a nossa auto-estima esteja melhor.<\/p>\n<p>Eles d&atilde;o-nos essa for&ccedil;a. Agora, cada um de n&oacute;s tem de ser capaz de tornar poss&iacute;vel a mudan&ccedil;a que quer ver acontecer, n&atilde;o podemos ficar &agrave; espera que algu&eacute;m fa&ccedil;a algo por n&oacute;s.<\/p>\n<p><em>PR\/JCP\/OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Ros\u00e1rio Farmhouse, alta comiss\u00e1ria para a Imigra\u00e7\u00e3o e o Di\u00e1logo Intercultural, fala num pa\u00eds que hoje acolhe 175 nacionalidades diferentes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[122,185,189,258,291],"class_list":["post-49538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-brasil","tag-diocese-do-algarve","tag-direitos-humanos","tag-migracoes","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49538\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}