{"id":49383,"date":"2011-01-11T11:14:50","date_gmt":"2011-01-11T11:14:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/11\/coracao-de-voluntario\/"},"modified":"2011-01-11T11:14:50","modified_gmt":"2011-01-11T11:14:50","slug":"coracao-de-voluntario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/coracao-de-voluntario\/","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Maria Teresa Maia Gonzalez, Escritora <!--more--> <\/p>\n<p><em>&#8220;O importante n&atilde;o &eacute; o que se d&aacute;, mas o amor com que se d&aacute;&#8221; (Madre Teresa de Calcut&aacute;)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tenho para mim que, neste mundo, n&atilde;o h&aacute; nenhum cora&ccedil;&atilde;o mais poderoso do que o cora&ccedil;&atilde;o de um volunt&aacute;rio. &Eacute; que, nesse cora&ccedil;&atilde;o, o dom do amor e o da alegria que dele deriva s&atilde;o constantemente multiplicados pelo Autor da Vida, cujo Filho Unig&eacute;nito fez, um dia, perante milhares de homens e mulheres famintos, o milagre da multiplica&ccedil;&atilde;o dos p&atilde;es e dos peixes.<\/p>\n<p>O cora&ccedil;&atilde;o do volunt&aacute;rio fez uma op&ccedil;&atilde;o clara: decidiu renunciar ao comodismo, ao conformismo, ao ego&iacute;smo. Decidiu abrir-se para ouvir (e sentir!) a voz dos que n&atilde;o costumam ser ouvidos. E, depois de tomada essa decis&atilde;o essencial, esse cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o mais volta a ser o mesmo, porque se humanizou. N&atilde;o mais consegue ficar indiferente &agrave;s car&ecirc;ncias e afli&ccedil;&otilde;es dos outros. Porque esses &#8220;outros&#8221; passam a fazer parte de si mesmo. E, ent&atilde;o, d&aacute;-se um fen&oacute;meno extraordin&aacute;rio: ao expandir-se para abrigar os outros, o cora&ccedil;&atilde;o do volunt&aacute;rio come&ccedil;a a assemelhar-se ao de Cristo, que como sabemos, &eacute; &#8220;manso, humilde&#8221; e misericordioso.<\/p>\n<p>Para o volunt&aacute;rio &#8211; qualquer que seja o pa&iacute;s em que se encontre &#8211; h&aacute; sempre situa&ccedil;&otilde;es &#8220;de crise&#8221; em que procura colaborar para melhorar a qualidade de vida de quem mais precisa. Hoje em dia, sabendo que o nosso Pa&iacute;s e grande parte do mundo est&atilde;o mergulhados numa crise de que tantos falam e poucos entendem, verificamos que tem havido uma resposta muito positiva da parte de muitos para minorar as car&ecirc;ncias dos mais pobres, veja-se, por exemplo, o caso do Banco Alimentar Contra a Fome. &Eacute; muito bom que todos os cidad&atilde;os partilhem um pouco do que t&ecirc;m, para que muitas institui&ccedil;&otilde;es possam levar o p&atilde;o de cada dia a quem n&atilde;o o tem nem pode ganh&aacute;-lo com o seu trabalho. No entanto, para o volunt&aacute;rio, todo o tempo &eacute; tempo de ajudar quem conta consigo, por isso, n&atilde;o fica &agrave; espera das campanhas de solidariedade (sem d&uacute;vida, importantes), para cumprir a miss&atilde;o que abra&ccedil;ou. Tornou-se um combatente de alma e cora&ccedil;&atilde;o. E o seu combate &eacute; contra a exclus&atilde;o, a indiferen&ccedil;a, a dor, o desespero&hellip;<\/p>\n<p>E o que espera aquele que conta com o cora&ccedil;&atilde;o de um volunt&aacute;rio? Muitas vezes, espera apenas ser ouvido; outras vezes, espera cuidados b&aacute;sicos de higiene; outras ainda espera a m&atilde;o amiga que lhe estende a colher da sopa, porque j&aacute; n&atilde;o consegue alimentar-se sozinho. Mas h&aacute; tamb&eacute;m quem espera ouvir uma palavra de conforto &#8211; arma eficaz no combate &agrave; solid&atilde;o e &agrave; ang&uacute;stia de quem viu a esperan&ccedil;a desmoronar-se como um baralho de cartas.<\/p>\n<p>Quanto ao volunt&aacute;rio, esse tamb&eacute;m espera algo: espera o milagre de fazer nascer um sorriso no rosto do idoso, do &oacute;rf&atilde;o, do recluso, do doente, da pessoa portadora de defici&ecirc;ncia, do sem-abrigo que conta consigo. Espera e, geralmente, alcan&ccedil;a este objectivo, o que o deixa imediatamente feliz. &Eacute; que, como lemos na famosa Ora&ccedil;&atilde;o de S. Francisco de Assis, &#8220;&eacute; dando que se recebe&#8221;. Assim, na vida de um volunt&aacute;rio, o acto de receber e o de dar s&atilde;o um e um s&oacute;. Porque se fundem. Porque um n&atilde;o existe sem o outro.<\/p>\n<p>Tenho o privil&eacute;gio de fazer servi&ccedil;o de voluntariado numa casa de sa&uacute;de que acolhe e cuida de pessoas portadoras de doen&ccedil;a mental e defici&ecirc;ncia profunda. Como qualquer outro volunt&aacute;rio, cedo descobri que recebo incomparavelmente mais do que aquilo que dou, porque os tais &#8220;sorrisos&#8221; que vou ajudando a nascer alimentam a minha alma de uma alegria muito especial que, de outro modo, n&atilde;o conheceria. Uma alegria que eu acredito vir directamente de Cristo, que nos ensinou que tudo o que fizermos por amor, a Ele o faremos. Por isso, o tal sorriso encantador (seja de al&iacute;vio, conforto, de esperan&ccedil;a ou de ternura) que ajudou a nascer est&aacute; exactamente &agrave; altura do seu cora&ccedil;&atilde;o de volunt&aacute;rio. Qualquer outro pr&eacute;mio lhe seria inferior.<\/p>\n<p>O mais importante n&atilde;o &eacute;, de facto, o que se d&aacute;, mas o amor que acompanha o gesto e que lhe deu origem. Ora todo o gesto de um volunt&aacute;rio nasce&hellip; no Cora&ccedil;&atilde;o de Deus! E para Ele regressa, tendo dado frutos.<\/p>\n<p>Neste Ano Europeu do Voluntariado, que muitos sintam a coragem de sa&iacute;rem de si mesmos e avancem prontos a dar &#8211; e a receber! Ser&aacute; preciso um esfor&ccedil;o, sem d&uacute;vida. H&aacute; hor&aacute;rios a ajustar, aprendizagens (&agrave;s vezes um pouco dif&iacute;ceis) a fazer. Compromissos a assumir&hellip; O que posso, desde j&aacute;, dizer &eacute; que esse esfor&ccedil;o vai, certamente, valer a pena!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>M&ordf; Teresa Maia Gonzalez, Escritora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Teresa Maia Gonzalez, Escritora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[112,248,314,329],"class_list":["post-49383","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-europeu-do-voluntariado","tag-madre-teresa","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49383\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}