{"id":49382,"date":"2011-01-11T11:14:00","date_gmt":"2011-01-11T11:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/11\/mudar-o-rumo-da-historia\/"},"modified":"2011-01-11T11:14:00","modified_gmt":"2011-01-11T11:14:00","slug":"mudar-o-rumo-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mudar-o-rumo-da-historia\/","title":{"rendered":"Mudar o rumo da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Ana Patr\u00edcia Fonseca, FEC <!--more--> <\/p>\n<p>O Ano Europeu do Voluntariado, que se celebra em 2011, surge como uma oportunidade para reflectirmos sobre o modelo social em que vivemos nas sociedades ocidentais. Mais do que um ano para promover eventos e multiplicar actividades, o Ano Europeu do Voluntariado deve ser o pretexto para mudar comportamentos e inverter a marcha da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>A Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial foi um marco profundo na sociedade europeia, transformando a rela&ccedil;&atilde;o do homem com a terra, com o trabalho, com o capital, com os meios de produ&ccedil;&atilde;o e com as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Mas, sobretudo, a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial alterou, at&eacute; hoje sem retrocesso, a rela&ccedil;&atilde;o do homem com os outros homens. A partir do s&eacute;culo XVIII, a rela&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria vivida nas aldeias foi engavetada nos pequenos apartamentos das grandes cidades, remetendo cada indiv&iacute;duo para si pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>Precisamos, hoje tamb&eacute;m, de uma nova revolu&ccedil;&atilde;o, que abra o nosso olhar ego centrado para as potencialidades da vida em rela&ccedil;&atilde;o, da vida em comunh&atilde;o. E &eacute; precisamente aqui que o voluntariado pode ser o motor da edifica&ccedil;&atilde;o de um novo paradigma social.<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica activa e continuada de ac&ccedil;&otilde;es de voluntariado exige um olhar para al&eacute;m de n&oacute;s e obriga a perceber, nas diferen&ccedil;as de cada um, caminhos de encontro e aproxima&ccedil;&atilde;o. O voluntariado, enquanto op&ccedil;&atilde;o de vida permanente e comprometida com determinada realidade, faz-nos regressar ao tempo da vizinhan&ccedil;a solid&aacute;ria e implica-nos, necessariamente, na reconstru&ccedil;&atilde;o da matriz da organiza&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Hoje, cada indiv&iacute;duo privilegia, antes de mais, a sua condi&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; fortemente relacionada com a sua posi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica no quadro social. Atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, solid&aacute;ria e gratuita, o capital social sobrep&otilde;e-se ao capital econ&oacute;mico. Aqui, entendemos capital social tal como Lyda Judson Hanifan o formulou, primeiramente, em 1916: &#8220;elementos intang&iacute;veis que s&atilde;o importantes para o quotidiano das pessoas, como a boa vontade, a solidariedade, a compreens&atilde;o e a interac&ccedil;&atilde;o social entre indiv&iacute;duos e fam&iacute;lias, que s&atilde;o caracter&iacute;sticas constitutivas da unidade social. Abandonado a si mesmo, o indiv&iacute;duo &eacute; socialmente um ser indefeso. Mas, ao entrar em contacto com os seus vizinhos, e estes com novos vizinhos, haver&aacute; uma acumula&ccedil;&atilde;o de capital social, que poder&aacute; satisfazer de imediato as suas necessidades sociais e produzir potencialidades sociais suficientes para melhorar de forma substancial as condi&ccedil;&otilde;es de vida de toda a comunidade.&#8221; Com a ac&ccedil;&atilde;o do voluntariado, a vida em sociedade deixa de ser individual e passa a estar aberta ao grupo, &agrave;s suas dificuldades e sucessos. O bem de cada um passa a ser o bem de todos, como &eacute; proposto nos Actos dos Ap&oacute;stolos (Act. 2, 42-47), numa completa invers&atilde;o da l&oacute;gica actual. O voluntariado constitui, por isso, um poderoso instrumento de mudan&ccedil;a social.<\/p>\n<p>No entanto, &eacute; fundamental distinguir voluntariado de circunst&acirc;ncia de voluntariado comprometido. E este &eacute; mais um dos grandes desafios do Ano Europeu de Voluntariado. Em 2011, mais do que aumentar de forma substancial o n&uacute;mero de volunt&aacute;rios, temos que ser capazes de comprometer cada cidad&atilde;o num modo de vida radicalmente novo. O mundo ocidental n&atilde;o tem necessidade de volunt&aacute;rios espor&aacute;dicos, cujas ac&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias. H&aacute;, sim, uma grande urg&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as profundas, nos modos de vida e nas prioridades dos europeus, que sejam capazes de criar uma nova revolu&ccedil;&atilde;o. Em 2011 interessa, pois, promover o voluntariado enquanto raiz de mudan&ccedil;a social, que tenha repercuss&otilde;es hist&oacute;ricas.<\/p>\n<p>A Rede de Voluntariado Mission&aacute;rio, gerida pela FEC est&aacute; a realizar, no &acirc;mbito do Ano Europeu do Voluntariado, uma investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, em parceria com o CIPAF, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o da Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de Paula Frassinetti, que pretende estudar o impacto do voluntariado mission&aacute;rio nas comunidades de miss&atilde;o, nas comunidades de origem dos volunt&aacute;rios e nos pr&oacute;prios volunt&aacute;rios. O objectivo &eacute; recolher dados que permitam uma reflex&atilde;o aprofundada sobre as potencialidades e os desafios deste tipo de voluntariado. Pretende-se tamb&eacute;m que, partindo das conclus&otilde;es do estudo, se possa melhorar o trabalho realizado, de forma que este promova eficazmente o desenvolvimento humano integral, atrav&eacute;s da coopera&ccedil;&atilde;o e solidariedade entre pessoas, comunidades e Igrejas.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ana Patr&iacute;cia Fonseca, Funda&ccedil;&atilde;o Evangeliza&ccedil;&atilde;o e Culturas<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Patr\u00edcia Fonseca, FEC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[112,314,329],"class_list":["post-49382","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-europeu-do-voluntariado","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49382\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}