{"id":49278,"date":"2011-01-04T13:08:32","date_gmt":"2011-01-04T13:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/04\/a-lenta-agonia-das-escolas-publicas-nao-estatais\/"},"modified":"2011-01-04T13:08:32","modified_gmt":"2011-01-04T13:08:32","slug":"a-lenta-agonia-das-escolas-publicas-nao-estatais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-lenta-agonia-das-escolas-publicas-nao-estatais\/","title":{"rendered":"A (lenta) agonia das escolas p\u00fablicas n\u00e3o estatais"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, Secret\u00e1rio Geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas (APEC) <!--more--> <\/p>\n<p>H&aacute; muito que o Estado desejava uma oportunidade destas. As mentes pombalinas dos sucessivos governantes continuam a pensar que a Igreja e a sociedade civil n&atilde;o t&ecirc;m o direito de &ldquo;ensinar&rdquo; e que os pais n&atilde;o t&ecirc;m o direito de escolher a escola para os seus filhos. Essas mentes, muitas delas defensoras das mais amplas liberdades, continuam a pensar que compete ao Estado, n&atilde;o s&oacute; garantir o servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o (que est&aacute; correcto), como tamb&eacute;m prestar em exclusivo esse servi&ccedil;o (o que est&aacute; incorrecto!). Julgam elas que o servi&ccedil;o &ldquo;p&uacute;blico&rdquo; tem de ser obrigatoriamente executado pelo Estado! Para elas, somos mesmo uma &ldquo;fraca&rdquo; sociedade civil!<\/p>\n<p>Se ao longo dos &uacute;ltimos dez anos j&aacute; tem havido sinais de alguma atrofia &agrave;s escolas privadas com ensino gratuito, ao abrigo dos chamados &ldquo;contratos de associa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, com sucessivas diminui&ccedil;&otilde;es do n&uacute;mero de turmas sob este regime, agora, a pretexto da crise, o Estado desfere o maior ataque a estas escolas de que h&aacute; mem&oacute;ria.<\/p>\n<p>Apesar das reac&ccedil;&otilde;es movidas pelos pais e outros educadores, e mau grado as advert&ecirc;ncias moderadas do Presidente da Rep&uacute;blica (ele pr&oacute;prio, como Primeiro-Ministro, galvanizador desta parceria que tanto jeito lhe deu), os diplomas que regulam o apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo foram publicados praticamente sem altera&ccedil;&otilde;es &agrave; proposta inicial do Governo, produzindo mudan&ccedil;as profundas das regras de financiamento.<\/p>\n<p>E agora? Quais os cen&aacute;rios previs&iacute;veis para as estas escolas, muitas delas pertencentes &agrave;s dioceses e a congrega&ccedil;&otilde;es religiosas?<\/p>\n<p>Embora o ano lectivo fosse planeado de acordo com a anterior legisla&ccedil;&atilde;o, a partir deste m&ecirc;s de Janeiro, e at&eacute; Setembro, as escolas v&atilde;o ter de governar-se, no m&aacute;ximo, com 90 000&euro; por turma. Ora se pensarmos que a m&eacute;dia do custo\/ turma se situa(va) nos 114 000&euro; temos uma redu&ccedil;&atilde;o de 21%. (E se nos lembrarmos que h&aacute; escolas cujo custo\/ turma &eacute; mais oneroso, porque t&ecirc;m maioritariamente professores com muitos anos de servi&ccedil;o, este corte pode atingir os 30%!. Paradoxalmente, neste per&iacute;odo, o Estado, para as suas escolas, apenas prev&ecirc; redu&ccedil;&otilde;es de 5,5%!!!).<\/p>\n<p>Perante este novo cen&aacute;rio, que injustamente considera todas as escolas privadas &ldquo;iguais&rdquo;, como garantir com dignidade a qualidade do servi&ccedil;o de educa&ccedil;&atilde;o, que tem sido apan&aacute;gio destas escolas? N&atilde;o se podendo alterar o curr&iacute;culo, h&aacute; que fazer (mais) poupan&ccedil;as. Sabendo-se, por&eacute;m, que os maiores encargos s&atilde;o com os vencimentos dos funcion&aacute;rios, as medidas dirigem-se sobretudo aos docentes. Ou seja, quem j&aacute; est&aacute; habituado a trabalhar intensamente, ter&aacute; de habituar-se a n&atilde;o ser remunerado pelas chamadas &ldquo;horas de cargo&rdquo; (direc&ccedil;&otilde;es de turma e coordena&ccedil;&otilde;es diversas). E se isto n&atilde;o bastar, ter&aacute; de haver, obrigatoriamente, uma redu&ccedil;&atilde;o efectiva do vencimento. &Eacute; claro que, perante este cen&aacute;rio, nenhuma escola se atreve a pensar em novos investimentos. Mas quem paga os encargos dos investimentos entretanto realizados, sempre com o objectivo de melhor servir os alunos?<\/p>\n<p>Para as escolas que sobreviverem a este cataclismo, espera-lhes um ano lectivo de 2011\/12 ainda com mais afli&ccedil;&otilde;es. A nova legisla&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e um tecto por turma de 80 000&euro;, ou seja, uma redu&ccedil;&atilde;o de 30% sobre os valores de Setembro de 2010. (Paradoxalmente, para as suas escolas, o Estado prev&ecirc; um corte de 11%!!! E sabemos como normalmente estas previs&otilde;es n&atilde;o se cumprem).<\/p>\n<p>&Eacute; certo que para o pr&oacute;ximo ano lectivo vai haver altera&ccedil;&otilde;es do curr&iacute;culo, com menor carga lectiva para o corpo docente. Mas esta nova situa&ccedil;&atilde;o vai conduzir obrigatoriamente a despedimentos de professores, com os decorrentes encargos. Ademais, novas medidas pol&iacute;ticas se adivinham para os pr&oacute;ximos meses, que ir&atilde;o condicionar o ano lectivo 2011\/12. Refiro-me aos ajustamentos da rede escolar. Aqui, o Estado vai impor mais uma vez as suas regras e asfixiar o mais poss&iacute;vel as escolas p&uacute;blicas n&atilde;o estatais. A pretexto da crise e da racionaliza&ccedil;&atilde;o dos recursos, as Direc&ccedil;&otilde;es Regionais de Educa&ccedil;&atilde;o v&atilde;o procurar encher as escolas estatais e apenas as sobras ir&atilde;o para as escolas privadas, fazendo emergir novamente o estigma da supletividade. Pobre ensino privado que continua a aguentar esta injusti&ccedil;a e prepot&ecirc;ncia. Esquece-se o Estado que, contrariamente ao estipulado na Lei de Bases, em 1986, continuou a construir escolas em zonas abrangidas por escolas privadas, esbanjando dinheiros p&uacute;blicos. Esquece-se o Estado que subtilmente foi requalificando nos &uacute;ltimos 4 anos centenas de escolas, ampliando a sua lota&ccedil;&atilde;o, sem necessidade. Esquece-se o Estado que uma hipot&eacute;tica transfer&ecirc;ncia de alunos para as suas escolas vai onerar o er&aacute;rio p&uacute;blico, uma vez que vai gastar mais (contas feitas por mim mesmo, h&aacute; poucos anos, conduziu &agrave; conclus&atilde;o que um aluno que frequentasse uma escola privada custava ao Estado metade de um aluno que frequentasse uma escola estatal equivalente).<\/p>\n<p>O Estado quer, &agrave; for&ccedil;a, que o ensino privado seja s&oacute; para os &ldquo;ricos&rdquo;. E nestes 100 anos da Rep&uacute;blica, o Estado n&atilde;o se esquece que ao desferir estes duros golpes est&aacute; a atingir sobremaneira a Igreja Cat&oacute;lica, n&atilde;o s&oacute; pelo peso que tem na arte de (bem) ensinar, como por deixar de ter oportunidade de educar gente carenciada.<\/p>\n<p>Como crist&atilde;os, como homens, temos de ter pensamentos positivos. H&aacute; 30\/40 anos um punhado de <em>combatentes<\/em>, maioritariamente pertencentes a escolas cat&oacute;licas, &nbsp;conseguiu superar dificuldades inimagin&aacute;veis (Reforma Veiga Sim&atilde;o e Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril) e construir de raiz um quadro normativo extremamente avan&ccedil;ado para a &eacute;poca (e at&eacute; para o momento actual), possibilitando mais liberdade de ensino e a coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre ensino estatal e n&atilde;o estatal. Agora, ao inv&eacute;s de fazermos progressos a este n&iacute;vel, regredimos. Perante este quadro nebuloso, estamos na altura de assumirmos as nossas responsabilidades, como escolas cat&oacute;licas, como ensino privado, e de nos afirmarmos, de vez. Exige-se, para tal, muita solidariedade, muita comunh&atilde;o, muita concerta&ccedil;&atilde;o, muita firmeza, muita luta, muita ac&ccedil;&atilde;o, muita inquieta&ccedil;&atilde;o, muita &eacute;tica. Se achamos que as escolas cat&oacute;licas s&atilde;o um meio privilegiado de evangeliza&ccedil;&atilde;o junto da juventude e das suas fam&iacute;lias, n&atilde;o podemos <em>atirar a toalha ao ch&atilde;o<\/em>. Temos que provar, em conjunto com o restante ensino privado, que somos uma express&atilde;o da liberdade, uma alternativa cred&iacute;vel, aceite e desejada pelos pais, e indispens&aacute;vel para o crescimento saud&aacute;vel da sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jorge Cotovio,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Secret&aacute;rio Geral da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Escolas Cat&oacute;licas (APEC) <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, Secret\u00e1rio Geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas (APEC)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[115,314],"class_list":["post-49278","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-apec","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}