{"id":49277,"date":"2011-01-04T13:06:31","date_gmt":"2011-01-04T13:06:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/04\/uma-oportunidade-desperdicada\/"},"modified":"2011-01-04T13:06:31","modified_gmt":"2011-01-04T13:06:31","slug":"uma-oportunidade-desperdicada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-oportunidade-desperdicada\/","title":{"rendered":"Uma oportunidade desperdi\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p>Rodrigo Queiroz e Melo, Director Executivo da Associa\u00e7\u00e3o de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo <!--more--> <\/p>\n<p>As &eacute;pocas de crise podem ser per&iacute;odos de renova&ccedil;&atilde;o. Esta renova&ccedil;&atilde;o &eacute; o que na teoria se pode designar por destrui&ccedil;&atilde;o criadora: por vezes &eacute; necess&aacute;rio que algo desapare&ccedil;a para que em seu lugar surja algo melhor. Neste sentido, a revis&atilde;o do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo que o Governo levou a cabo poderia ter sido uma ocasi&atilde;o de rever este diploma dos anos 80 &agrave; luz dos princ&iacute;pios de hoje. Poderia ter sido uma oportunidade para fazer um grande debate sobre o espa&ccedil;o e a fun&ccedil;&atilde;o do ensino privado na sociedade portuguesa do s&eacute;culo XXI e, porque n&atilde;o, para a Igreja reflectir sobre o seu papel no sistema de ensino portugu&ecirc;s. No final, algo teria de mudar, mas o objectivo seria que essa mudan&ccedil;a fosse o embri&atilde;o de algo melhor para a sociedade portuguesa, traduzido num sistema educativo mais equilibrado, em que as fam&iacute;lias pudessem ter maior capacidade de decis&atilde;o quanto &agrave; escola para os seus filhos e em que o Estado se definisse, de uma vez, como o garante da qualidade de oferta educativa a que os alunos portugueses t&ecirc;m direito.<\/p>\n<p>Contudo, a revis&atilde;o do Estatuto foi uma oportunidade perdida. Nada se discutiu, nada se pensou, o Governo limitou-se a fazer contas e a tomar decis&otilde;es tendo em considera&ccedil;&atilde;o exclusivamente argumentos financeiros.<\/p>\n<p>Existe no Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE) uma proposta de revis&atilde;o do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo. Esta proposta foi pensada, trabalhada e negociada pela Administra&ccedil;&atilde;o Educativa (em representa&ccedil;&atilde;o do Estado), associa&ccedil;&otilde;es sindicais (em representa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores), a CONFAP (em representa&ccedil;&atilde;o dos pais) e a AEEP (em representa&ccedil;&atilde;o dos col&eacute;gios). Por&eacute;m, o Governo n&atilde;o a conhecia e, tendo-lhe sido dado conhecimento, n&atilde;o a considerou. Sem ouvir ningu&eacute;m (nem mesmo o CNE, o que nos parece manifestamente ilegal!), entendeu o Minist&eacute;rio rever o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, assumindo como sua &ldquo;coutada&rdquo; um sistema que &eacute; de todos.<\/p>\n<p>Nesta revis&atilde;o, o Governo abordou apenas a quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es contratuais entre o ensino privado e o Estado. Trata-se de contratos que o Estado celebra com escolas privadas com dois objectivos principais: nuns casos, apoiar a frequ&ecirc;ncia destas escolas por alunos oriundos de fam&iacute;lias carenciadas. Noutros, permitir a frequ&ecirc;ncia dos col&eacute;gios em condi&ccedil;&otilde;es de gratuitidade, constituindo-se estes col&eacute;gios como oferta educativa p&uacute;blica perfeitamente equiparada &agrave; oferta das escolas do Estado. No primeiro caso, contratos simples, temos 20 mil alunos. No segundo, contratos de associa&ccedil;&atilde;o, 55 mil.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, pretendia o Governo acabar com os contratos existentes no final do ano lectivo em curso e recome&ccedil;ar tudo de novo mas, desta vez, numa base anual. Isto &eacute;, todos os anos os contratos cessavam no final do ano lectivo e o Estado decidiria se celebrava, ou n&atilde;o, novo contrato para o ano seguinte. A adicionar a isto, os valores em causa em cada contrato seriam diminu&iacute;dos chegando, no caso dos contratos de associa&ccedil;&atilde;o, a haver um corte de 30%.<\/p>\n<p>A gravidade e as consequ&ecirc;ncias desta altera&ccedil;&atilde;o que o Governo aprovou em Conselho de Ministros eram de tal monta que escolas, pais e professores de todo o pa&iacute;s, bem como as suas organiza&ccedil;&otilde;es representativas iniciaram a den&uacute;ncia p&uacute;blica desta inten&ccedil;&atilde;o. Em Dezembro, a Assembleia da Rep&uacute;blica iniciou o processo de aprova&ccedil;&atilde;o de uma Lei em sentido contr&aacute;rio &agrave; vontade do Governo e o Presidente da Rep&uacute;blica anunciou que, salvo altera&ccedil;&otilde;es de fundo ao diploma do Governo, a iria vetar.<\/p>\n<p>Perante esta situa&ccedil;&atilde;o, o Governo recuou e alterou o seu Decreto: os contratos passaram a ser plurianuais garantindo-se que, uma vez iniciado um ciclo de estudos no col&eacute;gio, os alunos poder&atilde;o prosseguir at&eacute; ao final desse ciclo beneficiando do contrato.<\/p>\n<p>Com estas altera&ccedil;&otilde;es, o Decreto-lei foi promulgado e publicado em Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica. Contudo, em vez de uma revis&atilde;o do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo com vista &agrave; sua actualiza&ccedil;&atilde;o e melhoria, tivemos uma altera&ccedil;&atilde;o de pormenor, apenas fixada em quest&otilde;es contratuais e que diminui a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica dos estabelecimentos de ensino privado. E que, como j&aacute; se viu, trouxe uma enorme instabilidade &agrave;s escolas.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o deste novo Decreto-Lei, o Governo publicou, nos &uacute;ltimos dias de Dezembro, uma Portaria que regulamenta os novos princ&iacute;pios contratuais e estipula os montantes de financiamento destas escolas. Uma vez mais, o Governo ignorou o sector e a fundamental import&acirc;ncia que tem para o sistema educativo nacional e estipulou um corte de 30%, que ir&aacute; inviabilizar muitos projectos educativos e que poder&aacute; abrir as portas do desemprego a milhares de professores e de pessoal n&atilde;o-docente.<\/p>\n<p>O Governo, com esta revis&atilde;o unilateral do EPC, ignorando o verdadeiro interesse p&uacute;blico, desperdi&ccedil;ou uma oportunidade para renovar e trazer algo de melhor ao sector.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Rodrigo Queiroz e Melo,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Director Executivo da Associa&ccedil;&atilde;o de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Queiroz e Melo, Director Executivo da Associa\u00e7\u00e3o de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-49277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}