{"id":49259,"date":"2011-01-03T18:08:10","date_gmt":"2011-01-03T18:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/03\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-no-final-de-2010\/"},"modified":"2011-01-03T18:08:10","modified_gmt":"2011-01-03T18:08:10","slug":"homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-no-final-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-no-final-de-2010\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Leiria-F\u00e1tima no final de 2010"},"content":{"rendered":"<p><strong>No final do ano: sinais de vida e de esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; uma grande alegria voltar a ver-vos aqui reunidos nesta Igreja da Sant&iacute;ssima Trindade, numa circunst&acirc;ncia t&atilde;o significativa como &eacute; a passagem de ano. Com esta alegria sa&uacute;do-vos a todos, dou-vos as boas vindas e exprimo a minha proximidade espiritual e afectuosa a cada um de v&oacute;s em particular.<\/p>\n<p>Com que sentimentos no cora&ccedil;&atilde;o celebramos esta Eucaristia de final do ano? Com os sentimentos que a Palavra de Deus proclamada quer suscitar e desenvolver em n&oacute;s: a recorda&ccedil;&atilde;o dos dons de Deus e a ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Recordemos os dons de Deus: sinais de vida e de esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>O hino de S. Paulo &ldquo;Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos cumulou de todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais em Cristo&#8230;&rdquo; convida-nos a dizer com a voz, o cora&ccedil;&atilde;o e a vida a nossa ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as a Deus pelo dom do Filho, fonte de&nbsp; todos os outros dons com que Ele enche a nossa exist&ecirc;ncia, a Igreja e o mundo.<\/p>\n<p>Maria &eacute;-nos proposta como &ldquo;&iacute;cone privilegiado&rdquo; da recorda&ccedil;&atilde;o. Toda ela &eacute; conquistada pela recorda&ccedil;&atilde;o do que Deus realizou: &ldquo;grandes coisas fez em mim o Todo Poderoso&rdquo;. Traz todas estas coisas &agrave; mem&oacute;ria, medita-as, revisita-as cheia dos afectos do cora&ccedil;&atilde;o, saboreia-as no seu significado de gra&ccedil;a e na sua beleza espiritual. Assim, convida-nos a todos &ndash; pessoas, fam&iacute;lias, comunidades, Igreja &#8211; a cultivar, como ela, a recorda&ccedil;&atilde;o perante os dons recebidos do Senhor, em particular dos que enriqueceram os dias, as semanas e os meses do ano que chega ao seu termo.<\/p>\n<p>Cada um certamente far&aacute; a sua recorda&ccedil;&atilde;o pessoal das experi&ecirc;ncias de gra&ccedil;a que porventura s&oacute; ele e Deus conhecem. Eu, como bispo, desejaria trazer &agrave; mem&oacute;ria, em acenos r&aacute;pidos, algumas experi&ecirc;ncias que tiveram particular relev&acirc;ncia na vida eclesial para todos n&oacute;s e que s&atilde;o sinais de vida e de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>1.  A n&iacute;vel diocesano quero recordar, antes de tudo, a <em>&ldquo;Festa da F&eacute;: Rosto(s) da Igreja Diocesana&rdquo; <\/em>com que encerrou o Ano Pastoral dedicado a &ldquo;Ir ao cora&ccedil;&atilde;o da Igreja. Comunh&atilde;o e corresponsabilidade na comunidade crist&atilde;&rdquo;. Foi uma verdadeira festa de um povo que deu visibilidade &agrave; beleza do rosto da nossa Igreja na sua unidade e pluralidade e irradiou a alegria da f&eacute;, a comunh&atilde;o e a fraternidade na cidade dos homens.<\/p>\n<p>2. Recordo tamb&eacute;m <em>as celebra&ccedil;&otilde;es da abertura e do encerramento do Ano Sacerdotal<\/em>. Foi um ano dedicado, segundo as palavras do Papa, a &ldquo;favorecer a tens&atilde;o dos sacerdotes para a perfei&ccedil;&atilde;o espiritual da qual depende a efic&aacute;cia do seu minist&eacute;rio&rdquo; e a &ldquo;promover o empenho de renova&ccedil;&atilde;o interior de todos os sacerdotes para um testemunho evang&eacute;lico mais forte e incisivo no mundo de hoje&rdquo;. Ajudou a redescobrir a beleza do dom do sacerd&oacute;cio, a revigorar a fraternidade entre os padres e a cuidar das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais. Na l&oacute;gica do Ano Sacerdotal agrade&ccedil;o ao Senhor, particularmente,<em> a ordena&ccedil;&atilde;o de um presb&iacute;tero<\/em>, ap&oacute;s tr&ecirc;s anos sem ordena&ccedil;&otilde;es, e a entrada de <em>seis novos seminaristas <\/em>para o nosso Semin&aacute;rio Maior.<\/p>\n<p>3. <em>Como acontecimento maior, mais marcante, gozoso e inesquec&iacute;vel para o nosso Santu&aacute;rio recordo a peregrina&ccedil;&atilde;o do Santo Padre<\/em> que trouxe &agrave; nossa Igreja e ao nosso pa&iacute;s um &ldquo;suplemento&rdquo; de espiritualidade, de esperan&ccedil;a, de paz e de beleza espiritual de que tanto precis&aacute;vamos. Aqui em F&aacute;tima sublinhou a actualidade da mensagem da Senhora que &ldquo;veio do C&eacute;u, a nossa bendita M&atilde;e oferecendo-se para transplantar no cora&ccedil;&atilde;o de quantos se lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu&rdquo;; e que convida hoje a Igreja e o mundo a um s&eacute;rio exame de consci&ecirc;ncia, &agrave; purifica&ccedil;&atilde;o e &agrave; repara&ccedil;&atilde;o. Nesta linha deixou-nos um est&iacute;mulo a preparar <em>o Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es <\/em>a que j&aacute; respondemos prontamente com um programa para sete anos, que constituem sete luzes para o nosso itiner&aacute;rio espiritual, desde 2010 at&eacute; 2017. Al&eacute;m disso apontou F&aacute;tima como &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o espiritual de Portugal&rdquo; e&nbsp; &ldquo;escola de caridade e de servi&ccedil;o aos irm&atilde;os&rdquo;. Foi nesta l&oacute;gica da caridade que celebr&aacute;mos <em>o centen&aacute;rio da nascimento da pequena Jacinta<\/em> sob o lema: &ldquo;repartir com alegria como a Jacinta&rdquo;.<\/p>\n<p>4. Por fim<em>, no horizonte da Igreja em Portugal<\/em> desejo recordar dois acontecimentos. O primeiro &eacute; o projecto <em>&ldquo;Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal&rdquo; <\/em>cujo primeiro esbo&ccedil;o est&aacute; agora confiado &agrave; reflex&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os de corresponsabilidade das comunidades crist&atilde;s, das congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, dos institutos seculares, dos movimentos, grupos e associa&ccedil;&otilde;es eclesiais. Trata-se de darmos todos as m&atilde;os, de nos pormos todos &agrave; escuta do que o Esp&iacute;rito diz &agrave; Igreja neste momento da hist&oacute;ria, para um novo despertar de uma f&eacute; cansada e para readquirir um nova vitalidade em ordem &agrave; renova&ccedil;&atilde;o e reorganiza&ccedil;&atilde;o das nossas comunidades e &agrave; ousadia de novos dinamismos da miss&atilde;o, do testemunho do Evangelho numa sociedade plural e em mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>O outro facto &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o do <em>&ldquo;Fundo Social Solid&aacute;rio&rdquo;,<\/em> neste momento de emerg&ecirc;ncia social, para responder mais eficazmente &agrave;s necessidades de quem sofre as consequ&ecirc;ncias da crise. Este Fundo representa um expoente significativo de toda a ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa que a Igreja est&aacute; a levar a cabo em todas as dioceses. Pede-nos um gesto de partilha como testemunho do amor fraterno: &ldquo;A caridade &eacute; a for&ccedil;a que transforma o mundo porque Deus &eacute; Amor&rdquo;(Bento XVI).<\/p>\n<p>A recorda&ccedil;&atilde;o dos dons leva-nos &agrave; mais viva gratid&atilde;o para com o Senhor celebrando a Eucaristia e cantando o Te Deum, um hino tradicional de louvor e ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as &agrave; Sant&iacute;ssima Trindade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrar na nova d&eacute;cada com esperan&ccedil;a, na for&ccedil;a do Esp&iacute;rito<\/strong><\/p>\n<p>Caros amigos, encerramos o ano de 2010 e iniciamos o de 2011 com a consci&ecirc;ncia&nbsp; de uma crescente crise social e econ&oacute;mica. <em>Despedimo-nos de uma<\/em> <em>d&eacute;cada dif&iacute;cil como nem sequer imagin&aacute;vamos.<\/em> Todos experimentamos o mal estar de uma sociedade afectada pelos reflexos da crise, pela escassez do precioso bem do trabalho para todos, pela inseguran&ccedil;a do futuro, pelo aumento da pobreza e pelo sofrimento de muitos pobres &ndash; uma sociedade psicol&oacute;gica, cultural e espiritualmente cansada, desiludida, esgotada.<\/p>\n<p><em>O nosso mundo est&aacute; desorientado<\/em> por causa da crise do mercado que se julgou omnipotente, dos poderes an&oacute;nimos de capitais financeiros que escravizam o homem e ditam a agenda pol&iacute;tica em preju&iacute;zo do bem comum universal e ainda por causa de uma globaliza&ccedil;&atilde;o que por vezes n&atilde;o tem alma nem rosto. <em>Estamos perante um mundo com corpo de gigante e alma de an&atilde;o! O mundo precisa de alma, de um suplemento de alma, que s&oacute; pode provir de Deus.<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; precisa a coragem de resistir &agrave; decad&ecirc;ncia moral e social, de suprir &agrave; car&ecirc;ncia in&eacute;dita de refer&ecirc;ncias e de modelos de valores &eacute;ticos e espirituais que atravessa a nossa sociedade.<\/p>\n<p><em>Queremos entrar na nova d&eacute;cada com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito para criar um tempo de esperan&ccedil;a para o mundo.<\/em> Mas isto requer que sejamos capazes de olhar o momento actual como uma oportunidade hist&oacute;rica para uma convers&atilde;o (mudan&ccedil;a) de mentalidade e de crit&eacute;rios e modos de vida, a n&iacute;vel pessoal, familiar, educativo, empresarial, econ&oacute;mico e pol&iacute;tico, sem nos deixarmos abater pelos inevit&aacute;veis problemas e dificuldades. N&atilde;o se pode continuar a viver como dantes.<\/p>\n<p>O novo ano &eacute; um convite a um estilo de vida mais s&aacute;bio atrav&eacute;s de um consumo mais s&oacute;brio e sustent&aacute;vel, a uma solidariedade de maior partilha com os necessitados, a uma cidadania social mais consciente e mais forte da parte de todos, a uma nova cultura pol&iacute;tica de verdade, transpar&ecirc;ncia, honestidade e responsabilidade que ponha o bem comum acima dos jogos, equil&iacute;brios e privil&eacute;gios do poder partid&aacute;rio, &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o das necessidades dos mais pobres no topo das pol&iacute;ticas econ&oacute;micas; em s&iacute;ntese, a um novo humanismo, a uma nova cultura com fundamentos espirituais e morais. <em>Ou&ccedil;amos o apelo que o Papa Bento XVI lan&ccedil;ou na visita &agrave; Inglaterra: <\/em>&lt;&lt;O mundo foi testemunha dos imensos recursos de que os governos podem dispor quando se tratou de ir em socorro das institui&ccedil;&otilde;es financeiras entendidas como &lsquo;demasiado importantes para serem votadas ao fracasso&rsquo;. N&atilde;o se pode duvidar de que o desenvolvimento integral dos povos do mundo n&atilde;o seja menos importante: eis um empreendimento que merece a aten&ccedil;&atilde;o do mundo e que &eacute; verdadeiramente &lsquo;demasiado importante para ser votado ao fracasso&rsquo;&gt;&gt;. Isto vale tamb&eacute;m para Portugal!&#8230;<\/p>\n<p>Quando cantarmos o Te Deum, rezaremos: &ldquo;Socorre os teus filhos, Senhor, que remiste com o teu precioso sangue; salva o teu povo, Senhor, e aben&ccedil;oa a tua heran&ccedil;a; s&ecirc; o seu Pastor e Guia atrav&eacute;s dos tempos e condu-lo &agrave;s fontes da vida eterna&rdquo;. Seja, pois, esta a nossa invoca&ccedil;&atilde;o para o novo ano: socorre, Senhor, com a tua miseric&oacute;rdia o nosso povo no meio do qual graves car&ecirc;ncias e pobreza pesam sobre a vida de pessoas e fam&iacute;lias impedindo de olhar o futuro com confian&ccedil;a. Concede a todos a luz e a for&ccedil;a interior de dar passos corajosos na escolha de um estilo de vida s&oacute;brio, na partilha com os necessitados e de cada um contribuir para criar um futuro de justi&ccedil;a, de solidariedade e de paz. N&oacute;s to pedimos por intercess&atilde;o de Maria, tua e nossa bendita M&atilde;e, Rainha da Paz!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final do ano: sinais de vida e de esperan&ccedil;a &nbsp; &Eacute; uma grande alegria voltar a ver-vos aqui reunidos nesta Igreja da Sant&iacute;ssima Trindade, numa circunst&acirc;ncia t&atilde;o significativa como &eacute; a passagem de ano. 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