{"id":49240,"date":"2011-01-03T11:13:06","date_gmt":"2011-01-03T11:13:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/03\/homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus\/"},"modified":"2011-01-03T11:13:06","modified_gmt":"2011-01-03T11:13:06","slug":"homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos na Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p><strong>&laquo;A b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus e o dom da Paz&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1.&ldquo;Que o Senhor te aben&ccedil;oe e te proteja&hellip;que o Senhor dirija para ti o Seu olhar e te conceda a paz&rdquo; (Num 6, 24-26). Esta &eacute; uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da liturgia judaica, ainda hoje usada, que os sacerdotes pronunciavam sobre o povo eleito nas festas religiosas.<\/p>\n<p>Esta palavra de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dita outrora ao povo de Deus, hoje aqui renovada e redita, abre-nos as portas do novo ano.<\/p>\n<p>Cumpre-nos ser, ao longo do ano que agora come&ccedil;a, b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus, b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de paz e de esperan&ccedil;a. A miss&atilde;o da Igreja &eacute; esta tamb&eacute;m: ser b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus para a humanidade.<\/p>\n<p>A heran&ccedil;a recebida do ano que ontem terminou perturba e inquieta. S&atilde;o muitas as pessoas, fam&iacute;lias, empresas, institui&ccedil;&otilde;es e povos a viver situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis de pobreza, de desemprego, de limita&ccedil;&otilde;es de direitos, de amea&ccedil;as de conflitos e de restri&ccedil;&otilde;es de liberdade. As for&ccedil;as humanas e as leis das na&ccedil;&otilde;es por si s&oacute; n&atilde;o bastam para dar resposta a estes problemas e para oferecer solu&ccedil;&atilde;o a estes dramas. Voltamo-nos, por isso, para Deus, Pr&iacute;ncipe da paz e fonte da nossa esperan&ccedil;a. Fazemo-lo pela media&ccedil;&atilde;o materna de Santa Maria, M&atilde;e de Deus. &ldquo;Quando chegou a plenitude dos tempos, diz-nos S. Paulo na carta aos G&aacute;latas, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma Mulher, para resgatar os que estavam sujeitos &agrave; lei e nos tornar seus filhos adoptivos&rdquo; (G&aacute;l 4., 4-5).<\/p>\n<p>A humanidade carece hoje, como nesse tempo, de ser iluminada pelo rosto de Deus e de ser aben&ccedil;oada no seu &laquo;nome&raquo;. Essa &eacute; a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, irrevog&aacute;vel e definitiva que a Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo e a vinda do Filho de Deus nos trazem em  cada Natal, como luz que brilhar&aacute; para sempre e nunca mais se apagar&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2.O novo ano inicia-se, para os crist&atilde;os, sob o sinal de uma Mulher, sob o sinal de uma M&atilde;e. Santa Maria, M&atilde;e de Deus abre-nos as portas do tempo novo como s&oacute; as M&atilde;es sabem fazer ao abrirem as portas da casa para os seus filhos, para que a casa comum de toda a fam&iacute;lia seja casa de fraternidade, de amor, de perd&atilde;o e de paz. Casa de mesa &uacute;nica para todos os filhos: onde o p&atilde;o se reparte por igual entre irm&atilde;os, a alegria se partilha por inteiro e a paz se constr&oacute;i na justi&ccedil;a e na caridade para todos.<\/p>\n<p>&Agrave; M&atilde;e do Filho de Deus, confiamos este desejo profundo, que sai do cora&ccedil;&atilde;o de todos n&oacute;s, de sermos aben&ccedil;oados e felizes e de vivermos em paz todo o novo ano. Mas sabemos que a paz s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se formos capazes de dar ao mundo raz&otilde;es de esperan&ccedil;a. A esperan&ccedil;a &eacute; hoje, tamb&eacute;m, novo nome da paz.<\/p>\n<p>Como pode viver em paz um mundo que teme pelo seu futuro? Como podem sentir a paz ao seu alcance povos sob amea&ccedil;a de conflitos est&eacute;reis e intermin&aacute;veis, fam&iacute;lias sem p&atilde;o nem trabalho, pessoas sem casa nem lar, idosos sem aconchego nem carinho, escolas privadas, questionadas na sua miss&atilde;o e amea&ccedil;adas no seu futuro, e uma sociedade em cont&iacute;nua fragiliza&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e em ruptura cultural com os seus valores, a sua matriz e a sua hist&oacute;ria?<\/p>\n<p>Aprendamos a ultrapassar o medo. Saibamos resistir ao desalento. A op&ccedil;&atilde;o pela esperan&ccedil;a &eacute; o caminho obrigat&oacute;rio da Igreja, chamada a servir pela caridade na verdade o mundo de hoje, que vive uma hora social dif&iacute;cil e um contexto econ&oacute;mico complexo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3.A Igreja deve ser para cada um de n&oacute;s, escola da esperan&ccedil;a, ao ensinar-nos o caminho da liberdade respons&aacute;vel e da corresponsabilidade solid&aacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o do bem de todos. Seremos profetas da paz quando descobrirmos que a paz, segundo a linguagem b&iacute;blica, &eacute; a s&iacute;ntese de todos os bens.<\/p>\n<p>Entremos no novo ano ao som harmonioso deste an&uacute;ncio b&iacute;blico da paz. A paz que desejamos para a humanidade n&atilde;o se pode nem deve separar da gl&oacute;ria de Deus: &ldquo;Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Deus ama&rdquo;, proclamavam os anjos, em Bel&eacute;m, ao anunciarem aos pastores o nascimento de Jesus (Luc. 2, 14 ).<\/p>\n<p>S&oacute; &eacute; poss&iacute;vel construir a paz e refundar a esperan&ccedil;a, trazendo-as de novo e de volta ao cora&ccedil;&atilde;o da humanidade se dermos as m&atilde;os, que libertem da pobreza, da injusti&ccedil;a e da dor os irm&atilde;os que sofrem, e se abrirmos na f&eacute; e na ora&ccedil;&atilde;o o nosso cora&ccedil;&atilde;o a Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4.Na mensagem para o Dia mundial da Paz, que desde 1968, por vontade expressa do Santo Padre Paulo VI se celebra no primeiro dia de cada ano, o Santo Padre Bento XVI convida-nos a fazer do direito &agrave; liberdade religiosa um caminho para a Paz. H&aacute; povos onde o direito a professar livremente a sua religi&atilde;o ainda n&atilde;o &eacute; respeitado e h&aacute; sangue de m&aacute;rtires que continua a ser derramado, por motivos exclusivamente de f&eacute;, como aconteceu ainda hoje, na cidade de Alexandria, no Egipto.<\/p>\n<p>Radicada na dignidade da pessoa humana, a liberdade religiosa &eacute; patrim&oacute;nio da fam&iacute;lia inteira da humanidade e de todos os povos da terra, e torna-se uma extraordin&aacute;ria for&ccedil;a de liberdade e de civiliza&ccedil;&atilde;o. Somos, por isso, convidados a vencer todas a tenta&ccedil;&otilde;es de fundamentalismos radicais ou de hostilidades agressivas que ponham em risco, em formas extremas, o di&aacute;logo entre as institui&ccedil;&otilde;es civis e religiosas e que minem a vida solidamente edificada na verdade, na caridade e no respeito das pessoas e dos povos.<\/p>\n<p>Lembra-nos o Santo Padre que &ldquo;a paz &eacute; um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus est&aacute; mais perto da paz. Convido, continua o Santo Padre, todos aqueles que desejam tornar-se obreiros da paz, e sobretudo os jovens, a prestarem ouvidos &agrave; pr&oacute;pria voz interior, para encontrar em Deus a refer&ecirc;ncia est&aacute;vel para a conquista da liberdade aut&ecirc;ntica, a for&ccedil;a inesgot&aacute;vel para orientar o mundo com um esp&iacute;rito novo&hellip; S&atilde;o precisas armas novas, armas que n&atilde;o matem. S&atilde;o precisas armas morais, que d&atilde;o for&ccedil;a e prest&iacute;gio ao direito e &agrave; justi&ccedil;a. A liberdade religiosa &eacute; uma dessas armas, com uma miss&atilde;o hist&oacute;rica e prof&eacute;tica&hellip; Ela consente alimentar a esperan&ccedil;a.&rdquo; (Mensagem de Bento XVI para o Dia mundial da Paz de 2011).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. A Igreja de Aveiro deseja e procura ser, seguindo o nosso Plano Diocesano de Pastoral, uma Igreja renovada na caridade, servidora dos mais pobres, educadora da f&eacute; e Igreja orante, lugar de esperan&ccedil;a para o mundo. Assim, seremos tamb&eacute;m obreiros da constru&ccedil;&atilde;o da paz.<\/p>\n<p>O Evangelho encoraja-nos a ir mais longe. Mais longe na aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas e mais longe nas respostas solid&aacute;rias &agrave;s fam&iacute;lias, empresas e institui&ccedil;&otilde;es em dificuldade.<\/p>\n<p>Recebi, hoje, pela manh&atilde;, como sauda&ccedil;&atilde;o de Ano Novo de um sacerdote da nossa diocese esta mensagem: &ldquo;A esperan&ccedil;a emerge da verdade, da f&eacute;, da paz, do amor e da justi&ccedil;a, como b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos C&eacute;us que pedimos para todos e para cada um&rdquo;.<\/p>\n<p>Esta &eacute;, tamb&eacute;m, a ora&ccedil;&atilde;o que dirijo a Deus e coloco no cora&ccedil;&atilde;o de Santa Maria, M&atilde;e de Deus, que nesta Catedral celebramos sob a invoca&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora da Gl&oacute;ria.<\/p>\n<p>Esta &eacute;, igualmente, a s&uacute;plica que confio a Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, com o desejo sincero de aben&ccedil;oado e feliz Ano Novo, para todos!<\/p>\n<p>S&eacute; de Aveiro, 1 de Janeiro de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;A b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus e o dom da Paz&raquo; &nbsp; 1.&ldquo;Que o Senhor te aben&ccedil;oe e te proteja&hellip;que o Senhor dirija para ti o Seu olhar e te conceda a paz&rdquo; (Num 6, 24-26). 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