{"id":49238,"date":"2011-01-03T10:57:16","date_gmt":"2011-01-03T10:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/01\/03\/homilia-de-ano-novo-do-bispo-do-porto\/"},"modified":"2011-01-03T10:57:16","modified_gmt":"2011-01-03T10:57:16","slug":"homilia-de-ano-novo-do-bispo-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-ano-novo-do-bispo-do-porto\/","title":{"rendered":"Homilia de Ano Novo do Bispo do Porto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pastores do mundo, sob o olhar da M&atilde;e de Deus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, aqui reunidos na igreja catedral do Porto, e todos v&oacute;s, que nos seguis pela R&aacute;dio Renascen&ccedil;a:<\/p>\n<p>Como &eacute; habitual &ndash; e muito al&eacute;m de qualquer rotina -, celebramos em toda a Igreja Cat&oacute;lica a Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus e o Dia Mundial da Paz. N&atilde;o se trata, de modo algum, de simples justaposi&ccedil;&atilde;o de motivos; &eacute; antes decorr&ecirc;ncia l&oacute;gica, como a pr&oacute;pria selec&ccedil;&atilde;o dos trechos b&iacute;blicos escutados bem manifesta.<\/p>\n<p>Na verdade, a paz, enquanto sentimento e experi&ecirc;ncia de harmonia profunda de todos para todos e dentro de cada um de n&oacute;s, s&oacute; se pode encontrar onde a totalidade do real se ofere&ccedil;a e apreenda, sem excluir qualquer dimens&atilde;o do que somos, sonhamos e vamos conseguindo.<\/p>\n<p>&#8211; Fronteiras largas e profundas tem a paz, pois n&atilde;o se atinge sem que chegue a todos e n&atilde;o se alcan&ccedil;a sen&atilde;o no mais &iacute;ntimo e transcendente de cada um! Por isso, mais do que conquista, &eacute; d&aacute;diva, recebida e partilhada, como a pr&oacute;pria vida. Por isso ainda, requerendo a nossa reflex&atilde;o e coer&ecirc;ncia, n&atilde;o dispensa predisposi&ccedil;&atilde;o e acolhimento. Acolhimento, repito, da totalidade do real, em aut&ecirc;ntico &ldquo;desenvolvimento&rdquo; de todos os homens e do homem todo, para usar uma bela express&atilde;o de Paulo VI.<\/p>\n<p>Alcan&ccedil;a-se a paz quando cada ser humano tem liberdade f&iacute;sica e ps&iacute;quica para se descobrir a si mesmo, como voca&ccedil;&atilde;o pessoal e inter-pessoal, segundo as potencialidades gerais e suas pr&oacute;prias. Quando essa mesma liberdade &eacute; possibilitada e estimulada, por uma pedagogia familiar e social que a preencha com todos os contributos v&aacute;lidos da cultura e da civiliza&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, pelo acervo acumulado das m&uacute;ltiplas &ldquo;conquistas&rdquo; do esp&iacute;rito humano, que efectivamente comprovaram ser verdadeiras, boas e belas para a generalidade das pessoas e dos povos. Quando a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nacional e internacional se orienta para a prossecu&ccedil;&atilde;o desse mesmo &ldquo;bem comum&rdquo;, oferecendo-o aos cidad&atilde;os, sem aprioristicamente o limitar por ideologias redutoras ou impositivas, como seria o caso do laicismo ou do fundamentalismo religioso. Trata-se de servir pessoas concretas, habilitando-as para a escolha consciente e respons&aacute;vel; n&atilde;o se trata de governar as pessoas contra elas pr&oacute;prias, escolhendo por elas e at&eacute; antes delas o que houvessem de crer e fazer.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI ofereceu-nos uma luminosa Mensagem para o Dia Mundial da Paz. Ser&aacute; certamente mat&eacute;ria de reflex&atilde;o atenta para crentes e n&atilde;o crentes, plena que est&aacute; de motivos indispens&aacute;veis, sobre &ldquo;a liberdade religiosa, caminho para a paz&rdquo;. Como este, que devo citar, pela sua ineg&aacute;vel oportunidade e precis&atilde;o, quer quanto &agrave; formula&ccedil;&atilde;o do direito, quer quanto &agrave;s suas consequ&ecirc;ncias, ali&aacute;s n&atilde;o un&iacute;vocas: &ldquo;A liberdade religiosa &eacute; tamb&eacute;m uma aquisi&ccedil;&atilde;o de civiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e jur&iacute;dica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar, individual ou comunitariamente, a pr&oacute;pria religi&atilde;o ou a pr&oacute;pria f&eacute;, tanto em p&uacute;blico como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publica&ccedil;&otilde;es, no culto e na observ&acirc;ncia dos ritos. N&atilde;o deveria encontrar obst&aacute;culos, se quisesse eventualmente aderir a outra religi&atilde;o ou n&atilde;o professar religi&atilde;o alguma&rdquo; (Mensagem, n&ordm; 5).<\/p>\n<p>E o Papa adianta depois, com igual clareza: &ldquo;A mesma determina&ccedil;&atilde;o, com que s&atilde;o condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar tamb&eacute;m a oposi&ccedil;&atilde;o a todas as formas de hostilidade contra a religi&atilde;o, que limitam o papel p&uacute;blico dos crentes. N&atilde;o se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo s&atilde;o formas reverberadas e extremas de rejei&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo pluralismo e do princ&iacute;pio da laicidade. De facto, ambas absolutizam um vis&atilde;o redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. [&hellip;] Por isso mesmo, as leis e as institui&ccedil;&otilde;es duma sociedade n&atilde;o podem ser configuradas ignorando a dimens&atilde;o religiosa dos cidad&atilde;os ou de modo que prescindam completamente da mesma&rdquo; (Mensagem, n&ordm; 8).<\/p>\n<p>Creio que, quando assimilarmos esta doutrina &#8211; que o Papa n&atilde;o deixa de referir, no seu conjunto, a afirma&ccedil;&otilde;es fundamentais quer do Conc&iacute;lio Vaticano II (1965), quer da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem (1948) -, nos poderemos reencontrar muito mais, tamb&eacute;m como sociedade portuguesa,&nbsp; para aproveitarmos os recursos que cada um proporcionar&aacute; ao conjunto, pessoal e conjugadamente; e para que a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica possa distribuir melhor as contribui&ccedil;&otilde;es de todos para todos, do modo mais subsidi&aacute;rio e solid&aacute;rio poss&iacute;vel, na educa&ccedil;&atilde;o, na sa&uacute;de e na seguran&ccedil;a social, dentro do Estado que tamb&eacute;m todos democraticamente integramos. E isto mesmo, tanto nas inst&acirc;ncias que dependem directamente da referida administra&ccedil;&atilde;o, como nas que resultam da espontaneidade social de fam&iacute;lias e institui&ccedil;&otilde;es reconhecidas, que igualmente servem e acrescentam o bem comum, por vezes com grande excel&ecirc;ncia de resultados e inestim&aacute;vel generosidade pessoal, potenciada pelas respectivas convic&ccedil;&otilde;es religiosas e humanit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Como atr&aacute;s aludi, a sequ&ecirc;ncia dos trechos b&iacute;blicos desta Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus d&aacute;-nos a maior fundamenta&ccedil;&atilde;o de tais motivos. N&atilde;o os for&ccedil;amos, s&atilde;o eles mesmos que nos refor&ccedil;am a convic&ccedil;&atilde;o expendida. Sigamo-los brevemente:<\/p>\n<p>Ouvimos a antiga b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, que Mois&eacute;s aprendeu do pr&oacute;prio Deus e t&atilde;o bem ressoa neste come&ccedil;o de ano. &ldquo;O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz!&rdquo;. Isso mesmo de algum modo &ldquo;ouviu&rdquo; a humanidade, desde que ganhou consci&ecirc;ncia de si mesma: as mais antigas express&otilde;es de lucidez e engenho referem-se a algo mais do que o imediato, deixaram em artefactos e paredes de grutas sinais e apelos dum mais al&eacute;m que garantisse &ndash; apaziguasse! &ndash; o aqu&eacute;m, sofrido ou temido. A admir&aacute;vel marcha de verdadeiros progressos que hoje preenchem a cultura, a ci&ecirc;ncia e a t&eacute;cnica, deram muito mais consist&ecirc;ncia ao que garantimos por n&oacute;s, mas n&atilde;o dispensam um &ldquo;olhar&rdquo; ben&eacute;volo que n&atilde;o nos deixe s&oacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;Olhar de Deus&rdquo;, ainda antes e depois de qualquer express&atilde;o verbal, determinante ou proponente, que a divina pedagogia requeira. Express&atilde;o primeira e envolvente de amor criativo e acolhedor. Como a alvorada que promete o Sol, como o brilho que distingue as coisas, como o incentivo que alenta sempre. Olhar que reluz nos insubstitu&iacute;veis olhos maternais que envolvem cada gera&ccedil;&atilde;o humana e que aqui agradecidamente evocamos em todas as m&atilde;es onde nasce e nascer&aacute; este &ldquo;ano da gra&ccedil;a de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2011&rdquo;.<\/p>\n<p>Foi envolto neste olhar de Deus Pai, rebrilhante no de uma singular&iacute;ssima M&atilde;e humana, que o Filho de Deus nasceu no mundo, como S&atilde;o Paulo referiu em breve vers&iacute;culo de duradoura li&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho nascido de uma mulher e sujeito &agrave; Lei, para resgatar os que estavam sujeitos &agrave; Lei e nos tornar seus filhos adoptivos&rdquo;.<\/p>\n<p>&#8211; Duradoura li&ccedil;&atilde;o, que sempre reaprenderemos e havemos de aprofundar! &Eacute; t&atilde;o recorrente imaginarmos Deus e revela-se t&atilde;o dif&iacute;cil aceit&aacute;-Lo assim, agora &ldquo;nascido de uma mulher&rdquo;, igualado a n&oacute;s para nos integrar, ao seu inaudito modo, na pr&oacute;pria vida divina&#8230; Na verdade, a absoluta simplicidade de Deus liberta-nos das infindas complica&ccedil;&otilde;es e enredos com que &ndash; mesmo a pretexto de &ldquo;religi&atilde;o&rdquo; &ndash; nos detemos no que afinal &eacute; apenas e excessivamente nosso. No &ldquo;Filho de Maria&rdquo;, renascemos como filhos de Deus, na simplifica&ccedil;&atilde;o absoluta da religi&atilde;o, que apenas sondar&iacute;amos antes: &ldquo;E porque sois filhos &ndash; continuava S&atilde;o Paulo -, Deus enviou aos nossos cora&ccedil;&otilde;es o Esp&iacute;rito de seu Filho, que clama: &lsquo;Ab&aacute;! Pai!&rsquo;. Assim j&aacute; n&atilde;o &eacute;s escravo, mas filho. E, se &eacute;s filho, tamb&eacute;m &eacute;s herdeiro, por gra&ccedil;a de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m assim que, da liberdade religiosa &ndash; sempre indispens&aacute;vel, mas ainda algo exterior -, Deus nos eleva em absoluta liberta&ccedil;&atilde;o, numa verdadeira e &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o, ou &ldquo;religi&atilde;o&rdquo;, de co-herdeiros com Cristo. Esta &eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o propriamente crist&atilde;, no Esp&iacute;rito de Cristo, o &ldquo;Filho de Maria&rdquo;, a Santa M&atilde;e de Deus.<\/p>\n<p>Mas &eacute; no Evangelho escutado que podemos deparar com a aut&ecirc;ntica s&uacute;mula de quanto celebramos hoje. Num r&aacute;pido esbo&ccedil;o apenas:<\/p>\n<p>Contava S&atilde;o Lucas que &ldquo;naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Bel&eacute;m e encontraram Maria, Jos&eacute; e o Menino deitado na manjedoura&rdquo;. Assim mesmo Os devemos encontrar tamb&eacute;m, com a urg&ecirc;ncia que certamente sentimos. E por aquela mesma ordem: primeiro, viram a M&atilde;e, que O recebera de Deus, como novo come&ccedil;o e perfeita liberta&ccedil;&atilde;o do mundo, pois &eacute; em Cristo e nos que vivem em Cristo que finalmente a cria&ccedil;&atilde;o inteira respirar&aacute; isenta. Como disse S&atilde;o Paulo, noutro passo: &ldquo;Pois at&eacute; a cria&ccedil;&atilde;o se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revela&ccedil;&atilde;o dos filhos de Deus [&hellip;], para alcan&ccedil;ar a liberdade na gl&oacute;ria dos filhos de Deus&rdquo; (cf. Rm 8, 19-21).<\/p>\n<p>Primeiro Maria, para que o primeir&iacute;ssimo Jesus pudesse acontecer no mundo, na nova terra que Ela mesma figurava. Ainda aqui &ndash; e de que maneira! &ndash; se pode e deve falar de liberdade religiosa, pois o consentimento de Maria &agrave; proposta &uacute;nica da Anuncia&ccedil;&atilde;o, significou a plena realiza&ccedil;&atilde;o da sua liberdade pessoal, capaz de ultrapassar justificados receios e compreens&iacute;veis d&uacute;vidas, pela consentida rendi&ccedil;&atilde;o ao absoluto e hum&iacute;limo poder de Deus: absoluto e hum&iacute;limo como o amor aut&ecirc;ntico, que tudo oferece e sempre depende de quem o aceite.<\/p>\n<p>Depois viram Jos&eacute;, porque &eacute; necess&aacute;rio que algu&eacute;m guarde e tutele os dons Deus aos homens. &Eacute; muito elucidativo verificar como grandes obreiros da recria&ccedil;&atilde;o do mundo, atrav&eacute;s da &ldquo;recria&ccedil;&atilde;o&rdquo; da Igreja &ndash; Corpo de Cristo em crescimento &ndash;, se confiaram tanto a S&atilde;o Jos&eacute;, fosse Teresa de &Aacute;vila para reformar o Carmelo, fosse Jo&atilde;o XXIII para &ldquo;aggiornare&rdquo; a vida eclesial.<\/p>\n<p>De Maria e Jos&eacute;, os pastores concentraram-se naquele &ldquo;Menino deitado na manjedoura&rdquo;, tudo &ldquo;como lhes tinha sido anunciado&rdquo;. Em tal pobreza puderam entrever a riqueza divina, que assim os libertava de qualquer exclus&atilde;o que fosse. Num pal&aacute;cio nasceria um &ldquo;deus&rdquo; para os grandes, como o C&eacute;sar de Roma, rodeado de grand&iacute;ssima corte. Numa manjedoura estava Deus para todos, entre Maria e Jos&eacute;, come&ccedil;ando pelos pastores que acorriam. Assim na Santa Madre Igreja, quando permanece livre e liberta, inteiramente dispon&iacute;vel para acolher e cumprir a palavra divina, como Santa Maria M&atilde;e de Deus. A&iacute; acorrer&atilde;o os pobres de todas as pobrezas, porque a eles &eacute; anunciada a Boa nova da perfeita liberta&ccedil;&atilde;o (cf. Lc 4, 18). E os pobres trar&atilde;o os ricos, feitos pobres tamb&eacute;m, finalmente seduzidos por um Reino que s&oacute; aos &ldquo;pobres em esp&iacute;rito&rdquo; se promete (cf. Mt 5, 3).<\/p>\n<p>Continuava o Evangelho, como temos de terminar por agora: &ldquo;Quando O viram, os pastores come&ccedil;aram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam&rdquo;. Ningu&eacute;m disfar&ccedil;a um espanto, ningu&eacute;m sufoca a alegria. Desde ent&atilde;o se &ldquo;come&ccedil;ou a contar&rdquo; a hist&oacute;ria viva daquele Menino e sua M&atilde;e. Ou melhor, essa mesma hist&oacute;ria se tornou Hist&oacute;ria da Igreja, fermenta&ccedil;&atilde;o persistente da liberdade do mundo.<\/p>\n<p>Daqueles pastores nada mais sabemos, nem se foram sempre coerentes com o an&uacute;ncio que faziam. O mesmo se diga das muit&iacute;ssimas gera&ccedil;&otilde;es crentes que o mediaram at&eacute; chegar a n&oacute;s. Uns sim, outros menos e outros, infelizmente, muito pelo contr&aacute;rio&hellip; Vale o mesmo an&uacute;ncio, como indispens&aacute;vel &eacute; quem o transporte e a liberdade para o fazer. E n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil apurar que as pr&oacute;prias contrafac&ccedil;&otilde;es do an&uacute;ncio &#8211; que devia ser sempre t&atilde;o libertador como o foi naqueles primeiros dias &#8211; foram rejeitadas e superadas, antes de mais, por quantos se t&ecirc;m felizmente somado como verdadeiras testemunhas do Evangelho de Cristo, para a liberta&ccedil;&atilde;o do mundo. As contrafac&ccedil;&otilde;es da religi&atilde;o n&atilde;o se corrigem com a aus&ecirc;ncia dela, mas sempre e s&oacute; com melhor religi&atilde;o.<\/p>\n<p>Com Bento XVI, teremos at&eacute; de constatar e afirmar: &ldquo;Ineg&aacute;vel &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o que as religi&otilde;es prestam &agrave; sociedade. S&atilde;o numerosas as institui&ccedil;&otilde;es caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da religi&atilde;o no &acirc;mbito pol&iacute;tico. Tal contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deveria ser marginalizada ou impedida, mas vista como v&aacute;lida ajuda para a promo&ccedil;&atilde;o do bem comum&rdquo; (Mensagem, n&ordm; 6).<\/p>\n<p>Com estes sentimentos e reflex&otilde;es, car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, continuemos a celebra&ccedil;&atilde;o de Santa Maria M&atilde;e de Deus &ndash; Dia Mundial da Paz. E tomemos para lema e miss&atilde;o de 2011 os mesmos dos pastores de h&aacute; dois mil&eacute;nios, pois cada crente se h&aacute;-de tornar um constante pastor do mundo, pelo cuidado sol&iacute;cito em rela&ccedil;&atilde;o a toda a obra divina: &ldquo;Os pastores regressaram, glorificando a louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado&rdquo;. &#8211; Sobre eles se alongava decerto o olhar maternal de Maria, como agora nos envolve e encoraja a n&oacute;s!<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 1 de Janeiro de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Clemente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pastores do mundo, sob o olhar da M&atilde;e de Deus &nbsp; Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, aqui reunidos na igreja catedral do Porto, e todos v&oacute;s, que nos seguis pela R&aacute;dio Renascen&ccedil;a: Como &eacute; habitual &ndash; e muito al&eacute;m de qualquer rotina -, celebramos em toda a Igreja Cat&oacute;lica a Solenidade 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