{"id":49148,"date":"2010-12-27T10:41:37","date_gmt":"2010-12-27T10:41:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/27\/mensagem-de-natal-do-bispo-de-angra-3\/"},"modified":"2010-12-27T10:41:37","modified_gmt":"2010-12-27T10:41:37","slug":"mensagem-de-natal-do-bispo-de-angra-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-bispo-de-angra-3\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Bispo de Angra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Natal: uma esperan&ccedil;a dif&iacute;cil<\/strong><\/p>\n<p>A &eacute;poca natal&iacute;cia cria sempre um ambiente de boa vontade e de esperan&ccedil;a. Nestes tempos dif&iacute;ceis de crise que vivemos, algu&eacute;m perguntar&aacute;: ainda &eacute; poss&iacute;vel celebrar o Natal, na alegria da esperan&ccedil;a?<\/p>\n<p>&Eacute; precisamente, em tempos conturbados e de incerteza, que os profetas do Antigo Testamento acenderam uma luz de esperan&ccedil;a, com a promessa do Messias-Salvador, que viria renovar a humanidade. Quer dizer, tornar poss&iacute;vel o Reino de Deus na terra: Reino de Verdade e de Justi&ccedil;a, de Amor e de Paz. J&aacute; presente e actuante no mundo. Mas sempre a construir.<\/p>\n<p>Para aqueles que andavam nas trevas, &laquo;uma grande luz&hellip; come&ccedil;ou a brilhar&raquo; &#8211; vaticina o profeta Isa&iacute;as, num dos momentos mais dif&iacute;ceis da hist&oacute;ria de Israel. &Eacute; que, quando se adensam as trevas e a noite est&aacute; adiantada, &eacute; que est&aacute; prestes a surgir a aurora (cf. Rm 13, 12).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. &Eacute;, pois, uma mensagem de esperan&ccedil;a, que nos vem da gruta de Bel&eacute;m. Mesmo nas circunst&acirc;ncias actuais e muito mais neste momento de crise, o Natal de Jesus &eacute; a festa da esperan&ccedil;a por excel&ecirc;ncia. Uma esperan&ccedil;a dif&iacute;cil. Mas poss&iacute;vel. E necess&aacute;ria. Para podermos enfrentar as dificuldades do presente e construir um futuro melhor. Com a certeza de o alcan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>Efectivamente, a f&eacute; crist&atilde; &eacute; esperan&ccedil;a, na medida em que &eacute; &laquo;a garantia do que se espera e a certeza do&nbsp; que n&atilde;o se v&ecirc;&raquo; (Heb 11, 1). Explica S. Paulo: &laquo;De facto, j&aacute; estamos salvos, mas em  esperan&ccedil;a. Quando se v&ecirc; aquilo que se espera, ent&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; esperan&ccedil;a. Pois como &eacute; que algu&eacute;m espera aquilo que j&aacute; est&aacute; a ver? Mas se n&oacute;s esperamos aquilo que ainda n&atilde;o vemos, esperamo-lo com paci&ecirc;ncia&raquo; (Rm 8, 24-25).<\/p>\n<p>O que n&atilde;o significa resigna&ccedil;&atilde;o, mas sim perseveran&ccedil;a no empenho, capacidade de entrega e de sacrif&iacute;cio. &Eacute; saber esperar como o agricultor, que, depois de amanhar a terra e de semear, espera com paci&ecirc;ncia o precioso fruto da terra (cf. Tgo 5, 7). Dando tempo ao tempo.<\/p>\n<p>&Eacute; assim a esperan&ccedil;a crist&atilde;: certeza de alcan&ccedil;ar a meta, olhando a vida e a hist&oacute;ria com&nbsp; confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Por mais sombrio e incerto que se apresente o futuro e por mais dif&iacute;cil que seja o presente, n&oacute;s crist&atilde;os temos de saber dar raz&atilde;o da esperan&ccedil;a, que nos anima (cf. 1 Ped 3, 15). N&atilde;o apenas por palavras, mas tamb&eacute;m e, sobretudo, por obras, comprometendo-nos no presente.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI explica isso muito bem, quando afirma: &laquo;O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta, se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for t&atilde;o grande que justifique a canseira do caminho&hellip; A mensagem crist&atilde; n&atilde;o &eacute; s&oacute; &ldquo;informativa&rdquo;: &eacute; &ldquo;performativa&rdquo;. Significa isto que o Evangelho n&atilde;o &eacute; apenas comunica&ccedil;&atilde;o de realidades que se podem saber, mas uma comunica&ccedil;&atilde;o, que gera factos e muda a vida&raquo; (Bento XVI, Spe Salvi, n&ordm; 2).<\/p>\n<p>Do Evangelho de Jesus n&atilde;o se podem deduzir respostas e solu&ccedil;&otilde;es un&iacute;vocas, do ponto de vista s&oacute;cio-econ&oacute;mico e pol&iacute;tico. Mas nem tudo se coaduna com a mensagem evang&eacute;lica. A equidist&acirc;ncia da Igreja em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s propostas pol&iacute;ticas n&atilde;o pode significar neutralidade. H&aacute; princ&iacute;pios e crit&eacute;rios na Doutrina Social da Igreja, que, se tomados a s&eacute;rio, fazem toda a diferen&ccedil;a. Pensemos, por exemplo, na solidariedade, que &laquo;n&atilde;o &eacute; um sentimento de vaga compaix&atilde;o&hellip; Pelo contr&aacute;rio, &eacute; a determina&ccedil;&atilde;o firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum&raquo; (Chfl&nbsp; 42), que &eacute; por defini&ccedil;&atilde;o o bem de todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Neste momento de crise, h&aacute; uma solidariedade de proximidade, que deve ser posta em pr&aacute;tica. As situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia social devem encontrar respostas imediatas. Mas n&atilde;o basta a ajuda material. &Eacute; preciso sempre &ldquo;a caridade na verdade&rdquo; (cf. Bento XVI), que procura actuar nas causas da pobreza e das desigualdades sociais. Por isso, os sacrif&iacute;cios das medidas de austeridade t&ecirc;m de ser equitativamente distribu&iacute;dos por todos. Por outro lado, deve-se promover sempre a pessoa humana, na sua dignidade e apoiar o desenvolvimento local.<\/p>\n<p>&laquo;A actual crise econ&oacute;mica (&hellip;) deve ser considerada seriamente: deriva de v&aacute;rias causas e exige uma profunda revis&atilde;o do modelo de desenvolvimento econ&oacute;mico global&hellip;&raquo; &ndash; afirmava recentemente o Papa. E conclu&iacute;a, apelando a uma &laquo;clara consci&ecirc;ncia &eacute;tica&raquo;, ao &laquo;desenvolvimento sustent&aacute;vel&raquo; e ao &laquo;relan&ccedil;amento da agricultura&raquo;, combatendo &laquo;a persist&ecirc;ncia do desequil&iacute;brio entre riqueza e pobreza, o esc&acirc;ndalo da fome, a urg&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e o crescente problema generalizado do desemprego&raquo; (Bento XVI, Angelus, 14 de Novembro de 2010).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Tudo isto n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sem &ldquo;espiritualidade&rdquo;, que implica mudan&ccedil;a de mentalidade e de estilo de vida, com maior sobriedade e partilha efectiva de bens. Afirmava, h&aacute; anos, um autor famoso: &laquo;o s&eacute;culo XXI, ou ser&aacute; &ldquo;m&iacute;stico&rdquo;, ou n&atilde;o ser&aacute;&raquo;. Quer dizer, s&atilde;o t&atilde;o grandes os desafios que a&iacute; v&ecirc;m, que n&atilde;o se poder&atilde;o encontrar respostas humanas adequadas, sem espiritualidade. &Eacute; que n&atilde;o basta mudar estruturas. &Eacute; preciso mudar o cora&ccedil;&atilde;o, sem o que o mundo n&atilde;o melhora.<\/p>\n<p>Ora, a Encarna&ccedil;&atilde;o de Deus, que celebramos no Natal, introduziu na hist&oacute;ria humana, uma semente de mudan&ccedil;a irrevers&iacute;vel. No Menino de Bel&eacute;m, j&aacute; come&ccedil;ou o futuro da humanidade. Por isso &eacute; Natal.<\/p>\n<p>Bom Natal a todos! Na esperan&ccedil;a, que nos vem da gruta de Bel&eacute;m: uma esperan&ccedil;a certa e activa, que nos compromete, aqui e agora.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Ant&oacute;nio, Bispo de Angra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal: uma esperan&ccedil;a dif&iacute;cil A &eacute;poca natal&iacute;cia cria sempre um ambiente de boa vontade e de esperan&ccedil;a. 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