{"id":49141,"date":"2010-12-26T10:50:23","date_gmt":"2010-12-26T10:50:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/26\/natal-e-dom-de-deus-a-humanidade\/"},"modified":"2010-12-26T10:50:23","modified_gmt":"2010-12-26T10:50:23","slug":"natal-e-dom-de-deus-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-e-dom-de-deus-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Natal \u00e9 dom de Deus \u00e0 Humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Aveiro na Eucaristia de Natal <!--more--> <\/p>\n<p>1.Celebramos, nesta primeira Eucaristia de Natal, o grande mist&eacute;rio da humaniza&ccedil;&atilde;o de Deus e contemplamos, no cora&ccedil;&atilde;o da noite, o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, em Bel&eacute;m.<\/p>\n<p>Surpreende-nos o facto de que os primeiros destinat&aacute;rios do an&uacute;ncio do nascimento de Jesus tenham sido os pastores, habituados pelo trabalho a uma vida n&oacute;mada, dif&iacute;cil e quase marginal aos grandes acontecimentos da sociedade. Aqui, no milagre e no mist&eacute;rio do acontecimento de Bel&eacute;m, aparecem como predilectos de Deus e por Ele escolhidos para testemunhar e contar a &ldquo;<em>hist&oacute;ria de Jesus&rdquo;<\/em>. <strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Diz-nos o Evangelho que &ldquo;<em>o Anjo do Senhor aproximou-se deles e disse-lhes: n&atilde;o temais, porque vos anuncio uma grande alegria: nasceu-vos, hoje, na cidade de David, um Salvador, que &eacute; Cristo, o Senhor&rdquo; <\/em>(Luc 2, 9-11).<\/p>\n<p>Os pastores acolheram este an&uacute;ncio paradoxal e receberam esta mensagem divina. Dirigiram-se, de imediato, a Bel&eacute;m e encontraram Maria e Jos&eacute; e o Menino recostado numa manjedoura&rdquo;.<\/p>\n<p>A mesma mensagem chegou at&eacute; n&oacute;s, transmitida por outras vozes e dita noutros lugares e doutros modos. Foram m&atilde;es de fam&iacute;lia, catequistas e comunidades que nos ajudaram a viver e celebrar o Natal. Mais e melhor do que ningu&eacute;m, minha M&atilde;e ensinou-me a conhecer e a amar o Natal.<\/p>\n<p>No mundo de hoje, em que faltam tantas vezes a serenidade das noites longas e a paz dos dias felizes, o Natal precisa de ser melhor conhecido e mais amado. O Natal existe por nossa causa e para nosso bem. E esta &eacute; para n&oacute;s uma noite santa, cheia de magia, de serenidade e de paz a dizer-nos que Jesus nasceu em Bel&eacute;m.<\/p>\n<p>2. O Natal &eacute; um dom de Deus &agrave; Humanidade. &Eacute; &ldquo;<em>luz do mundo&rdquo;<\/em> a iluminar o nosso olhar e a alicer&ccedil;ar a nossa f&eacute;.<\/p>\n<p>No seu recente livro, &ldquo;<em>Ir &agrave; Igreja, porqu&ecirc;? <\/em>&rdquo;, Timothy Radcliffe, te&oacute;logo dominicano ingl&ecirc;s, antigo Mestre Geral da Ordem, &nbsp;conta-nos uma primorosa hist&oacute;ria de vida e de f&eacute;, que poderia muito bem ser uma bela hist&oacute;ria do Natal. Diz-nos o autor que &ldquo;o professor Eamon Duffy era um prestigiado historiador da Universidade de Cambridge que tinha sido cat&oacute;lico praticante. De um momento para o outro viu a sua f&eacute; ruir e mergulhou na escurid&atilde;o diante das d&uacute;vidas, da inseguran&ccedil;a e do medo da morte. Ou&ccedil;amos as suas palavras: &ldquo; <em>Diante do horror da morte e do sofrimento e perante o pavor que os dramas humanos nos causam veio a percep&ccedil;&atilde;o de que Deus se fora embora tamb&eacute;m. J&aacute; n&atilde;o havia Deus e eu n&atilde;o tinha f&eacute;. Todo o condicionamento, todos os argumentos e o escoramento emocional que eu constru&iacute;ra &agrave; volta e dentro da minha vida foi como se nunca tivessem existido. N&atilde;o mais acreditei, n&atilde;o mais desejei nem sequer acreditar. Sentia-me confuso e embara&ccedil;ado com as minhas tentativas de rezar, como um homem que &eacute; apanhado a falar sozinho numa carruagem de comboio. <\/em><\/p>\n<p><em>&hellip;Quando a f&eacute;, mais tarde, regressou veio como uma d&aacute;diva. Num domingo, diz-nos Duffy,<\/em> <em>entrei de novo na Igreja e estava sentado olhando simplesmente para as pessoas a caminho do altar. Nesse momento experimentei de repente um sentimento de companhia, de gratid&atilde;o, de alegria e estranhamente senti vontade de rezar. A minha mente encheu-se, ficou literalmente cheia de um vers&iacute;culo do Salmo 26: Como eu amo, Senhor, a beleza da vossa casa &hellip; e o lugar onde habita a vossa gl&oacute;ria&rdquo; <\/em><em>( Ir &agrave; Igreja, porqu&ecirc;, p&aacute;gs. 122 a 124 ). <\/em><\/p>\n<p>Duas coisas, entre outras me parecem importantes nesta hist&oacute;ria e neste relato. Por um lado a certeza de que a f&eacute; pode regressar e reencontrar-se. Este homem tinha perdido a f&eacute; mas n&atilde;o tinha abandonado a Igreja. N&atilde;o se tinha retirado. Esperou. Por outro lado E. Duffy descobre que a f&eacute; n&atilde;o &eacute; uma escolha entre crer ou n&atilde;o crer. A f&eacute; &eacute; uma d&aacute;diva. Uma d&aacute;diva assombrosa e imerecida de significado. Na sociedade em que vivemos, uma sociedade politicamente livre e culturalmente evolu&iacute;da, a f&eacute; &eacute; um dos melhores presentes de Natal de que a sociedade carece e que a alma portuguesa guarda e testemunha. &Eacute; uma d&aacute;diva de Deus, que cada Natal nos oferece de novo. <em><\/em><\/p>\n<p><em>&ldquo;<\/em> <em>O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que andavam nas sombras da morte uma luz come&ccedil;ou a brilhar. Quebrou-se o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os seus ombros e o bast&atilde;o do seu opressor&hellip;Porque um menino nasceu para n&oacute;s, um filho nos foi dado&hellip;Ele &eacute; o Pr&iacute;ncipe da paz<\/em>&rdquo; (<em>Isa&iacute;as 9, 4-6)<\/em><em>. <\/em><\/p>\n<p>Com a profecia de Isa&iacute;as, Deus refunda a esperan&ccedil;a no povo de Israel e desperta-nos para acolhermos com alegria esta d&aacute;diva de f&eacute;, de esperan&ccedil;a e de caridade que o nascimento do Filho de Deus nos traz.<\/p>\n<p>O Natal ensina-nos a sonhar com um mundo novo e diferente, habitado por homens e mulheres que acolhem o desafio da f&eacute; como um des&iacute;gnio de vida e um sentido de miss&atilde;o. Educa-nos para sermos irm&atilde;os, decididos a transformar as dificuldades provocadas pelas d&uacute;vidas, questionamentos e incertezas de f&eacute; em oportunidades onde a verdade, a beleza e a bondade de Deus se encontram, celebram e testemunham.<\/p>\n<p>O Natal &eacute; manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;<em>da gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens, ensinando-nos a viver no tempo presente com temperan&ccedil;a, justi&ccedil;a e piedade&rdquo;, <\/em>lembrava Paulo ao disc&iacute;pulo Tito, no belo texto da segunda leitura de hoje.&rdquo; (Tito, 2, 11-12).<\/p>\n<p>3.Todos quantos celebramos o Natal de Jesus, sabemos que a f&eacute;, a esperan&ccedil;a e o amor, de que o mundo carece, moram no pres&eacute;pio e est&atilde;o presentes no cora&ccedil;&atilde;o generoso dos que acreditam, rezam e partilham. Para os crist&atilde;os, a ora&ccedil;&atilde;o est&aacute; na raiz da f&eacute;, da esperan&ccedil;a e da caridade. &Eacute; nosso lema diocesano no caminho de Advento\/Natal esta bela s&iacute;ntese: <strong><em>Jesus vem: reza e acolhe.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>Queremos ser Igreja orante, lugar de esperan&ccedil;a no mundo. No seu livro mais recente, o Santo Padre lembra-nos que &ldquo;o sentido da Igreja &eacute; voltarmo-nos para Deus e deixarmos entrar Deus no mundo&rdquo; ( Bento XVI, Luz do Mundo, p&aacute;g. 151).<strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p>A Igreja conhece as dificuldades das pessoas, sente as prova&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias e sofre diante da pobreza, do desemprego e da injusti&ccedil;a, flagelos humanos e sociais que h&aacute; muito tempo deviam estar erradicados. Por isso intensifica, neste tempo, a ora&ccedil;&atilde;o junto de Deus e apressa-se a ir ao encontro de todas as pessoas e de cada uma das fam&iacute;lias, com respostas concretas e com sinais claros de presen&ccedil;a activa, de proximidade fraterna e de partilha solid&aacute;ria.<\/p>\n<p>Precisamos de reaprender a estar no mundo, vencendo a ambi&ccedil;&atilde;o desmedida e incontrol&aacute;vel da posse, do luxo e da abund&acirc;ncia desmedidos para adoptar estilos de vida s&oacute;bria, &eacute;tica e justa. Precisamos de reaprender mais a partilhar do que a guardar e temos necessidade de encontrar em todos os que s&atilde;o chamados a governar mais vontade de servir do que desejo de dominar.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do, no cora&ccedil;&atilde;o desta noite aben&ccedil;oada, as crian&ccedil;as, jovens, adultos e idosos, felizes mensageiros de Natal, decididos a ir ao encontro das pessoas sem abrigo, sem fam&iacute;lia, sem trabalho, sem sa&uacute;de ou sem liberdade. H&aacute; tanta gente, na nossa cidade e diocese, a repartir o seu sal&aacute;rio e as suas economias; temos in&uacute;meras institui&ccedil;&otilde;es e comunidades a multiplicar criativamente as suas respostas solid&aacute;rias; encontramos empresas a fazer um esfor&ccedil;o acrescido na consolida&ccedil;&atilde;o de um trabalho est&aacute;vel e na reparti&ccedil;&atilde;o justa dos resultados conseguidos.<\/p>\n<p>O tempo de Advento que precedeu esta noite de Natal levou-nos a cruzar com alegria os nossos caminhos, em partilha de f&eacute;, de vida e de miss&atilde;o, com numerosos e felizes mensageiros de Natal. Neles descobrimos, atrav&eacute;s de tantos sinais de esperan&ccedil;a e gestos de partilha e de generosidade, o novo rosto e o novo cora&ccedil;&atilde;o da nossa f&eacute;. Demos gra&ccedil;as a Deus, porque com eles se torna mais belo e mais verdadeiro o Natal em Aveiro.<\/p>\n<p>Que Jesus encontre em cada um de n&oacute;s o seu pres&eacute;pio, porque <em>&ldquo;&eacute; dentro de n&oacute;s que Jesus nasce e &eacute; em cada um de n&oacute;s que o Natal acontece&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Um santo e feliz Natal<\/p>\n<p>S&eacute; de Aveiro, 24 de Dezembro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Aveiro na Eucaristia de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,120,168,170,191,267],"class_list":["post-49141","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-aveiro","tag-economia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49141\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}