{"id":49140,"date":"2010-12-26T10:45:05","date_gmt":"2010-12-26T10:45:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/26\/deus-falou-nos-por-seu-filho\/"},"modified":"2010-12-26T10:45:05","modified_gmt":"2010-12-26T10:45:05","slug":"deus-falou-nos-por-seu-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deus-falou-nos-por-seu-filho\/","title":{"rendered":"Deus falou-nos por seu Filho"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na Solenidade do Nascimento de Jesus Cristo <!--more--> <\/p>\n<p><em>E o Verbo fez-Se carne e habitou entre n&oacute;s.<\/em><\/p>\n<p><em>N&oacute;s vimos a sua gl&oacute;ria,<\/em><\/p>\n<p><em>gl&oacute;ria que Lhe vem do Pai como Filho Unig&eacute;nito,<\/em><\/p>\n<p><em>cheio de gra&ccedil;a e de verdade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alegremo-nos todos porque o mensageiro da paz vem sobre as cidades e as aldeias do nosso tempo trazer a Boa-Nova e proclamar a salva&ccedil;&atilde;o. Desde o in&iacute;cio da cria&ccedil;&atilde;o Deus preparou o seu povo para t&atilde;o belo acontecimento. No princ&iacute;pio fez brilhar a luz sobre o nada, o vazio, ao criar o mundo com dinamicidade. Respeitando o curso do tempo revelou a sua Alian&ccedil;a a Abra&atilde;o, renovou o seu projecto com Mois&eacute;s, apresentando-se &ldquo;Eu sou o que sou&rdquo; (Ex 3, 14), &ldquo;Eu serei o vosso Deus e v&oacute;s sereis o meu povo&rdquo; (Jr 7,23). Promessa de Deus n&atilde;o adiada mas a concretizar no tempo pr&oacute;prio!<\/p>\n<p>Mas este projecto de alian&ccedil;a para a humanidade s&oacute; agora iniciava. A sua gesta&ccedil;&atilde;o precisava de matura&ccedil;&atilde;o. A salva&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o da morte e das trevas precisava de profetas cred&iacute;veis para anunciarem o Messias. Ent&atilde;o Deus escolhe alguns homens profetas para anunciarem o Perd&atilde;o e a Paz e denunciarem as pot&ecirc;ncias que oprimem injustamente os povos. Na segunda leitura, da Carta aos Hebreus, escut&aacute;vamos: &ldquo;Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que s&atilde;o os &uacute;ltimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual tamb&eacute;m criou o universo&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre a Anuncia&ccedil;&atilde;o e a Visita&ccedil;&atilde;o, Deus operou a grande maravilha da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Jo&atilde;o Baptista, o Precursor, ap&oacute;s ter preparado o seu povo para a vinda do Messias, retirou-se e deixou brilhar o Verbo, Jesus o Filho Primog&eacute;nito. O anjo sa&uacute;da Maria para lhe anunciar a nova Alian&ccedil;a de Deus com a humanidade que ela transportar&aacute; no seu seio com exultante alegria. O Deus-connosco revelou-se de modo definitivo em Jesus Cristo, com quem estabeleceu uma rela&ccedil;&atilde;o paternal e filial: &laquo;Eu serei para Ele um Pai e Ele ser&aacute; para Mim um Filho?&raquo;. O Evangelho de hoje responde: A Deus, nunca ningu&eacute;m O viu. O Filho Unig&eacute;nito, que est&aacute; no seio do Pai, &eacute; que O deu a conhecer&rdquo;. J&aacute; n&atilde;o &eacute; uma Alian&ccedil;a com um povo abstracto &eacute; a filia&ccedil;&atilde;o amorosa com o Filho, o Verbo que desde a cria&ccedil;&atilde;o estava em gesta&ccedil;&atilde;o, nasceu, morreu e ressuscitou continuando a sua luz a brilhar no rosto da Igreja. Como? Na medida em que cada crist&atilde;o se faz sentinela da Paz e do Amor fraterno para com Deus e para com os irm&atilde;os.<\/p>\n<p>O Nascimento de Jesus, a Palavra que era Deus e estava com Deus, inaugurou uma nova era. O Natal adentra-nos na beleza da incarna&ccedil;&atilde;o de Deus, que envia o seu Filho ao mundo, tornando-O homem entre os Homens para salvar a humanidade. &Agrave; luz da Palavra o crist&atilde;o n&atilde;o pode deixar-se vencer pelas profecias apocal&iacute;pticas que assolam o momento actual. N&atilde;o &eacute; tempo de lamenta&ccedil;&otilde;es nem queixumes quando temos tudo ao nosso alcance para fazer do mundo um lugar de beleza, de recriar a nossa identidade humana &agrave; luz de uma nova s&iacute;ntese entre antropologia e ecologia, que garanta a habitalidade do nosso planeta. Que nos adiante falar de progresso humano se muitos continuam mergulhados na fome e na mis&eacute;ria? De que valer&aacute; apostarmos na humaniza&ccedil;&atilde;o da economia se continuamos a explorar obstinadamente os bens naturais em favor de uma minoria? Como poderemos salvar-nos se continuamos a autodestruir-nos com base em persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e religiosas? Olhando &agrave; volta s&oacute; Deus nos poder&aacute; salvar porque incarnou na hist&oacute;ria e nos humanizou. O Homem n&atilde;o se humaniza a si mesmo, precisa do amor e do perd&atilde;o de Deus para se reencontrar na hist&oacute;ria da vida.<\/p>\n<p>O Nascimento de Jesus no Pres&eacute;pio de Bel&eacute;m desafia-nos a abrir caminhos novos, com todos os Homens de boa vontade, que queiram encetar mudan&ccedil;as globais e incluir a pobreza evang&eacute;lica como uma forma poss&iacute;vel de aut&ecirc;ntica felicidade. Pobreza que reconhece a riqueza como dom, digna de ser partilhada com toda a comunidade e colocada ao servi&ccedil;o do bem comum. N&atilde;o podemos ficar indiferentes &agrave; <em>res publica<\/em> e &agrave; gest&atilde;o dos nossos bens nem exercer somente a nossa cidadania com o voto secreto nas elei&ccedil;&otilde;es. A democracia exige diariamente a nossa interven&ccedil;&atilde;o nos locais onde vivemos, uma cidadania co-respons&aacute;vel ao n&iacute;vel social, econ&oacute;mico, cultural, pol&iacute;tico, religioso e ambiental.<\/p>\n<p>O Natal, s&iacute;mbolo da pobreza de um menino nascido em Bel&eacute;m mas rico de amor e beleza universal, suscitou perplexidade ao rei Herodes, e continuar&aacute; a suscitar medo &agrave;queles que vivem obstinados pela vontade de poder. Ter consci&ecirc;ncia presente do tempo &eacute; n&atilde;o ter medo de dar voz &agrave;queles que vivem &agrave; margem da vida social. &Eacute; dizer que &eacute; poss&iacute;vel transformar a realidade pela convers&atilde;o pessoal &agrave; fraternidade e ao amor. Por isso, a esperan&ccedil;a crist&atilde; n&atilde;o adia o mundo novo que pode surgir j&aacute; hoje. O apelo de Isa&iacute;as realiza-se nos &ldquo;p&eacute;s do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; em cada tempo e lugar. &Eacute; nessa medida que a Igreja de Braga quer agradecer &agrave;s Institui&ccedil;&otilde;es e pessoas que d&atilde;o voz e rosto &agrave; esperan&ccedil;a e ao amor que vem de Cristo:<\/p>\n<p>&nbsp;&#8211; &Agrave;s Mesas Administrativas de tantas Institui&ccedil;&otilde;es Particulares de Solidariedade que, quotidiana e gratuitamente, se colocam ao servi&ccedil;o da humaniza&ccedil;&atilde;o da vida dos mais carenciados.<\/p>\n<p>&nbsp;&#8211; Aos trabalhadores dessas Institui&ccedil;&otilde;es que vivem em verdadeira voca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, dedica&ccedil;&atilde;o e solicitude.<\/p>\n<p>&nbsp;&#8211; Aos numerosos grupos de ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativos e movimentos eclesiais que, no silencia da ac&ccedil;&atilde;o, mostram o amor e a luz de Cristo &agrave;queles que vivem &agrave; margem da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;&#8211; Aos volunt&aacute;rios e volunt&aacute;rias que se deixam interrogar pelas exig&ecirc;ncias do bem comum em detrimento das comodidades pessoais e acreditam que vale a pena dar-se pelos outros. Que esta for&ccedil;a volunt&aacute;ria cres&ccedil;a no pr&oacute;ximo Ano Europeu do Voluntariado, como testemunho de vida contracorrente &agrave; indiferen&ccedil;a social. A Igreja bracarense pede a todos os grupos de jovens que se mobilizem e se organizem em grupos de voluntariado prontos a percorrer as ruas das nossas cidades e aldeias para levarem a Boa-Nova de Cristo redentor a todos os homens.<\/p>\n<p>E se todas estas pessoas e Institui&ccedil;&otilde;es de intervir por algum tempo na sociedade? Que aconteceria &agrave; vida de tanta gente? Nem sempre a sociedade valoriza o valor humano e espiritual daqueles homens e mulheres que no anonimato s&atilde;o mensageiros da alegria e da esperan&ccedil;a de Cristo Jesus.<\/p>\n<p>O Natal vivido na sua profundidade interior faz-nos parar diante do fren&eacute;tico barulho e do ru&iacute;do comercial. O verdadeiro Natal, preparado e vivido em comunidade crente, ajuda-nos a dar gra&ccedil;as pelas maravilhas da cria&ccedil;&atilde;o e a suscitar beleza e esperan&ccedil;a junto daqueles que vivem mergulhados na superficialidade e na materialidade da vida. N&atilde;o esque&ccedil;amos, como crist&atilde;os, que o Natal n&atilde;o s&atilde;o as prendas, o simples encontro social entre fam&iacute;lias, o desejo desenfreado de boas festas a tudo e a todos, de SMS de mensagens autom&aacute;ticas. N&atilde;o. O Natal &eacute; a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o de cada um, de encontro com Deus no rosto amigo do nosso pr&oacute;ximo, &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o alegre de um Menino-Deus que continua a nascer na nossa humanidade, que se traduz em gestos geradores de vida em cada cora&ccedil;&atilde;o humano. No meio da az&aacute;fama da vida n&atilde;o esque&ccedil;amos que o Deus-Menino nasceu nos nossos cora&ccedil;&otilde;es! Com Ele e por Ele caminharemos na esperan&ccedil;a continuando a &ldquo;aclamar o Senhor, nosso Rei, ao som da c&iacute;tara e da lira, ao som da tuba e da trombeta&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Que Santa Maria, a M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e,<\/em><\/p>\n<p><em>Nos ajude a viver da Palavra de Deus em todo<\/em><\/p>\n<p><em>o tempo e lugar.<\/em><\/p>\n<p>Catedral de Braga, Solenidade do Nascimento de Jesus, 25 de Dezembro de 2010,<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Jorge Ortiga, A.P<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na Solenidade do Nascimento de Jesus Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[112,172,191,267,314,329],"class_list":["post-49140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-europeu-do-voluntariado","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-natal","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}