{"id":49138,"date":"2010-12-25T18:16:00","date_gmt":"2010-12-25T18:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/25\/e-o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-jo-114\/"},"modified":"2010-12-25T18:16:00","modified_gmt":"2010-12-25T18:16:00","slug":"e-o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-jo-114","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-jo-114\/","title":{"rendered":"\u00abE o Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s\u00bb (Jo. 1,14)"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Missa de Natal <!--more--> <\/p>\n<p>1. Nesta solene celebra&ccedil;&atilde;o do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, os textos da Sagrada Escritura convidam-nos a alargar o horizonte do nosso olhar, indo para al&eacute;m da contempla&ccedil;&atilde;o do Menino no pres&eacute;pio, e abrir o nosso cora&ccedil;&atilde;o &agrave; profundidade do mist&eacute;rio de Deus, uno e trino, que nos envolve com o seu amor, num desejo inesgot&aacute;vel de miss&atilde;o. Aquele Menino tinha sido anunciado como o Emanuel, nome que significa &ldquo;Deus connosco&rdquo;. &Eacute; o eterno desejo de Deus de entrar em di&aacute;logo com o homem, de o atrair para a comunh&atilde;o de amor. Aquele Menino &eacute; o Verbo eterno de Deus, que agora se diz na realidade humana, anunciando que Deus se quer dizer, se pode revelar, em toda a realidade humana. &ldquo;E o Verbo fez-se carne e habitou entre n&oacute;s&rdquo; (Jo. 1,14). &Eacute; toda a profundidade da nossa f&eacute; e o sentido &uacute;ltimo da exist&ecirc;ncia humana que est&atilde;o contidos nesta encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus. A recente Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica &ldquo;Verbum Domini&rdquo;, di-lo claramente: o pr&oacute;logo do Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o d&aacute;-nos a conhecer o fundamento da nossa vida: o Verbo que desde o princ&iacute;pio est&aacute; junto de Deus, fez-se carne e veio habitar entre n&oacute;s. Trata-se de um texto admir&aacute;vel que oferece uma s&iacute;ntese de toda a f&eacute; crist&atilde; (cf. V.D. n&ordm; 5). Ao exprimir-se na realidade humana e habitar connosco, isto &eacute;, ao estar presente como palavra reveladora de sentido em toda a nossa aventura humana, a encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo revela o sentido da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia humana. &ldquo;&Eacute; &agrave; luz da revela&ccedil;&atilde;o feita pelo Verbo divino que se esclarece definitivamente o enigma da condi&ccedil;&atilde;o humana&rdquo; (V.D. n&ordm; 6).<\/p>\n<p>2. Quem &eacute; este Verbo eterno que se exprime totalmente em Jesus de Nazar&eacute;? Ele &eacute; Deus: &ldquo;O Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus&rdquo; (Jo. 1,1). Ele &eacute; a express&atilde;o de Deus: quando Deus se revela, entrando em di&aacute;logo, Ele &eacute; a sua Palavra; quando Deus age, na cria&ccedil;&atilde;o e na hist&oacute;ria, Ele &eacute; a sua for&ccedil;a criadora: &ldquo;Tudo se fez por meio d&rsquo;Ele e sem Ele nada foi feito&rdquo; (Jo. 1,2). Tudo o que Deus nos diz e faz, brota do amor, e atrai-nos para o amor, porque &ldquo;Deus &eacute; amor&rdquo; (1Jo. 4,16).<\/p>\n<p>A encarna&ccedil;&atilde;o deste Verbo eterno enquadra-se no des&iacute;gnio eterno de Deus, de criar e atrair todos os homens para o seu mist&eacute;rio de comunh&atilde;o amorosa. Para S&atilde;o Jo&atilde;o, isso &eacute; claro: o quadro desta revela&ccedil;&atilde;o &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o e a hist&oacute;ria da humanidade. &Eacute; o princ&iacute;pio, isto &eacute;, o come&ccedil;o. E esse in&iacute;cio de todas as coisas brota de Deus, do seu Verbo.<\/p>\n<p>Porque Deus &eacute; amor, as Pessoas divinas foram-nos reveladas como Pai e Filho, unidos no amor transcendente, que &eacute; o Esp&iacute;rito. Eles s&atilde;o o nosso princ&iacute;pio, o princ&iacute;pio de todas as coisas, que s&oacute; encontrar&atilde;o a sua verdade definitiva, regressando a esse princ&iacute;pio.<\/p>\n<p>3. &Eacute; este mist&eacute;rio de amor, esta densidade de vida, que se exprime toda na humanidade de Jesus de Nazar&eacute;. Quem olha para Ele v&ecirc; um Homem, o filho do carpinteiro; quem olhar para Ele, alargando na f&eacute; o horizonte do seu olhar, encontra-se com Deus, pode escutar Deus, beneficiar, na sua vida, da for&ccedil;a criadora de Deus. Tudo na humanidade de Jesus &eacute; divino: a sua Palavra, a sua for&ccedil;a criadora, o seu amor ardente por todos os homens.<\/p>\n<p>Esta encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo eterno foi o &uacute;nico caminho poss&iacute;vel para que o homem pudesse tocar Deus, senti-l&rsquo;O pr&oacute;ximo, a fazer parte da sua vida. No Antigo Testamento generalizou-se a convic&ccedil;&atilde;o de que ningu&eacute;m poderia ver a Deus, que quem O tocasse ou se aproximasse morreria. S&atilde;o Jo&atilde;o conclui, no Evangelho que escut&aacute;mos: &ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m o viu. O Filho Unig&eacute;nito, que est&aacute; no seio do Pai, &eacute; que O deu a conhecer (Jo. 1,18). H&aacute; uma humildade de Deus neste tornar-se pr&oacute;ximo do homem. Esta humildade de Deus anuncia, aos crist&atilde;os, o caminho da humildade da f&eacute;. &Eacute; o desafio de Paulo aos Filipenses: &ldquo;Tende entre v&oacute;s os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele, que era de condi&ccedil;&atilde;o divina, n&atilde;o reivindicou o direito de ser equiparado a Deus, antes se despojou a Si pr&oacute;prio, tomando a condi&ccedil;&atilde;o de escravo, ficando semelhante aos homens&rdquo; (Fil. 2,5-7). E a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica &ldquo;Verbum Domini&rdquo;recorda-no-lo: &ldquo;O pr&oacute;prio Filho &eacute; a Palavra, &eacute; o Logos. A Palavra eterna fez-se pequena; t&atilde;o pequena que cabe numa manjedoura. Fez-se crian&ccedil;a, para que a Palavra possa ser compreendida por n&oacute;s&rdquo; (V.D. n&ordm; 12).<\/p>\n<p>Esta humildade de Deus sugere o ritmo da nossa f&eacute;. N&atilde;o se progride na f&eacute; sem humildade. S&oacute; esta nos levar&aacute; a n&atilde;o absolutizar a luz da raz&atilde;o, convidada, ela pr&oacute;pria, a abrir-se &agrave; profundidade do mist&eacute;rio. S&oacute; esta humildade nos permite confiar que podemos tocar Deus atrav&eacute;s da humanidade de Jesus, da sua Palavra, dos seus actos, dos seus gestos; acreditar que n&rsquo;Ele, as coisas simples nos fazem encontrar Deus; que a humanidade se pode transformar, progressivamente, em linguagem de Deus, em sinal da sua presen&ccedil;a e da sua ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para isso, basta acolher aquele Menino, aquele Jesus, Homem como n&oacute;s, que nos leva atrav&eacute;s de toda a sua humanidade, ao encontro de Deus: &ldquo;&Agrave;queles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus&rdquo;. &Eacute; uma nova cria&ccedil;&atilde;o, porque &ldquo;estes n&atilde;o nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus&rdquo;, porque &ldquo;o Verbo fez-Se carne e habitou entre n&oacute;s&rdquo; (Jo. 1,12-14).<\/p>\n<p>O Verbo feito carne transformou profundamente o sentido da conviv&ecirc;ncia humana. Em Cristo, podemos ser, uns para os outros, caminhos de Deus. E porque a reden&ccedil;&atilde;o recupera a beleza da cria&ccedil;&atilde;o, em Cristo aprendemos a descobrir, em todos os caminhos humanos, dons de que Deus nos dotou, ao criar-nos, caminhos de Deus. Cristo n&atilde;o nos separou da verdade da cria&ccedil;&atilde;o; possibilitou-nos olhar para tudo e sentir Deus connosco no concreto da vida. Ele, Cristo, recapitula em Si todas as coisas.<\/p>\n<p>Abramo-nos, nesta festa t&atilde;o bela, a esta simplicidade do cora&ccedil;&atilde;o que nos levar&aacute;, com cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, a tocar Deus em tudo o que &eacute; verdadeiramente humano. Aprenderemos a acolher, como Palavra eterna de Deus, toda a humanidade de Jesus.<\/p>\n<p>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<br \/>S&eacute; Patriarcal, 25 de Dezembro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Missa de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,267],"class_list":["post-49138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}