{"id":49134,"date":"2010-12-25T01:00:30","date_gmt":"2010-12-25T01:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/25\/a-pior-crise-e-a-rejeicao\/"},"modified":"2010-12-25T01:00:30","modified_gmt":"2010-12-25T01:00:30","slug":"a-pior-crise-e-a-rejeicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-pior-crise-e-a-rejeicao\/","title":{"rendered":"A pior crise \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Viseu na Missa da Meia-Noite <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&ldquo;Envolveu o Menino em panos e deitou-O numa manjedoura, porque n&atilde;o havia lugar para eles na hospedaria&rdquo;. Jesus experimenta a pior crise poss&iacute;vel, logo ao nascer, mostrando-nos a enormidade da sua injusti&ccedil;a. Sofre a crise mais grave que pode existir, a rejei&ccedil;&atilde;o mais atroz: n&atilde;o haver lugar para nascer e ter que nascer na clandestinidade. Por&eacute;m, porque veio para revelar e ensinar o amor, aponta a solu&ccedil;&atilde;o para as crises: colocar-se ao lado dos pobres e marginalizados para cantar a esperan&ccedil;a de todos os rejeitados e exclu&iacute;dos e tocar o cora&ccedil;&atilde;o de todos os privilegiados da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A crise pior &eacute; a rejei&ccedil;&atilde;o &ndash; n&atilde;o haver lugar para as pessoas. Sejam crian&ccedil;as que n&atilde;o s&atilde;o aceites ao nascer; sejam fam&iacute;lias que n&atilde;o s&atilde;o reconhecidas nem protegidas na sua identidade e miss&atilde;o; sejam pobres, rejeitados e exclu&iacute;dos da mesa comum. Ao jeito da hospedaria no tempo de Jesus, a crise actual provoca a rejei&ccedil;&atilde;o das pessoas e n&atilde;o reparte a casa, o emprego, o p&atilde;o e outros bens, por todos os que a estes bens t&ecirc;m direito. Na nossa sociedade em crise, n&atilde;o h&aacute; lugar para nascerem as crian&ccedil;as e estamos numa crise de vida e de futuro, de natalidade e de esperan&ccedil;a que fecha escolas e jardins-de-inf&acirc;ncia, que suscita a crise de emprego e a amea&ccedil;a de desertifica&ccedil;&atilde;o e que origina a crise de toda uma cultura e de todo um Povo. N&atilde;o h&aacute; lugar para as fam&iacute;lias e surge a crise dos valores; as rela&ccedil;&otilde;es tornam-se inst&aacute;veis e aumentam os div&oacute;rcios &ndash; &eacute; a crise do amor, do casamento, da fam&iacute;lia, da sociedade. N&atilde;o h&aacute; lugar para os pobres, sentindo-se cada vez mais exclu&iacute;dos dos bens, mais marginalizados da vida, mais distanciados da igualdade e da justi&ccedil;a &ndash; &eacute; a crise, nos mais nefastos efeitos e nas mais escandalosas, vergonhosas e criminosas consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Linguagem dura e triste para uma noite de Natal, mas, infelizmente, justa e verdadeira. De facto, havendo pessoas e fam&iacute;lias a passar fome, a n&atilde;o sentirem reconhecidos os seus direitos &agrave; dignidade, ao emprego, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e aos bens materiais de primeira necessidade, &eacute; de esc&acirc;ndalo, de vergonha e de crime que se trata e &eacute; assim que deve ser denunciado este estado de coisas. Muitos n&atilde;o t&ecirc;m lugar porque outros lhes fecham as portas. De facto, olhar-se para o sal&aacute;rio m&iacute;nimo e n&atilde;o deixar que ele cres&ccedil;a por causa da crise, &eacute; vergonha quando comparado com sal&aacute;rios exorbitantes, acrescentados com mil e uma benesses e mais valias. Olhar-se para as reformas de mis&eacute;ria e n&atilde;o as deixar crescer por causa da crise, &eacute; esc&acirc;ndalo quando comparadas com o esbanjamento de dinheiro para contentar quem serve ou serviu, por vezes t&atilde;o mal, a coisa p&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de tudo e mais uma vez, felizmente, acontece o Natal. O Natal &eacute; o encontro de toda a realidade dos homens com o plano de amor de Deus &ndash; sonho anunciado e prometido durante o Advento e realizado com o nascimento do Filho de Deus, tornado Menino. O Natal de Jesus d&aacute;-nos 2 li&ccedil;&otilde;es: a 1&ordf; &eacute; a li&ccedil;&atilde;o da COMUNH&Atilde;O. Encontra-se Deus feito Crian&ccedil;a com os mais pobres, marginalizados e deserdados da terra, personificados nos pastores e a multid&atilde;o celeste louva a Deus, dizendo: &laquo;gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados&raquo;. Sem este encontro e esta comunh&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; Natal crist&atilde;o! A 2&ordf; &eacute; a li&ccedil;&atilde;o da MISS&Atilde;O. Todos os que se encontram com o Deus feito Menino, unido aos pobres, marginalizados e deserdados da terra, s&atilde;o chamados a anunciar os valores do Natal. Estes s&atilde;o a paz, a fraternidade, a justi&ccedil;a, a verdade, o amor &ndash; valores que convidam a abrir as portas do cora&ccedil;&atilde;o e a partilhar o emprego e o p&atilde;o. Sem a pr&aacute;tica e o an&uacute;ncio destes valore, n&atilde;o h&aacute; Natal crist&atilde;o!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como nos dizem as leituras, o Natal &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o da LUZ para toda a terra e para todos os homens, para que todos possamos viver com temperan&ccedil;a, justi&ccedil;a e piedade, resgatados de toda a iniquidade, aguardando a ditosa esperan&ccedil;a e a manifesta&ccedil;&atilde;o da gl&oacute;ria do nosso grande Deus e Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A nossa Igreja de Viseu est&aacute; a iniciar o S&iacute;nodo Diocesano. Colocamo-lo no Pres&eacute;pio, pedindo o amor carinhoso de Maria, M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e. Convocados para o Projecto Sinodal, todos somos chamados a viver em comunh&atilde;o e a realizar a miss&atilde;o que &eacute;: viver, celebrar e anunciar o Natal de Jesus Cristo, o &uacute;nico e verdadeiro Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para todos v&oacute;s, vossos familiares e vossos amigos e para todas as pessoas de boa vontade, os votos sinceros de um Santo e Feliz Natal, cheio de prendas do Emanuel, o Deus nascido para nos ensinar a viver&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>+ Il&iacute;dio Leandro, bispo em Viseu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Viseu na Missa da Meia-Noite<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,168,184,267],"class_list":["post-49134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-viseu","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}