{"id":49127,"date":"2010-12-24T22:03:59","date_gmt":"2010-12-24T22:03:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/24\/o-natal-torna-possivel-a-esperanca\/"},"modified":"2010-12-24T22:03:59","modified_gmt":"2010-12-24T22:03:59","slug":"o-natal-torna-possivel-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-torna-possivel-a-esperanca\/","title":{"rendered":"O Natal torna poss\u00edvel a Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal 2010 do Cardeal-Patriarca de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p>Senhores telespectadores e r&aacute;dio-ouvintes,<\/p>\n<p>1. Mais uma vez &eacute; noite de Natal. A comemora&ccedil;&atilde;o do nascimento de Jesus em Bel&eacute;m originou, ao longo dos s&eacute;culos, uma tradi&ccedil;&atilde;o cultural de paz e fraternidade. Nesta noite, as pessoas abrem espontaneamente o cora&ccedil;&atilde;o a valores porventura adormecidos no dia-a-dia da vida: a paz interior, a beleza da comunh&atilde;o e da fraternidade, a aceita&ccedil;&atilde;o simples de um Deus connosco, no rosto humano de um Menino que nasceu para n&oacute;s. &Eacute; a mensagem de Bel&eacute;m, transformada em cultura, que a todos envolve: Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e na terra paz, para os homens bons. Sa&uacute;do-vos a todos nesta noite diferente e quero muito que esta minha sauda&ccedil;&atilde;o seja um grito de esperan&ccedil;a para Portugal, para o Portugal concreto, neste final de 2010 e in&iacute;cio de 2011.<\/p>\n<p>Eu sei que, para muitos portugueses, para muitas fam&iacute;lias, este n&atilde;o ser&aacute; um Natal f&aacute;cil; ser&aacute; tanto mais exigente quanto a alegria da festa esteja ligada ao bem-estar material. Mas tamb&eacute;m em Bel&eacute;m, h&aacute; dois mil anos, a alegria daquele nascimento n&atilde;o foi impedida pela pobreza da gruta, &uacute;ltimo recurso para um casal deslocado, para quem n&atilde;o havia lugar nas hospedarias da cidade. Eles viveram e exprimiram aquilo que, mais tarde, seria a mensagem de Jesus: a pobreza n&atilde;o impede, necessariamente, a alegria. Ao contr&aacute;rio, Ele chama bem-aventurados aos pobres, mais sens&iacute;veis &agrave;s verdadeiras alegrias da esperan&ccedil;a no Reino de Deus.<\/p>\n<p>2. Nas &uacute;ltimas semanas, tem-se falado, sobretudo, no Portugal econ&oacute;mico. Analisou-se a crise econ&oacute;mico-financeira, dissecaram-se as suas causas, discutiram-se as solu&ccedil;&otilde;es, de austeridade inevit&aacute;vel, segundo parecer generalizado de peritos, analistas e pol&iacute;ticos. &Eacute; certo que, principalmente no contexto ocidental em que estamos inseridos, a sa&uacute;de da economia &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para o crescimento da sociedade. Mas em momentos de especiais dificuldades, como o que atravessamos, as crises n&atilde;o encontrar&atilde;o verdadeira solu&ccedil;&atilde;o, se n&atilde;o pusermos o acento no Portugal cultural, na verdadeira identidade espiritual do nosso Povo, caldeada ao longo de s&eacute;culos por valores que constituem a verdadeira alma de Portugal. &Eacute;, pois, o momento de abra&ccedil;armos com coragem e determina&ccedil;&atilde;o esta nossa identidade, espiritual e cultural, de modo que nenhuma crise ou sofrimento as ponham em quest&atilde;o.<\/p>\n<p>Recordarei convosco, esta noite, alguns desses valores constitutivos da tradi&ccedil;&atilde;o cultural portuguesa, procurando ver, convosco, como eles podem ajudar a viver, com grandeza, o momento presente. Antes de mais a solidariedade. Portugal &eacute; um Povo solid&aacute;rio e acolhedor. Essa dimens&atilde;o exprimiu-se de tantas maneiras: no sentido comunit&aacute;rio de aldeias e munic&iacute;pios, onde todos aprenderam a dar-se as m&atilde;os na busca de solu&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, para o desenvolvimento local, para a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais; na criatividade das iniciativas culturais. Povo solid&aacute;rio, exprimiu esse acolhimento a todos os que v&ecirc;m de fora, turistas, emigrantes, forasteiros ou peregrinos. Os que chegam, diferentes na cor, na ra&ccedil;a, ou mesmo na religi&atilde;o, s&atilde;o nossos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Esta crise pode suscitar, em cada um de n&oacute;s, este esp&iacute;rito de solidariedade. Estejamos atentos ao nosso pr&oacute;ximo, que pode ser o nosso vizinho. Fa&ccedil;amos do seu sofrimento a nossa causa; n&atilde;o olhemos s&oacute; para aquilo de que nos privaram ou nos obrigaram a pagar a mais; mas partilhemos generosamente o que temos com quem tem menos do que n&oacute;s.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a espiritual de Portugal &eacute;, e sempre foi, a fam&iacute;lia, enraizada na beleza do amor de um homem e de uma mulher, aprofundado na experi&ecirc;ncia sublime da fecundidade. A fam&iacute;lia &eacute; a fonte da coragem. Fortalecidos na comunh&atilde;o familiar, os nossos antepassados travaram todas as batalhas, arriscaram todas as aventuras, para escrever, por vezes com sangue, o nome de Portugal. Ela &eacute; o alfobre da fidelidade, e o amor, mesmo o amor por Portugal, sup&otilde;e sempre a fidelidade, tantas vezes provada e experimentada, mas vencedora com a gra&ccedil;a pr&oacute;pria do sacramento do matrim&oacute;nio. Quem n&atilde;o &eacute; fiel na fam&iacute;lia, dificilmente o ser&aacute; aos grandes desafios e objectivos da comunidade nacional. A generosidade na busca generosa do bem-comum, aprende-se na fam&iacute;lia. As fam&iacute;lias portuguesas, de modo particular as fam&iacute;lias crist&atilde;s, s&atilde;o convidadas a envolver no seu amor comunit&aacute;rio outras fam&iacute;lias em dificuldade.<\/p>\n<p>A alma de Portugal &eacute; a de um povo crente, que confia na ajuda de Deus e na protec&ccedil;&atilde;o maternal de Maria, M&atilde;e de Jesus. N&atilde;o receemos recorrer a essa protec&ccedil;&atilde;o, amorosa e poderosa. Se nunca aprendestes a rezar, deixai que a espontaneidade do vosso cora&ccedil;&atilde;o aflito se transforme em prece, rezai com outras pessoas que saibam rezar. Partilhar a f&eacute; e a ora&ccedil;&atilde;o pode ajudar a resistir neste momento dif&iacute;cil. E que cada um n&atilde;o reze s&oacute; por si, mas pelos outros, sobretudo pelos que est&atilde;o aflitos e mais sofrem.<\/p>\n<p>3. Hoje &eacute; Natal. Nesta noite bela, &eacute; poss&iacute;vel a todos deixar renascer a esperan&ccedil;a. O seu fundamento &eacute; o amor de Deus que nos visita, fazendo-se Homem nosso irm&atilde;o; &eacute; o amor dos irm&atilde;os que, em momentos dif&iacute;ceis, nos fazem sentir o calor da fraternidade. A esperan&ccedil;a s&oacute; se fundamenta no amor, no amar e sentir-se amado. S&oacute; o amor nos d&aacute; for&ccedil;a para lutar e nos ensinar&aacute; a confiar. Olhemos o pres&eacute;pio e sintamo-nos como aquele Menino, abra&ccedil;ados pela mesma M&atilde;e.<\/p>\n<p>Bom Natal!<\/p>\n<p>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal 2010 do Cardeal-Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[191,267,314],"class_list":["post-49127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-economia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}