{"id":49112,"date":"2010-12-23T10:34:24","date_gmt":"2010-12-23T10:34:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/23\/igreja-catolica-em-portugal-no-ano-2010\/"},"modified":"2010-12-23T10:34:24","modified_gmt":"2010-12-23T10:34:24","slug":"igreja-catolica-em-portugal-no-ano-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-catolica-em-portugal-no-ano-2010\/","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal no ano 2010"},"content":{"rendered":"<p>Da visita do Papa aos casos de abuso sexual por membros do clero e da crise econ\u00f3mica \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo: o ano 2010, Centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, na an\u00e1lise do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &#8211; 2010 fica na hist&oacute;ria como o ano da visita do Papa Bento XVI a Portugal. Um acontecimento apenas para recordar ou com consequ&ecirc;ncias?<br \/><\/em>D. Jorge Ortiga &ndash; A visita do Papa foi um acontecimento hist&oacute;rico. Ele tem um antes, um durante e um depois. Tratou-se de uma solicita&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, na continuidade da reflex&atilde;o sobre renova&ccedil;&atilde;o da Igreja em Portugal que vinha a ser feita por n&oacute;s e tinha encontrado j&aacute; um momento particular na visita ad limina. O nosso pedido coincidiu tamb&eacute;m com a vontade do Papa em ser peregrino de F&aacute;tima.<br \/>O durante, todos conhecemos: uma mensagem concreta, os destinat&aacute;rios precisos e objectivos bem definidos. Agora est&aacute; a acontecer o depois. &Eacute; um acontecimento que queremos que tenha vitalidade e que provoque uma reflex&atilde;o profunda na Igreja em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>AE &ndash; H&aacute; sectores da Igreja e at&eacute; da sociedade onde esse depois esteja a acontecer?<br \/><\/em>JO &ndash; Neste momento, h&aacute; uma reflex&atilde;o em curso sobre os documentos por sacerdotes, consagrados e leigos, em ordem a uma pastoral renovada.<br \/>Tenho tamb&eacute;m conhecimento que grupos de pessoas que espontaneamente analisam os documentos e est&atilde;o reflectir sobre o contributo a dar na defini&ccedil;&atilde;o de um projecto pastoral comum em todas as dioceses.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>AE &ndash; H&aacute; resultados concretos da visita?<br \/><\/em>JO &ndash; Portugal sempre teve um amor particular pelo Papa (chamavam a Portugal a &ldquo;Na&ccedil;&atilde;o Fidel&iacute;ssima&rdquo;). Esta visita serviu para que desaparecessem clich&eacute;s acerca deste Papa que estavam a determinar a opini&atilde;o do povo portugu&ecirc;s sobre Bento XVI e crescesse o amor ao Papa, determinante para acolher a sua mensagem.<br \/>Por outro lado, a mensagem que ele deixou sobre F&aacute;tima, referindo a sua actual dimens&atilde;o prof&eacute;tica para o mundo e para a Igreja, desafia-nos a considerar F&aacute;tima n&atilde;o s&oacute; como lugar de peregrina&ccedil;&atilde;o, um lugar especial, em Portugal. F&aacute;tima tem uma dimens&atilde;o de an&uacute;ncio, em nome de Deus, para toda a sociedade.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ao avaliar o impacto da visita do Papa, analistas referem que Bento XVI conquistou o espa&ccedil;o p&uacute;blico, existindo sintonias da Igreja com a sociedade. Existe consci&ecirc;ncia eclesial desse facto? Ele desafia a estar presente no espa&ccedil;o p&uacute;blico com estrat&eacute;gias e linguagens do tempo actual?<br \/><\/em>JO &ndash; Essa consci&ecirc;ncia existe. O modo como as coisas decorreram confirma essa prioridade pastoral.<\/p>\n<p><em>[[v,d,1717,An&aacute;lise do Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga]]AE &ndash; Mas foi a primeira vez que um evento eclesial teve tanto impacto, nomeadamente medi&aacute;tico?<br \/><\/em>JO &ndash; A primeira vez n&atilde;o&hellip; E j&aacute; t&iacute;nhamos consci&ecirc;ncia de que a Igreja tinha de deixar de se centrar nela pr&oacute;pria e mergulhar no mundo. Hoje, ela tornou-se muito mais evidente.<br \/>No encontro com a cultura, no Centro Cultural de Bel&eacute;m, Bento XVI dizia que era preciso &ldquo;reaprender&rdquo; a estar no mundo. Isso indica que n&oacute;s j&aacute; soubemos estar, j&aacute; soubemos ser fermento na sociedade e que talvez hoje tenhamos centralizado a ac&ccedil;&atilde;o da Igreja dentro dela pr&oacute;pria, quando &eacute; necess&aacute;ria uma presen&ccedil;a muito concreta nos variados &acirc;mbitos da sociedade: na cultura, na escola, na universidade e outros lugares.<br \/>Quando o Papa dizia tamb&eacute;m que o crist&atilde;o leigo deve ser uma presen&ccedil;a irradiante do Evangelho, desafiava a estar no espa&ccedil;o p&uacute;blico, mesmo silenciosamente, mas iluminando, fazendo propostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>AE &ndash; Essa presen&ccedil;a pode coexistir com a manuten&ccedil;&atilde;o de uma estrutura hier&aacute;rquica da estrutura da Igreja, a n&iacute;vel nacional ou local?<br \/><\/em>JO &ndash; Existe uma convers&atilde;o a fazer. Na linguagem do Conc&iacute;lio Vaticano II, a Igreja &eacute; definida como uma comunh&atilde;o. E acrescenta-se: hier&aacute;rquica.<br \/>Mas esta n&atilde;o &eacute; uma comunh&atilde;o de irrespons&aacute;veis! &Eacute; uma comunh&atilde;o de pessoas que, com os seus dons, talentos e carismas, edificam a Igreja. Como a hierarquia.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>AE &ndash; E nessa comunh&atilde;o existe espa&ccedil;o para respeitar o diferente?<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute; fundamental! O grande lema da Igreja &eacute; o desafio que a palavra unidade lhe apresenta. A Igreja &eacute; una n&atilde;o no sentido de uma obedi&ecirc;ncia servil ao Papa, mas aceitando as diversidades. N&atilde;o se trata de uma uniformidade, mas de uma unidade, que sup&otilde;e a diversidade.<br \/>Talvez n&oacute;s, Igreja hier&aacute;rquica, n&atilde;o tenhamos sido capazes de aproveitar a diversidade: a diversidade dos leigos, com os seus conhecimentos e compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas; aceitando tamb&eacute;m os leigos o &ldquo;jogo&rdquo; de um sacerdote ou um bispo presidir &agrave; caridade (como sempre foi definida a miss&atilde;o da hierarquia).<br \/>H&aacute; alguns leigos e padres que &ldquo;clericalizam&rdquo; a pastoral, centralizando tudo na pessoa do padre ou do bispo. Mas a vontade n&atilde;o &eacute; essa. &Eacute; antes de unir as diversidades de pessoas, de compet&ecirc;ncia e de fun&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O pensamento diferente tem espa&ccedil;o nessa diversidade?<br \/><\/em>JO &ndash; &Agrave; primeira vista pode parecer que a Igreja &ldquo;corta as asas&rdquo; a quem tem um pensamento mais libertino (em termos de ortodoxia).<br \/>Pelo que me diz respeito, acho que algumas afirma&ccedil;&otilde;es, mesmo que exageradas, t&ecirc;m o valor de provocar a reflex&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; No encontro no Centro Cultural de Bel&eacute;m, Bento XVI afirmou a necessidade do di&aacute;logo, mesmo com outras verdades&hellip;<br \/><\/em>JO &ndash; A&iacute; est&aacute;! &Eacute; nesse di&aacute;logo, dentro da Igreja, que se aceitam as diversidades. O que constitui um desafio permanente. A sociedade moderna &eacute; plural e n&atilde;o basta diz&ecirc;-lo. Temos de saber conviver com a diferen&ccedil;a.<br \/>A Igreja aceita e promove o di&aacute;logo e a toler&acirc;ncia &#8211; mesmo que nem sempre atinja esse objectivo doutrinalmente &ndash; entre as religi&otilde;es. Tamb&eacute;m na rela&ccedil;&atilde;o com o mundo. N&atilde;o estamos no tempo de condena&ccedil;&otilde;es aprior&iacute;sticas&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Estaremos mesmo no tempo de separar Igreja\/Mundo?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o. Estamos precisamente no tempo em que a Igreja tem de mergulhar no mundo. A Igreja dos primeiros tempos &eacute; um paradigma para n&oacute;s: o crist&atilde;o &eacute; uma pessoa como outra qualquer, mas sendo a alma do mundo.<br \/>N&oacute;s fech&aacute;mo-nos demasiado dentro de portas dos templos. Temos de sair das nossas sacristias, cumprindo a miss&atilde;o da Igreja, como nos desafiou o Papa. O que n&atilde;o acontece apenas geograficamente, partindo para territ&oacute;rios distantes, mas cora&ccedil;&atilde;o a cora&ccedil;&atilde;o: no ambiente de trabalho ou qualquer outro contexto onde parece que a Igreja n&atilde;o tem nada a dizer. Por exemplo na pol&iacute;tica. N&atilde;o se trata criar um partido cat&oacute;lico. Antes que os cat&oacute;licos se assumam e sejam capazes, no jogo pol&iacute;tico, manifestarem o que &eacute; que Cristo poderia oferecer de novo.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Acha poss&iacute;vel a&iacute; a coer&ecirc;ncia com princ&iacute;pios crist&atilde;os?<br \/><\/em>JO &ndash; Espero! Talvez seja esse o grande desafio da pol&iacute;tica, a coer&ecirc;ncia&hellip; Porque n&atilde;o, ent&atilde;o, cat&oacute;licos na pol&iacute;tica, com coer&ecirc;ncia, sacrificando mesmo o carreirismo?! A Igreja tem de preparar os seus quadros para que cat&oacute;licos, sem r&oacute;tulos, estejam em Minist&eacute;rios, Assembleias e outros locais onde se constr&oacute;i a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Repensar a Igreja em Portugal rejeita conservadorismos<br \/><\/strong><em>AE &ndash; Que passos foram dados, em 2010, no projecto &ldquo;Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal&rdquo;?<br \/><\/em>JO &ndash; Est&aacute; elaborado o &ldquo;Instrumento de Trabalho&rdquo;, preparado por uma equipa ap&oacute;s o di&aacute;logo com os principais respons&aacute;veis pela Pastoral nas Dioceses. Agora, est&aacute; a ser analisado pelo Episcopado, pelos Conselhos Presbiterais e Pastorais, pelas Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas e Movimentos. De todos esperamos contributos e sugest&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>AE &ndash; Tamb&eacute;m daqueles que n&atilde;o t&ecirc;m assento nas estruturas oficiais?<br \/><\/em>JO &ndash; Todos os movimentos, de maior ou menor express&atilde;o, deveriam aceitar o pedido que a Igreja Cat&oacute;lica lhe faz. Tamb&eacute;m os leigos individualmente considerados: analisem esse instrumento de trabalho e proponham as suas considera&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m quem n&atilde;o &eacute; cat&oacute;lico: que d&ecirc; as suas ideias e suas sugest&otilde;es.<br \/>A sondagem que iremos realizar tem tamb&eacute;m o objectivo de ir ao encontro das pessoas, mesmo as alheias &agrave; Igreja e &agrave; f&eacute; crist&atilde;, para ouvir o que elas nos t&ecirc;m a dizer, as suas aspira&ccedil;&otilde;es. Queremos desenvolver uma pastoral que responda e n&atilde;o que imponha caminhos percorridos.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A pastoral proposta estar&aacute; a adiantar respostas para perguntas que ningu&eacute;m faz?<br \/><\/em>JO &ndash; Isso &eacute; que eu gostaria que n&atilde;o acontecesse. Parece-me que &eacute; fundamental que a nossa pastoral seja de resposta. Agora, talvez estejamos a repetir solu&ccedil;&otilde;es feitas h&aacute; muito tempo e, por isso, a Palavra de Deus n&atilde;o est&aacute; a ter incid&ecirc;ncia no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. A nossa linguagem e as nossas propostas est&atilde;o alheias &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es e &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es das pessoas.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Acredita que, neste processo de repensar a pastoral da Igreja em Portugal, surjam iniciativas inovadoras e eficazes para o tempo de hoje?<br \/><\/em>JO &ndash; Rezo para que isso aconte&ccedil;a. Mas verifico que h&aacute; a tenta&ccedil;&atilde;o de pisar o mesmo terreno e n&atilde;o dar um passo em frente. Neste momento, &eacute; preciso dar um passo em frente, acreditando que o momento civilizacional &eacute; novo. Hoje estamos num mundo novo.<br \/>Por vezes, d&aacute; impress&atilde;o que muitos sacerdotes ainda n&atilde;o se convenceram da novidade deste mundo e alguns ainda sonham que a realidade que estamos a viver em termos mundiais passa e voltaremos novamente quase &agrave; cristandade. Alguns ainda t&ecirc;m essa nostalgia da cristandade.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; H&aacute; respons&aacute;veis na Igreja Cat&oacute;lica com essa nostalgia?<br \/><\/em>JO &ndash; Alguns sacerdotes, de mais idade, alguns grupos ou movimentos&hellip; A Igreja &eacute; capaz de integrar tudo! Existem essas pessoas, esses pequenos grupos, que pensam que estamos a percorrer um caminho errado&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Refere-se a tend&ecirc;ncias denominadas &ldquo;conservadoras&rdquo;?<br \/><\/em>JO &ndash; Sim, sim. Essa tend&ecirc;ncia conservadora continua bastante forte em alguns sectores da Igreja, ligados a sacerdotes e a leigos. Encontramos pessoas isoladas e pequenos grupos que ainda pensam que a pastoral da Igreja passar&aacute; somente por algumas devo&ccedil;&otilde;es&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O caminho n&atilde;o &eacute; por tend&ecirc;ncias &ldquo;conservadoras&rdquo;?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o acredito. Em Igreja temos uma no&ccedil;&atilde;o muito clara em termos teol&oacute;gicos e filos&oacute;ficos do que &eacute; o tempo. Alicer&ccedil;amo-nos no presente, temos uma tradi&ccedil;&atilde;o como crit&eacute;rio inspirador da f&eacute; e dos comportamentos, mas a Igreja sempre caminhou rumo ao futuro. Se n&atilde;o tivermos a dimens&atilde;o do amanh&atilde;, desperdi&ccedil;amos o hoje. O que deve comandar a vida da Igreja &eacute; a fidelidade ao Evangelho, reconhecendo que ele nos coloca sempre na vanguarda, obrigando-nos a dar um passo em frente.&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Um projecto concreto, por exemplo, &eacute; a Miss&atilde;o 2010 na Diocese do Porto. &Eacute; um ensaio para respostas que a Igreja Cat&oacute;lica em Portugal pode levar por diante?<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute; uma experi&ecirc;ncia, como j&aacute; aconteceu em Lisboa. Outras Dioceses optam pela realiza&ccedil;&atilde;o de um percurso sinodal, como em Braga e agora em Viseu, por exemplo.<br \/>S&atilde;o experi&ecirc;ncias muito concretas onde se procura discernir o melhor caminho para o hoje da Igreja. Concretamente na Diocese do Porto, foi determinante a convic&ccedil;&atilde;o de que hoje &eacute; necess&aacute;ria uma Igreja possu&iacute;da pela miss&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; De todo o percurso de repensar a pastoral da Igreja em Portugal, resultar&aacute; um manual pr&aacute;tico para as v&aacute;rias estruturas eclesiais ou um guia inspirador?<br \/><\/em>JO &ndash; O grande objectivo &eacute; que na Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal de Novembro de 2011 seja aprovado um Plano Pastoral da Igreja em Portugal, com duas ou tr&ecirc;s ideias muito concretas que depois cada diocese concretizar&aacute; de acordo com as suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. Seria importante integrar neste Plano tamb&eacute;m as religiosas, os religiosos e os movimentos.<br \/>Parece-nos que F&aacute;tima, nas multid&otilde;es que acolhe, constituir&aacute; uma oportunidade, uma gra&ccedil;a, no assimilar dessa din&acirc;mica de toda a Igreja Cat&oacute;lica em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Igreja sem frac&ccedil;&otilde;es internas<br \/><\/strong><em>AE &ndash; D. Jorge Ortiga est&aacute; no &uacute;ltimo ano do segundo mandato como Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa. Como avalia o servi&ccedil;o que prestou?<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute; dif&iacute;cil fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o.<br \/>Em Maio de 2011, Deus concede-me a gra&ccedil;a de me libertar desta tarefa.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Porqu&ecirc;? &Eacute; um peso?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o. &Eacute; uma responsabilidade. Evidentemente que foram seis anos um pouco caracter&iacute;sticos: as liga&ccedil;&otilde;es com os Governos, concretamente para a regulamenta&ccedil;&atilde;o da Concordata n&atilde;o foram f&aacute;ceis em alguns aspectos (at&eacute; porque ainda h&aacute; aspectos a resolver). Mas, para mim, foi um prazer muito grande servir.<br \/>A preocupa&ccedil;&atilde;o foi de estar mais atento, alargando os horizontes. Para mim, um minhoto de gema e que tinha ficado sempre pelo Norte (com uma maneira peculiar de ver a Igreja), servir como Presidente de uma Confer&ecirc;ncia Episcopal foi um apelo muito grande.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Se tivesse que eleger um aspecto mais positivo qual escolheria?<br \/><\/em>JO &#8211; A unidade que existe entre todos os Bispos. H&aacute; quem diga que a nossa Confer&ecirc;ncia Episcopal &eacute; demasiado pac&iacute;fica, que n&atilde;o se agita com outras. Parece-me que o ambiente entre n&oacute;s, mesmo diferentes, &eacute; de unidade e comunh&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; real esse esp&iacute;rito colegial?<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute;, com toda a consci&ecirc;ncia o digo. O que n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o haja opini&otilde;es diferentes e que, quando chega a hora de votar tudo, seja por unanimidade. H&aacute; muitas ocasi&otilde;es em que triunfa apenas a maioria, mas depois assume-se o que foi decidido.<br \/>Ningu&eacute;m pode dizer que, na Igreja em Portugal neste momento, h&aacute; partidos ou frac&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; N&atilde;o h&aacute; dioceses de primeira ou de segunda?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o. Claro que umas t&ecirc;m mais possibilidades do que outras, maiores e com mais sacerdotes&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Nem bispos de primeira ou de segunda&hellip;<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o. Somos todos iguais. Existe uma comunh&atilde;o afectiva e efectiva. A comunh&atilde;o entre todos, na rela&ccedil;&atilde;o fraterna, com maior simpatia por este ou aquele, mas com um amor a todos. E depois efectiva, com esp&iacute;rito de colabora&ccedil;&atilde;o.<br \/>Isso verifica-se em momentos da vida da Igreja em que &eacute; normal a presen&ccedil;a dos bispos: a tomada de posse de um bispo ou o funeral. Espontaneamente, h&aacute; grande participa&ccedil;&atilde;o de todos os bispos.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Na enumera&ccedil;&atilde;o de aspectos positivos e negativos, o que correu menos bem?<br \/><\/em>JO &#8211; Por exig&ecirc;ncia pessoal, preocupo-me por n&atilde;o me deter no negativo, antes caminhar e avan&ccedil;ar. Se h&aacute; aspectos que me tenham magoado e n&atilde;o tenham corrido t&atilde;o bem, no dia seguinte ou pouco tempo depois &eacute; esquecido.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Por exemplo: o processo de elabora&ccedil;&atilde;o do articulado da Concordata foi bem conseguido?<br \/><\/em>JO &ndash; Penso que deveria ter havido mais di&aacute;logo entre n&oacute;s, bispos. Deveria ter havido mais participa&ccedil;&atilde;o da nossa parte na redac&ccedil;&atilde;o da Concordata. Sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o, as dificuldade foram significativas e h&aacute; aspectos ainda n&atilde;o regulamentados. O trabalho foi, no entanto, sendo realizado dentro dos objectivos que pretend&iacute;amos, no contexto de uma liberdade religiosa que n&atilde;o queremos s&oacute; para n&oacute;s mas estendida a todas as confiss&otilde;es religiosas.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Deixa alguma heran&ccedil;a para o seu sucessor, algum dossier que quisesse ter conclu&iacute;do?<br \/><\/em>JO &ndash; Seria muito bom que todos os aspectos da Concordata estivessem j&aacute; tratados&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Gostaria de terminar o mandato com esse assunto fechado?<br \/><\/em>JO &ndash; Fechado n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel. Porque a atitude de di&aacute;logo da Igreja com o Governo tem de existir sempre. Aceitando um regime de separa&ccedil;&atilde;o, na consci&ecirc;ncia de que a laicidade &eacute; uma atitude boa para a Igreja, temos de aceitar sempre o di&aacute;logo, por ventura o confronto natural.<br \/>Estava previsto que o documento final do projecto &ldquo;Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal&rdquo; fosse aprovado em Maio. Era um gosto que esse processo terminasse meu mandato. Mas, sendo realista, passa para o seguinte. E a vida da Confer&ecirc;ncia n&atilde;o tem um come&ccedil;ar e um terminar. Continua.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Neste ano 2010, muitos bispos da Confer&ecirc;ncia Episcopal renunciaram por limite de idade. Quais as suas expectativas para esse processo novas nomea&ccedil;&otilde;es episcopais?<br \/><\/em>JO &ndash; Pode ser uma ocasi&atilde;o de mudan&ccedil;a e renova&ccedil;&atilde;o, nomeadamente nas Comiss&otilde;es Episcopais. Ali&aacute;s, o desenvolvimento de projectos pr&oacute;prios nas Comiss&otilde;es Episcopais, sem esperar pela Confer&ecirc;ncia no seu conjunto, era um dos projectos em que queria ter avan&ccedil;ado.<br \/>A Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, em n&uacute;mero de bispos, &eacute; reduzida. Quanto mais juventude existir, &eacute; de esperar que outras ideias surjam para o caminho que estamos a percorrer.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O processo de nomea&ccedil;&atilde;o dos bispos &eacute; o adequado aos tempos de hoje?<br \/><\/em>JO &ndash; Penso que deveria haver mais di&aacute;logo, falando abertamente entre n&oacute;s sobre este processo. Tudo est&aacute; no &acirc;mbito do confidencial, desenvolvido pela nunciatura. Pensa-se que nem os leigos s&atilde;o ouvidos, o que n&atilde;o &eacute; verdade. Para cada caso, h&aacute; um n&uacute;mero de leigos que &eacute; ouvido.<br \/>H&aacute; quem fale que deveria ser a pr&oacute;pria diocese a promover um movimento&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Um exerc&iacute;cio mais democr&aacute;tico?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o sei se seria vi&aacute;vel&hellip; Talvez alargar o di&aacute;logo e ouvir mais pessoas sobre as qualidades que gostariam de encontrar no bispo, &eacute; capaz de ser oportuno.<br \/>A Santa S&eacute; estar&aacute; tamb&eacute;m atenta a isto. Os tempos s&atilde;o outros, o processo ainda &eacute; o mesmo, mas pode acontecer que se altere qualquer coisa.<\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;tica em Portugal &eacute; previs&iacute;vel<br \/><\/strong><em>AE &ndash; Como avalia a ac&ccedil;&atilde;o do Governo?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o nos compete avaliar a ac&ccedil;&atilde;o do Governo. Tamb&eacute;m n&atilde;o nos podemos alhear: se somos enviados para servir um povo, temos de nos colocar do lado dele, identificando-nos com os problemas que vive no quotidiano. E, se verificarmos que a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; a encontrar respostas adequadas, &eacute; um dever da nossa miss&atilde;o intervir.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Isso est&aacute; a acontecer actualmente?<br \/><\/em>JO &ndash; Creio que sim. O que n&atilde;o quer dizer que estejamos a intervir na pol&iacute;tica. N&oacute;s n&atilde;o fazemos pol&iacute;tica. Apenas procuramos apresentar a Doutrina Social da Igreja. Propomo-la.<br \/>N&atilde;o apenas eu, mas todos os bispos, no momento oportuno, colocamo-nos do lado do povo para o defender seu interesse. E ningu&eacute;m nos pode condenar por isso, dizendo que estamos a fazer pol&iacute;tica.<br \/>Muita gente gostaria que nos fech&aacute;ssemos dentro das igrejas, numa dimens&atilde;o intimista. A religi&atilde;o parte do interior. Mas se n&atilde;o tiver uma repercuss&atilde;o no exterior, &eacute; vazia.<br \/>&Eacute; necess&aacute;rio que a Igreja, a hierarquia e o laicado, participe na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade. E, infelizmente, talvez n&atilde;o tenhamos os leigos capazes para, no meio do mundo, apontar defici&ecirc;ncias que o governo tem, as expectativas que n&atilde;o est&atilde;o a ser cumpridas, as promessas eleitorais que s&atilde;o feitas e que n&atilde;o sei para onde v&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que consequ&ecirc;ncias deveria ter o governo por esses incumprimentos?<br \/><\/em>JO &ndash; As consequ&ecirc;ncias acontecem sempre nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Neste ano, esteve em debate a continuidade da legislatura. Teria sido melhor a dissolu&ccedil;&atilde;o do Parlamento?<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute; uma das quest&otilde;es em que n&atilde;o quero entrar&#8230; O que deveria ter acontecido &eacute; di&aacute;logo e reflex&atilde;o serena e n&atilde;o apenas orientada por quest&otilde;es ideol&oacute;gicas ou partid&aacute;rias.<br \/>Eu acho que, em Portugal, n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;tica, no sentido genu&iacute;no da palavra (que revele interesse pela polis, pela cidade onde se vive). H&aacute; demasiados interesses partid&aacute;rios e carreirismo. H&aacute; uma submiss&atilde;o exagerada a um l&iacute;der, &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es do partido. E deveria haver liberdade e responsabilidade da parte de todos.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Inclui a&iacute; tamb&eacute;m a oposi&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/em>JO &ndash; Incluo toda a gente! H&aacute;, quase sempre, da parte dos diversos partidos orienta&ccedil;&atilde;o do voto no Parlamento. H&aacute; uma linguagem programada (j&aacute; sabemos o que um e o que o outro v&atilde;o dizer). S&atilde;o sempre os mesmos a falar&hellip; Para qu&ecirc; tanta gente!? Dizem que h&aacute; as comiss&otilde;es, para fazer os estudos dos diversos dossiers e n&atilde;o se v&ecirc;m&hellip;<br \/>N&atilde;o gosto de falar nisto publicamente. Mas &eacute; bom que os crist&atilde;os fa&ccedil;am desta quest&atilde;o tema para as suas preocupa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Ruptura &eacute; precisa na economia<br \/><\/strong><em>AE &ndash; O modelo social e econ&oacute;mico &eacute; constantemente posto em causa. H&aacute; alternativas definidas?<br \/><\/em>JO &ndash; H&aacute;: a que resulta dos contributos da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que sucesso ter&aacute; a Doutrina Social da Igreja nos tempos actuais?<br \/><\/em>JO &ndash; Tem muito. Estou convencido que este modelo social e econ&oacute;mico da actualidade est&aacute; ultrapassado, desapareceu e estamos a colher os resultados.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas continua a aplicar-se&hellip;<br \/><\/em>JO &ndash; E continuar&aacute; sempre. Porque <em>est&aacute; alicer&ccedil;ado no interesse, no mercado que provoca lucro f&aacute;cil, permitindo que alguns enrique&ccedil;am e outros continuem a viver na mis&eacute;ria.<\/em><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ter&aacute; de haver ent&atilde;o um momento de ruptura?<br \/><\/em>JO &ndash; Sim: quando os interesses pessoais derem lugar &agrave; responsabilidade rec&iacute;proca. A alternativa est&aacute; numa consci&ecirc;ncia nova, assente nos princ&iacute;pios da Doutrina Social da Igreja da solidariedade e do bem comum.<br \/>Nesta fraternidade, haver&aacute; sempre quem tenha mais e quem tenha menos, mas as desigualdades n&atilde;o ser&atilde;o t&atilde;o grandes; e n&atilde;o haver&aacute; pessoas com duplo e triplo emprego, antes a sensibilidade para reconhecer que o outro tem uma dignidade id&ecirc;ntica &agrave; minha e necessita de poder trabalhar e ter direito a uma vida digna.<br \/>Por outro lado, h&aacute; muita gente tamb&eacute;m que se n&atilde;o trabalhar e puder ter o precisa para viver, n&atilde;o se interessa por isso. A educa&ccedil;&atilde;o para a responsabilidade no trabalho, que a todos enriquece, &eacute; fundamental. E faz parte da alternativa que a Igreja tem proposto. Mas a Doutrina Social da Igreja deveria ser mais conhecida.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As respostas, em tempo de crise, tem dado visibilidade &agrave;s estruturas da Igreja. T&ecirc;m sido as respostas adequadas?<br \/><\/em>JO &ndash; A visibilidade sempre existiu. Agora fazem mais falta e, por isso, fala-se mais nelas.<br \/>A Igreja foi pioneira, nas cidades e nas aldeias, a lan&ccedil;ar centros sociais e paroquiais h&aacute; muitos anos para dar respostas sociais quando n&atilde;o se falava muito da necessidade delas.<br \/>Hoje, essas institui&ccedil;&otilde;es existem e s&atilde;o fundamentais. Mas n&atilde;o basta. A caridade &eacute; muito mais do que isso: &eacute; feita de aten&ccedil;&atilde;o, de sil&ecirc;ncio, de tempo. Se &eacute; importante o dar, &eacute; muito mais importante o dar-se. A l&oacute;gica do dom, da gratuidade, &eacute; um princ&iacute;pio da renova&ccedil;&atilde;o da sociedade.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As respostas da Igreja podem ajudar a que continue a subsidiodepend&ecirc;ncia?<br \/><\/em>JO &ndash; A Igreja n&atilde;o d&aacute; subs&iacute;dios. Mas, na rede que constitui, a Igreja pode denunciar os que se &ldquo;movimentam&rdquo; muito bem nas diferentes institui&ccedil;&otilde;es e de todas recebem.<br \/>&Eacute; importante ter um conhecimento da realidade, atrav&eacute;s de um Observat&oacute;rio Social, onde a par&oacute;quia pode ser um meio importante para dar a conhecer a real situa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p><strong>Causas fracturantes<br \/><\/strong><em>AE &ndash; Neste contexto social, que sinal constitui a aprova&ccedil;&atilde;o, em 2010, do casamento entre pessoas do mesmo sexo?<br \/><\/em>JO &ndash; S&atilde;o temas fracturantes, que dividem a sociedade. Com tantos problemas a resolver teria sido melhor que o Governo se metesse por outro caminho.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Correspondem, essas iniciativas legislativas, &agrave; desconstru&ccedil;&atilde;o dos valores na sociedade?<br \/><\/em>JO &ndash; S&atilde;o sinal e sintoma da sociedade em que vivemos. Os valores v&atilde;o desaparecendo e o relativismo imp&otilde;e-se, tudo tendo o mesmo valor desde que satisfa&ccedil;a o pr&oacute;prio. Temos de arrepiar caminho!<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A liberdade de ensino, em Portugal, tem os dias contados?<br \/><\/em>JO &ndash; Queria que n&atilde;o. Parece-me que ela &eacute; uma exig&ecirc;ncia da democracia, que n&atilde;o &eacute; apenas a participa&ccedil;&atilde;o do povo na constru&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s pelo voto. A democracia sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de inst&acirc;ncias diferentes na sua organiza&ccedil;&atilde;o. Tudo o que significa monopolizar ou estatizar &eacute; antidemocr&aacute;tico, n&atilde;o promove a alternativa.<br \/>O ensino particular e cooperativo n&atilde;o s&oacute; tem o seu direito e deve ser promovido, como deveria ser acolhido. S&atilde;o propostas diferentes que d&atilde;o aos pais a possibilidade de escolha. Os pais podem n&atilde;o concordar com a educa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; a ser dada num estabelecimento p&uacute;blico. N&atilde;o por ser p&uacute;blico, mas pela orienta&ccedil;&atilde;o que tem.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Neste ano 2010, aconteceu o assinalar do Centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica. Que oportunidade constituiu?<br \/><\/em>JO &ndash; Tiveram a vantagem de n&atilde;o ser celebra&ccedil;&otilde;es megal&oacute;manas. Tentaram promover a reflex&atilde;o, embora bastante reduzida, em todas as sedes de distrito. E isso &eacute; uma vantagem.<br \/>A celebra&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o ofereceu conclus&otilde;es concretas&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em que &acirc;mbitos?<br \/><\/em>JO &ndash; A respeito do exerc&iacute;cio da democracia, vendo o que sup&otilde;e e como deveria ser exercida, quais as exig&ecirc;ncias da &ldquo;re-p&uacute;blica&rdquo;, da coisa p&uacute;blica. Este centen&aacute;rio poderia ser uma oportunidade para analisar, por exemplo, o que faz, e como faz, o Parlamento&hellip;<\/p>\n<p>AE &ndash; Foi sobretudo um assinalar hist&oacute;rico?<br \/>JO &ndash; Sim. N&atilde;o incidiu sobre a quest&atilde;o na actualidade.<br \/>A democracia participativa n&atilde;o se pode limitar ao dia do voto, expresso muitas vezes sem conhecimento do programa, da ideologia do partido. E o centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica poderia ter sido uma ocasi&atilde;o para este debate.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; 2010 foi tamb&eacute;m Ano da erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza. E a pobreza aumentou&hellip;<br \/><\/em>JO &ndash; &Eacute; de lamentar&hellip; Iniciativas concretas para a verdadeira erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, com o compromisso dos Estados, n&atilde;o se v&ecirc;m. E n&atilde;o me refiro s&oacute; a situa&ccedil;&atilde;o de Portugal.<br \/>Creio que a pobreza aumentou, mesmo com recursos suficientes para dar vida dignidade a todos.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os casos de abuso sexual de menores por parte de membros do clero s&atilde;o p&aacute;ginas negras na hist&oacute;ria da Igreja?<br \/><\/em>JO &ndash; Um caso na Igreja j&aacute; seria demais. Sendo confrontada com essa realidade, em vez de se desencantar do esp&iacute;rito de fidelidade, ofereceu um espa&ccedil;o de purifica&ccedil;&atilde;o interior.<br \/>O Santo Padre foi extremamente feliz, quando veio a Portugal, ao reconhecer que o pecado est&aacute; dentro da Igreja.<br \/>Esta &eacute; uma realidade e quem n&atilde;o tem pecado que atire a primeira pedra. S&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es que envergonham e entristecem a Igreja.<br \/>Esperemos que seja uma situa&ccedil;&atilde;o ultrapassada, que os casos de abuso n&atilde;o se repitam e exista maior cuidado na prepara&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o para o sacerd&oacute;cio.<\/p>\n<p>AE &ndash; O Ano Sacerdotal, que terminou a meados de 2010, &eacute; uma iniciativa j&aacute; esquecida?<br \/>JO &ndash; N&atilde;o. Acho que foi uma iniciativa n&atilde;o devidamente preparada. Est&aacute;vamos a concluir o Ano Paulino e aparece esta proposta do Santo Padre, a que aderimos&hellip;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Foi convocado tamb&eacute;m por causa dos casos dos abusos por parte de membros do clero?<br \/><\/em>JO &ndash; N&atilde;o podemos ligar uma coisa com a outra. &Eacute; uma coincid&ecirc;ncia que, para mim, &eacute; do Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p><strong>Para 2011<br \/><\/strong><em>AE &ndash; Que votos formula para 2011?<br \/><\/em>JO &ndash; Espero que se concretize um modelo de sociedade diferente, alicer&ccedil;ado na fraternidade e na justi&ccedil;a.<br \/>Para a Igreja em Portugal, gostaria que o programa de repensar a pastoral da Igreja fosse levado a s&eacute;rio por todos os crist&atilde;os e por todos os que nos queiram ajudar a ser fi&eacute;is &agrave; miss&atilde;o que Deus nos confiou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da visita do Papa aos casos de abuso sexual por membros do clero e da crise econ\u00f3mica \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo: o ano 2010, Centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, na an\u00e1lise do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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